Sempre que alugo casa para férias, seja onde for, há qualquer coisa de fascinante, aventureiro e desconfortável naquele ato de entrar pela porta da casa de alguém que muitas vezes não conhecemos e lá passar alguns dias. Apetece dizer "Posso?" várias vezes.
Uma das coisas que mais gosto nestes dias é imaginar quem são as pessoas que ali vivem ou viveram ou passam férias...
Apesar de baixar todas as molduras para evitar que os pequenos deixem cair, é curioso ver as fotos de família... Serão filhos, sobrinhos, avós ou tios? Costumam vir cá? Há crianças? Quantas e a que brincaram?
... Gosto de ver as pegas velhas e os púcaros antigos onde imagino um café Brasa a ser feito para acompanhar um bolo que saiu daquele forno que já não funciona bem. Que cheirinho!
... E devem comer pouca sopa porque há muito mais facas e garfos que colheres... Se calhar pertencem ali vários adolescentes que odeiam legumes.
Às vezes há damas, livros velhos, bacias antigas na casa de banho que deviam ser dos avós velhinhos que são muito respeitados porque há coisas deles por todo o lado... e estimadas!
Lá fora já deve ter havido muito pão feito em forno de lenha, o cabrito ou o borrego e ainda jogos de futebol, passeios de bicicleta e certamente conversas e risos nos luares quentes do verão...
"Posso mesmo dormir na vossa cama?" "Posso usar o gengibre ou o piri piri? É só um bocadinho!"
"Posso ficar a olhar para este quadro com uma criança meiga a brincar e imaginar que foi uma tia que o pintou há muitos anos e que a mesma criança é hoje a avó que bordou esta toalha de mesa de linho que não quis usar para não sujar...?!"
"Posso deixar a minha filha sentar na cadeirinha de madeira linda do tamanho dela que já deve ter ouvido tantas histórias de aventuras passadas no alto da serra?"
No fim, tento limpar com carinho as coisas que foram nossas por uns dias, de deixar o copo que partimos porque ríamos à mesa e um braço mais atrevido se encostou a ele, deixando sempre um "Obrigado por tudo".
Acho especiais estes gestos de partilha e confiança...
Apetece depois, no fim de tudo o que vivemos dentro e fora daquela casa de todos, dizer: "Posso convidar-vos para passarem uns dias na nossa casa? Seria um prazer!"
já que gosto de escrever sobre o que penso, o que vivo e o que sinto nesta fase da minha vida, abro a porta deste cantinho para partilhar estas palavras. obrigada pelas visitas.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
As Gavetas da Felicidade!
Um dos assuntos que me deixam empolgada e que adoro debater é a felicidade.
Várias ideias vivem em mim agitadas sobre o que significa ser feliz e quais os fatores que, na minha opinião, nos levam a este estado "obrigatório" nesta breve vida na terra...
Parece-me muitas vezes que a ideia mais comum associa felicidade a uma gaveta que arruma tudo direitinho, pondo lado a lado:
- um país desenvolvido onde tenho acesso a cultura, saúde e educação
- estabilidade emocional e familiar
- organização e harmonia
- dinheiro e um curso superior
- valores e um pensamento mais inclinado para o racional
Até aqui, esta parece uma gaveta perfeita e lógica. Aqui encaixaria aquela pessoa que chega ao fim do dia a casa, deixou secretária impecável no trabalho, tem tudo planeado e previsto em casa, jantar guardado em caixas com etiquetas dizendo o dia a que correspondem, tudo tem sítio, ordem e a felicidade existe!
Pois eu gostava de desarrumar um pouco esta pessoa e esta gaveta e acrescentar algumas peças que fazem da vida, a meu ver, uma gaveta ainda mais feliz e completa:
- desafios e obstáculos com desfecho que nos cabe a nós resolver
- gargalhadas, música e comida picante feita sem receita
- enganos no caminho para o trabalho, férias sem destino e jantares com amigos marcados de um dia para o outro
- terra rica em alimentos, com árvores que possam ser trepadas
- esplanadas com sol, liberdade e chinelos com areia
- valores e pensamento mais inclinado para o emotivo.
Agora sim, uma gaveta maior, colorida que, não estando arrumada por cores, está com um ar confortável e muito feliz!
Se olhar o mundo com distância, consigo encaixar o Norte "desenvolvido", frio e civilizado na gaveta 1 e o Sul quente e que fala alto, na gaveta 2. Claro que não escolheria uma só gaveta, não é de fundamentalismo nem de utopias que escrevo. Escolho uma gaveta 1+2. :)
Sublinho apenas que a vida é bem boa quando não é uma estrada em linha reta, mas um caminho que inclui curvas, paragens e imprevistos.
Pegava na mão do senhor das etiquetas e desafiava-o a descobrir ruas novas sem querer, levantar o olhar para ver o topo do seu prédio, vestir as calças de ganga por cima das do pijama, subir para cima da mesa da sala para a ver noutra perspectiva e experimentar sempre iogurtes novos!
Adoro e sigo como exemplo o desenvolvimento dos países nórdicos mas é no desenvolvimento humano e artístico dos países menos ricos que me inspiro para arrumar as minhas gavetas.
SEJAMOS FELIZES!
(nota para quem me lê até ao fim: parece que podemos ter algum livro editado em breve <3 FELIZ!)
Várias ideias vivem em mim agitadas sobre o que significa ser feliz e quais os fatores que, na minha opinião, nos levam a este estado "obrigatório" nesta breve vida na terra...
Parece-me muitas vezes que a ideia mais comum associa felicidade a uma gaveta que arruma tudo direitinho, pondo lado a lado:
- um país desenvolvido onde tenho acesso a cultura, saúde e educação
- estabilidade emocional e familiar
- organização e harmonia
- dinheiro e um curso superior
- valores e um pensamento mais inclinado para o racional
Até aqui, esta parece uma gaveta perfeita e lógica. Aqui encaixaria aquela pessoa que chega ao fim do dia a casa, deixou secretária impecável no trabalho, tem tudo planeado e previsto em casa, jantar guardado em caixas com etiquetas dizendo o dia a que correspondem, tudo tem sítio, ordem e a felicidade existe!
Pois eu gostava de desarrumar um pouco esta pessoa e esta gaveta e acrescentar algumas peças que fazem da vida, a meu ver, uma gaveta ainda mais feliz e completa:
- desafios e obstáculos com desfecho que nos cabe a nós resolver
- gargalhadas, música e comida picante feita sem receita
- enganos no caminho para o trabalho, férias sem destino e jantares com amigos marcados de um dia para o outro
- terra rica em alimentos, com árvores que possam ser trepadas
- esplanadas com sol, liberdade e chinelos com areia
- valores e pensamento mais inclinado para o emotivo.
Agora sim, uma gaveta maior, colorida que, não estando arrumada por cores, está com um ar confortável e muito feliz!
Se olhar o mundo com distância, consigo encaixar o Norte "desenvolvido", frio e civilizado na gaveta 1 e o Sul quente e que fala alto, na gaveta 2. Claro que não escolheria uma só gaveta, não é de fundamentalismo nem de utopias que escrevo. Escolho uma gaveta 1+2. :)
Sublinho apenas que a vida é bem boa quando não é uma estrada em linha reta, mas um caminho que inclui curvas, paragens e imprevistos.
Pegava na mão do senhor das etiquetas e desafiava-o a descobrir ruas novas sem querer, levantar o olhar para ver o topo do seu prédio, vestir as calças de ganga por cima das do pijama, subir para cima da mesa da sala para a ver noutra perspectiva e experimentar sempre iogurtes novos!
Adoro e sigo como exemplo o desenvolvimento dos países nórdicos mas é no desenvolvimento humano e artístico dos países menos ricos que me inspiro para arrumar as minhas gavetas.
SEJAMOS FELIZES!
(nota para quem me lê até ao fim: parece que podemos ter algum livro editado em breve <3 FELIZ!)
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Mão de Mãe
(texto de outubro de 2014: Lucas 4 anos, Inês 1 mês)
"Como conduzi eu na ida, agora sentei-me eu atrás. Está a anoitecer e depois de um dia de emoções e encontros, regresso a casa cansada, com sono mas feliz...
Estou sentada no meio deles e procuro ter cada uma das minhas mãos em cima das mãozinhas deles. É tão recente o facto de sermos 4, que a minha preocupação com a segurança deles é muito maior do que aquilo que as minhas mãos conseguem proteger nesta viagem de apenas 1 hora.
De um lado o Lucas, que apesar de crescido, me parece um frágil bebé que precisa de cada milímetro da minha mão para o proteger, acariciar e agarrar, para que nada nem ninguém lhe faça mal, como eu acho que tenho feito nas últimas semanas, por ter voltado inevitavelmente a minha atenção para o novo membro da familía, a Inês, que a minha mão direita não consegue, mas queria agora envolver.
Sensível e nervosa, duas características que explodiram em mim depois de ser Mãe, agora de dois filhos.
Sofre-se e ama-se em doses iguais e as minhas mãos queriam ser grandes, gigantes, como o meu coração passou a ser desde que o meu mundo parou nos minutos em que vocês nasceram.
Estamos quase a chegar e só consigo estar tranquila porque a vossa expressão de tranquilidade a dormir me faz crer que as minhas mãos podem não ser grandes, mas já são mãos de Mãe. Amo-vos e só vos quero bem."
"Como conduzi eu na ida, agora sentei-me eu atrás. Está a anoitecer e depois de um dia de emoções e encontros, regresso a casa cansada, com sono mas feliz...
Estou sentada no meio deles e procuro ter cada uma das minhas mãos em cima das mãozinhas deles. É tão recente o facto de sermos 4, que a minha preocupação com a segurança deles é muito maior do que aquilo que as minhas mãos conseguem proteger nesta viagem de apenas 1 hora.
De um lado o Lucas, que apesar de crescido, me parece um frágil bebé que precisa de cada milímetro da minha mão para o proteger, acariciar e agarrar, para que nada nem ninguém lhe faça mal, como eu acho que tenho feito nas últimas semanas, por ter voltado inevitavelmente a minha atenção para o novo membro da familía, a Inês, que a minha mão direita não consegue, mas queria agora envolver.
Sensível e nervosa, duas características que explodiram em mim depois de ser Mãe, agora de dois filhos.
Sofre-se e ama-se em doses iguais e as minhas mãos queriam ser grandes, gigantes, como o meu coração passou a ser desde que o meu mundo parou nos minutos em que vocês nasceram.
Estamos quase a chegar e só consigo estar tranquila porque a vossa expressão de tranquilidade a dormir me faz crer que as minhas mãos podem não ser grandes, mas já são mãos de Mãe. Amo-vos e só vos quero bem."
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Entupimos o correio do Pai Natal?
Este ano por engano, recebi no correio do Blog esta carta, que estava dirigida ao Pai Natal.
Parece escrita por uma criança pequena porque a letra ainda se desarruma pelas linhas do papel branco cheio de desenhos de Natal. Gostei tanto que vou assinar por baixo com o meu nome, antes de enviar ao destino. Alguém se junta?
"Pai Natal, espero que estejas bom. Este ano em vez de te escrever uma lista de prendas para me dares, escrevo 10 coisas que gostava que fossem verdade... tu podes ajudar?!
1. Eu queria viajar num tapete voador,
que guardava à noite debaixo do meu cobertor.
2. O céu podia ser um quadro onde escrevia com giz,
todas as palavras feias, sem pimenta no nariz?
3. A praia devia dar para dobrar e estender na sala
nos dias em que o sol não quer brilhar...
4. As cadeiras do jantar seriam trampolins
e até nos restaurantes comíamos assim!!!
5. O Filipe ia sempre à escola,
não precisava de hospitais e podia jogar à bola.
6. Havia pastilhas de morango para lavar os dentes
e os pijamas estavam sempre quentes.
7. A sala da médica tinha música e desenhos animados,
e as batas eram sempre com bonecos e aos quadrados.
8. As chuchas eram doces e transparentes,
podia usar para sempre, em frente a toda a gente!
9. Havia castigos também para os crescidos,
que não ouvem as crianças e só falam aos gritos.
10. O sol não se deixava tapar
e a chuva só caía nas hortas e no mar.
Espero que consigas tratar do meu pedido. No dia 24 à noite vou espreitar por baixo do meu cobertor para ver se posso continuar a acreditar em ti... Adeus e até para o ano.
Rafael
(Joana)"
Parece escrita por uma criança pequena porque a letra ainda se desarruma pelas linhas do papel branco cheio de desenhos de Natal. Gostei tanto que vou assinar por baixo com o meu nome, antes de enviar ao destino. Alguém se junta?
"Pai Natal, espero que estejas bom. Este ano em vez de te escrever uma lista de prendas para me dares, escrevo 10 coisas que gostava que fossem verdade... tu podes ajudar?!
1. Eu queria viajar num tapete voador,
que guardava à noite debaixo do meu cobertor.
2. O céu podia ser um quadro onde escrevia com giz,
todas as palavras feias, sem pimenta no nariz?
3. A praia devia dar para dobrar e estender na sala
nos dias em que o sol não quer brilhar...
4. As cadeiras do jantar seriam trampolins
e até nos restaurantes comíamos assim!!!
5. O Filipe ia sempre à escola,
não precisava de hospitais e podia jogar à bola.
6. Havia pastilhas de morango para lavar os dentes
e os pijamas estavam sempre quentes.
7. A sala da médica tinha música e desenhos animados,
e as batas eram sempre com bonecos e aos quadrados.
8. As chuchas eram doces e transparentes,
podia usar para sempre, em frente a toda a gente!
9. Havia castigos também para os crescidos,
que não ouvem as crianças e só falam aos gritos.
10. O sol não se deixava tapar
e a chuva só caía nas hortas e no mar.
Espero que consigas tratar do meu pedido. No dia 24 à noite vou espreitar por baixo do meu cobertor para ver se posso continuar a acreditar em ti... Adeus e até para o ano.
Rafael
(Joana)"
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Renascer
Desisti agora e já
Meus braços disseram adeus
Encostaram-se, fracos, aos céus
O meu corpo mudou-se para lá
Se, ao menos, ontem tivessem avisado
Levava-te p’ra longe daqui
Morria mais tarde, apenas no fim
Se ao menos ontem tivessem avisado…
E tu ainda agarras o que sobra de mim
Quando foste tu quem prometi abraçar
Quando fui eu que prometi cá estar
Tu puxas com força, mesmo assim
Prende-me com essa vida que tens
Agarra-me agora a alma e a mão
E bate bem forte no meu coração
Se o mal me puxar para lá, meu bem.
Se a chuva vier e o verde espreitar
Eu prometo, eu juro, eu vou tentar
Por ti, meu amor, minha razão de ser
Eu prometo, eu juro, eu vou renascer.
(Dedicado a um senhor que conheci, com um grupo amigas, em Seia, há uma semana. No incêncio de dia 15 de outubro, este senhor perdeu o seu negócio, a sua casa e a sua vontade de viver. Nem lágrimas, nem esperança restaram e mesmo o verde dos seus olhos parecia queimado. Uma dor que nunca quererei sentir. Comoveu-me o amor pelos filhos, a única razão de querer viver.)
Com Patrícia, Filipa, Teresa e Maria. Teresa, fica o desafio :)
Meus braços disseram adeus
Encostaram-se, fracos, aos céus
O meu corpo mudou-se para lá
Se, ao menos, ontem tivessem avisado
Levava-te p’ra longe daqui
Morria mais tarde, apenas no fim
Se ao menos ontem tivessem avisado…
E tu ainda agarras o que sobra de mim
Quando foste tu quem prometi abraçar
Quando fui eu que prometi cá estar
Tu puxas com força, mesmo assim
Prende-me com essa vida que tens
Agarra-me agora a alma e a mão
E bate bem forte no meu coração
Se o mal me puxar para lá, meu bem.
Se a chuva vier e o verde espreitar
Eu prometo, eu juro, eu vou tentar
Por ti, meu amor, minha razão de ser
Eu prometo, eu juro, eu vou renascer.
(Dedicado a um senhor que conheci, com um grupo amigas, em Seia, há uma semana. No incêncio de dia 15 de outubro, este senhor perdeu o seu negócio, a sua casa e a sua vontade de viver. Nem lágrimas, nem esperança restaram e mesmo o verde dos seus olhos parecia queimado. Uma dor que nunca quererei sentir. Comoveu-me o amor pelos filhos, a única razão de querer viver.)
Com Patrícia, Filipa, Teresa e Maria. Teresa, fica o desafio :)
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
A revolta dos botões
(Nota antes de partilhar a carta que recebi: este texto é dedicado aos botões, agulhas, linhas, que andam furiosos e esquecidos em caixas de costura bonitas mas que ganham pó, por falta de uso. Objetos que, na verdade, só defendem a união entre punhos de camisa, abas de casacos, calças de vários tipos. Botões que se perdem pelas casas porque cada vez é mais fácil por de lado, aquilo que está estragado.)
... Hoje de manhã recebi esta carta no correio do blog. Uma espécie de recado escrito por um grupo de botões com a ajuda de uma costureira que deve ser também uma conselheira matrimonial...
Achei curioso, nunca me tinham escrito antes, muito menos botões.
Li, gostei e acho pertinente partilhar...
"Do cantinho de uma caixa, 20 de outubro de 2017 - Vivemos aqui esquecidos e por isso achámos importante que o seu cantinho soubesse e, quem sabe, pudesse partilhar estas nossas rimas de revolta. Obrigado em nome de todos. A D. Odete, costureira e nossa porta-voz,
Somos botões, não os do telemóvel ou do comando da televisão
Somos, sim, os botões com que se unem abas de camisa, à mão. (eu nunca usei dedal!)
Uma agulha e uma linha e uma cor a condizer
Um ato de união que, com o tempo, se está a perder... (é preocupante, percebe isso??)
Se outrora duas partes ficavam juntas por mais tempo
Hoje camisa que rompe ou perde um botão, fica de lado quase sempre. (faz algum sentido!!?)
Vocês já não concertam, não cosem, não conversam nem ficam juntos eternamente
Nós, com dois ou quatro furos, passámos a soluções de pouco tempo. (é um ata e desata que não se via no meu tempo...)
Agulhas, alfinetes, bodas de prata ou diamante
Não vão chegar aos vossos filhos que trocam, ganham e compram num instante. (alguma vez eu tinha tantas coisas em miúda?...)
Mesmo que nos mandem presos da loja a umas calças de cor
Chega a tesoura e corta-nos, sem qualquer dor. (eles ficam tristes, até mete dó)
Já nem o sapateiro tem quem queira continuar a missão
Porque se não tem capa, o sapato, mesmo bom, vai para o gavetão. (já ninguém aperta um vestido!)
São vocês quem pode manter estas boas tradições
Valorizar o que teima em romper, mesmo que sejam relações. (sabe quantos casais se separam hoje em dia, menina!?)
Peguem nos ténis que se gastaram e na mão dos vossos filhos
E façam-nos uma visita, a uma solução que enfrenta os sarilhos. (eu faço uns bolinhos de canela
ótimos e tenho gosto em recebê-la e aos seus meninos)
Achamos que não se perde tempo a arranjar o que ainda sobrevive
Acreditamos mesmo que é um exemplo para que o usado se valorize. (velhos são os trapos... mas nem todos!)
É de velhos esta conversa (porque é!), até rima, como a camisa
Que quer voltar a abraçar-vos por mais que seja antiga. (não gosta de abraços menina?)
Fica esta manifestação de todos nós: os simples, os forrados, os coloridos e os dourados
Mudanças boas, claro que sim (eu divorciei-me menina, há 20 anos) mas não nos esqueçamos dos amores abotoados. (depois disso conheci o Artur, um cavalheiro!)
Gosto muito do seu blog."
..............................
E agora, o que vou responder?
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Viciados num doce muito fofo...
Este texto é para ti, pequenina e querida "fofa".
...não, não vou aqui falar das tuas birras gigantes por tudo e por nada. (Como é que consegues ficar deitada no chão a gritar durante 30 minutos por causa de umas meias?!? )
Vou falar da felicidade e graça que estão nesse metro de gente e se espalham por nós diariamente!
São muitos os momentos que passamos contigo que nos deixam embasbacados. Sorte a da tua escola por ter tantos bonecos e bonecas assim... uma dose diária de fofura, nestas idades que são tão boas.
Em casa, o tempo é menos do que gostaríamos mas fica bem preenchido contigo e com o mano a fazerem as vossas coisas boas, diferentes, mas igualmente doces.
Derreto quando te vejo a andar de um lado para o outro em casa, com a tua maravilhosa autonomia, a brincar sozinha, a falar com os bonecos, a ir buscar coisas à sala para levar para o quarto, a imitar alguém que anda sempre a cirandar e cheia de assuntos para tratar (tanto posso ser eu como o Pai ;)).
À hora de deitar ainda estás fresca, cheia de energia e de coisas pendentes para tratar...
"Oh Mãe, eu não queio i domi já!"
Podes falar assim até aos 6 anos?!! Vá lá... É que nos deixas aos três derretidos com essas palavras, que têm metade de criação tua e metade de português... Já paramos os três para assistir às tuas consultas médicas aos bonecos; às histórias que lês às tuas crianças, com o livro virado para elas, porque és uma educadora:); aos penteados que fazes aos póneis cabeludos e coloridos que tens; às conversas sérias que tens na tenda com os brinquedos...
E dá para assistir a um espetáculo teu por muuuuito tempo... nem dás por nada.
Pareces uma senhorinha toda despachada... As meninas são todas assim?! É delicioso.
E as canções que cantas?? Já sabemos que toooodos os dias, temos que ouvir (bem alto) o "Já passou", os "Parabéns a voxê" e outra mais atual. Já foi o "eu xei que não xe ama soginhooo, tauvez davagainho poxas votar a apender!, ... e agora é "Uma minhoquinha faz ginastiquinha, duas minhoquinhas fazem ginastiquinha..." e por aí adiante, com os teus dedos gordinhos a esticar e tu a contares, tão fofa, às vezes 1,2,3 outras vez 1,5,9...
O engraçado é que cada semana que passa percebe-se uma parte nova da letra. "Muitas filixidadis, muitos anos di vida, eheheheheheh!!" já se percebe...
E o tempo que demoram, tu e o mano, a dar beijinhos de boa noite, porque se riem, tu trepas para cima dele, não conseguem dar o beijinho certo e por isso dão vários... e eu e o pai engordamos em silêncio com o amor que sentimos ao ver estes doces momentos que são os melhores da vida, até aposto....
E quando nos deitamos à noite e tu já falas do teu dia e me dás festinhas... "Hoji a Matiudi não foi ao balé, puque tem um dói-dói e foi ao opitau com a mãe dela... mas a Alixi foi!! E depois a Mafauda também foi, e depois a Maía não"... E os sons que fazes, como os crescidos, quando estás zangada? E as mãos a dar a dar?!
Sabes quantas pessoas derreteram a ver as tuas fotos na primeira aula de ballet? És mesmo fofa!
E quando vens o caminho todo da escola para casa a cantar coisas que queres dizer... (com a música dos parabéns ou o já passou).. "O mano hoje foi à escola e a Inês também, a avó tá com a kika, a mãe vai tabalhai e o pai também!" isto tudo a cantar... e se tu cantas e falas!!!
E com esse tamanho tens mesmo que querer ir à casa-de-banho sozinha e vestir sozinha e querer fazer tudo sozinha... ?! Como vais ser aos 7 ?! Vais para a faculdade logo?
Podes ser bebé e parar um bocado quando te pego ao colo e só te quero aproveitar as bochechas que vão desaparecendo a cada trimestre que passa?! ... Posso pedir que não cresças a alguém?
E ver a cara do Pai com os sorrisos mais doces, quando vais às cavalitas dele e ao mesmo tempo fazes festinhas na barba dele, enquanto falas dessa forma fofa... Ele um dia explode, desconfio...
E desse tamanho já falas com as pessoas no café, as pessoas dos outros carros, as pessoas na rua, que (sem querer ignoram totalmente o mano crescido e lindo) param para ver esta miniatura a abrir o chapéu de chuva, a empurrar a mini trotinete "choja" (= cor de rosa), a levar a mochila com rodas, maior que ela, para imitar o mano a ir para a escola...
O bom é que faltam poucas horas para te ir buscar e isso deixa-me feliz porque mesmo que esteja cansada, fico ansiosa para me abrirem a porta da escola e poder acelerar o passo para te abraçar e para te ouvir e ver e derreter e encher de beijos.
Dizem que o açúcar é a nova droga e é mesmo. És tão doce e estamos tão viciados em vocês...
Como eu e o Pai dizíamos com o mano: não cresçam nem falem tudo já, para podermos gozar bem, ok? Ah, e é proibido corrigir o que dizem mal, porque para nós é mel <3
Nota: Foi bom teres dormido a noite toda hoje e ontem. Soube mesmo bem. Nisso podes crescer já até aos 6.
...não, não vou aqui falar das tuas birras gigantes por tudo e por nada. (Como é que consegues ficar deitada no chão a gritar durante 30 minutos por causa de umas meias?!? )
Vou falar da felicidade e graça que estão nesse metro de gente e se espalham por nós diariamente!
São muitos os momentos que passamos contigo que nos deixam embasbacados. Sorte a da tua escola por ter tantos bonecos e bonecas assim... uma dose diária de fofura, nestas idades que são tão boas.
Em casa, o tempo é menos do que gostaríamos mas fica bem preenchido contigo e com o mano a fazerem as vossas coisas boas, diferentes, mas igualmente doces.
Derreto quando te vejo a andar de um lado para o outro em casa, com a tua maravilhosa autonomia, a brincar sozinha, a falar com os bonecos, a ir buscar coisas à sala para levar para o quarto, a imitar alguém que anda sempre a cirandar e cheia de assuntos para tratar (tanto posso ser eu como o Pai ;)).
À hora de deitar ainda estás fresca, cheia de energia e de coisas pendentes para tratar...
"Oh Mãe, eu não queio i domi já!"
Podes falar assim até aos 6 anos?!! Vá lá... É que nos deixas aos três derretidos com essas palavras, que têm metade de criação tua e metade de português... Já paramos os três para assistir às tuas consultas médicas aos bonecos; às histórias que lês às tuas crianças, com o livro virado para elas, porque és uma educadora:); aos penteados que fazes aos póneis cabeludos e coloridos que tens; às conversas sérias que tens na tenda com os brinquedos...
E dá para assistir a um espetáculo teu por muuuuito tempo... nem dás por nada.
Pareces uma senhorinha toda despachada... As meninas são todas assim?! É delicioso.
E as canções que cantas?? Já sabemos que toooodos os dias, temos que ouvir (bem alto) o "Já passou", os "Parabéns a voxê" e outra mais atual. Já foi o "eu xei que não xe ama soginhooo, tauvez davagainho poxas votar a apender!, ... e agora é "Uma minhoquinha faz ginastiquinha, duas minhoquinhas fazem ginastiquinha..." e por aí adiante, com os teus dedos gordinhos a esticar e tu a contares, tão fofa, às vezes 1,2,3 outras vez 1,5,9...
O engraçado é que cada semana que passa percebe-se uma parte nova da letra. "Muitas filixidadis, muitos anos di vida, eheheheheheh!!" já se percebe...
E o tempo que demoram, tu e o mano, a dar beijinhos de boa noite, porque se riem, tu trepas para cima dele, não conseguem dar o beijinho certo e por isso dão vários... e eu e o pai engordamos em silêncio com o amor que sentimos ao ver estes doces momentos que são os melhores da vida, até aposto....
E quando nos deitamos à noite e tu já falas do teu dia e me dás festinhas... "Hoji a Matiudi não foi ao balé, puque tem um dói-dói e foi ao opitau com a mãe dela... mas a Alixi foi!! E depois a Mafauda também foi, e depois a Maía não"... E os sons que fazes, como os crescidos, quando estás zangada? E as mãos a dar a dar?!
Sabes quantas pessoas derreteram a ver as tuas fotos na primeira aula de ballet? És mesmo fofa!
E quando vens o caminho todo da escola para casa a cantar coisas que queres dizer... (com a música dos parabéns ou o já passou).. "O mano hoje foi à escola e a Inês também, a avó tá com a kika, a mãe vai tabalhai e o pai também!" isto tudo a cantar... e se tu cantas e falas!!!
E com esse tamanho tens mesmo que querer ir à casa-de-banho sozinha e vestir sozinha e querer fazer tudo sozinha... ?! Como vais ser aos 7 ?! Vais para a faculdade logo?
Podes ser bebé e parar um bocado quando te pego ao colo e só te quero aproveitar as bochechas que vão desaparecendo a cada trimestre que passa?! ... Posso pedir que não cresças a alguém?
E ver a cara do Pai com os sorrisos mais doces, quando vais às cavalitas dele e ao mesmo tempo fazes festinhas na barba dele, enquanto falas dessa forma fofa... Ele um dia explode, desconfio...
E desse tamanho já falas com as pessoas no café, as pessoas dos outros carros, as pessoas na rua, que (sem querer ignoram totalmente o mano crescido e lindo) param para ver esta miniatura a abrir o chapéu de chuva, a empurrar a mini trotinete "choja" (= cor de rosa), a levar a mochila com rodas, maior que ela, para imitar o mano a ir para a escola...
O bom é que faltam poucas horas para te ir buscar e isso deixa-me feliz porque mesmo que esteja cansada, fico ansiosa para me abrirem a porta da escola e poder acelerar o passo para te abraçar e para te ouvir e ver e derreter e encher de beijos.
Dizem que o açúcar é a nova droga e é mesmo. És tão doce e estamos tão viciados em vocês...
Como eu e o Pai dizíamos com o mano: não cresçam nem falem tudo já, para podermos gozar bem, ok? Ah, e é proibido corrigir o que dizem mal, porque para nós é mel <3
Nota: Foi bom teres dormido a noite toda hoje e ontem. Soube mesmo bem. Nisso podes crescer já até aos 6.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
Dois a dois peguem nas malas ou no teclado: vamos viajar!
Sou apaixonada pela área de educação, desde sempre.
Vai ficando cada vez mais claro para mim que a educação é de facto, como dizia o Sr. Nelson Mandela, uma "arma" que nos permite mudar o mundo. A vencedora do prémio Nobel da paz em 2014 (tem apenas 20 anos), Malala, também reforça que um livro e uma caneta podem mudar o mundo.
A educação faz de nós pessoas melhores, com horizontes mais amplos, o que nos permite ver, literalmente, mais longe. Daí ser um direito humano e uma necessidade para todos, infelizmente nem sempre cumprida.
... Mas isto significaria que, quanto mais "escola" e "leitura" uma pessoa tem, melhor pessoa seria, o que penso que nem sempre é assim.
Desafiei este pensamento durante algum tempo e partilho duas conclusões que me fazem sentido:
1. Indiscutível que a escola é uma porta para se conhecer e compreender o mundo, um complemento para a educação de casa, que tem que ser tão mais importante, quanto menos qualidade tem em casa. Mas educação é muito mais do que os livros ou a escola. Escolas más, com professores menos profissionais ou humanos não levam nenhuma criança a ser um ser humano digno. Livros mal escritos ou não inspiradores ou ainda escritos por pessoas desinteressantes, também não. A educação também é a família, a rua, os outros, os valores, as pessoas que nos inspiram (nos filmes, na música, no desporto, no café da nossa rua). E neste sentido, quanto mais ampla for a nossa experiência de vida e mais diversificada for, acredito que mais aprendemos, mais nos educamos, mais refletimos, mais questionamos e por isso, melhores seremos.
As guerras, os conflitos de hoje (e de sempre) têm por base religiões, política ou dinheiro. O mundo funciona mal porque criamos distâncias grandes entre uns e outros. Estranhamos os outros que se vestem de forma diferente, que têm nomes diferentes, que rezam de outra forma ou festejam o ano novo noutros dias. A educação, aqui, eu acredito que seria um quebrar de barreiras, se a vivermos desde o momento em que nos compreendemos em casa, na rua, no supermercado, na casa dos avós, na escola e no futebol.
E ser educado não é cumprimentar os tios, ou pedir para levantar da mesa. Este texto não é sobre nada disso.
Tudo isto para dizer que ampliar a nossa experiência de vida nos educa. Sendo ridículo e utópico, diria que viajar para outros países/ realidades diferentes das nossas, seria uma disciplina que a meu ver deveria ser obrigatória nas escolas todas. Se eu for a uma mesquita em Istambul, se for visitar Petra na Jordânia, a Índia, a Etiópia, o Canadá, o Vaticano ou a Amadora, eu serei uma pessoa mais rica em educação. Podemos ler sobre isto, podemos ver documentários, também. Mas ver e sentir é melhor.
Não que tenhamos que voltar destas viagens a concordar ou a defender tudo o que vimos, nada disso. Mas a experiência permitiu-me conhecer e ter bases reais para formar uma opinião. Este ato de conhecer o outro e "normalizá-lo" ou aproximá-lo, contrariando as imagens que a comunicação social nos sugere muitas vezes, de que na Síria tudo é guerra, em Moçambique tudo é pobreza, nos EUA tudo é de extremos, na Rússia tudo é frio, no Afeganistão tudo é estranho... é um passo importante para todos, penso eu. Não somos assim tão diferentes, não existe tanta estranheza má. Existe sim, o compreender o outro e a nós próprios, com uma saudável distância de nós e uma urgente proximidade dos outros.
Simpatia, constipações, acidentes, revoltas e festas existem em todo lado. E não escolhemos onde nascemos ou quem vamos ser na cor da pele ou nas crenças. Por isso poderíamos ser qualquer pessoa destas que achamos estranhas. Eu sou o outro, para o outro eu.
2. Termos educação é termos uma boa arma, uma possibilidade de mudarmos o mundo como dizem os grandes, Malala e Mandela. Outra conclusão que vou aprendendo com a vida é que quem tem esta arma, este poder de ter educação (nas ferramentas que referi e não apenas nos livros e escola) tem, a meu ver, o dever de aplicar esta educação para o bem deste planeta onde apenas somos passageiros ... com sorte, por uns 80 anos. O mundo foi-nos emprestado e já cá andou muita gente... mesmo muita! Por isso acredito que temos que aproveitar esta vida para nós, mas num exercício de pouco egoísmo, poucas merdinhas e muita vontade. Com muita pena, isto um dia acaba.
Se há coisa que me frustra e me desilude é ver grandes empresários, grandes artistas, grandes políticos, a quem eu acredito que a vida deu oportunidades de educação (e ainda por cima deu um microfone), fazerem mau uso das suas "armas".
Pelo contrário, se há coisa que me comove e inspira é ver uma pessoa de um canto pobre do mundo onde nem livros há, beber da vida e dos outros, viajando na simplicidade das coisas e educando-se por vontade própria, querendo tornar o mundo dos outros, melhor.
Esta segunda conclusão é: "se temos ferramentas que nos educam, façamos bom uso delas, em prol de todos." Para mim, deveria ser obrigatório.
Fica então a ideia parvo-utópica de viajarmos nas escolas (enquanto não é fácil fazer tele-transporte, porque não por skype? O google já faz tradução simultânea de conversas!!!!! lindo!); de exigirmos qualidade nas escolas, nos professores e nas pessoas de microfone; de retirarmos aprendizagens das coisas mais simples do nosso dia-a-dia, tentando que isso nos cultive a todos.
Professores que me leiam, fica a ideia. Eu gosto de imaginar o meu filho a ter uma reunião por skype na escola, com crianças do Senegal, ou de Israel, ou da Ucrânia, só para falarem do que almoçaram e a que brincaram no recreio!! Será que alguém já o faz? Eu adorava assistir!!!!!! (fica a ideia, não tão parvo-utópica assim:)
Sumário desta aula um pouco chata: WOLO - we only live once!
(desafio final: preencher e assinar petição: http://9countries.one.org/?score=4)
Vai ficando cada vez mais claro para mim que a educação é de facto, como dizia o Sr. Nelson Mandela, uma "arma" que nos permite mudar o mundo. A vencedora do prémio Nobel da paz em 2014 (tem apenas 20 anos), Malala, também reforça que um livro e uma caneta podem mudar o mundo.
A educação faz de nós pessoas melhores, com horizontes mais amplos, o que nos permite ver, literalmente, mais longe. Daí ser um direito humano e uma necessidade para todos, infelizmente nem sempre cumprida.
... Mas isto significaria que, quanto mais "escola" e "leitura" uma pessoa tem, melhor pessoa seria, o que penso que nem sempre é assim.
Desafiei este pensamento durante algum tempo e partilho duas conclusões que me fazem sentido:
1. Indiscutível que a escola é uma porta para se conhecer e compreender o mundo, um complemento para a educação de casa, que tem que ser tão mais importante, quanto menos qualidade tem em casa. Mas educação é muito mais do que os livros ou a escola. Escolas más, com professores menos profissionais ou humanos não levam nenhuma criança a ser um ser humano digno. Livros mal escritos ou não inspiradores ou ainda escritos por pessoas desinteressantes, também não. A educação também é a família, a rua, os outros, os valores, as pessoas que nos inspiram (nos filmes, na música, no desporto, no café da nossa rua). E neste sentido, quanto mais ampla for a nossa experiência de vida e mais diversificada for, acredito que mais aprendemos, mais nos educamos, mais refletimos, mais questionamos e por isso, melhores seremos.
As guerras, os conflitos de hoje (e de sempre) têm por base religiões, política ou dinheiro. O mundo funciona mal porque criamos distâncias grandes entre uns e outros. Estranhamos os outros que se vestem de forma diferente, que têm nomes diferentes, que rezam de outra forma ou festejam o ano novo noutros dias. A educação, aqui, eu acredito que seria um quebrar de barreiras, se a vivermos desde o momento em que nos compreendemos em casa, na rua, no supermercado, na casa dos avós, na escola e no futebol.
E ser educado não é cumprimentar os tios, ou pedir para levantar da mesa. Este texto não é sobre nada disso.
Tudo isto para dizer que ampliar a nossa experiência de vida nos educa. Sendo ridículo e utópico, diria que viajar para outros países/ realidades diferentes das nossas, seria uma disciplina que a meu ver deveria ser obrigatória nas escolas todas. Se eu for a uma mesquita em Istambul, se for visitar Petra na Jordânia, a Índia, a Etiópia, o Canadá, o Vaticano ou a Amadora, eu serei uma pessoa mais rica em educação. Podemos ler sobre isto, podemos ver documentários, também. Mas ver e sentir é melhor.
Não que tenhamos que voltar destas viagens a concordar ou a defender tudo o que vimos, nada disso. Mas a experiência permitiu-me conhecer e ter bases reais para formar uma opinião. Este ato de conhecer o outro e "normalizá-lo" ou aproximá-lo, contrariando as imagens que a comunicação social nos sugere muitas vezes, de que na Síria tudo é guerra, em Moçambique tudo é pobreza, nos EUA tudo é de extremos, na Rússia tudo é frio, no Afeganistão tudo é estranho... é um passo importante para todos, penso eu. Não somos assim tão diferentes, não existe tanta estranheza má. Existe sim, o compreender o outro e a nós próprios, com uma saudável distância de nós e uma urgente proximidade dos outros.
Simpatia, constipações, acidentes, revoltas e festas existem em todo lado. E não escolhemos onde nascemos ou quem vamos ser na cor da pele ou nas crenças. Por isso poderíamos ser qualquer pessoa destas que achamos estranhas. Eu sou o outro, para o outro eu.
2. Termos educação é termos uma boa arma, uma possibilidade de mudarmos o mundo como dizem os grandes, Malala e Mandela. Outra conclusão que vou aprendendo com a vida é que quem tem esta arma, este poder de ter educação (nas ferramentas que referi e não apenas nos livros e escola) tem, a meu ver, o dever de aplicar esta educação para o bem deste planeta onde apenas somos passageiros ... com sorte, por uns 80 anos. O mundo foi-nos emprestado e já cá andou muita gente... mesmo muita! Por isso acredito que temos que aproveitar esta vida para nós, mas num exercício de pouco egoísmo, poucas merdinhas e muita vontade. Com muita pena, isto um dia acaba.
Se há coisa que me frustra e me desilude é ver grandes empresários, grandes artistas, grandes políticos, a quem eu acredito que a vida deu oportunidades de educação (e ainda por cima deu um microfone), fazerem mau uso das suas "armas".
Pelo contrário, se há coisa que me comove e inspira é ver uma pessoa de um canto pobre do mundo onde nem livros há, beber da vida e dos outros, viajando na simplicidade das coisas e educando-se por vontade própria, querendo tornar o mundo dos outros, melhor.
Esta segunda conclusão é: "se temos ferramentas que nos educam, façamos bom uso delas, em prol de todos." Para mim, deveria ser obrigatório.
Fica então a ideia parvo-utópica de viajarmos nas escolas (enquanto não é fácil fazer tele-transporte, porque não por skype? O google já faz tradução simultânea de conversas!!!!! lindo!); de exigirmos qualidade nas escolas, nos professores e nas pessoas de microfone; de retirarmos aprendizagens das coisas mais simples do nosso dia-a-dia, tentando que isso nos cultive a todos.
Professores que me leiam, fica a ideia. Eu gosto de imaginar o meu filho a ter uma reunião por skype na escola, com crianças do Senegal, ou de Israel, ou da Ucrânia, só para falarem do que almoçaram e a que brincaram no recreio!! Será que alguém já o faz? Eu adorava assistir!!!!!! (fica a ideia, não tão parvo-utópica assim:)
Sumário desta aula um pouco chata: WOLO - we only live once!
(desafio final: preencher e assinar petição: http://9countries.one.org/?score=4)
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Descobrimos um planeta.
Tal como existe o AC e o DC, quando a religião se refere a um período antes ou depois de Cristo, eu também sinto que existe um JAL e JDL que é a Joana Antes do Lucas e a Depois da sua chegada. Quem diz J diz V de Vasco.
O que mudou? Tudo.
Tenho a sensação que antes de ser Mãe vivia noutro planeta. Um planeta que puxo para mim a todo o custo, para lembrar que sou a mesma pessoa, no mesmo mundo, apesar das mudanças.
Chorámos quando soubemos que íamos ser pais. Lembro-me de pedir ao Vasco "diz-me que vou ser mãe", porque nas primeiras semanas a ficha não cai.
O que é ser mãe quando nunca se foi?!!
Depois fomos entrando devagar neste planeta, passando por todas as etapas...
... Como a de saber que era um rapaz. "Vou andar com a mala cheia de carros e aviões" pensei logo depois da consulta onde soubemos o sexo, ...o que aconteceu mesmo.
... Contar a novidade e escolher o nome. Diogo é um dos nomes que tinha pensado. Não me lembro dos outros. Um dia, quando falava com a Telma na net e lhe pedia sugestões, ela sugeriu o nome que agora repito dezenas de vezes por dia. "Lucas" deixou de ser uma palavra e passou a ser o nosso filho.
No dia 7 de outubro acordei com a barriga tão estranha e com sinais de que era o dia. Inexperientes, eu e o pai pegámos na mala e antes da maternidade, passámos em casa da minha mãe, para quem me lembro de olhar com um "ai mãe, é agora... e agora??!".
Entrámos na maternidade pelas 10h e as tais dores difíceis já me tinham sido apresentadas. Era mesmo intenso... 10 horas que foram, agora à distância, deliciosas e me dão tantas saudades. Aquele monitor tinha uns gráficos bem esclarecedores para o Vasco perceber porque é que eu me transformava quando os picos subiam... Conheci a Santa Epidoral, que respeito muito.
Conheci também o enfermeiro Luís que me disse, ao início da noite, depois de visitas de estagiários, espera, dores... "Mãe, pode tirá-lo!". Nem pensei: cheguei-me à frente e tirei o Lucas. Não sabia que isto era possível, nem consigo descrever o que senti.
Continua até hoje cá dentro, pela forma como gosto dele. Uma forma sofrida, difícil e romanticamente bela que eu desconhecia, de amar.
Passávamos muito tempo os dois a olhar para ele, na nossa cama, com a mesma magia com que olhávamos um para outro, quando ainda éramos dois.
Em outubro de 2010 nasceu uma família nova: dois passaram a três.
Dois que aprenderam a integrar na sua vida os termos "teste do pezinho", "bolsar", "mastite", "sustos de pais", "noites cansativas", "entrega na creche", "quedas e medos", "sofrer de culpa ao dar-lhe uma irmã"...
Uma mãe e um pai que, sobretudo, passaram a saber o que é "amar loucamente", "babar com cada conquista", "admirar parvamente a nossa nova pessoa", "rir a sério", "entregar na escola de mochila e felicidade por querer ler".
Enquanto Mãe, ter e conhecer o Luquinhas foi ganhar um novo coração. O outro era pequeno.
Não é só bom e isso custa e é difícil assumir. Tiram-nos do sério estas pessoas de quem gostamos mais do que qualquer outra pessoa no mundo. Fazem-nos chorar, magoam-nos, frustram-nos e trazem a culpa para viver connosco, diariamente. Esse desafio ainda o tenho comigo.
Mas é bom demais. Passar com a mão no cabelo dourado dele, deitar-me na cama e ficar a olhar, mesmo no escuro, a pele dele, as mãos, o nariz... (foi tudo feito por nós... mas como???)
Bom demais ver como conversa, como ri, como disfarça, como se orgulha, como fica triste. Como precisa tanto de nós e nos segue pela casa, mais do que ela.
O Lucas é o nosso primeiro.
O Lucas é o meu chão e as minhas paredes, o ar e a terra neste novo planeta que tento fortalecer todos os dias e que acredito que ele ache bom e quentinho, mesmo quando eu acho que vai desabar.
Lucas: um dia, que está para breve, tu vais ler o que a mãe escreve aqui e noutros papéis e quem sabe livros...
Sei que não vais gostar de umas partes mas sei, também, que o coração gigante e a doçura que tens, vão-te permitir perceberes que apesar dos momentos menos bons em que ralhamos (tiveste a sorte e o azar de ser o primeiro), és o melhor de nós.
Sou pirosa não é? Um dia vais perceber e vai ser fácil, pois já dizes que se fizesses uma tatuagem ela teria o nome dos teus filhos... o que é muito bonito dizeres com seis anos...
E quero que saibas que sei muito bem que por detrás das tuas birras e tonteiras da idade que me fazem parecer uma tonta e nervosa mãe (que nunca pensei que seria) eu sei bem que és absolutamente maravilhoso e perfeito e que o mundo vai ser cada vez melhor contigo. Isso é certo. (qualquer Mãe normal diz isto, eu sei :)).
Que continues a ser tal e qual como és e te zangues, sempre que te exigirem o contrário.
"Gosto muito de ti": repetirei sempre todos os dias, aqui ou algures numa estrela qualquer...
O que mudou? Tudo.
Tenho a sensação que antes de ser Mãe vivia noutro planeta. Um planeta que puxo para mim a todo o custo, para lembrar que sou a mesma pessoa, no mesmo mundo, apesar das mudanças.
Chorámos quando soubemos que íamos ser pais. Lembro-me de pedir ao Vasco "diz-me que vou ser mãe", porque nas primeiras semanas a ficha não cai.
O que é ser mãe quando nunca se foi?!!
Depois fomos entrando devagar neste planeta, passando por todas as etapas...
... Como a de saber que era um rapaz. "Vou andar com a mala cheia de carros e aviões" pensei logo depois da consulta onde soubemos o sexo, ...o que aconteceu mesmo.
... Contar a novidade e escolher o nome. Diogo é um dos nomes que tinha pensado. Não me lembro dos outros. Um dia, quando falava com a Telma na net e lhe pedia sugestões, ela sugeriu o nome que agora repito dezenas de vezes por dia. "Lucas" deixou de ser uma palavra e passou a ser o nosso filho.
No dia 7 de outubro acordei com a barriga tão estranha e com sinais de que era o dia. Inexperientes, eu e o pai pegámos na mala e antes da maternidade, passámos em casa da minha mãe, para quem me lembro de olhar com um "ai mãe, é agora... e agora??!".
Entrámos na maternidade pelas 10h e as tais dores difíceis já me tinham sido apresentadas. Era mesmo intenso... 10 horas que foram, agora à distância, deliciosas e me dão tantas saudades. Aquele monitor tinha uns gráficos bem esclarecedores para o Vasco perceber porque é que eu me transformava quando os picos subiam... Conheci a Santa Epidoral, que respeito muito.
Conheci também o enfermeiro Luís que me disse, ao início da noite, depois de visitas de estagiários, espera, dores... "Mãe, pode tirá-lo!". Nem pensei: cheguei-me à frente e tirei o Lucas. Não sabia que isto era possível, nem consigo descrever o que senti.
Continua até hoje cá dentro, pela forma como gosto dele. Uma forma sofrida, difícil e romanticamente bela que eu desconhecia, de amar.
Passávamos muito tempo os dois a olhar para ele, na nossa cama, com a mesma magia com que olhávamos um para outro, quando ainda éramos dois.
Em outubro de 2010 nasceu uma família nova: dois passaram a três.
Dois que aprenderam a integrar na sua vida os termos "teste do pezinho", "bolsar", "mastite", "sustos de pais", "noites cansativas", "entrega na creche", "quedas e medos", "sofrer de culpa ao dar-lhe uma irmã"...
Uma mãe e um pai que, sobretudo, passaram a saber o que é "amar loucamente", "babar com cada conquista", "admirar parvamente a nossa nova pessoa", "rir a sério", "entregar na escola de mochila e felicidade por querer ler".
Enquanto Mãe, ter e conhecer o Luquinhas foi ganhar um novo coração. O outro era pequeno.
Não é só bom e isso custa e é difícil assumir. Tiram-nos do sério estas pessoas de quem gostamos mais do que qualquer outra pessoa no mundo. Fazem-nos chorar, magoam-nos, frustram-nos e trazem a culpa para viver connosco, diariamente. Esse desafio ainda o tenho comigo.
Mas é bom demais. Passar com a mão no cabelo dourado dele, deitar-me na cama e ficar a olhar, mesmo no escuro, a pele dele, as mãos, o nariz... (foi tudo feito por nós... mas como???)
Bom demais ver como conversa, como ri, como disfarça, como se orgulha, como fica triste. Como precisa tanto de nós e nos segue pela casa, mais do que ela.
O Lucas é o nosso primeiro.
O Lucas é o meu chão e as minhas paredes, o ar e a terra neste novo planeta que tento fortalecer todos os dias e que acredito que ele ache bom e quentinho, mesmo quando eu acho que vai desabar.
Lucas: um dia, que está para breve, tu vais ler o que a mãe escreve aqui e noutros papéis e quem sabe livros...
Sei que não vais gostar de umas partes mas sei, também, que o coração gigante e a doçura que tens, vão-te permitir perceberes que apesar dos momentos menos bons em que ralhamos (tiveste a sorte e o azar de ser o primeiro), és o melhor de nós.
Sou pirosa não é? Um dia vais perceber e vai ser fácil, pois já dizes que se fizesses uma tatuagem ela teria o nome dos teus filhos... o que é muito bonito dizeres com seis anos...
E quero que saibas que sei muito bem que por detrás das tuas birras e tonteiras da idade que me fazem parecer uma tonta e nervosa mãe (que nunca pensei que seria) eu sei bem que és absolutamente maravilhoso e perfeito e que o mundo vai ser cada vez melhor contigo. Isso é certo. (qualquer Mãe normal diz isto, eu sei :)).
Que continues a ser tal e qual como és e te zangues, sempre que te exigirem o contrário.
"Gosto muito de ti": repetirei sempre todos os dias, aqui ou algures numa estrela qualquer...
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Dancemos no mundo!
A Inês vai para o Ballet. (Como é que eu explico como isto me deixa derretida??!! Vou tentar explicar).
Espero que, apesar da vida cheia de coisas para tratar, das rotinas, do cansaço, eu consiga sempre dançar: num ginásio, na cozinha enquanto faço comida, com os miúdos no quarto, quando brincamos todos, ao som das nossas playlists. Dançamos Caetano, Shakira, Daft Punk, Salvador Sobral e os Caricas. Cada um ao seu estilo (inclui desatar a rir)!
Dançar tem muita coisa que a praia também tem. Podemos nascer e morrer sem dançar ou ir à praia. Podemos e sobrevivemos. Não é uma necessidade básica como comer ou beber água.
Dançar, como ir à praia, pintar, escrever ou ouvir música, são verdadeiros brindes que a vida nos dá. São as cores com que pintamos a vida, que pode ser cinzenta... ou não. São prazeres gratuitos que podem ser experimentados por todos, em todo o mundo. Quando digo todos, incluo a turma de crianças com paralisia cerebral com quem trabalhei 1 ano e com quem dançava em muitos recreios, no pátio. Desde os 4 aos 8 anos, aqueles miúdos sentiam a música com efeitos mágicos de alegria, mesmo em cadeiras de rodas. Dar voltas na cadeira de rodas pareceu-me que pode ser tão especial como fazer piruetas em pontas!
Quando danço, sinto-me como nunca me sinto a fazer outra coisa. É uma sensação única, que sinto como minha e muito completa. Conseguia (como já o fiz) dançar durante horas e horas. Não me canso de dançar.
Comecei a dançar ballet clássico muito pequena. Tenho sapatilhas de ballet de vários tamanhos, umas que me cabem nas mãos e outras que ainda me cabem nos pés. Na faculdade ainda dancei muito e muitas modalidades. Aliás, uma coisa que não compreendo é porque é que nos ginásios e escolas de dança não há modalidades em que se dança de tudo!? É possível gostar de dançar só uma modalidade? Não acho que seja. Eu adorava dançar duas vezes por semana, numa escola boa, e cada mês dançava um estilo diferente... Aprendia-se um pouco de tudo, ouviam-se músicas diferentes e dançava-se.
Já dancei também Hip Hop, Sevilhanas, Tango, Salsa, Jazz e agora "Dance Local" que são aquelas coisas novas que misturam tudo e nada, ao som daquelas músicas pirosas (bem boas de dançar), verdadeiros guilty pleasures!!
Uma das minhas ocupações preferidas quando viajo é, sem dúvida, dançar. Adoro experimentar as comidas, conhecer sítios especiais, mas tenho que dançar.
Uma coisa é dançar num ginásio, aqui. Outra coisa (COMPLETAMENTE DIFERENTE) é dançar na discoteca mais conhecida de forró, no Brasil; dançar Funaná e Passada na discoteca da Assomada, com caboverdeanos; dançar capoeira (não sendo dança, parece) e dança contemporânea com pequenotes da Assomada; dançar Tango na Escola La Viruta em Buenos Aires, sozinha até de madrugada sem conhecer ninguém, muitas horas e muitos dias... E, claro, dançar folclore com o meu Pai (ainda viajo para esses momentos, algumas vezes).
Dançar não tem que ser igual a dançar bem. Dançar é bom, à nossa maneira. Os meus filhos dançam com estilos muito próprios e adoram. O Lucas salta e sacode os braços num estilo novo que não conhecia, mas intenso e que o liberta verdadeiramente :) A Inês roda e mexe-se até cair para o chão, momento que a faz rir muito (e a nós igual). O Vasco tem todo um free style que se tornou muito bom de ver e que já inclui alguma qualidade ... de vez em quando :)
Estou a pensar como faria sentido um médico dizer a um paciente: agora tem que dançar duas vezes por dia, depois das refeições, durante 5 dias. Vai ver que fica melhor!! :)
Deixo este vídeo que conheci no facebook e que transmite, para mim, o que a dança faz ao mundo e às pessoas: bem demais! Espero que dancem:)
Dancemos no mundo (como canta o Sérgio Godinho)!
Espero que, apesar da vida cheia de coisas para tratar, das rotinas, do cansaço, eu consiga sempre dançar: num ginásio, na cozinha enquanto faço comida, com os miúdos no quarto, quando brincamos todos, ao som das nossas playlists. Dançamos Caetano, Shakira, Daft Punk, Salvador Sobral e os Caricas. Cada um ao seu estilo (inclui desatar a rir)!
Dançar tem muita coisa que a praia também tem. Podemos nascer e morrer sem dançar ou ir à praia. Podemos e sobrevivemos. Não é uma necessidade básica como comer ou beber água.
Dançar, como ir à praia, pintar, escrever ou ouvir música, são verdadeiros brindes que a vida nos dá. São as cores com que pintamos a vida, que pode ser cinzenta... ou não. São prazeres gratuitos que podem ser experimentados por todos, em todo o mundo. Quando digo todos, incluo a turma de crianças com paralisia cerebral com quem trabalhei 1 ano e com quem dançava em muitos recreios, no pátio. Desde os 4 aos 8 anos, aqueles miúdos sentiam a música com efeitos mágicos de alegria, mesmo em cadeiras de rodas. Dar voltas na cadeira de rodas pareceu-me que pode ser tão especial como fazer piruetas em pontas!
Quando danço, sinto-me como nunca me sinto a fazer outra coisa. É uma sensação única, que sinto como minha e muito completa. Conseguia (como já o fiz) dançar durante horas e horas. Não me canso de dançar.
Comecei a dançar ballet clássico muito pequena. Tenho sapatilhas de ballet de vários tamanhos, umas que me cabem nas mãos e outras que ainda me cabem nos pés. Na faculdade ainda dancei muito e muitas modalidades. Aliás, uma coisa que não compreendo é porque é que nos ginásios e escolas de dança não há modalidades em que se dança de tudo!? É possível gostar de dançar só uma modalidade? Não acho que seja. Eu adorava dançar duas vezes por semana, numa escola boa, e cada mês dançava um estilo diferente... Aprendia-se um pouco de tudo, ouviam-se músicas diferentes e dançava-se.
Já dancei também Hip Hop, Sevilhanas, Tango, Salsa, Jazz e agora "Dance Local" que são aquelas coisas novas que misturam tudo e nada, ao som daquelas músicas pirosas (bem boas de dançar), verdadeiros guilty pleasures!!
Uma das minhas ocupações preferidas quando viajo é, sem dúvida, dançar. Adoro experimentar as comidas, conhecer sítios especiais, mas tenho que dançar.
Uma coisa é dançar num ginásio, aqui. Outra coisa (COMPLETAMENTE DIFERENTE) é dançar na discoteca mais conhecida de forró, no Brasil; dançar Funaná e Passada na discoteca da Assomada, com caboverdeanos; dançar capoeira (não sendo dança, parece) e dança contemporânea com pequenotes da Assomada; dançar Tango na Escola La Viruta em Buenos Aires, sozinha até de madrugada sem conhecer ninguém, muitas horas e muitos dias... E, claro, dançar folclore com o meu Pai (ainda viajo para esses momentos, algumas vezes).
Dançar não tem que ser igual a dançar bem. Dançar é bom, à nossa maneira. Os meus filhos dançam com estilos muito próprios e adoram. O Lucas salta e sacode os braços num estilo novo que não conhecia, mas intenso e que o liberta verdadeiramente :) A Inês roda e mexe-se até cair para o chão, momento que a faz rir muito (e a nós igual). O Vasco tem todo um free style que se tornou muito bom de ver e que já inclui alguma qualidade ... de vez em quando :)
Estou a pensar como faria sentido um médico dizer a um paciente: agora tem que dançar duas vezes por dia, depois das refeições, durante 5 dias. Vai ver que fica melhor!! :)
Dancemos no mundo (como canta o Sérgio Godinho)!
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Bem-vinda escola, livros e cadernos!
Lembro-me da minha escola primária (dizia-se assim nesse tempo, que me parece agora muito próximo). Lembro-me de tantas coisas da minha escola e agora trago-as aqui pois chegou a vez do meu filho começar a sua escola primária!
Como tudo o que me lembro é bom (menos dois episódios que apresentarei abaixo), desejo que a escola seja para o Lucas tão boa como foi para mim!
É importante certamente ser bom aluno, mas não tenho presente essa prioridade. Eu nunca fui boa aluna, só média.
Quero antes (ou também) que ele faça amigos para a vida, como eu fiz. Ainda hoje tenho amigas desde a escola primária e é uma senhora amizade!!!
Quero antes que ele se lembre do cheiro dos livros, da borracha e da mochila, com carinho e saudade.
A minha cheirava a (migalhas de) pão. O pão que a minha mãe mandava num saquinho de pano com bonecos.
Lembro-me dos livros borrados de cinzento de tanto apagar e até um pouco furados da borracha de tinta, aquela parte azul que era muito áspera...
Lembro-me de aprender a forrar os meus livros com papel autocolante, com a ajuda de um pano para não fazer bolhas. Era difícil. A agulha ajudava a desfazer as bolhas, para o livro ficar bonito e lisinho. Depois de ficar sem se ver a capa (só se via o Mickey do papel autocolante), tínhamos que colar etiquetas a dizer o nome do recheio do livro: Meio Físico e Social, Português ou Matemática.
Lembro-me dos trabalhos de casa (ou TPC: trabalhos para carecas!) e de não gostar de os fazer...
Lembro-me dos pacotes de leite achocolatado, com pouco chocolate mas muitos desenhos, que formavam um só desenho quando encostados a outros, como um puzzle... e como a amizade da minha turma, que veio junta dos 6 anos até aos 12, já na escola preparatória, onde ainda jogávamos juntos, todos juntos, rapazes e raparigas, à "Sirumba", desenhada com giz no chão do recreio. E também ao "Lá vai alho", ao "Mata" e a muitos outros jogos divertidos que ainda gosto de jogar!
Lembro-me de descobrirmos que a pastilha elástica ficava cinzenta se a mastigássemos com um bico do lápis de carvão...
A professora Fernanda, da escola primária, foi especial. Ralhava e puxou-me as orelhas (ficavam vermelhas, a ferver) quando eu fiz uma torre de canetas de feltro e não ouvi o que ela disse. Não me sinto traumatizada. Sobretudo porque a professora Fernanda me deixava fazer ronha no colo dela, de manhã. Eu adoro dormir e tenho esse dom, como alguns saberão. São quase 35 anos de carreira, nesta área, sempre apoiada pela professora Fernanda!
Encontrei-a há uns meses em Santarém, quando lá fui com os meus filhos. Parei o carro, corri atrás dela e chamei-a. Ela olhou-me e disse "Joaninha!!!"... Raios, eu queria ter esta memória, queria muito!! Apresentei-a aos meus filhos, muito emocionada e ela disse: "A Joaninha, que estava sempre com sono!":)
O outro episódio menos bom (o primeiro foi a torre de canetas + orelhas vermelhas) da escola foi o dia em que decidi não ir e dizer ao meu pai que não havia escola... Ele não gostou, porque havia:) Engraçado, porque hoje a Inês disse de manhã que tinha "febe" e não queria ir à escola. Na dúvida, ficou com a "Avó Jita" e disse-lhe quando chegou "a minha cola tá fichada!". Quem sai aos seus "não é de Genebra", como diz o Pedro. :p
Lembro-me de ir todos os dias a pé para lá, sozinha, pelo carreiro, no meio do mato (seguro). Com ou sem chuva, em 10 minutos subia aquilo, passava perto da casa da Marta e entrava na escola para ir ter com os meus amigos. Ainda me lembro dos nomes completos de quase todos e do número fixo de muitos deles! (Afinal tenho memória!) :)
Agora é o Lucas. Estamos derretidos com o nosso Lucas. Com quase 7 anos, entra na escola primária e não quer que o Pai o acompanhe até à sala. Está crescido, tranquilo e feliz, como nunca o vimos no início de um ano letivo!
O Lucas vai aprender a ler (e a fazer torres de canetas de feltro). Vai entender melhor o mundo: no cinema, nas mensagens de telefone, nos mupis da rua, nos pacotes do supermercado, nos livros aos quadradinhos e nos outros, que pode ler à Inês. Ler só "a partir da Páscoa", como disse a professora dele, que conheci há poucos dias. Não devemos esperar que leiam antes!
Trabalhos de casa à sexta, mochilas só com estojo e caderneta para não andarem carregados e, como diz no papelinho que ela enviou, uma mochila que deve andar cheia de felicidade. Gostei muito de ler neste papel, que tinha os horários e a lista de material, duas coisas que deixo escritas para os pais que estarão ansiosos nestes dias, como nós: "Nunca digam ao vosso filhos - "não és capaz", e "Lembrem-se que o mais importante é que o vosso filho se sinta feliz na escola!".
Sou obrigada a gostar do ensino público, que tem tratado tão bem o nosso filho e que, no próximo ano, vai receber a fofa Inês!! Se for como no meu caso, a professora será a mesma da irmã. A ver.
Feliz ano letivo para todos os pais, professores e alunos, e para o nosso querido Lucas, em especial.
Estamos tão, mas tão orgulhosos de ti !!!!
Como tudo o que me lembro é bom (menos dois episódios que apresentarei abaixo), desejo que a escola seja para o Lucas tão boa como foi para mim!
É importante certamente ser bom aluno, mas não tenho presente essa prioridade. Eu nunca fui boa aluna, só média.
Quero antes (ou também) que ele faça amigos para a vida, como eu fiz. Ainda hoje tenho amigas desde a escola primária e é uma senhora amizade!!!
Quero antes que ele se lembre do cheiro dos livros, da borracha e da mochila, com carinho e saudade.
A minha cheirava a (migalhas de) pão. O pão que a minha mãe mandava num saquinho de pano com bonecos.
Lembro-me dos livros borrados de cinzento de tanto apagar e até um pouco furados da borracha de tinta, aquela parte azul que era muito áspera...
Lembro-me de aprender a forrar os meus livros com papel autocolante, com a ajuda de um pano para não fazer bolhas. Era difícil. A agulha ajudava a desfazer as bolhas, para o livro ficar bonito e lisinho. Depois de ficar sem se ver a capa (só se via o Mickey do papel autocolante), tínhamos que colar etiquetas a dizer o nome do recheio do livro: Meio Físico e Social, Português ou Matemática.
Lembro-me dos trabalhos de casa (ou TPC: trabalhos para carecas!) e de não gostar de os fazer...
Lembro-me dos pacotes de leite achocolatado, com pouco chocolate mas muitos desenhos, que formavam um só desenho quando encostados a outros, como um puzzle... e como a amizade da minha turma, que veio junta dos 6 anos até aos 12, já na escola preparatória, onde ainda jogávamos juntos, todos juntos, rapazes e raparigas, à "Sirumba", desenhada com giz no chão do recreio. E também ao "Lá vai alho", ao "Mata" e a muitos outros jogos divertidos que ainda gosto de jogar!
Lembro-me de descobrirmos que a pastilha elástica ficava cinzenta se a mastigássemos com um bico do lápis de carvão...
A professora Fernanda, da escola primária, foi especial. Ralhava e puxou-me as orelhas (ficavam vermelhas, a ferver) quando eu fiz uma torre de canetas de feltro e não ouvi o que ela disse. Não me sinto traumatizada. Sobretudo porque a professora Fernanda me deixava fazer ronha no colo dela, de manhã. Eu adoro dormir e tenho esse dom, como alguns saberão. São quase 35 anos de carreira, nesta área, sempre apoiada pela professora Fernanda!
Encontrei-a há uns meses em Santarém, quando lá fui com os meus filhos. Parei o carro, corri atrás dela e chamei-a. Ela olhou-me e disse "Joaninha!!!"... Raios, eu queria ter esta memória, queria muito!! Apresentei-a aos meus filhos, muito emocionada e ela disse: "A Joaninha, que estava sempre com sono!":)
O outro episódio menos bom (o primeiro foi a torre de canetas + orelhas vermelhas) da escola foi o dia em que decidi não ir e dizer ao meu pai que não havia escola... Ele não gostou, porque havia:) Engraçado, porque hoje a Inês disse de manhã que tinha "febe" e não queria ir à escola. Na dúvida, ficou com a "Avó Jita" e disse-lhe quando chegou "a minha cola tá fichada!". Quem sai aos seus "não é de Genebra", como diz o Pedro. :p
Lembro-me de ir todos os dias a pé para lá, sozinha, pelo carreiro, no meio do mato (seguro). Com ou sem chuva, em 10 minutos subia aquilo, passava perto da casa da Marta e entrava na escola para ir ter com os meus amigos. Ainda me lembro dos nomes completos de quase todos e do número fixo de muitos deles! (Afinal tenho memória!) :)
Agora é o Lucas. Estamos derretidos com o nosso Lucas. Com quase 7 anos, entra na escola primária e não quer que o Pai o acompanhe até à sala. Está crescido, tranquilo e feliz, como nunca o vimos no início de um ano letivo!
O Lucas vai aprender a ler (e a fazer torres de canetas de feltro). Vai entender melhor o mundo: no cinema, nas mensagens de telefone, nos mupis da rua, nos pacotes do supermercado, nos livros aos quadradinhos e nos outros, que pode ler à Inês. Ler só "a partir da Páscoa", como disse a professora dele, que conheci há poucos dias. Não devemos esperar que leiam antes!
Trabalhos de casa à sexta, mochilas só com estojo e caderneta para não andarem carregados e, como diz no papelinho que ela enviou, uma mochila que deve andar cheia de felicidade. Gostei muito de ler neste papel, que tinha os horários e a lista de material, duas coisas que deixo escritas para os pais que estarão ansiosos nestes dias, como nós: "Nunca digam ao vosso filhos - "não és capaz", e "Lembrem-se que o mais importante é que o vosso filho se sinta feliz na escola!".
Sou obrigada a gostar do ensino público, que tem tratado tão bem o nosso filho e que, no próximo ano, vai receber a fofa Inês!! Se for como no meu caso, a professora será a mesma da irmã. A ver.
Feliz ano letivo para todos os pais, professores e alunos, e para o nosso querido Lucas, em especial.
Estamos tão, mas tão orgulhosos de ti !!!!
sábado, 19 de agosto de 2017
Praia ll
A praia merece que se escreva sobre ela, muitas vezes...
O que nos faz rir na praia?
A praia é um cenário único que também tem o seu lado parvo e divertido... Na praia tanto rimos dos outros como de nós próprios, o que também é engraçado.
Vamos então a situações caricatas, só possíveis na praia e que tocam a todos/todas:
1. Na praia somos muito parecidos: quase despidos, com tudo exposto... A diferença são mais ou menos quilos, mais ou menos experiência, mais ou menos estilo. É difícil, neste contexto, resistir ao exercício de sermos jurados de quem passa.
1.1. Em voz alta ou só entre nós, comentamos o biquíni mega giro daquela italiana que só veio cá para tirar fotos ao pé da rocha, descascada, com e sem chapéu, com e sem óculos e que faz parar muita gente.
1.2. Por outro lado, vemos aqueles estrangeiros branquelas: pai vestido como se tivesse 10 anos, filho de 10 anos que parece ter 3... Que meias, cabelo e fato de banho são esses???!!!! Não podia haver um controlo à entrada para pessoas que não sabem vir à praia, pergunto! ("Hey, os calções são para descer, as meias para tirar, o creme para por e esse cabelo só com um boné decente, OK guys??!").
1.3. Ou comentar aqueles senhores que sentem que são o Ronaldo, mas parecem o Benny Hill. E ainda têm aquele totiche em cima do cabelo rapado para acrescentar estilo. Admiro estes senhores.
1.4. Para uma mulher também é bom dar pontos a fatos de banho e biquínis: aquele vestia, aquele adoro mas não ia ficar bem, aquele é piroso, ninguém devia vestir...
1.5. E depois o top less e a comparação inevitável entre tamanho, forma e estilo de peitos. Também se podia explicar à entrada que certas senhoras, nem em casa deviam andar despidas...
No fundo, os homens saiem a ganhar enquanto espectadores destes concursos de praia.
2. Tem graça vêr as miúdas de todos os pesos, a fazerem coisas que acham que ninguém está a ver tipo:
2.1. Espremer o biquíni depois de sair da água, apertando bem as maminhas como se enxogassem um esfregão de loiça.
2.2. Dar mergulhos e apanhar ondas deixando saltar partes do vestuário de licra, de baixo, cima ou ambas, saindo como sereias do mar, como se nada fosse;
2.3. Por óculos escuros, sentadas debaixo do chapéu a fazer o exercício 1, achando que ninguém vê;
2.4. Apanhar conchinhas de rabo para o ar durante vários minutos e ao longo de demasiados metros, para que toda a gente possa ver bem tudo e mais alguma coisa...
3. Quando um casal dorme tranquilo há horas, de costas escaldadas e a maré sobe e os apanha numa onda maior e eles saltam baralhado e a rir de si próprios apanhando toda a tralha que se molhou.
4. Quando o vento sopra de tal maneira que se vê um chapéu de sol a voar de forma violenta a querer agredir famílias e lá vai o dono a correr e a sorrir tipo: "desculpem, é dos chineses, só custava 8 EUR!"
E pronto, vou fazer algumas destas figuras e dar um belo mergulho no mar:)
O que nos faz rir na praia?
A praia é um cenário único que também tem o seu lado parvo e divertido... Na praia tanto rimos dos outros como de nós próprios, o que também é engraçado.
Vamos então a situações caricatas, só possíveis na praia e que tocam a todos/todas:
1. Na praia somos muito parecidos: quase despidos, com tudo exposto... A diferença são mais ou menos quilos, mais ou menos experiência, mais ou menos estilo. É difícil, neste contexto, resistir ao exercício de sermos jurados de quem passa.
1.1. Em voz alta ou só entre nós, comentamos o biquíni mega giro daquela italiana que só veio cá para tirar fotos ao pé da rocha, descascada, com e sem chapéu, com e sem óculos e que faz parar muita gente.
1.2. Por outro lado, vemos aqueles estrangeiros branquelas: pai vestido como se tivesse 10 anos, filho de 10 anos que parece ter 3... Que meias, cabelo e fato de banho são esses???!!!! Não podia haver um controlo à entrada para pessoas que não sabem vir à praia, pergunto! ("Hey, os calções são para descer, as meias para tirar, o creme para por e esse cabelo só com um boné decente, OK guys??!").
1.3. Ou comentar aqueles senhores que sentem que são o Ronaldo, mas parecem o Benny Hill. E ainda têm aquele totiche em cima do cabelo rapado para acrescentar estilo. Admiro estes senhores.
1.4. Para uma mulher também é bom dar pontos a fatos de banho e biquínis: aquele vestia, aquele adoro mas não ia ficar bem, aquele é piroso, ninguém devia vestir...
1.5. E depois o top less e a comparação inevitável entre tamanho, forma e estilo de peitos. Também se podia explicar à entrada que certas senhoras, nem em casa deviam andar despidas...
No fundo, os homens saiem a ganhar enquanto espectadores destes concursos de praia.
2. Tem graça vêr as miúdas de todos os pesos, a fazerem coisas que acham que ninguém está a ver tipo:
2.1. Espremer o biquíni depois de sair da água, apertando bem as maminhas como se enxogassem um esfregão de loiça.
2.2. Dar mergulhos e apanhar ondas deixando saltar partes do vestuário de licra, de baixo, cima ou ambas, saindo como sereias do mar, como se nada fosse;
2.3. Por óculos escuros, sentadas debaixo do chapéu a fazer o exercício 1, achando que ninguém vê;
2.4. Apanhar conchinhas de rabo para o ar durante vários minutos e ao longo de demasiados metros, para que toda a gente possa ver bem tudo e mais alguma coisa...
3. Quando um casal dorme tranquilo há horas, de costas escaldadas e a maré sobe e os apanha numa onda maior e eles saltam baralhado e a rir de si próprios apanhando toda a tralha que se molhou.
4. Quando o vento sopra de tal maneira que se vê um chapéu de sol a voar de forma violenta a querer agredir famílias e lá vai o dono a correr e a sorrir tipo: "desculpem, é dos chineses, só custava 8 EUR!"
E pronto, vou fazer algumas destas figuras e dar um belo mergulho no mar:)
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Vamos acampar?!
"Vamos acampar?!" Foi a ideia pouco pensada que surgiu para ocuparmos os primeiros dois dias de férias que tínhamos até irmos para o Algarve. A este plano acrescentámos ir de bicicleta, de comboio e de filhos...
O google decidiu o nosso destino: São Martinho do Porto. Neste local conseguíamos três coisas juntas: estação de comboios, praia e parque de campismo, o que nos permitia conjugar tudo.
Os desafios surgiam antes da partida: levar pouca roupa para encaixar nos dois pequenos sacos que iriam presos a uma das bicicletas; encaixar tenda, colchões e mais tralhas, na outra bicicleta; depois colocar os filhos que escolhemos ter, e levá-los nesta verdadeira aventura (inspirada na família João+Filipa+Manuel+Vasquinho+Henrique, para quem esta experiência seria apenas um aperitivo: acompanhar em https://familiabernardinoembicicleta.wordpress.com :)
Comboio na estação de Benfica, perto de casa, sábado às 14h, dez horas depois de nos deitarmos os dois, porque houve uma festa de anos especial que tinha que ser vivida intensamente...
Três comboios para apanhar, 2 horas, 4 pessoas e truques para aprender, como tirar e por filhos e bicicletas em diferentes comboios e poucos segundos.
Por volta das 16h30 chegávamos ao destino. Apesar de cansados, a sensação era ótima: filhos felizes, mar à vista, sol e aventuras por viver.
48 horas intensas onde encaixaram noites não muito famosas para os crescidos, mas boa praia, encontros inesperados com amigos, espírito leve e arranque de férias!!
O balanço final é positivo: o Lucas a dizer, maravilhado, que gostava de viver ali e que estava a adorar aquela aventura; o por do sol no mar; as brincadeiras na praia; as pessoas que nos ajudavam nos comboios... compensaram as birras de dois adultos cansados; as duas manhãs invernosas e frias na tenda; o tempo de fecho das portas do último comboio que nos fez deixar uma bicicleta para trás, e ter que ir buscá-la ...num final de stress de uma aventura inesquecível!
Acabou bem, com um bom banho, noite bem dormida e férias para gozar:)
Acredito que o Lucas e a Inês, se escrevessem, só referiam as coisas boas porque as saborearam deliciosamente, e isso foi o que nos fez respirar fundo várias vezes e pensar que íamos de férias logo logo a seguir!!
O google decidiu o nosso destino: São Martinho do Porto. Neste local conseguíamos três coisas juntas: estação de comboios, praia e parque de campismo, o que nos permitia conjugar tudo.
Os desafios surgiam antes da partida: levar pouca roupa para encaixar nos dois pequenos sacos que iriam presos a uma das bicicletas; encaixar tenda, colchões e mais tralhas, na outra bicicleta; depois colocar os filhos que escolhemos ter, e levá-los nesta verdadeira aventura (inspirada na família João+Filipa+Manuel+Vasquinho+Henrique, para quem esta experiência seria apenas um aperitivo: acompanhar em https://familiabernardinoembicicleta.wordpress.com :)
Comboio na estação de Benfica, perto de casa, sábado às 14h, dez horas depois de nos deitarmos os dois, porque houve uma festa de anos especial que tinha que ser vivida intensamente...
Três comboios para apanhar, 2 horas, 4 pessoas e truques para aprender, como tirar e por filhos e bicicletas em diferentes comboios e poucos segundos.
Por volta das 16h30 chegávamos ao destino. Apesar de cansados, a sensação era ótima: filhos felizes, mar à vista, sol e aventuras por viver.
48 horas intensas onde encaixaram noites não muito famosas para os crescidos, mas boa praia, encontros inesperados com amigos, espírito leve e arranque de férias!!
O balanço final é positivo: o Lucas a dizer, maravilhado, que gostava de viver ali e que estava a adorar aquela aventura; o por do sol no mar; as brincadeiras na praia; as pessoas que nos ajudavam nos comboios... compensaram as birras de dois adultos cansados; as duas manhãs invernosas e frias na tenda; o tempo de fecho das portas do último comboio que nos fez deixar uma bicicleta para trás, e ter que ir buscá-la ...num final de stress de uma aventura inesquecível!
Acabou bem, com um bom banho, noite bem dormida e férias para gozar:)
Acredito que o Lucas e a Inês, se escrevessem, só referiam as coisas boas porque as saborearam deliciosamente, e isso foi o que nos fez respirar fundo várias vezes e pensar que íamos de férias logo logo a seguir!!
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Ir aos saldos com um pequenote gorducho e uma senhora de óculos
Futilidades: este é o vosso momento.
Gosto muito de roupa e sofro do síndrome da poupança, por isso quando chega o fim de junho, celebro juntamente a chegada do verão e a dos saldos!!!! É nesta altura que me dá gozo comprar muito e gastar pouco.
Aqui ficam 8 comportamentos que adopto em época de saldos:
1 - começo logo por olhar para o meu subsídio de férias, em junho, e pensar: "vocês os dois, sentem-se ali que são para a poupança; tu, ali quietinho, à espera das férias do verão.... e tu, oh pequenote gorducho... arranja-te e vem comigo!"
2- evitar ir aos saldos com crianças (exceto o pequenote gorducho) para não ter que procurar os filhotes nos cabides em círculo, tipo carrossel, no meio das t-shirts básicas de 5,99 eur (felizmente são as mais baratas) e chamar-lhes a atenção baixinho... "não deixem cair nada" .. evito ralhar porque eles não têm que aguentar ver aquelas rodas coloridas e mesas de sapatos e prateleiras de malas sem lhes limpar algum pó. Normal, até eu tenho vontade de o fazer.
3- tentar ir aos saldos sozinha, sem pressa. Estava a brincar ... isto é impossível!! Sou especialista em ter 30 minutos para comprar os sapatos que o Lucas precisa, um vestido giro para a Inês, uma t-shirt cool para o marido e uma camisola barata e gira para mim, porque preciso sempre de um trapinho novo... Ou, com sorte, os mesmos 30 minutos para comprar vários trapinhos+acessórios para mim (yupi!!).
4- trocar e trocar... quando vou sozinha e com pressa, corro o risco (elevado) de trazer coisas que não servem ou não são do agrado dos clientes lá em casa (porque vou deixando que as crianças tenham gostos e opiniões e lá aceito que não queiram aquela camisola liiinnnnddaaaaa que eu comprei). E como eu não experimentei, só vejo em casa que aquela camisola linda com um laço a fazer de cinto, nem nas orelhas me cabe!! Depois é ver a minha mala na sua versão "saldos", ou seja, com o dobro da papelada que tem normalmente, mas agrafada e divida por lojas.
5- aproveitar para comprar presentes de aniversário para os próximos meses... E lá estou eu, nas lojas, a desenrolar um calendário mental na minha mente despenteada, e a ver "agosto: mãe, sogra, João, Diogo.... setembro: a,b,c,d.....!". Ainda não me deu para comprar para o Natal, mas ainda estou a ponderar, porque as malas e carteiras dão com chuva, também...
6- comprar peças que não preciso... "tão barato!!! só 3 euros um vestido?!?!... até é giro e fica bem com aquelas sandálias que comprei na semana passada!" E depois, passado uns meses, lá o encontro triste e só, num canto do guarda-roupa a choramingar porque não foi aquilo que lhe prometi... e pior, nem sei o nome dele, porque nem me lembrava que estava lá... (aqui faço aquele papel de "miss mundo" e digo que dou alguma roupa todos os anos, para calar a senhora consciência dos óculos - conhecer em baixo).
7- por em prática o espírito de feirante: adoro vasculhar em montes de 5,99, 7,99, 9,99 e explorar todo um mundo de oportunidades... pegar em 12 peças, experimentar 11, servirem-me 9, ficar indecisa entre 3 e depois levar 2 até à caixa e acabar por comprar apenas 1, porque apesar da loucura dos saldos, (felizmente) há uma senhora consciência que vive em mim (pequenina, de óculos, séria, que me mantém com os pés na terra e me vai dizendo baixinho, entre a secção de criança e a trafaluc: "poupar para o caso de acontecer algum imprevisto! consumismo com peso e medida, ok menina?".. e lá venho eu, percebendo que o que gosto mesmo é daquele espírito tribal do tira, vasculha, pensa, experimenta, decide e não leva quase nada... várias vezes ;)
8- por fim, sentir-me uma adolescente gira, em frente ao espelho no nosso hall, a experimentar roupa nova, a misturar com outra mais velha, enquanto tenho o jantar a fazer e os miúdos a chamarem-me e a correrem por baixo das minhas pernas. E ainda arriscar perguntar ao Lucas, numa tentativa de pausa: "fica-me bem?" e ele, honesto que é, responder sem perder um único segundo e com aquele ar "distraído-sensível": "não", continuando a correr atrás da Inês por causa de um cromo dos invizimals...
Pesando bem, no final, entre o que gasto e o que poupo, acredito sempre que compensou, não arriscando fazer as contas nunca.
(Deixo ainda um desejado ponto 9: um dia hei-de ter coragem para pedir à rapariga da caixa para me deixar chamar um colega pelo micro... Sonho poder dizer para toda uma grande superfície: "uma menina de criança à caixa de homem!", "Carla chamada à caixa de senhora" ou até mesmo "patinadora à caixa central!!". Esta futilidade pode não ser nos saldos.)
Gosto muito de roupa e sofro do síndrome da poupança, por isso quando chega o fim de junho, celebro juntamente a chegada do verão e a dos saldos!!!! É nesta altura que me dá gozo comprar muito e gastar pouco.
Aqui ficam 8 comportamentos que adopto em época de saldos:
1 - começo logo por olhar para o meu subsídio de férias, em junho, e pensar: "vocês os dois, sentem-se ali que são para a poupança; tu, ali quietinho, à espera das férias do verão.... e tu, oh pequenote gorducho... arranja-te e vem comigo!"
2- evitar ir aos saldos com crianças (exceto o pequenote gorducho) para não ter que procurar os filhotes nos cabides em círculo, tipo carrossel, no meio das t-shirts básicas de 5,99 eur (felizmente são as mais baratas) e chamar-lhes a atenção baixinho... "não deixem cair nada" .. evito ralhar porque eles não têm que aguentar ver aquelas rodas coloridas e mesas de sapatos e prateleiras de malas sem lhes limpar algum pó. Normal, até eu tenho vontade de o fazer.
3- tentar ir aos saldos sozinha, sem pressa. Estava a brincar ... isto é impossível!! Sou especialista em ter 30 minutos para comprar os sapatos que o Lucas precisa, um vestido giro para a Inês, uma t-shirt cool para o marido e uma camisola barata e gira para mim, porque preciso sempre de um trapinho novo... Ou, com sorte, os mesmos 30 minutos para comprar vários trapinhos+acessórios para mim (yupi!!).
4- trocar e trocar... quando vou sozinha e com pressa, corro o risco (elevado) de trazer coisas que não servem ou não são do agrado dos clientes lá em casa (porque vou deixando que as crianças tenham gostos e opiniões e lá aceito que não queiram aquela camisola liiinnnnddaaaaa que eu comprei). E como eu não experimentei, só vejo em casa que aquela camisola linda com um laço a fazer de cinto, nem nas orelhas me cabe!! Depois é ver a minha mala na sua versão "saldos", ou seja, com o dobro da papelada que tem normalmente, mas agrafada e divida por lojas.
5- aproveitar para comprar presentes de aniversário para os próximos meses... E lá estou eu, nas lojas, a desenrolar um calendário mental na minha mente despenteada, e a ver "agosto: mãe, sogra, João, Diogo.... setembro: a,b,c,d.....!". Ainda não me deu para comprar para o Natal, mas ainda estou a ponderar, porque as malas e carteiras dão com chuva, também...
6- comprar peças que não preciso... "tão barato!!! só 3 euros um vestido?!?!... até é giro e fica bem com aquelas sandálias que comprei na semana passada!" E depois, passado uns meses, lá o encontro triste e só, num canto do guarda-roupa a choramingar porque não foi aquilo que lhe prometi... e pior, nem sei o nome dele, porque nem me lembrava que estava lá... (aqui faço aquele papel de "miss mundo" e digo que dou alguma roupa todos os anos, para calar a senhora consciência dos óculos - conhecer em baixo).
7- por em prática o espírito de feirante: adoro vasculhar em montes de 5,99, 7,99, 9,99 e explorar todo um mundo de oportunidades... pegar em 12 peças, experimentar 11, servirem-me 9, ficar indecisa entre 3 e depois levar 2 até à caixa e acabar por comprar apenas 1, porque apesar da loucura dos saldos, (felizmente) há uma senhora consciência que vive em mim (pequenina, de óculos, séria, que me mantém com os pés na terra e me vai dizendo baixinho, entre a secção de criança e a trafaluc: "poupar para o caso de acontecer algum imprevisto! consumismo com peso e medida, ok menina?".. e lá venho eu, percebendo que o que gosto mesmo é daquele espírito tribal do tira, vasculha, pensa, experimenta, decide e não leva quase nada... várias vezes ;)
8- por fim, sentir-me uma adolescente gira, em frente ao espelho no nosso hall, a experimentar roupa nova, a misturar com outra mais velha, enquanto tenho o jantar a fazer e os miúdos a chamarem-me e a correrem por baixo das minhas pernas. E ainda arriscar perguntar ao Lucas, numa tentativa de pausa: "fica-me bem?" e ele, honesto que é, responder sem perder um único segundo e com aquele ar "distraído-sensível": "não", continuando a correr atrás da Inês por causa de um cromo dos invizimals...
Pesando bem, no final, entre o que gasto e o que poupo, acredito sempre que compensou, não arriscando fazer as contas nunca.
(Deixo ainda um desejado ponto 9: um dia hei-de ter coragem para pedir à rapariga da caixa para me deixar chamar um colega pelo micro... Sonho poder dizer para toda uma grande superfície: "uma menina de criança à caixa de homem!", "Carla chamada à caixa de senhora" ou até mesmo "patinadora à caixa central!!". Esta futilidade pode não ser nos saldos.)
quinta-feira, 27 de julho de 2017
39x4 e um envelope sério.
(pode ser a propósito do dia dos avós, ontem)
A velhice é uma estupidez.
Devia haver alguma forma de lóbi, através da entrega de uma petição e manifestações públicas, para alguma entidade fazer alguma coisa em relação a isto. "Velhi-ce não, pra jovens de coração!" (gritava-se isto na rua)...
Bem sei que se fôssemos todos vivos para sempre, seria estranho, não havia espaço e a "generation gap" seria uma verdadeira loucura, misturando pessoas que escreviam em paredes de grutas (com pedras afiadas) sobre caça, com adolescentes com cabelo nos olhos a escrever no messenger de um iphone 7 à velocidade da luz e no final fazerem um gesto de "gap" (aquele com os braços) capaz de vazar uma vista a alguma senhora do século XVII que por ali passasse toda arranjada, com um corpete apertadíssimo ...
Uma grande parte das pessoas devia (num guichê de Sr Neves ou não) ter autorização para permanecer jovem, de corpo e pele, quando são também jovens na mente, para sempre (se é para pedir, pedimos tudo!).
A mentalidade em muitas pessoas não envelhece e a proposta de petição teria o título: "corpo igual à mente, é justo que vá para a frente!" ou "...é justo que seja para sempre!" (tão parvo...).
Ainda hoje a minha Avó Alice, com 91 anos, diz "quando me vejo ao espelho não reconheço aquela pessoa, não sou eu!".
A capa do meu telemóvel diz uma frase que adoro "se puedes sonarlo, puedes hacerlo". Junto com a petição com milhares de assinaturas, enviava esta capa no envelope, podia dar alguma força ao conteúdo. (para que é que inspiram as pessoas com estas frases, se depois são treta!??!)
Pessoas como a minha Avó Conceição, que teve 13 filhos e tem hoje uma família com dezenas de bisnetos (somos mais de 80 no total), devia estar viva para conhecer a criançada toda, querida, que temos na família. Família que só existe graças a ela e ao meu avó. 1+1=80!!!
Não vou falar de mais pessoas, porque é muito duro pensar... Mas são tantas.
E nem falo do desfecho da morte e do "adeus para sempre" às nossas pessoas...
Quem inventou isto, devia estar a ver alguma série na televisão ao mesmo tempo e, na parte em que o mau da fita quase morre, disse ao seu assistente que escrevia o destino do universo numa máquina de escrever barulhenta: "sim, podem morrer no fim". E assim ficou escrito para todo o sempre. Está mal.
E só podia ser um homem, porque não conseguiu fazer duas coisas ao mesmo tempo, como deve ser!!
Uma mulher conseguia ver a série, soltar uma lágrima e ainda ditar com clareza um "claro que não podem morrer no fim, encontra-se outra solução!". E tudo mudava.
Se esta parvoíce fosse realidade, o que eu queria era jantar com a minha Mãe e as minhas Avós, e termos todas 39 anos. Brindávamos aos 40 das 4, num restaurante giro por aí... <3
Acho tão mau quando passamos por pessoas mais velhas e olhamos para elas como "velhotes"! "tão querido", "deixem sentar, coitadinho", "já não sabe o que diz!"... Se me disserem isso quando eu for velha faço uma asneira com os dedos e talvez chame um nome alguém...
Que falta de respeito mandar sentar se a senhora se calhar só quer ir em pé no autocarro para ver o rio lá fora ou um homem giro que vai sentado lá atrás...
Aquela senhora que mal anda e tem a cara cheia de riscas na pele, foi como eu e como a Inês (fofa). Se calhar foi a maior doida do grupo de amigos e, no verão, era a que dava mais "mergulhos a correr"...
Nós precisamos de aceitar o mundo como ele é, para não nos incomodarmos com o que está para vir.
Mas está mal.
... Só num jantar destes, é que eu podia conhecer estas três importantes mulheres, como elas são.
Os meus bisnetos ou netos não vão fazer ideia que eu fui como sou. E mesmo que eu lhes conte histórias sobre as minhas viagens numa cadeira que balança (enquanto fingem não mexer em aparelhos desenvolvidos de 6ª geração), e que eles vão ouvir e perceber só depois dos 25, eles não vão ver esta Joana ... que não é a Avó Joana.
Ah, só mais uma coisa. Naquele envelope ainda colocava uma cópia da letra da música da Carolina Deslandes "Para a vida toda", porque também reforça a ideia.
Quem é que não queria ver o Fernando Pessa novo, com aquele sorriso atrevido, a dizer agora "E esta, hein?"
Deixo a ideia para quem quiser pegar e tratar desta petição.
A velhice é uma estupidez.
Devia haver alguma forma de lóbi, através da entrega de uma petição e manifestações públicas, para alguma entidade fazer alguma coisa em relação a isto. "Velhi-ce não, pra jovens de coração!" (gritava-se isto na rua)...
Bem sei que se fôssemos todos vivos para sempre, seria estranho, não havia espaço e a "generation gap" seria uma verdadeira loucura, misturando pessoas que escreviam em paredes de grutas (com pedras afiadas) sobre caça, com adolescentes com cabelo nos olhos a escrever no messenger de um iphone 7 à velocidade da luz e no final fazerem um gesto de "gap" (aquele com os braços) capaz de vazar uma vista a alguma senhora do século XVII que por ali passasse toda arranjada, com um corpete apertadíssimo ...
Uma grande parte das pessoas devia (num guichê de Sr Neves ou não) ter autorização para permanecer jovem, de corpo e pele, quando são também jovens na mente, para sempre (se é para pedir, pedimos tudo!).
A mentalidade em muitas pessoas não envelhece e a proposta de petição teria o título: "corpo igual à mente, é justo que vá para a frente!" ou "...é justo que seja para sempre!" (tão parvo...).
Ainda hoje a minha Avó Alice, com 91 anos, diz "quando me vejo ao espelho não reconheço aquela pessoa, não sou eu!".
A capa do meu telemóvel diz uma frase que adoro "se puedes sonarlo, puedes hacerlo". Junto com a petição com milhares de assinaturas, enviava esta capa no envelope, podia dar alguma força ao conteúdo. (para que é que inspiram as pessoas com estas frases, se depois são treta!??!)
Pessoas como a minha Avó Conceição, que teve 13 filhos e tem hoje uma família com dezenas de bisnetos (somos mais de 80 no total), devia estar viva para conhecer a criançada toda, querida, que temos na família. Família que só existe graças a ela e ao meu avó. 1+1=80!!!
Não vou falar de mais pessoas, porque é muito duro pensar... Mas são tantas.
E nem falo do desfecho da morte e do "adeus para sempre" às nossas pessoas...
Quem inventou isto, devia estar a ver alguma série na televisão ao mesmo tempo e, na parte em que o mau da fita quase morre, disse ao seu assistente que escrevia o destino do universo numa máquina de escrever barulhenta: "sim, podem morrer no fim". E assim ficou escrito para todo o sempre. Está mal.
E só podia ser um homem, porque não conseguiu fazer duas coisas ao mesmo tempo, como deve ser!!
Uma mulher conseguia ver a série, soltar uma lágrima e ainda ditar com clareza um "claro que não podem morrer no fim, encontra-se outra solução!". E tudo mudava.
Se esta parvoíce fosse realidade, o que eu queria era jantar com a minha Mãe e as minhas Avós, e termos todas 39 anos. Brindávamos aos 40 das 4, num restaurante giro por aí... <3
Acho tão mau quando passamos por pessoas mais velhas e olhamos para elas como "velhotes"! "tão querido", "deixem sentar, coitadinho", "já não sabe o que diz!"... Se me disserem isso quando eu for velha faço uma asneira com os dedos e talvez chame um nome alguém...
Que falta de respeito mandar sentar se a senhora se calhar só quer ir em pé no autocarro para ver o rio lá fora ou um homem giro que vai sentado lá atrás...
Aquela senhora que mal anda e tem a cara cheia de riscas na pele, foi como eu e como a Inês (fofa). Se calhar foi a maior doida do grupo de amigos e, no verão, era a que dava mais "mergulhos a correr"...
Nós precisamos de aceitar o mundo como ele é, para não nos incomodarmos com o que está para vir.
Mas está mal.
... Só num jantar destes, é que eu podia conhecer estas três importantes mulheres, como elas são.
Os meus bisnetos ou netos não vão fazer ideia que eu fui como sou. E mesmo que eu lhes conte histórias sobre as minhas viagens numa cadeira que balança (enquanto fingem não mexer em aparelhos desenvolvidos de 6ª geração), e que eles vão ouvir e perceber só depois dos 25, eles não vão ver esta Joana ... que não é a Avó Joana.
Ah, só mais uma coisa. Naquele envelope ainda colocava uma cópia da letra da música da Carolina Deslandes "Para a vida toda", porque também reforça a ideia.
Quem é que não queria ver o Fernando Pessa novo, com aquele sorriso atrevido, a dizer agora "E esta, hein?"
Deixo a ideia para quem quiser pegar e tratar desta petição.
segunda-feira, 24 de julho de 2017
Ao teu lado, da tua altura, sempre.
Tu disseste que era uma grande ideia e eu segui-te.
Saímos da piscina, dos nossos mergulhos e brincadeiras, e deitámo-nos no chão quente da rua da casa, lá na terra.
A beleza de ser criança e a razão pela qual te amo tanto é que tu também sabes. Sabes que não tem que ser a toalha. Sabes que tem que se experimentar, arriscar queimar deitar num chão que não é para deitar, e ficar. Mesmo sendo tu tão organizado.
E foi tão bom descobrir que ali se está tão bem... Eu vou repetir. Nunca tinha feito isto!
Para além da conversa deliciosa que surgiu daquele momento imprevisto, sobre pais, amor e outras coisas nossas (sempre deitados, de olhos molhados, uns verdes e outros verdes acastanhados) o chão, que quase fervia, foi perfeito para nos aquecer.
Ali estávamos da mesma altura. Eu adorei ser do teu tamanho, porque é tão bom sermos do vosso tamanho. Quer de costas, quer de barriga.
E bom, foi também o Tiago perceber, sem eu ver nem pedir, que este momento tinha que ser fotografado.
(Obrigada)
É bom ser tua mãe, Lucas. Tão bom!!
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Porque é que eu não devia fazer 40 anos
Adorei imaginar isto...
Ir à Loja do Cidadão, a um local chamado AND (Admissão para uma Nova Década).
... Tirei a senha do aparelho que dizia 40, e esperei um pouco. Estou a imaginar um sítio destes existir e haver filas de mulheres organizadas por décadas, à espera do carimbo de "Aptas".
"21!", chamou um senhor meio forte com uma farda cinzenta e um logo no bolso, por cima do coração, a dizer "Admissão 40".
Sento-me, meio nervosa. Há dez anos tive falhas... Aqui todos queremos cortar a meta e ninguém assume que, no fundo, quer chumbar e repetir alguns anos para trás...
"Nome e data de nascimento, minha senhora..."
"Joana Brandão, 8 do 8 de 1977"
"Ora então, isto são só 5 perguntas. Se responder de acordo, pode levar a certidão carimbada! Se não, vou ter que recorrer à informação que tenho nos seus registos ..."
"Muito bem, pode começar", digo eu, sabendo que vai dar molho...
"Maquilha-se há mais de dez anos, vai ao cabeleireiro em dia de casamento e faz depilação pelos métodos adequados para a sua idade?"
"Não... nunca e... não."
"Como assim?"
"Então, antes dos 30 não sabia o que era rímel ou blush; nunca estiquei ou arranjei o cabelo na vida - ponho ganchos ou elásticos meus porque acho que fica giro... Mas fui à depilação com cera, uma vez, no ano passado... Uma violência que nem lhe conto!!".
(silêncio constrangedor)
"Vamos à próxima..."
"Como se comporta numa piscina pública?"
"Oh, faço bombas - mesmo grávida, (digo contente), mortais, flic flacs e cambalhotas debaixo de água, mas é raro sair-me o biquíni...!"
"Mau... está bonito, está..
Oh Graça!? esta é daquelas que tu ias querer atender... só me calham a mim!", diz o senhor já recostado na cadeira e impaciente, comentando com a colega do guiché dos 20 anos.
Percebo que se calhar não posso dizer tudo e mudo de estratégia...
"Sigamos, foi mãe ou avó na última década!?"
"Sim, tenho um casal, fui mãe com 33 e 37 anos!"
"Menos mal!", responde, com ar de alívio.
"Terceira: como é que gere os recados da escola dos seus filhos? As consultas? As reuniões?"
"Impecável, com eles não falho!" (teve que ser, não posso repetir os 30, não lhes vou dizer que chumbei!)
"Muito bem ... também há limites, menina, não é!??!"
(Desta passou, só falta uma, mas chamou-me menina o que não é bom sinal!)...
"Vê novelas, dá beijinhos repenicados aos filhos e tapa-se com mantas fofas e quentes, no sofá?"
"Sim, com frequência! E gosto de concursos e passatempos!" (aqui sinto que tenho hipóteses.)
"Hmmmmm. Temos alguma inconsistência, vou ter que pesquisar nos registos..."
Já me lixei... não vou conseguir....
De óculos postos, a olhar para um dossiê, o senhor começa a corar e a inchar, como quem vai despedir um empregado sob o qual depositou alguma esperança... Começa...
"Já a viram sair do cinema com um placard de 2 metros com ovelhas, incluindo a choné!? Já fez baínhas nas calças com fita cola, ajustou uma saia com um clip..."
(interrompo, correndo o risco de levar com o agrafador) ... "Mas isso foi só uma vez, senhor Neves, não se repetiu ... nenhuma delas! E no cinema, pedi e deram-me!" (recorro ao nome do identificador do lado oposto do logotipo bordado, porque não acho isto justo!)
..."calças rasgadas, mala desarrumada, e ainda faz a espargata?!?! Oh meu Deus...! Isto para mim chega!"
(Quando pega no telefone, percebo que acabou ali..!)
"Sim... Costa!? Tenho aqui um caso bicudo!! Secção 40, falhas constantes e vejo agora que a Mãe dela chumba há 3 décadas, porque parece que aos 70, tem espírito de 30!! Ah, espere, tem uma irmã mais nova... Isto não vai acabar aqui!!!"
Nisto, tenho que acrescentar, com seriedade e bastante nervosa com isto tudo...
"Desculpe senhor Neves, mas eu no último ano melhorei... já não vivo sem ter o cabelo pintado, as unhas pinto-as com regularidade, até em manicures, pagando; só não me maquilho quando vou à praia; uso saltos, faço sopas boas, e durmo mal demasiadas vezes!!"
(Fui sincera, há limites.)
Em silêncio, pousa o telefone, e o tom vermelho da face passa a rosa-velho.(para mim, um verde-esperança...)
"Ah, e mais uma coisa!!! (digo eu, arriscando tudo) A minha filha já se maquilhou e só tem dois anos!".
Aqui suspiro, dei tudo...
O senhor acalma, pousa o telefone, expira intensamente e diz com um ar esgotado e os olhos vermelhos: "Menina.... eu vou passá-la e dar-lhe uma oportunidade de ser uma mulher que digne os seus 40 anos. Agora siga, e leve o seu papel daqui!"
(Dedicado às minhas amigas e todas as meninas e meninos de 40/ 50/ .... anos que se comportam como se tivessem 20 ou 30 ou 15 <3. Obrigada Mãe por nos dares o melhor exemplo do mundo!!!!)
E é isto, a poucos dias de apresentar a certidão.
Ir à Loja do Cidadão, a um local chamado AND (Admissão para uma Nova Década).
... Tirei a senha do aparelho que dizia 40, e esperei um pouco. Estou a imaginar um sítio destes existir e haver filas de mulheres organizadas por décadas, à espera do carimbo de "Aptas".
"21!", chamou um senhor meio forte com uma farda cinzenta e um logo no bolso, por cima do coração, a dizer "Admissão 40".
Sento-me, meio nervosa. Há dez anos tive falhas... Aqui todos queremos cortar a meta e ninguém assume que, no fundo, quer chumbar e repetir alguns anos para trás...
"Nome e data de nascimento, minha senhora..."
"Joana Brandão, 8 do 8 de 1977"
"Ora então, isto são só 5 perguntas. Se responder de acordo, pode levar a certidão carimbada! Se não, vou ter que recorrer à informação que tenho nos seus registos ..."
"Muito bem, pode começar", digo eu, sabendo que vai dar molho...
"Maquilha-se há mais de dez anos, vai ao cabeleireiro em dia de casamento e faz depilação pelos métodos adequados para a sua idade?"
"Não... nunca e... não."
"Como assim?"
"Então, antes dos 30 não sabia o que era rímel ou blush; nunca estiquei ou arranjei o cabelo na vida - ponho ganchos ou elásticos meus porque acho que fica giro... Mas fui à depilação com cera, uma vez, no ano passado... Uma violência que nem lhe conto!!".
(silêncio constrangedor)
"Vamos à próxima..."
"Como se comporta numa piscina pública?"
"Oh, faço bombas - mesmo grávida, (digo contente), mortais, flic flacs e cambalhotas debaixo de água, mas é raro sair-me o biquíni...!"
"Mau... está bonito, está..
Oh Graça!? esta é daquelas que tu ias querer atender... só me calham a mim!", diz o senhor já recostado na cadeira e impaciente, comentando com a colega do guiché dos 20 anos.
Percebo que se calhar não posso dizer tudo e mudo de estratégia...
"Sigamos, foi mãe ou avó na última década!?"
"Sim, tenho um casal, fui mãe com 33 e 37 anos!"
"Menos mal!", responde, com ar de alívio.
"Terceira: como é que gere os recados da escola dos seus filhos? As consultas? As reuniões?"
"Impecável, com eles não falho!" (teve que ser, não posso repetir os 30, não lhes vou dizer que chumbei!)
"Muito bem ... também há limites, menina, não é!??!"
(Desta passou, só falta uma, mas chamou-me menina o que não é bom sinal!)...
"Vê novelas, dá beijinhos repenicados aos filhos e tapa-se com mantas fofas e quentes, no sofá?"
"Sim, com frequência! E gosto de concursos e passatempos!" (aqui sinto que tenho hipóteses.)
"Hmmmmm. Temos alguma inconsistência, vou ter que pesquisar nos registos..."
Já me lixei... não vou conseguir....
De óculos postos, a olhar para um dossiê, o senhor começa a corar e a inchar, como quem vai despedir um empregado sob o qual depositou alguma esperança... Começa...
"Já a viram sair do cinema com um placard de 2 metros com ovelhas, incluindo a choné!? Já fez baínhas nas calças com fita cola, ajustou uma saia com um clip..."
(interrompo, correndo o risco de levar com o agrafador) ... "Mas isso foi só uma vez, senhor Neves, não se repetiu ... nenhuma delas! E no cinema, pedi e deram-me!" (recorro ao nome do identificador do lado oposto do logotipo bordado, porque não acho isto justo!)
..."calças rasgadas, mala desarrumada, e ainda faz a espargata?!?! Oh meu Deus...! Isto para mim chega!"
(Quando pega no telefone, percebo que acabou ali..!)
"Sim... Costa!? Tenho aqui um caso bicudo!! Secção 40, falhas constantes e vejo agora que a Mãe dela chumba há 3 décadas, porque parece que aos 70, tem espírito de 30!! Ah, espere, tem uma irmã mais nova... Isto não vai acabar aqui!!!"
Nisto, tenho que acrescentar, com seriedade e bastante nervosa com isto tudo...
"Desculpe senhor Neves, mas eu no último ano melhorei... já não vivo sem ter o cabelo pintado, as unhas pinto-as com regularidade, até em manicures, pagando; só não me maquilho quando vou à praia; uso saltos, faço sopas boas, e durmo mal demasiadas vezes!!"
(Fui sincera, há limites.)
Em silêncio, pousa o telefone, e o tom vermelho da face passa a rosa-velho.(para mim, um verde-esperança...)
"Ah, e mais uma coisa!!! (digo eu, arriscando tudo) A minha filha já se maquilhou e só tem dois anos!".
Aqui suspiro, dei tudo...
O senhor acalma, pousa o telefone, expira intensamente e diz com um ar esgotado e os olhos vermelhos: "Menina.... eu vou passá-la e dar-lhe uma oportunidade de ser uma mulher que digne os seus 40 anos. Agora siga, e leve o seu papel daqui!"
(Dedicado às minhas amigas e todas as meninas e meninos de 40/ 50/ .... anos que se comportam como se tivessem 20 ou 30 ou 15 <3. Obrigada Mãe por nos dares o melhor exemplo do mundo!!!!)
E é isto, a poucos dias de apresentar a certidão.
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Tenho sono, basicamente sempre.
Hoje por exemplo, não conseguia escrever sobre praia...
Um dia falei no blog do livre trânsito para Sleeping, porque realmente, sublinho, tenho mesmo jeito para dormir.
Sei dormir no metro, mesmo quando toda a gente já saíu e já estamos (eu e os maquinistas) a caminho do túnel final... medo.
Sei dormir até nos semáforos. Haja óculos escuros para disfarçar... Eu durmo nos aviões contorcida. Qualquer sítio serve, quando temos este dom.
Isto acontece desde que me lembro de existir. A minha mãe tem um desenho guardado, que fiz quando era pequena sobre o que mais gostava. Não era praia, nem os pais, nem brinquedos. Desenhei uma cama, pois claro.
Como presente de ser Mãe a vida não me ofereceu roupa nem enxoval. Ofereceu-me dois filhos perfeitos e maravilhosos... até às 23h. O Lucas já cresceu, dorme bem, são 24h de amor puro.
Já a mais pequena, a princesa fofa, a partir das 21h30 o nível de fofura vai reduzindo, atingindo novamente os níveis normais às 8h. Ainda estamos (lembro que tem 34 meses, cerca de 1020 noites) em modo "como será esta noite?"... Sei que a carne da Mãe é fraca, e que a culpa é muito minha porque desde cedo, podia ter tentando ...blá, blá, blá ..... Sei isso.
A realidade é que estamos numa fase de alerta apenas laranja, em que em 7 noites da semana, 1 é inteira. UUUUUh!!! Quase igual a uma raspadinha onde saiem 10 euros! É bom. Mas eu queria mesmo o prémio máximo, okeei ? (como ela agora diz sempre)...
Antes de ontem, a noite foi das que dormi bem, penso que foi a noite toda, por isso já fui para a cama ontem, sabendo que duas raspadinhas na mesma semana não é para mim.
Bom, mesmo bom, é quando me deito e a Inês acorda logo pelas 1h (não faço ideia que horas são, o meu cérebro não consegue funcionar). Ontem foi o caso, jackpot mas ao contrário...
Sendo pequenina, tem os seus motivos válidos para acordar: água, chichi, medos, tudo. Compreendo... quer dizer...
Se o Pai lá vai, não serve, ela quer a Mãe. E lá começa o turno, lá vou eu a tentar não bater com o nariz nas paredes e portas daquele caminho maravilhoso que ainda não consigo fazer de olhos fechados, com pena minha. Foram vários os motivos apresentados pela fofa, e os argumentos eram fortes, com aquela cara mais fofa a dizer (depois de tudo) "Qué i pá pama da Mãe e Pai!"... Teoricamente não gostamos que venham para a nossa cama, a não ser para as macacadas matinais de fim de semana, que são maravilhosas. Mas entre as 00h e as 8h a cama é nossa, ok menina?!!!???
Na prática, com o cérebro a dormir, os olhos bêbados e a boca sem conseguir articular grandes frases, a resposta por vezes é qualquer coisa como "está bem, mas não pode ser assim Inês", num tom do mais sério que deve haver às 2h... e lá vem a fofa, com aquele sorriso tipo "tomaaaa, consegui outra vez...". O Pai não gosta, com razão, ela encaixa no meio de nós e pronto.... entre pontapés na cara, no estômago (só a mim claro), braços que pareciam pequeninos até às 21h30, tudo acontece com aquela fofura mais fofa do planeta, que acorda com a cara mais fofa do planeta também....
Durmo mal (1021...), o Pai dorme mal e depois temos que acordar frescos e fofos pelas 7 e tal. E hoje, para além de preparar idas à praia às 8h, o carro está com um problema e tive que ir de autocarros vários levar a Inês à escola e depois ir a pé e depois bus para o trabalho... Sair de casa pelas 8h30, e chegar ao trabalho pelas 10h10.
Vinha no autocarro da pontinha para cá, a pensar com olhos meio fechados e a tombar para a janela do mesmo, com tanto sono que tinha "agora desviava para casa, tirava a sandalinha e deitava-me sem avisar ninguém, e dormia até setembro, mais ou menos." Ok? Extravagâncias de quem ganha o prémio máximo... É impossível, eu sei.
Outras noites acordo só para tapar, ou dar água, ou levar o Lucas à WC, mas isso eu já consigo fazer quase a dormir, e corresponde a uma raspadinha que custou 2 euros onde ganho os mesmos 2 euros. Não é mau.
Existem placas metálicas para colocar num colar que as pessoas que têm alergia a abelhas usam com essa informação, para o caso de algum episódio... Eu vou fazer um colar desses a dizer "tenho sono, ok?" só para o caso do maquinista ou o senhor do autocarro me virem a babar num canto do transporte, sem qualquer dignidade.
E para mostrar quando chego ao trabalho e digo um bom dia alegre, mas depois bato com a cara na porta ou fico com a presilha das calças presa ao puxador, ... e não me gozarem. É só mostrar a placa.
Do outro lado da placa ponho o número de contribuinte, porque não há paciência para estar sempre a repetir para todo o pingo doce ouvir... Se me enganar e mostrar o "tenho sono ok", penso que também vão perceber. Sai recibo, só.
Eu sei, isto está a descambar, mas é porque (mostro-vos a placa metálica.)
Obrigada e bom dia.
Um dia falei no blog do livre trânsito para Sleeping, porque realmente, sublinho, tenho mesmo jeito para dormir.
Sei dormir no metro, mesmo quando toda a gente já saíu e já estamos (eu e os maquinistas) a caminho do túnel final... medo.
Sei dormir até nos semáforos. Haja óculos escuros para disfarçar... Eu durmo nos aviões contorcida. Qualquer sítio serve, quando temos este dom.
Isto acontece desde que me lembro de existir. A minha mãe tem um desenho guardado, que fiz quando era pequena sobre o que mais gostava. Não era praia, nem os pais, nem brinquedos. Desenhei uma cama, pois claro.
Como presente de ser Mãe a vida não me ofereceu roupa nem enxoval. Ofereceu-me dois filhos perfeitos e maravilhosos... até às 23h. O Lucas já cresceu, dorme bem, são 24h de amor puro.
Já a mais pequena, a princesa fofa, a partir das 21h30 o nível de fofura vai reduzindo, atingindo novamente os níveis normais às 8h. Ainda estamos (lembro que tem 34 meses, cerca de 1020 noites) em modo "como será esta noite?"... Sei que a carne da Mãe é fraca, e que a culpa é muito minha porque desde cedo, podia ter tentando ...blá, blá, blá ..... Sei isso.
A realidade é que estamos numa fase de alerta apenas laranja, em que em 7 noites da semana, 1 é inteira. UUUUUh!!! Quase igual a uma raspadinha onde saiem 10 euros! É bom. Mas eu queria mesmo o prémio máximo, okeei ? (como ela agora diz sempre)...
Antes de ontem, a noite foi das que dormi bem, penso que foi a noite toda, por isso já fui para a cama ontem, sabendo que duas raspadinhas na mesma semana não é para mim.
Bom, mesmo bom, é quando me deito e a Inês acorda logo pelas 1h (não faço ideia que horas são, o meu cérebro não consegue funcionar). Ontem foi o caso, jackpot mas ao contrário...
Sendo pequenina, tem os seus motivos válidos para acordar: água, chichi, medos, tudo. Compreendo... quer dizer...
Se o Pai lá vai, não serve, ela quer a Mãe. E lá começa o turno, lá vou eu a tentar não bater com o nariz nas paredes e portas daquele caminho maravilhoso que ainda não consigo fazer de olhos fechados, com pena minha. Foram vários os motivos apresentados pela fofa, e os argumentos eram fortes, com aquela cara mais fofa a dizer (depois de tudo) "Qué i pá pama da Mãe e Pai!"... Teoricamente não gostamos que venham para a nossa cama, a não ser para as macacadas matinais de fim de semana, que são maravilhosas. Mas entre as 00h e as 8h a cama é nossa, ok menina?!!!???
Na prática, com o cérebro a dormir, os olhos bêbados e a boca sem conseguir articular grandes frases, a resposta por vezes é qualquer coisa como "está bem, mas não pode ser assim Inês", num tom do mais sério que deve haver às 2h... e lá vem a fofa, com aquele sorriso tipo "tomaaaa, consegui outra vez...". O Pai não gosta, com razão, ela encaixa no meio de nós e pronto.... entre pontapés na cara, no estômago (só a mim claro), braços que pareciam pequeninos até às 21h30, tudo acontece com aquela fofura mais fofa do planeta, que acorda com a cara mais fofa do planeta também....
Durmo mal (1021...), o Pai dorme mal e depois temos que acordar frescos e fofos pelas 7 e tal. E hoje, para além de preparar idas à praia às 8h, o carro está com um problema e tive que ir de autocarros vários levar a Inês à escola e depois ir a pé e depois bus para o trabalho... Sair de casa pelas 8h30, e chegar ao trabalho pelas 10h10.
Vinha no autocarro da pontinha para cá, a pensar com olhos meio fechados e a tombar para a janela do mesmo, com tanto sono que tinha "agora desviava para casa, tirava a sandalinha e deitava-me sem avisar ninguém, e dormia até setembro, mais ou menos." Ok? Extravagâncias de quem ganha o prémio máximo... É impossível, eu sei.
Outras noites acordo só para tapar, ou dar água, ou levar o Lucas à WC, mas isso eu já consigo fazer quase a dormir, e corresponde a uma raspadinha que custou 2 euros onde ganho os mesmos 2 euros. Não é mau.
Existem placas metálicas para colocar num colar que as pessoas que têm alergia a abelhas usam com essa informação, para o caso de algum episódio... Eu vou fazer um colar desses a dizer "tenho sono, ok?" só para o caso do maquinista ou o senhor do autocarro me virem a babar num canto do transporte, sem qualquer dignidade.
E para mostrar quando chego ao trabalho e digo um bom dia alegre, mas depois bato com a cara na porta ou fico com a presilha das calças presa ao puxador, ... e não me gozarem. É só mostrar a placa.
Do outro lado da placa ponho o número de contribuinte, porque não há paciência para estar sempre a repetir para todo o pingo doce ouvir... Se me enganar e mostrar o "tenho sono ok", penso que também vão perceber. Sai recibo, só.
Eu sei, isto está a descambar, mas é porque (mostro-vos a placa metálica.)
Obrigada e bom dia.
quarta-feira, 12 de julho de 2017
Praia e mais praia!
A praia merece que se escreva sobre ela.
Se existissem mais férias, o destino que escolhia era a praia. A praia é um sitio especial, saudável, gratuito, cheio de características que todos deveriam conhecer.
Aqui ficam 8 coisas que associo à praia e originam um sorriso, só de pensar:
1. Começo já pela recordação de estar na praia há muitos e muitos anos e passar um avião que largava T-shirts!! Siiiiiiimmmmm, choviam T-shirts na areia e no mar!! E lá íamos nós a correr em direção a um saco de plástico, quais fãs do Mikael Carreira na abertura dos portões no Meo Arena... Muito mais especial, aliás, porque corríamos só pela graça do momento e com a certeza de que o motivo era uma camisola XL branca que nem para dormir servia! Era lindo ver a cara dos 20 vencedores todos molhados e cansados mas com o troféu na mão, felizes da vida! Tenho saudades disso........
2. Saudades de ir ao banho com a minha irmã fazer macacadas divertidas e de, dentro de água, sermos mais leves e dar para pegarmos uma na outra ao colo para todas as acrobacias e tonteiras possíveis. Tenho também saudades de aprender a nadar com o Pai e de tudo o que eram as nossas férias em família, perfeitas para nós. Agora percebo a expressão e a forma de nos agarrares a mão naquelas ondas já maiores, onde parecia que te estavas a divertir mas agora sei que também era sinal de uma tensão disfarçada, de Pai.
No ano passado, estive muitos minutos na Praia Dona Ana a observar uma Avó cheia de pinta agarrada a dois netos, que deviam ter 10 anos, a levarem tanta pancada das ondas, com uma diversão verdadeira que, mesmo tirando o fato de banho à avó de duas em duas ondas, estava a dar tanto prazer àquela tripla, como a mim deu. Quero ser assim! O mar é maravilhoso. Desconfio que se o mar não tivesse som, o que se ouvia eram gargalhadas ...
3. Maravilhoso também é chegar do mergulho que foi dado a correr (porque a vida é para se mergulhar e não para se ir molhando os pés, pelo menos no Algarve) e deitar na toalha seca e direitinha. Aquela sensação de quente e fresco ao mesmo tempo, do cheiro a protector da toalha e de relaxamento puro... é único. "Era", porque já não acontece há 6 anos :p Acrescento o som que este momento tinha: as ondas, a espuma e o barulho das pessoas. Delicioso.
4. As bolas. Depois do momento 3., a vida passa a ser perfeita quando ouvimos aquele sino/ ou aquelas palavras que lembram o Pavlov. Salivar é o termo! Sem creme, com creme, de alfarroba, de chocolate: pode ser uma de cada, se faz favor!!!! No outro dia pedi uma bola na praia e afastei-me da família para comer sozinha, uma bola só para mim, às escondidas... A mãe, antes de ser mãe, é uma pessoa normal, perdoem-me...
5. O fim de tarde e o por do sol... Depois do almoço, sesta, digestão, regresso à praia, é maravilhoso ficar, ficar, ficar até já só haver sombra, gaivotas e areia fria. Adoro. (Mas nada como os fins de tarde na praia de Vale Figueiras com amigos, onde (sem ver as horas) seguíamos para o restaurante cheios de areia e íamos dormir, só de madrugada... :)
6. Passar de filha para mãe tem coisas más, mas tem sobretudo coisas boas. Antes, era só preciso uma toalha, um protetor e uma sandes, e a coisa estava completa. Agora... ui, agora é um camião de coisas que vai connosco. Mudas de roupa, bonés, chapéu de sol tipo tenda, protetores vários, toalhas a dar com um pau, brinquedos, comidas frescas, água, telefones, e muito muito mais. Todos os anos rompo o saco de praia. Tenho mesmo que tentar aquele das rodinhas de ir às compras, para mais de 65 anos.
Mas confesso que, apesar de tudo, adoro!! Um dia de agora, passou a ser uma semana do antigamente. Chegar ao fim do dia de rastos e cheia de areia porque ninguém reparou que só eu é que não tive tempo para tomar banho, e chegar ao fim das férias e pedir baixinho para algum Deus mais atento ... "precisava tanto de férias"... E mesmo assim adorarmos tudo, até a procura de lugar para estacionar o carro e depois sentar em bancos a ferver, cheios de areia (sem o Pai ver).
Mãe Zita, agora percebo porquê o cansaço das malas, das férias! Agora me lembro que a expressão era de mil coisas para fazer, para nós podermos gozar as férias. "Ai, ai, quem me dera ser Pai!", dizia muitas vezes:) Eu repito tanto:)
7. Os meus anos. Eram bons porque eram os meus anos. Mas fazer anos em Agosto é chato. Não houve festas com colegas da escola (acho que só uma). Houve, sim, festas com vizinhos da praia, os primos que lá estavam, a Marta, a Telma, os meus irmãos, o João Gonçalo e a Irema, que fazia anos perto de mim. E já não era mau. Pelo menos ficávamos sempre bem nas fotos, sempre morenos:)
8. Para terminar é maravilhoso ver os nossos filhos a viverem e aproveitarem tudo isto. Sermos nós as chatas que põem protetor à força, que mandam por o chapéu 1000 vezes, que nos rimos aflitas com os trambolhões nas ondas, que esticam 20 vezes cada toalha por hora, que têm que se lembrar de tudo e mais alguma coisa senão há reclamações por escrito. Tudo para aproveitarmos mesmo bem este espaço maravilhoso que este planeta criou para nós: a praia!
(Nota que não é um ponto 8: não acho bem comparar praia com piscina! É quase o mesmo que dizer que é melhor comer camarão com garfo e faca, do que com as mãos.... vá lá, praia é muito melhor!)
Podia ficar aqui muito tempo. Vou antes gozar estas recordações e contar os poucos dias que faltam para as férias <3 BOAS FÉRIAS!
Se existissem mais férias, o destino que escolhia era a praia. A praia é um sitio especial, saudável, gratuito, cheio de características que todos deveriam conhecer.
Aqui ficam 8 coisas que associo à praia e originam um sorriso, só de pensar:
1. Começo já pela recordação de estar na praia há muitos e muitos anos e passar um avião que largava T-shirts!! Siiiiiiimmmmm, choviam T-shirts na areia e no mar!! E lá íamos nós a correr em direção a um saco de plástico, quais fãs do Mikael Carreira na abertura dos portões no Meo Arena... Muito mais especial, aliás, porque corríamos só pela graça do momento e com a certeza de que o motivo era uma camisola XL branca que nem para dormir servia! Era lindo ver a cara dos 20 vencedores todos molhados e cansados mas com o troféu na mão, felizes da vida! Tenho saudades disso........
2. Saudades de ir ao banho com a minha irmã fazer macacadas divertidas e de, dentro de água, sermos mais leves e dar para pegarmos uma na outra ao colo para todas as acrobacias e tonteiras possíveis. Tenho também saudades de aprender a nadar com o Pai e de tudo o que eram as nossas férias em família, perfeitas para nós. Agora percebo a expressão e a forma de nos agarrares a mão naquelas ondas já maiores, onde parecia que te estavas a divertir mas agora sei que também era sinal de uma tensão disfarçada, de Pai.
No ano passado, estive muitos minutos na Praia Dona Ana a observar uma Avó cheia de pinta agarrada a dois netos, que deviam ter 10 anos, a levarem tanta pancada das ondas, com uma diversão verdadeira que, mesmo tirando o fato de banho à avó de duas em duas ondas, estava a dar tanto prazer àquela tripla, como a mim deu. Quero ser assim! O mar é maravilhoso. Desconfio que se o mar não tivesse som, o que se ouvia eram gargalhadas ...
3. Maravilhoso também é chegar do mergulho que foi dado a correr (porque a vida é para se mergulhar e não para se ir molhando os pés, pelo menos no Algarve) e deitar na toalha seca e direitinha. Aquela sensação de quente e fresco ao mesmo tempo, do cheiro a protector da toalha e de relaxamento puro... é único. "Era", porque já não acontece há 6 anos :p Acrescento o som que este momento tinha: as ondas, a espuma e o barulho das pessoas. Delicioso.
4. As bolas. Depois do momento 3., a vida passa a ser perfeita quando ouvimos aquele sino/ ou aquelas palavras que lembram o Pavlov. Salivar é o termo! Sem creme, com creme, de alfarroba, de chocolate: pode ser uma de cada, se faz favor!!!! No outro dia pedi uma bola na praia e afastei-me da família para comer sozinha, uma bola só para mim, às escondidas... A mãe, antes de ser mãe, é uma pessoa normal, perdoem-me...
5. O fim de tarde e o por do sol... Depois do almoço, sesta, digestão, regresso à praia, é maravilhoso ficar, ficar, ficar até já só haver sombra, gaivotas e areia fria. Adoro. (Mas nada como os fins de tarde na praia de Vale Figueiras com amigos, onde (sem ver as horas) seguíamos para o restaurante cheios de areia e íamos dormir, só de madrugada... :)
6. Passar de filha para mãe tem coisas más, mas tem sobretudo coisas boas. Antes, era só preciso uma toalha, um protetor e uma sandes, e a coisa estava completa. Agora... ui, agora é um camião de coisas que vai connosco. Mudas de roupa, bonés, chapéu de sol tipo tenda, protetores vários, toalhas a dar com um pau, brinquedos, comidas frescas, água, telefones, e muito muito mais. Todos os anos rompo o saco de praia. Tenho mesmo que tentar aquele das rodinhas de ir às compras, para mais de 65 anos.
Mas confesso que, apesar de tudo, adoro!! Um dia de agora, passou a ser uma semana do antigamente. Chegar ao fim do dia de rastos e cheia de areia porque ninguém reparou que só eu é que não tive tempo para tomar banho, e chegar ao fim das férias e pedir baixinho para algum Deus mais atento ... "precisava tanto de férias"... E mesmo assim adorarmos tudo, até a procura de lugar para estacionar o carro e depois sentar em bancos a ferver, cheios de areia (sem o Pai ver).
Mãe Zita, agora percebo porquê o cansaço das malas, das férias! Agora me lembro que a expressão era de mil coisas para fazer, para nós podermos gozar as férias. "Ai, ai, quem me dera ser Pai!", dizia muitas vezes:) Eu repito tanto:)
7. Os meus anos. Eram bons porque eram os meus anos. Mas fazer anos em Agosto é chato. Não houve festas com colegas da escola (acho que só uma). Houve, sim, festas com vizinhos da praia, os primos que lá estavam, a Marta, a Telma, os meus irmãos, o João Gonçalo e a Irema, que fazia anos perto de mim. E já não era mau. Pelo menos ficávamos sempre bem nas fotos, sempre morenos:)
8. Para terminar é maravilhoso ver os nossos filhos a viverem e aproveitarem tudo isto. Sermos nós as chatas que põem protetor à força, que mandam por o chapéu 1000 vezes, que nos rimos aflitas com os trambolhões nas ondas, que esticam 20 vezes cada toalha por hora, que têm que se lembrar de tudo e mais alguma coisa senão há reclamações por escrito. Tudo para aproveitarmos mesmo bem este espaço maravilhoso que este planeta criou para nós: a praia!
(Nota que não é um ponto 8: não acho bem comparar praia com piscina! É quase o mesmo que dizer que é melhor comer camarão com garfo e faca, do que com as mãos.... vá lá, praia é muito melhor!)
Podia ficar aqui muito tempo. Vou antes gozar estas recordações e contar os poucos dias que faltam para as férias <3 BOAS FÉRIAS!
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Pelos Aires, tangando e vivendo.
(Nota: deve ser porque estou a chegar aos 40, metade da vida (espero) que ando em jeito de balanço e venho aqui registar algumas experiências que me fazem sentir feliz e realizada.
Nota da nota: com humildade e um sorriso verdadeiro, obrigada pelas 5000 visitas e por gostarem de me ler <3)
Depois deste instrumental, que comece a letra da música...
Está a fazer 10 anos que terminei uma tarde de verão na esplanada do NOOBAI, com a Susana.
A vista era a do Adamastor: linda.
O pôr do sol, esse foi único, porque nele surgiu uma das conversas de que mais gosto: combinar viagens e loucuras ... que depois se concretizam.
Não foi a primeira, nem será a última.
A fase era difícil, o cansaço gigante - de um trabalho maravilhoso que me fez dar tudo. Precisava de parar e de viajar, outra vez.
Eu queria ir para o Brasil e a Susana para a Argentina. Já andávamos cada uma a procurar um trabalho de curta duração e a ver casas...
Foram precisos poucos minutos para decidirmos que íamos juntas para a Argentina... A Susana, que adorava (e adora) planear viagens, continuou a pesquisa de ONG para voluntariado e casas para alugar.
Eu organizei a minha vida, fiz uma pausa respeitada no meu trabalho, peguei na mala vermelha que umas grandes amigas me deram no 30° aniversário e, em meados de outubro de 2007, estava em Buenos Aires. A Susana era uma amiga recente com quem tinha trabalhado na Amnistia no início desse ano.
Dois meses perfeitos, com regresso marcado antes do Natal.
Quisemos dar um sentido à viagem, escolhendo a organização LIFE para fazer voluntariado, novamente com crianças. Inesquecível. Difícil, violento, pesado. Autênticas favelas onde o cinzento era a cor de fundo: lixo, cimento e vidas. Faltava cor em tudo.
...
Para mim, tinha ainda que haver tempo para outro sentido nesta experiência na Argentina: aprender a dançar Tango!
E assim foi...
Quando penso neste período, lembro-me de uma vida perfeita, apesar do confronto com alguns problemas.
Caramba, foi mesmo bom...
E ainda houve tempo para a Patagónia e as Cataratas do Iguaçu. A vida por vezes dá-nos oportunidades incríveis. Tive a sorte e a vontade de aproveitar várias.
Partilho para já este arranque de mais uma aventura, na esperança que sirva de empurrão para alguém.
Só nos arrependemos do que não fazemos e não há sentimento mais vivo do que arriscar viver!!! Pelos Aires, pelo Alentejo ou pela Ásia, viajar faz bem.
Está aberta mais uma porta da minha vida que fico feliz por partilhar. <3
Eu queria ir para o Brasil e a Susana para a Argentina. Já andávamos cada uma a procurar um trabalho de curta duração e a ver casas...
Foram precisos poucos minutos para decidirmos que íamos juntas para a Argentina... A Susana, que adorava (e adora) planear viagens, continuou a pesquisa de ONG para voluntariado e casas para alugar.
Eu organizei a minha vida, fiz uma pausa respeitada no meu trabalho, peguei na mala vermelha que umas grandes amigas me deram no 30° aniversário e, em meados de outubro de 2007, estava em Buenos Aires. A Susana era uma amiga recente com quem tinha trabalhado na Amnistia no início desse ano.
Dois meses perfeitos, com regresso marcado antes do Natal.
Quisemos dar um sentido à viagem, escolhendo a organização LIFE para fazer voluntariado, novamente com crianças. Inesquecível. Difícil, violento, pesado. Autênticas favelas onde o cinzento era a cor de fundo: lixo, cimento e vidas. Faltava cor em tudo.
...
Para mim, tinha ainda que haver tempo para outro sentido nesta experiência na Argentina: aprender a dançar Tango!
E assim foi...
Quando penso neste período, lembro-me de uma vida perfeita, apesar do confronto com alguns problemas.
Caramba, foi mesmo bom...
E ainda houve tempo para a Patagónia e as Cataratas do Iguaçu. A vida por vezes dá-nos oportunidades incríveis. Tive a sorte e a vontade de aproveitar várias.
Partilho para já este arranque de mais uma aventura, na esperança que sirva de empurrão para alguém.
Só nos arrependemos do que não fazemos e não há sentimento mais vivo do que arriscar viver!!! Pelos Aires, pelo Alentejo ou pela Ásia, viajar faz bem.
Está aberta mais uma porta da minha vida que fico feliz por partilhar. <3
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Jamaica, uma mulherzinha com 2 anos
... continuava em Cabo Verde, quando a conheci.
No segundo mês, depois de terminado o primeiro desafio no Lar, começámos a trabalhar nos mesmos horários, num registo menos preparado, numa sala de uma escola primária, num bairro não muito longe de "casa".
Neste caminho que fazíamos de manhã, reforcei a ideia de que a natureza trata de nos adaptar às circunstâncias em que vivemos, senão o Tony não conseguia passar descalço por cima daqueles vidros todos... Quando se tem que andar descalço, os pés ganham uma sola natural. Desconhecia.
Devia ter 12 ou 13 anos e fazia parte dos rapazes do lar. O Tony era mais difícil... Outro olhar, outro passado.
Chegou a fugir do lar e cruzar-se novamente connosco quando íamos fazer a viagem de barco de 12 horas, entre a ilha de Santiago e a de Boavista, para irmos ao Festival de música Baía das Gatas, mais perto do fim destes dois meses.
Uma viagem de barco em que vimos peixes voadores (iguais aos vermelhos das escadas rolantes do Colombo - lembro-me sempre) ao chegar ao Mindelo.
Mal sabia que íamos a casa da Cesária Évora, partilhar alguns momentos de conversa com a cantora de "Sôdade", que tanto sinto.
Nessa viagem de barco lembro-me de outra coisa bonita. Debaixo do luar que serviu de teto para algumas horas de "sono inclinado", cruzei-me com duas raparigas que cantavam lá fora, de pé, viradas para o mar. Gostei do momento e gostei do facto de uma delas usar um fervedor de alumínio para ampliar o som da voz.
Ali podia não haver muitos sapatos, mas havia tudo.
Voltando à Jamaica da Assomada...
Com a idade que eu tinha, a frase que a Mãe dela me disse, um dia, quando passei "Não quer levá-la?!" não me marcou tanto como hoje, quando penso nela.
A vida, dependendo do sítio onde nascemos, faz-nos funcionar de forma diferente. É diferente a vida, a infância, a maternidade, as ambições, as necessidades, as prioridades... Foi das maiores aprendizagens que trouxe. E há comparações que não podem ser feitas...
A Jamaica tinha 2 anos, tal como o Nuno. Eram os mais novos do grupo com quem trabalhávamos.
Mas ela tinha uma graça especial.
Os miúdos que vinham às nossas actividades passavam muito tempo na rua. Naquelas ruas, pareceu-me que se crescia muito mais rápido do que nas que eu conhecia, cá.
A Jamaica andava por ali. Subia escadas sozinha e descia pelo corrimão, como os outros... Atirava a bola com uma facilidade que eu não tinha, na idade do Batista.
A Jamaica tinha um ar exótico e rebelde, mesmo sendo uma mulher pequenina.
Marcou-me por ser despachada, por se safar bem ... porque tinha que se safar.
E tinha um sorriso muito vivo, que veio comigo numa foto.
Agora penso que a Jamaica era, na verdade, uma bebé da idade da minha filha Inês. Uma mulherzinha.
No segundo mês, depois de terminado o primeiro desafio no Lar, começámos a trabalhar nos mesmos horários, num registo menos preparado, numa sala de uma escola primária, num bairro não muito longe de "casa".
Neste caminho que fazíamos de manhã, reforcei a ideia de que a natureza trata de nos adaptar às circunstâncias em que vivemos, senão o Tony não conseguia passar descalço por cima daqueles vidros todos... Quando se tem que andar descalço, os pés ganham uma sola natural. Desconhecia.
Devia ter 12 ou 13 anos e fazia parte dos rapazes do lar. O Tony era mais difícil... Outro olhar, outro passado.
Chegou a fugir do lar e cruzar-se novamente connosco quando íamos fazer a viagem de barco de 12 horas, entre a ilha de Santiago e a de Boavista, para irmos ao Festival de música Baía das Gatas, mais perto do fim destes dois meses.
Uma viagem de barco em que vimos peixes voadores (iguais aos vermelhos das escadas rolantes do Colombo - lembro-me sempre) ao chegar ao Mindelo.
Mal sabia que íamos a casa da Cesária Évora, partilhar alguns momentos de conversa com a cantora de "Sôdade", que tanto sinto.
Nessa viagem de barco lembro-me de outra coisa bonita. Debaixo do luar que serviu de teto para algumas horas de "sono inclinado", cruzei-me com duas raparigas que cantavam lá fora, de pé, viradas para o mar. Gostei do momento e gostei do facto de uma delas usar um fervedor de alumínio para ampliar o som da voz.
Ali podia não haver muitos sapatos, mas havia tudo.
Voltando à Jamaica da Assomada...
Com a idade que eu tinha, a frase que a Mãe dela me disse, um dia, quando passei "Não quer levá-la?!" não me marcou tanto como hoje, quando penso nela.
A vida, dependendo do sítio onde nascemos, faz-nos funcionar de forma diferente. É diferente a vida, a infância, a maternidade, as ambições, as necessidades, as prioridades... Foi das maiores aprendizagens que trouxe. E há comparações que não podem ser feitas...
A Jamaica tinha 2 anos, tal como o Nuno. Eram os mais novos do grupo com quem trabalhávamos.
Mas ela tinha uma graça especial.
Os miúdos que vinham às nossas actividades passavam muito tempo na rua. Naquelas ruas, pareceu-me que se crescia muito mais rápido do que nas que eu conhecia, cá.
A Jamaica andava por ali. Subia escadas sozinha e descia pelo corrimão, como os outros... Atirava a bola com uma facilidade que eu não tinha, na idade do Batista.
A Jamaica tinha um ar exótico e rebelde, mesmo sendo uma mulher pequenina.
Marcou-me por ser despachada, por se safar bem ... porque tinha que se safar.
E tinha um sorriso muito vivo, que veio comigo numa foto.
Agora penso que a Jamaica era, na verdade, uma bebé da idade da minha filha Inês. Uma mulherzinha.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Os meus outros meninos e as minhas viagens
Eu, na versão mais Joana que Mãe, adoro viajar.
Algumas viagens que fiz estiveram relacionadas com voluntariado.
Partilharei a história de alguns rapazes e raparigas de quem me lembro muitas vezes e que significaram importantes lições de vida e muito bater de coração, aqui dentro.
Batista, o irmão mais velho
Quando estive em Cabo Verde, na Assomada, em 2000, dividi os dois meses que lá vivi com uma equipa de perto de 10 colegas, entre um Lar de Rapazes e um bairro. Ambos os locais eram perto da Escola Secundária onde dormi nessas muitas e quentes noites.
Neste Lar viviam talvez 20 rapazes, com idades entre os 5 e os 18 anos.
Pouca roupa, pouco cabelo, pés descalços, sorrisos grandes, pele castanha e doce.
Aquele sítio nunca cheirava bem, tinha uma camarata com beliches, uns cobertores cinzentos todos iguais e uns posters do Benfica que davam cor àquele espaço, que era vazio demais (penso que também tinha da seleção portuguesa). Brinquedos não me lembro de ver, só os carros feitos com latas de atum e tampas de garrafa. Trouxe um que me deram. Casa de banho também não me lembro bem de como era, acho que nem era.
Antes da viagem, estivemos várias semanas a planear as atividades e o trabalho que iríamos fazer com eles. Excelente organização, e excelente orientação e preparação!
Um tema por dia da semana. Todas as manhãs destes dias. Primeiro mês no lar, segundo no bairro.
Um dos desafios que tive foi fazer uma coreografia de dança. Andava no Street Dance cá em Lisboa e, foi com a música dos Anjos "quando for grande", que passei muitas horas de ensaio em "casa" com os colegas e, no Lar, com os nossos rapazes. No fim, iriam apresentar esta dança no novo Centro Cultural da Assomada, onde ia regularmente ver os meus emails e tirar uma Seven Up de uma máquina moderna de moedas. Foi para este efeito que criei o meu primeiro email "joanabrandao2000".
Durante semanas dançámos muito e construímos uma coreografia que resultou num momento especial que apresentámos às pessoas dali, no final do primeiro mês de trabalho. Acreditávamos que iria ajudar a comunidade local a respeitar e ter uma imagem positiva destes rapazes. Acreditamos que resultou!
O Batista marcou-me entre todos eles por ser o irmão mais velho de três, sendo que ele devia ter perto de 10 anos. Hoje, perto de 27. Um homem...
O olhar era tão meigo, mas não podia ser fácil ter os manos ali naquele lar e sentir-se o mais velho. Se foram para um lar, a vida não era fácil, certamente mais difícil do que ali.
Eram os três diferentes, os três lindos. (não estou a conseguir escrever sobre isto, sem sentir um grande aperto no coração, nunca tinha escrito...).
Vi felicidade em todas as crianças com quem trabalhei e convivi, mas são crianças, e passaram por coisas que muitos adultos não passaram, certamente.
Hoje trabalho numa ONG internacional que acolhe também crianças, mas num modelo especial em que há "Mães", quartos, brinquedos, uma casa e muito amor. E curiosamente foi mesmo na Assomada que conheci, neste verão, esta ONG. Quem diria!
Nesta ONG não se separam irmãos biológicos, ficam juntos. Arrepio-me sempre quando digo isto em reuniões e formações.
Não se separam irmãos, que foram retirados aos pais, por maus tratos e outros tantos problemas.
Meu Deus, o que estas palavras provocam de emoções...
É aqui que me lembro do Batista. Olho sempre com um respeito muito maior do que eu, para estes irmãos mais velhos todos.
Às vezes digo que quero ir trabalhar para uma sapataria, porque mais de 15 anos disto vai doendo.
O Batista era o mais bonito dos irmãos. Como é sabido, o sangue africano traz incluído o dom da dança, o que me aproximou destes rapazes todos.
Eles tinham esse dom. A imagem deles só de calças, peito castanho musculado, infantil... lindo, a dançaram capoeira, é uma das que guardo, com som e tudo.
Não me esqueço dos primeiros dias que lá estivemos e da escola onde vivíamos (raparigas no chão de uma sala de aula, rapazes no chão de outra).
Não me esqueço das dezenas de baratas voadoras que tomavam banho comigo e da aranha média que esteve dois meses por cima do meu mosquiteiro e do lençol que tinha que ir lavando, pois cobriu-me durante dois meses, naquele chão.
Tive medo? Nem pensar. Hoje tenho pânico destes bichos, o que é interessante.
Na segunda tarde, se não me engano, soube que ia haver um workshop de Dança Contemporânea na escola. Como assim?!!? Eu fui.
Um professor de Cabo Verde que dava aulas em Paris. Excelente. Excelente momento, excelente forma de começar. Aqui conheci o irmão do meio do Batista. Passámos os dois para o segundo nível, desse mesmo workshop. Ele devia ter 7 anos. Lembro-me das caras deles, mas já só me lembro do nome do Batista.
Do Batista, ficou-me o olhar do adeus. Temos que ser muito pequenos nestes trabalhos. Eles não podem ficar muito ligados a nós, não merecem. Precisam de seguir caminho. Mas custa. Um olhar que consigo ver agora mesmo. Finjo que não me dói. Também tenho que seguir o meu caminho.
Tenho que terminar dizendo que adorava ver o Batista hoje. Já procurei no Facebook, mas claro que é difícil. Um dos meus miúdos, aqui bem guardado no meu ❤️.
Algumas viagens que fiz estiveram relacionadas com voluntariado.
Partilharei a história de alguns rapazes e raparigas de quem me lembro muitas vezes e que significaram importantes lições de vida e muito bater de coração, aqui dentro.
Batista, o irmão mais velho
Quando estive em Cabo Verde, na Assomada, em 2000, dividi os dois meses que lá vivi com uma equipa de perto de 10 colegas, entre um Lar de Rapazes e um bairro. Ambos os locais eram perto da Escola Secundária onde dormi nessas muitas e quentes noites.
Neste Lar viviam talvez 20 rapazes, com idades entre os 5 e os 18 anos.
Pouca roupa, pouco cabelo, pés descalços, sorrisos grandes, pele castanha e doce.
Aquele sítio nunca cheirava bem, tinha uma camarata com beliches, uns cobertores cinzentos todos iguais e uns posters do Benfica que davam cor àquele espaço, que era vazio demais (penso que também tinha da seleção portuguesa). Brinquedos não me lembro de ver, só os carros feitos com latas de atum e tampas de garrafa. Trouxe um que me deram. Casa de banho também não me lembro bem de como era, acho que nem era.
Antes da viagem, estivemos várias semanas a planear as atividades e o trabalho que iríamos fazer com eles. Excelente organização, e excelente orientação e preparação!
Um tema por dia da semana. Todas as manhãs destes dias. Primeiro mês no lar, segundo no bairro.
Um dos desafios que tive foi fazer uma coreografia de dança. Andava no Street Dance cá em Lisboa e, foi com a música dos Anjos "quando for grande", que passei muitas horas de ensaio em "casa" com os colegas e, no Lar, com os nossos rapazes. No fim, iriam apresentar esta dança no novo Centro Cultural da Assomada, onde ia regularmente ver os meus emails e tirar uma Seven Up de uma máquina moderna de moedas. Foi para este efeito que criei o meu primeiro email "joanabrandao2000".
Durante semanas dançámos muito e construímos uma coreografia que resultou num momento especial que apresentámos às pessoas dali, no final do primeiro mês de trabalho. Acreditávamos que iria ajudar a comunidade local a respeitar e ter uma imagem positiva destes rapazes. Acreditamos que resultou!
O Batista marcou-me entre todos eles por ser o irmão mais velho de três, sendo que ele devia ter perto de 10 anos. Hoje, perto de 27. Um homem...
O olhar era tão meigo, mas não podia ser fácil ter os manos ali naquele lar e sentir-se o mais velho. Se foram para um lar, a vida não era fácil, certamente mais difícil do que ali.
Eram os três diferentes, os três lindos. (não estou a conseguir escrever sobre isto, sem sentir um grande aperto no coração, nunca tinha escrito...).
Vi felicidade em todas as crianças com quem trabalhei e convivi, mas são crianças, e passaram por coisas que muitos adultos não passaram, certamente.
Hoje trabalho numa ONG internacional que acolhe também crianças, mas num modelo especial em que há "Mães", quartos, brinquedos, uma casa e muito amor. E curiosamente foi mesmo na Assomada que conheci, neste verão, esta ONG. Quem diria!
Nesta ONG não se separam irmãos biológicos, ficam juntos. Arrepio-me sempre quando digo isto em reuniões e formações.
Não se separam irmãos, que foram retirados aos pais, por maus tratos e outros tantos problemas.
Meu Deus, o que estas palavras provocam de emoções...
É aqui que me lembro do Batista. Olho sempre com um respeito muito maior do que eu, para estes irmãos mais velhos todos.
Às vezes digo que quero ir trabalhar para uma sapataria, porque mais de 15 anos disto vai doendo.
O Batista era o mais bonito dos irmãos. Como é sabido, o sangue africano traz incluído o dom da dança, o que me aproximou destes rapazes todos.
Eles tinham esse dom. A imagem deles só de calças, peito castanho musculado, infantil... lindo, a dançaram capoeira, é uma das que guardo, com som e tudo.
Não me esqueço dos primeiros dias que lá estivemos e da escola onde vivíamos (raparigas no chão de uma sala de aula, rapazes no chão de outra).
Não me esqueço das dezenas de baratas voadoras que tomavam banho comigo e da aranha média que esteve dois meses por cima do meu mosquiteiro e do lençol que tinha que ir lavando, pois cobriu-me durante dois meses, naquele chão.
Tive medo? Nem pensar. Hoje tenho pânico destes bichos, o que é interessante.
Na segunda tarde, se não me engano, soube que ia haver um workshop de Dança Contemporânea na escola. Como assim?!!? Eu fui.
Um professor de Cabo Verde que dava aulas em Paris. Excelente. Excelente momento, excelente forma de começar. Aqui conheci o irmão do meio do Batista. Passámos os dois para o segundo nível, desse mesmo workshop. Ele devia ter 7 anos. Lembro-me das caras deles, mas já só me lembro do nome do Batista.
Do Batista, ficou-me o olhar do adeus. Temos que ser muito pequenos nestes trabalhos. Eles não podem ficar muito ligados a nós, não merecem. Precisam de seguir caminho. Mas custa. Um olhar que consigo ver agora mesmo. Finjo que não me dói. Também tenho que seguir o meu caminho.
Tenho que terminar dizendo que adorava ver o Batista hoje. Já procurei no Facebook, mas claro que é difícil. Um dos meus miúdos, aqui bem guardado no meu ❤️.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Anna e Elsa, talvez a Eurovisão
Caras irmãs,
Adoro a vossa história. Gosto que existam filmes da Disney que se baseiem em amor de irmãos. E por isso ver o primeiro filme foi emocionante.
Nas primeiras dez vezes...
A minha filha viu quase sem querer a vossa história, tinha dois anos e pouco...
E, logo na primeira vez, ainda mal falava, levantou os braços na parte do "já paxouuu!!" e deu uns pequenos gritos...
Os primeiros meses foram giros. É a primeira vez que tenho uma filha e por isso foi giro comprar cuecas com a vossa cara, colheres, livros, revistas...
Ver os vídeos no you tube também era engraçado. Aprendi algumas letras das vossas músicas.
Agora, depois de alguns meses, depois de muitas manhãs a acordar com o filme, porque a Inês acha que vocês são maravilhosas e não se cansa de vos ver, nem quer ver mais nada...
Agora, que vos vejo na bóia da praia, nos brincos pirosos que comprei no estrangeiro (mea culpa), nas bonecas parecidas convosco que a Inês acha que são vocês...
Agora que sei que vem lá outro filme, onde os espirros da Elsa dão origem a bonequinhos de neve, porque já vi uma amostra cerca de 1630 vezes...
Agora que tenho que cantar a vossa música ao deitar, porque o "brilha, brilha" já não serve... "A neve cobre a montanha esta noite..." e tento cantar com sentimento.
Talvez já chegue, manas...
A sério.
Vai sair um filme novo do Faísca (também deu uma fase parecida...), talvez haja vagas para figuração...
Devem estar cansadas desta fase e de toda a gente vos parar na rua para a Elsa fazer gelo e espirrar, e para ouvirem a Anna cantar só um bocadinho...
Sigam com a vossa vida.
E nós seguimos com a nossa, ok?
Até arriscava sugerir que, como têm esses efeitos especiais do gelo e são giras, podiam concorrer à Eurovisão em 2018, porque não existem dois Salvadores e vai continuar a haver muito freak a concorrer...
Apesar de não serem muito de cor-de-rosas e de namorados, e da minha filha vos adorar, e eu a ela, para mim... (Como dizer isto de forma educada)... CHEGA!!
"Já passou, já passou" a vossa fase...fechem a porta, por favor!!!
A sério, o vosso frio já me faz estremecer, e ao Pai nem se fala. Também já sabe parte da letra...
E, atenção, se vierem à Eurovisão no próximo ano, vai ser em Lisboa...
Ai de vocês que parem para dizer seja o que for à minha filha!
Já passou, OK?
Adoro a vossa história. Gosto que existam filmes da Disney que se baseiem em amor de irmãos. E por isso ver o primeiro filme foi emocionante.
Nas primeiras dez vezes...
A minha filha viu quase sem querer a vossa história, tinha dois anos e pouco...
E, logo na primeira vez, ainda mal falava, levantou os braços na parte do "já paxouuu!!" e deu uns pequenos gritos...
Os primeiros meses foram giros. É a primeira vez que tenho uma filha e por isso foi giro comprar cuecas com a vossa cara, colheres, livros, revistas...
Ver os vídeos no you tube também era engraçado. Aprendi algumas letras das vossas músicas.
Agora, depois de alguns meses, depois de muitas manhãs a acordar com o filme, porque a Inês acha que vocês são maravilhosas e não se cansa de vos ver, nem quer ver mais nada...
Agora, que vos vejo na bóia da praia, nos brincos pirosos que comprei no estrangeiro (mea culpa), nas bonecas parecidas convosco que a Inês acha que são vocês...
Agora que sei que vem lá outro filme, onde os espirros da Elsa dão origem a bonequinhos de neve, porque já vi uma amostra cerca de 1630 vezes...
Agora que tenho que cantar a vossa música ao deitar, porque o "brilha, brilha" já não serve... "A neve cobre a montanha esta noite..." e tento cantar com sentimento.
Talvez já chegue, manas...
A sério.
Vai sair um filme novo do Faísca (também deu uma fase parecida...), talvez haja vagas para figuração...
Devem estar cansadas desta fase e de toda a gente vos parar na rua para a Elsa fazer gelo e espirrar, e para ouvirem a Anna cantar só um bocadinho...
Sigam com a vossa vida.
E nós seguimos com a nossa, ok?
Até arriscava sugerir que, como têm esses efeitos especiais do gelo e são giras, podiam concorrer à Eurovisão em 2018, porque não existem dois Salvadores e vai continuar a haver muito freak a concorrer...
Apesar de não serem muito de cor-de-rosas e de namorados, e da minha filha vos adorar, e eu a ela, para mim... (Como dizer isto de forma educada)... CHEGA!!
"Já passou, já passou" a vossa fase...fechem a porta, por favor!!!
A sério, o vosso frio já me faz estremecer, e ao Pai nem se fala. Também já sabe parte da letra...
E, atenção, se vierem à Eurovisão no próximo ano, vai ser em Lisboa...
Ai de vocês que parem para dizer seja o que for à minha filha!
Já passou, OK?
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Por baixo das meias, todos temos unhas por cortar.
"Parecer" menos e "Ser" mais.
Um dos lemas que conheci há uns anos e tenho tentado dissecar e aprender a por em prática.
Como pessoa é um desafio. Como Mãe, é um desafio maior. (Caramba, tudo é maior nas mães!)
As redes sociais vieram sublinhar esta era do "Parecer".
Todos queremos parecer porreiros, bons pais, moralistas quanto aos erros dos outros. A distância entre o eu e outro aumentou. O teclado parece ser um muro grande através do qual mostramos uma pontinha de nós, a que queremos mais limpa e perfeita. Interessante para mim este tema, porque sinto esta tentação também. Porquê? Qual o objetivo? O que realmente ganho com isso?
Mas não é só uma tendência digital.
Temos necessidade de Parecer em muitas situações...
Temos necessidade de Parecer em muitas situações...
Queremos ir às festas de anos dos amigos dos filhos e mostrar imensas coisas: a roupa deles, o que eles disseram de inteligente na escola, o casal fixe que somos...
Em nossa casa, queremos arrumar tudo antes que cheguem os amigos. Parece mesmo que somos arrumados!!
Num parque infantil ou na sala de espera do médico, queremos ser queridas mães, atentas, meigas...
O que é mesmo estranho é que, quando estamos nos dias "não" e do lado dos desajeitados e da nódoa na camisola, no dia do bibe amarrotado, dos gritos no café, do vestido que ficou preso às cuecas depois de irmos à wc, da reunião de trabalho a cheirar a cerelac, enfim...
... dá a ideia que deste lado, nestes dias (que são sempre escolhidos a dedo) eu não consigo nada..... Não sou nada de jeito. Adorava fazer um estudo e saber se não passaremos todos por estes dias e este lado?
Não seremos muito mais iguais na imperfeição do que na procura de parecermos perfeitos?
Quando penso nesta possibilidade sinto mesmo um alívio!! Acho libertador.
Não seremos muito mais iguais na imperfeição do que na procura de parecermos perfeitos?
Quando penso nesta possibilidade sinto mesmo um alívio!! Acho libertador.
... E depois, nesses dias, vamos no carro a pensar e a conversar e a pensar outra vez.... "Se calhar tenho um problema", "como é que eles conseguem ir calados e bem comportados toda a viagem?", "e o brilho daquela casa de banho... Como?"
Apesar de saber e ter a certeza que existem pessoas muito mais arrumadas que eu, acho que estreitar a distância entre todos nós nos aliviaria enquanto seres humanos. É uma suspeita que tenho, por estudar.
"Ser" mais (humano) é também mostrar (sem medo nem sensação de falha) que a normalidade não é a perfeição e, o que parece, muitas vezes não é, em ninguém, em nenhuma casa, em nenhum mundo.
Não há "os maridos das outras", "os filhos sempre impecáveis", pois não?!
Enquanto cresço e procuro a serenidade (como a palavra diz, a idade serena), esforço-me cada vez mais para aprender com este lema. Um caminho para aprender a Ser o que sou, cheia de imperfeições e querer, assim, sentir-me perfeita. Mas Ser.
Todos temos de baixo das meias, unhas por cortar, certo?
Não faz mal, acredito eu.
sábado, 15 de abril de 2017
Esta roseira amarela
Uma casa sozinha no campo,
Restos de paredes despidas
Que pessoas, roupas e cheiros
À cozinha e ao estendal deram vida?
O tempo não deixou de passar
De levar o início ao fim
Muitos anos no mesmo lugar
Mas da casa só resta o jardim
Cantigas e conversas ao luar
Gravadas em pedras caladas
Só terra e mato e ar
E memórias ainda embrulhadas
Nem os grilos nem o vento
Conseguem adivinhar
Nem eu quando ali me sento
Só para te observar
Nem o pessegueiro em flor
Que nasceu mesmo à entrada
Me inspira como a cor
Que tu lanças perfumada
Sim, tu, roseira amarela
Pensavas que não ia reparar?
Que vida e gente viveu nela
O que me queres contar?
Foi uma história de amor?
Um livro que eu possa escrever?
Porque és tão elegante?
Porque teimas em florescer?
Amanhã de manhã volto aqui
Trago papel e aguarela
Conta-me o que eu não vi
E eu pinto a casa amarela.
Restos de paredes despidas
Que pessoas, roupas e cheiros
À cozinha e ao estendal deram vida?
O tempo não deixou de passar
De levar o início ao fim
Muitos anos no mesmo lugar
Mas da casa só resta o jardim
Cantigas e conversas ao luar
Gravadas em pedras caladas
Só terra e mato e ar
E memórias ainda embrulhadas
Nem os grilos nem o vento
Conseguem adivinhar
Nem eu quando ali me sento
Só para te observar
Nem o pessegueiro em flor
Que nasceu mesmo à entrada
Me inspira como a cor
Que tu lanças perfumada
Sim, tu, roseira amarela
Pensavas que não ia reparar?
Que vida e gente viveu nela
O que me queres contar?
Foi uma história de amor?
Um livro que eu possa escrever?
Porque és tão elegante?
Porque teimas em florescer?
Amanhã de manhã volto aqui
Trago papel e aguarela
Conta-me o que eu não vi
E eu pinto a casa amarela.
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Podias ser tu
Parecias tu com os teus netos, há bocado, na rua.
Parei para ver. Era um homem elegante, cabelo grisalho e ia acompanhado com 4 crianças pequenas.
Podias ser tu e isso fez-me parar e sorrir...
Às vezes imagino como seria.
Há vinte anos a tentar imaginar como seria tudo contigo, ao pé de nós.
Não conheces os teus quatro netos (quase cinco).
Não sabes que o Bernardo se tornou no nosso protetor, num Pai maravilhoso e da princesa mais doce...
Não sabes que a Catarina está mais bonita do que nunca, à espera que nasça o Gaspar. :)
Não sabes como ela gosta de falar de ti ao Sebastião... ias-te rir tanto com ele!
Não sabes que o Lucas herdou o teu charme e a cor dos teus olhos.
Não sabes que a Inês te "desenhou" no postal do dia do Pai, que deram ao Vasco, e disse o teu nome... E que é parecida comigo :)
Não sabes que a Mãe é uma mega Avó, sempre inspiradora e cheia de energia para brincar!
Não sabes que os nossos filhos têm os melhores pais do mundo, a seguir a ti. A sério!
Não sabes que ainda danço, embora não encontre nenhum par como tu.
Que ainda acredito e luto por um mundo bom, mas com um pouco menos de esperança...
Não sabes que estás na minha mesa de cabeceira, no móvel de entrada de minha casa mas, mais importante, estás connosco todos os dias... todinhos.
Temos muitas saudades.
Parei para ver. Era um homem elegante, cabelo grisalho e ia acompanhado com 4 crianças pequenas.
Podias ser tu e isso fez-me parar e sorrir...
Às vezes imagino como seria.
Há vinte anos a tentar imaginar como seria tudo contigo, ao pé de nós.
Não conheces os teus quatro netos (quase cinco).
Não sabes que o Bernardo se tornou no nosso protetor, num Pai maravilhoso e da princesa mais doce...
Não sabes que a Catarina está mais bonita do que nunca, à espera que nasça o Gaspar. :)
Não sabes como ela gosta de falar de ti ao Sebastião... ias-te rir tanto com ele!
Não sabes que o Lucas herdou o teu charme e a cor dos teus olhos.
Não sabes que a Inês te "desenhou" no postal do dia do Pai, que deram ao Vasco, e disse o teu nome... E que é parecida comigo :)
Não sabes que a Mãe é uma mega Avó, sempre inspiradora e cheia de energia para brincar!
Não sabes que os nossos filhos têm os melhores pais do mundo, a seguir a ti. A sério!
Não sabes que ainda danço, embora não encontre nenhum par como tu.
Que ainda acredito e luto por um mundo bom, mas com um pouco menos de esperança...
Não sabes que estás na minha mesa de cabeceira, no móvel de entrada de minha casa mas, mais importante, estás connosco todos os dias... todinhos.
Temos muitas saudades.
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
O talho e o poder das mulheres
Estou há muito tempo para escrever sobre este tema e tenho mesmo que o fazer porque, com o tempo, vou deixando de ir ao talho, o que é uma pena. Na verdade, isto aplica-se também a uma peixaria ou a um homem, embora não seja igual...
Sempre que vou ao talho, aprecio mais a forma como uma senhora/ cliente se comporta no talho, do que os rolos diversos e bonitos de carnes, as espetadas todas arrumadinhas, do mesmo tamanho....
Aprecio verdadeiramente aquele momento em que a senha da senhora é chamada: "63!!" diz o homem másculo, de meia idade, com um ar sério e uma luva de rede de aço... qual Rui Patrício!
E lá começa: "Olhe ... (pausa, para observar bem a montra) queria aí umas 8 febras!".
Até aqui tudo orientado. Mas o que eu adoro é ver como um momento destes deixa a mulher (atrevo-me a dizer - a todas nós) confiante ... Ter um homem ali a servir-nos e a fazer (tudo) o que queremos não é todos os dias... E esse prazer nota-se no tempo que usufruímos daquele momento no talho e como o conseguimos tornar complexo... "Olhe... espere ... não, ponha-me antes 10 que o meu cunhado vai lá no sábado e já sei como é que ele é!"...
O talhante obedece e corta com uma arte rara, as febras da senhora, que olha para ele com um ar seguro, de queixo sempre ligeiramente levantado e os braços cruzados: na mão esquerda tem as chaves, e na direita um saco de plástico dobradinho e o porta moedas pequeno. Parece que dá ares ao Ronaldo quando se prepara para rematar.
Também há aquelas que preferem as mãos atrás das costas, como os árbitros antes do jogo começar! (Sempre com as chaves e o saco e o porta moedas pequeno...)
Há mais pedidos... "O que é que tem hoje para assar!?" ... "Este acém chegou hoje e é bem bom!", responde o senhor.
"Então olhe (ele está a olhar) ... dê-me aí quilo e meio!"... O queixo levanta mais, porque tem que haver algum controlo da cliente na peça escolhida... "Escolha-me essa da direita, que afinal podem ser 2 quilinhos!" (que é para não te esqueceres de quem é que manda aqui!)
Siga, que há clientes à espera...
(Quem é que não gosta de ver a forma como os talhantes pegam na carne!? E quando fatiam!?)
Depois vai ao perú... Parece haver uma sensação de poder que há que gozar: "queria 6 bifinhos mais para o fino e aí meio quilito para strogonoff... " Aqui a mão esquerda, a das chaves, sai debaixo do braço direito e baixa ligeiramente os óculos, enquanto a sobrancelha sobe ao máximo, porque os bifes têm que ser mesmo fininhos... "Olhe que o meu Orlando gosta deles mesmo fininhos para por no pão, veja lá!!" Os óculos regressam ao sítio, a mão e as chaves também.
As clientes ao lado, começam a torcer para que esta não seja a compra do mês...
"Queria só mais dois franguinhos: uma cortado para fazer no forno com chouricinho, e outro do campo, dos maiores, para congelar! Talvez ainda faça uma canja!"...
"Mas quer levar o chouriço também?" pergunta, submisso, o homem. "Não!!" (que disparate!)
E parece que vai terminar o pedido, quando o senhor arruma os sacos da carne dentro de outro saco verde e tira o talão daquela balança..... Não, esperem, ainda há um resto guardado: "olhe, dê-me
aquelas duas farinheirazitas que estão ali..."
E como é o último pedido e é preciso aproveitar, aproveita-se ..."não são essas... não... essa é muito grande...não... (a sério !?!?) Sim, essas!!! Desculpe lá, mas eu gosto tanto com ovinhos mexidos e, olhe, uma vez não são vezes!!"..
É mais ou menos isto que capto do talho, e acho tão sociologicamente interessante !
E o mais curioso (ou irritante) é que este ritual de poder parece contagioso porque, mesmo que eu não queira, faço um pouco o mesmo. Será uma sensação de poder sobre aquele homem abrutalhado que está ali a servir-nos tão dedicada e pacientemente?
Eu, na verdade, acho que ainda não sou vegetariana porque este é um prazer que não quero perder!
Sempre que vou ao talho, aprecio mais a forma como uma senhora/ cliente se comporta no talho, do que os rolos diversos e bonitos de carnes, as espetadas todas arrumadinhas, do mesmo tamanho....
Aprecio verdadeiramente aquele momento em que a senha da senhora é chamada: "63!!" diz o homem másculo, de meia idade, com um ar sério e uma luva de rede de aço... qual Rui Patrício!
E lá começa: "Olhe ... (pausa, para observar bem a montra) queria aí umas 8 febras!".
Até aqui tudo orientado. Mas o que eu adoro é ver como um momento destes deixa a mulher (atrevo-me a dizer - a todas nós) confiante ... Ter um homem ali a servir-nos e a fazer (tudo) o que queremos não é todos os dias... E esse prazer nota-se no tempo que usufruímos daquele momento no talho e como o conseguimos tornar complexo... "Olhe... espere ... não, ponha-me antes 10 que o meu cunhado vai lá no sábado e já sei como é que ele é!"...
O talhante obedece e corta com uma arte rara, as febras da senhora, que olha para ele com um ar seguro, de queixo sempre ligeiramente levantado e os braços cruzados: na mão esquerda tem as chaves, e na direita um saco de plástico dobradinho e o porta moedas pequeno. Parece que dá ares ao Ronaldo quando se prepara para rematar.
Também há aquelas que preferem as mãos atrás das costas, como os árbitros antes do jogo começar! (Sempre com as chaves e o saco e o porta moedas pequeno...)
Há mais pedidos... "O que é que tem hoje para assar!?" ... "Este acém chegou hoje e é bem bom!", responde o senhor.
"Então olhe (ele está a olhar) ... dê-me aí quilo e meio!"... O queixo levanta mais, porque tem que haver algum controlo da cliente na peça escolhida... "Escolha-me essa da direita, que afinal podem ser 2 quilinhos!" (que é para não te esqueceres de quem é que manda aqui!)
Siga, que há clientes à espera...
(Quem é que não gosta de ver a forma como os talhantes pegam na carne!? E quando fatiam!?)
Depois vai ao perú... Parece haver uma sensação de poder que há que gozar: "queria 6 bifinhos mais para o fino e aí meio quilito para strogonoff... " Aqui a mão esquerda, a das chaves, sai debaixo do braço direito e baixa ligeiramente os óculos, enquanto a sobrancelha sobe ao máximo, porque os bifes têm que ser mesmo fininhos... "Olhe que o meu Orlando gosta deles mesmo fininhos para por no pão, veja lá!!" Os óculos regressam ao sítio, a mão e as chaves também.
As clientes ao lado, começam a torcer para que esta não seja a compra do mês...
"Queria só mais dois franguinhos: uma cortado para fazer no forno com chouricinho, e outro do campo, dos maiores, para congelar! Talvez ainda faça uma canja!"...
"Mas quer levar o chouriço também?" pergunta, submisso, o homem. "Não!!" (que disparate!)
E parece que vai terminar o pedido, quando o senhor arruma os sacos da carne dentro de outro saco verde e tira o talão daquela balança..... Não, esperem, ainda há um resto guardado: "olhe, dê-me
aquelas duas farinheirazitas que estão ali..."
E como é o último pedido e é preciso aproveitar, aproveita-se ..."não são essas... não... essa é muito grande...não... (a sério !?!?) Sim, essas!!! Desculpe lá, mas eu gosto tanto com ovinhos mexidos e, olhe, uma vez não são vezes!!"..
É mais ou menos isto que capto do talho, e acho tão sociologicamente interessante !
E o mais curioso (ou irritante) é que este ritual de poder parece contagioso porque, mesmo que eu não queira, faço um pouco o mesmo. Será uma sensação de poder sobre aquele homem abrutalhado que está ali a servir-nos tão dedicada e pacientemente?
Eu, na verdade, acho que ainda não sou vegetariana porque este é um prazer que não quero perder!
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Organizando o coração
Ser Mãe é ter o coração a transbordar, e organizações diárias, para sempre.
O coração transborda tanto de amor como de novos sofrimentos e preocupações.
Ele transborda, logo para começar, na gravidez e parto.
Transborda depois diariamente de ternura, novas palavras e expressões, abraços de braços pequeninos que sabem a um monte de chantilly gigante!
O coração enche-se de olhares puros, de partilhas ultra valiosas, de toque bom entre pele que é toda nossa, de etapas bem sucedidas, de emoções novas e desconhecidas, de lágrimas de amor, dos sorrisos mais doces!
Ele transborda também de sofrimentos novos. Ai quando eles caiem, ou parece que vão cair! Quando começam a correr para a estrada, sem olhar... ai!! Quando deixamos de os ver, quando não respondem, quando o médico faz pausas para nos dar feedback sobre aqueles sintomas que nos doem também a nós. As dores do que está para vir, do crescer, do futuro, do mundo duvidoso que parece não evoluir...
O
coração da Mãe é um coração inevitavelmente gigante, feliz e apertado…
sempre.
Agora
a organização, e a falta dela, as novas e muitas rotinas e os braços, a memória
e o cérebro, que parecem não chegar…
As
gavetas e caixas que nunca são suficientes (roupa e brinquedos num constante
milagre da multiplicação!), parecem ter vida própria e mais dinâmica que eu
durante aquela hora da manhã quando nos preparamos para sair, os 4.
São
vários níveis e tipos de organização que temos que conseguir gerir, felizmente
a dois.
Conjugar dias de consultas, nomes de médicos, reuniões na escola, decorar os dias de pagar excursões, dias de lavar a bata e lençóis, assinar autorizações, pedir dietas, pedir ganchos, levar fraldas, dodots, ou fraldas e dodots.
Dias de constipações, de frio e de calor. Dias de pagar à Nossa Senhora da Limpeza (uma santa, entenda-se), de pagar tudo o resto que também se multiplica miraculosamente, dia de anotar algures na memória que sobra, o que falta no frigorífico, casa-de-banho, o que falta nas “vivas gavetas”.
Acabou-se o champô deles e o meu amaciador ("regista!" digo eu para mim), a pasta de dentes está quase, os ténis dele estão a ficar pequenos, ela não tem luvas para este frio, falta fruta e mais fruta, o detergente da máquina da roupa está nas últimas, já não o posso ver com aquele casaco...
E, chato, nunca nos sentimos organizadas nem a cumprir o desafio. Não há chegada à meta nem bola verde para o nosso comportamento.
E
porque as Mães trabalham noutro local - também, os desafios ainda vão a meio:
falta gerir projetos, equipas, decisões, planos, orçamentos, estratégias,
horários, emoções e objetivos e tudo e mais alguma coisa que tenho que fazer …
porque também me enche o coração.
Respeito
as Mães. Não sabia que era esta a velocidade a que se “andava”!!!
Continua...
O jantar para hoje?! Tenho que fazer comida saudável, variar, equilibrar o bom
e o gostoso e gozar o momento à mesa, onde gostamos de conversar, ouvir música
e disparatar. À mesa preciso de olhar para os 3 por um bocado e preciso de
confirmar que está tudo com boa cor e o trabalho tem sido bem feito.
Depois
(energia precisa-se!) brincamos, acarinhamos, ouvimos, ensinamos e aprendemos
... porque afinal é por isso que somos Pais. Tentamos sorrir quando o cansaço
aperta e temos que organizar ficheiros "pijama", "dentes",
"chichi", "soro+assoar", "história" e
"beijinho+música".
Objetivo:
sentar no sofá 30 minutos antes de deixar cair a cabeça para a esquerda, sem lá
estar nenhuma almofada para amparar. Isto porque antes aconteceu um semestre de
coisas, num dia só.
E à
noite? Parece que tudo acaba... Não. Mas não entrarei em detalhe.
E tudo
isto acelera quando há febres, tosses e noites menos boas, em dose dupla. Quando eu deixo de
ser eu e o coração se desorganiza. Quando eu tenho menos vontade de brincar, de
rir, de cozinhar, de gerir, de planear. Quando ralho mais do que falo, já nem a
mim posso ouvir, e esta energia se contagia em casa... Não tenho tempo nem
espaço para fazer as minhas birras e chorar, sinto-me sempre a queixar,
respondo mal, estou irritada. Sou eu, mas não sou eu. “Não tenho que ser
perfeita”, “faz parte”, “pede ajuda” existem na minha mente mas não resolvem
tudo…
E
neste andamento tenho que manter a máquina a funcionar (quase) igual, ter boa
cara, acalmar os filhos, dar colo, lembrar horários de toma de remédios e ao
mesmo tempo a lista para o supermercado, etc etc.
(Desabafo
concluído: Obrigada:)
O
que me apetece dizer a Mães sozinhas ou Mães de 3, 4 ou mais: Palmas!
Incrível!!!!!!!!!!!!!!!
E a
quem quer ser Mãe: Ainda assim é, sem dúvida, a melhor coisa do mundo e preparem o coração,
pois ainda está por organizar <3
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