(Nota antes de partilhar a carta que recebi: este texto é dedicado aos botões, agulhas, linhas, que andam furiosos e esquecidos em caixas de costura bonitas mas que ganham pó, por falta de uso. Objetos que, na verdade, só defendem a união entre punhos de camisa, abas de casacos, calças de vários tipos. Botões que se perdem pelas casas porque cada vez é mais fácil por de lado, aquilo que está estragado.)
... Hoje de manhã recebi esta carta no correio do blog. Uma espécie de recado escrito por um grupo de botões com a ajuda de uma costureira que deve ser também uma conselheira matrimonial...
Achei curioso, nunca me tinham escrito antes, muito menos botões.
Li, gostei e acho pertinente partilhar...
"Do cantinho de uma caixa, 20 de outubro de 2017 - Vivemos aqui esquecidos e por isso achámos importante que o seu cantinho soubesse e, quem sabe, pudesse partilhar estas nossas rimas de revolta. Obrigado em nome de todos. A D. Odete, costureira e nossa porta-voz,
Somos botões, não os do telemóvel ou do comando da televisão
Somos, sim, os botões com que se unem abas de camisa, à mão. (eu nunca usei dedal!)
Uma agulha e uma linha e uma cor a condizer
Um ato de união que, com o tempo, se está a perder... (é preocupante, percebe isso??)
Se outrora duas partes ficavam juntas por mais tempo
Hoje camisa que rompe ou perde um botão, fica de lado quase sempre. (faz algum sentido!!?)
Vocês já não concertam, não cosem, não conversam nem ficam juntos eternamente
Nós, com dois ou quatro furos, passámos a soluções de pouco tempo. (é um ata e desata que não se via no meu tempo...)
Agulhas, alfinetes, bodas de prata ou diamante
Não vão chegar aos vossos filhos que trocam, ganham e compram num instante. (alguma vez eu tinha tantas coisas em miúda?...)
Mesmo que nos mandem presos da loja a umas calças de cor
Chega a tesoura e corta-nos, sem qualquer dor. (eles ficam tristes, até mete dó)
Já nem o sapateiro tem quem queira continuar a missão
Porque se não tem capa, o sapato, mesmo bom, vai para o gavetão. (já ninguém aperta um vestido!)
São vocês quem pode manter estas boas tradições
Valorizar o que teima em romper, mesmo que sejam relações. (sabe quantos casais se separam hoje em dia, menina!?)
Peguem nos ténis que se gastaram e na mão dos vossos filhos
E façam-nos uma visita, a uma solução que enfrenta os sarilhos. (eu faço uns bolinhos de canela
ótimos e tenho gosto em recebê-la e aos seus meninos)
Achamos que não se perde tempo a arranjar o que ainda sobrevive
Acreditamos mesmo que é um exemplo para que o usado se valorize. (velhos são os trapos... mas nem todos!)
É de velhos esta conversa (porque é!), até rima, como a camisa
Que quer voltar a abraçar-vos por mais que seja antiga. (não gosta de abraços menina?)
Fica esta manifestação de todos nós: os simples, os forrados, os coloridos e os dourados
Mudanças boas, claro que sim (eu divorciei-me menina, há 20 anos) mas não nos esqueçamos dos amores abotoados. (depois disso conheci o Artur, um cavalheiro!)
Gosto muito do seu blog."
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E agora, o que vou responder?