segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A revolta dos botões


(Nota antes de partilhar a carta que recebi: este texto é dedicado aos botões, agulhas, linhas, que andam furiosos e esquecidos em caixas de costura bonitas mas que ganham pó, por falta de uso. Objetos que, na verdade, só defendem a união entre punhos de camisa, abas de casacos, calças de vários tipos. Botões que se perdem pelas casas porque cada vez é mais fácil por de lado, aquilo que está estragado.)

... Hoje de manhã recebi esta carta no correio do blog. Uma espécie de recado escrito por um grupo de botões com a ajuda de uma costureira que deve ser também uma conselheira matrimonial...
Achei curioso, nunca me tinham escrito antes, muito menos botões.
Li, gostei e acho pertinente partilhar...


"Do cantinho de uma caixa, 20 de outubro de 2017 - Vivemos aqui esquecidos e por isso achámos importante que o seu cantinho soubesse e, quem sabe, pudesse partilhar estas nossas rimas de revolta. Obrigado em nome de todos. A D. Odete, costureira e nossa porta-voz, (porque fala muito) colaborou connosco com algumas notas que tivemos que quisemos incluir).

Somos botões, não os do telemóvel ou do comando da televisão
Somos, sim, os botões com que se unem abas de camisa, à mão. (eu nunca usei dedal!)

Uma agulha e uma linha e uma cor a condizer
Um ato de união que, com o tempo, se está a perder... (é preocupante, percebe isso??)

Se outrora duas partes ficavam juntas por mais tempo
Hoje camisa que rompe ou perde um botão, fica de lado quase sempre. (faz algum sentido!!?)

Vocês já não concertam, não cosem, não conversam nem ficam juntos eternamente
Nós, com dois ou quatro furos, passámos a soluções de pouco tempo. (é um ata e desata que não se via no meu tempo...)

Agulhas, alfinetes, bodas de prata ou diamante
Não vão chegar aos vossos filhos que trocam, ganham e compram num instante. (alguma vez eu tinha tantas coisas em miúda?...)

Mesmo que nos mandem presos da loja a umas calças de cor
Chega a tesoura e corta-nos, sem qualquer dor. (eles ficam tristes, até mete dó)

Já nem o sapateiro tem quem queira continuar a missão
Porque se não tem capa, o sapato, mesmo bom, vai para o gavetão. (já ninguém aperta um vestido!)

São vocês quem pode manter estas boas tradições
Valorizar o que teima em romper, mesmo que sejam relações. (sabe quantos casais se separam hoje em dia, menina!?)

Peguem nos ténis que se gastaram e na mão dos vossos filhos
E façam-nos uma visita, a uma solução que enfrenta os sarilhos. (eu faço uns bolinhos de canela
ótimos e tenho gosto em recebê-la e aos seus meninos)

Achamos que não se perde tempo a arranjar o que ainda sobrevive
Acreditamos mesmo que é um exemplo para que o usado se valorize. (velhos são os trapos... mas nem todos!)

É de velhos esta conversa (porque é!), até rima, como a camisa
Que quer voltar a abraçar-vos por mais que seja antiga. (não gosta de abraços menina?)

Fica esta manifestação de todos nós: os simples, os forrados, os coloridos e os dourados
Mudanças boas, claro que sim (eu divorciei-me menina, há 20 anos) mas não nos esqueçamos dos amores abotoados. (depois disso conheci o Artur, um cavalheiro!)

(Desculpe algum abuso da Dona Odete. Ela vai riscar isto de certeza)
Gosto muito do seu blog."
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E agora, o que vou responder?

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Viciados num doce muito fofo...

Este texto é para ti, pequenina e querida "fofa".

...não, não vou aqui falar das tuas birras gigantes por tudo e por nada. (Como é que consegues ficar deitada no chão a gritar durante 30 minutos por causa de umas meias?!? )

Vou falar da felicidade e graça que estão nesse metro de gente e se espalham por nós diariamente!

São muitos os momentos que passamos contigo que nos deixam embasbacados. Sorte a da tua escola por ter tantos bonecos e bonecas assim... uma dose diária de fofura, nestas idades que são tão boas.

Em casa, o tempo é menos do que gostaríamos mas fica bem preenchido contigo e com o mano a fazerem as vossas coisas boas, diferentes, mas igualmente doces.

Derreto quando te vejo a andar de um lado para o outro em casa, com a tua maravilhosa autonomia, a brincar sozinha, a falar com os bonecos, a ir buscar coisas à sala para levar para o quarto, a imitar alguém que anda sempre a cirandar e cheia de assuntos para tratar (tanto posso ser eu como o Pai ;)).

À hora de deitar ainda estás fresca, cheia de energia e de coisas pendentes para tratar...
"Oh Mãe, eu não queio i domi já!"

Podes falar assim até aos 6 anos?!! Vá lá... É que nos deixas aos três derretidos com essas palavras, que têm metade de criação tua e metade de português... Já paramos os três para assistir às tuas consultas médicas aos bonecos; às histórias que lês às tuas crianças, com o livro virado para elas, porque és uma educadora:); aos penteados que fazes aos póneis cabeludos e coloridos que tens; às conversas sérias que tens na tenda com os brinquedos... 
E dá para assistir a um espetáculo teu por muuuuito tempo... nem dás por nada.

Pareces uma senhorinha toda despachada... As meninas são todas assim?! É delicioso.

E as canções que cantas?? Já sabemos que toooodos os dias, temos que ouvir (bem alto) o "Já passou", os "Parabéns a voxê" e outra mais atual. Já foi o "eu xei que não xe ama soginhooo, tauvez davagainho poxas votar a apender!, ... e agora é "Uma minhoquinha faz ginastiquinha, duas minhoquinhas fazem ginastiquinha..." e por aí adiante, com os teus dedos gordinhos a esticar e tu a contares, tão fofa, às vezes 1,2,3 outras vez 1,5,9...

O engraçado é que cada semana que passa percebe-se uma parte nova da letra. "Muitas filixidadis, muitos anos di vida, eheheheheheh!!" já se percebe...

E o tempo que demoram, tu e o mano, a dar beijinhos de boa noite, porque se riem, tu trepas para cima dele, não conseguem dar o beijinho certo e por isso dão vários... e eu e o pai engordamos em silêncio com o amor que sentimos ao ver estes doces momentos que são os melhores da vida, até aposto....

E quando nos deitamos à noite e tu já falas do teu dia e me dás festinhas... "Hoji a Matiudi não foi ao balé, puque tem um dói-dói e foi ao opitau com a mãe dela... mas a Alixi foi!! E depois a Mafauda também foi, e depois a Maía não"... E os sons que fazes, como os crescidos, quando estás zangada? E as mãos a dar a dar?!

Sabes quantas pessoas derreteram a ver as tuas fotos na primeira aula de ballet? És mesmo fofa!

E quando vens o caminho todo da escola para casa a cantar coisas que queres dizer... (com a música dos parabéns ou o já passou).. "O mano hoje foi à escola e a Inês também, a avó tá com a kika, a mãe vai tabalhai e o pai também!" isto tudo a cantar... e se tu cantas e falas!!!

E com esse tamanho tens mesmo que querer ir à casa-de-banho sozinha e vestir sozinha e querer fazer tudo sozinha... ?! Como vais ser aos 7 ?! Vais para a faculdade logo?
Podes ser bebé e parar um bocado quando te pego ao colo e só te quero aproveitar as bochechas que vão desaparecendo a cada trimestre que passa?! ... Posso pedir que não cresças a alguém?

E ver a cara do Pai com os sorrisos mais doces, quando vais às cavalitas dele e ao mesmo tempo fazes festinhas na barba dele, enquanto falas dessa forma fofa... Ele um dia explode, desconfio...

E desse tamanho já falas com as pessoas no café, as pessoas dos outros carros, as pessoas na rua, que (sem querer ignoram totalmente o mano crescido e lindo) param para ver esta miniatura a abrir o chapéu de chuva, a empurrar a mini trotinete "choja" (= cor de rosa), a levar a mochila com rodas, maior que ela, para imitar o mano a ir para a escola...

O bom é que faltam poucas horas para te ir buscar e isso deixa-me feliz porque mesmo que esteja cansada, fico ansiosa para me abrirem a porta da escola e poder acelerar o passo para te abraçar e para te ouvir e ver e derreter e encher de beijos.

Dizem que o açúcar é a nova droga e é mesmo. És tão doce e estamos tão viciados em vocês...

Como eu e o Pai dizíamos com o mano: não cresçam nem falem tudo já, para podermos gozar bem, ok? Ah, e é proibido corrigir o que dizem mal, porque para nós é mel <3

Nota: Foi bom teres dormido a noite toda hoje e ontem. Soube mesmo bem. Nisso podes crescer já até aos 6.





terça-feira, 10 de outubro de 2017

Dois a dois peguem nas malas ou no teclado: vamos viajar!

Sou apaixonada pela área de educação, desde sempre.

Vai ficando cada vez mais claro para mim que a educação é de facto, como dizia o Sr. Nelson Mandela, uma "arma" que nos permite mudar o mundo. A vencedora do prémio Nobel da paz em 2014 (tem apenas 20 anos), Malala, também reforça que um livro e uma caneta podem mudar o mundo.

A educação faz de nós pessoas melhores, com horizontes mais amplos, o que nos permite ver, literalmente, mais longe. Daí ser um direito humano e uma necessidade para todos, infelizmente nem sempre cumprida.

... Mas isto significaria que, quanto mais "escola" e "leitura" uma pessoa tem, melhor pessoa seria, o que penso que nem sempre é assim.

Desafiei este pensamento durante algum tempo e partilho duas conclusões que me fazem sentido:

1. Indiscutível que a escola é uma porta para se conhecer e compreender o mundo, um complemento para a educação de casa, que tem que ser tão mais importante, quanto menos qualidade tem em casa. Mas educação é muito mais do que os livros ou a escola. Escolas más, com professores menos profissionais ou humanos não levam nenhuma criança a ser um ser humano digno. Livros mal escritos ou não inspiradores ou ainda escritos por pessoas desinteressantes, também não. A educação também é a família, a rua, os outros, os valores, as pessoas que nos inspiram (nos filmes, na música, no desporto, no café da nossa rua). E neste sentido, quanto mais ampla for a nossa experiência de vida e mais diversificada for, acredito que mais aprendemos, mais nos educamos, mais refletimos, mais questionamos e por isso, melhores seremos.

As guerras, os conflitos de hoje (e de sempre) têm por base religiões, política ou dinheiro. O mundo funciona mal porque criamos distâncias grandes entre uns e outros. Estranhamos os outros que se vestem de forma diferente, que têm nomes diferentes, que rezam de outra forma ou festejam o ano novo noutros dias. A educação, aqui, eu acredito que seria um quebrar de barreiras, se a vivermos desde o momento em que nos compreendemos em casa, na rua, no supermercado, na casa dos avós, na escola e no futebol.

E ser educado não é cumprimentar os tios, ou pedir para levantar da mesa. Este texto não é sobre nada disso.

Tudo isto para dizer que ampliar a nossa experiência de vida nos educa. Sendo ridículo e utópico, diria que viajar para outros países/ realidades diferentes das nossas, seria uma disciplina que a meu ver deveria ser obrigatória nas escolas todas. Se eu for a uma mesquita em Istambul, se for visitar Petra na Jordânia, a Índia, a Etiópia, o Canadá, o Vaticano ou a Amadora, eu serei uma pessoa mais rica em educação. Podemos ler sobre isto, podemos ver documentários, também. Mas ver e sentir é melhor.

Não que tenhamos que voltar destas viagens a concordar ou a defender tudo o que vimos, nada disso. Mas a experiência permitiu-me conhecer e ter bases reais para formar uma opinião. Este ato de conhecer o outro e "normalizá-lo" ou aproximá-lo, contrariando as imagens que a comunicação social nos sugere muitas vezes, de que na Síria tudo é guerra, em Moçambique tudo é pobreza, nos EUA tudo é de extremos, na Rússia tudo é frio, no Afeganistão tudo é estranho... é um passo importante para todos, penso eu. Não somos assim tão diferentes, não existe tanta estranheza má. Existe sim, o compreender o outro e a nós próprios, com uma saudável distância de nós e uma urgente proximidade dos outros.

Simpatia, constipações, acidentes, revoltas e festas existem em todo lado. E não escolhemos onde nascemos ou quem vamos ser na cor da pele ou nas crenças. Por isso poderíamos ser qualquer pessoa destas que achamos estranhas. Eu sou o outro, para o outro eu.

2. Termos educação é termos uma boa arma, uma possibilidade de mudarmos o mundo como dizem os grandes, Malala e Mandela. Outra conclusão que vou aprendendo com a vida é que quem tem esta arma, este poder de ter educação (nas ferramentas que referi e não apenas nos livros e escola) tem, a meu ver, o dever de aplicar esta educação para o bem deste planeta onde apenas somos passageiros ... com sorte, por uns 80 anos. O mundo foi-nos emprestado e já cá andou muita gente... mesmo muita! Por isso acredito que temos que aproveitar esta vida para nós, mas num exercício de pouco egoísmo, poucas merdinhas e muita vontade. Com muita pena, isto um dia acaba.

Se há coisa que me frustra e me desilude é ver grandes empresários, grandes artistas, grandes políticos, a quem eu acredito que a vida deu oportunidades de educação (e ainda por cima deu um microfone), fazerem mau uso das suas "armas".

Pelo contrário, se há coisa que me comove e inspira é ver uma pessoa de um canto pobre do mundo onde nem livros há, beber da vida e dos outros, viajando na simplicidade das coisas e educando-se por vontade própria, querendo tornar o mundo dos outros, melhor.

Esta segunda conclusão é: "se temos ferramentas que nos educam, façamos bom uso delas, em prol de todos." Para mim, deveria ser obrigatório.

Fica então a ideia parvo-utópica de viajarmos nas escolas (enquanto não é fácil fazer tele-transporte, porque não por skype? O google já faz tradução simultânea de conversas!!!!! lindo!); de exigirmos qualidade nas escolas, nos professores e nas pessoas de microfone; de retirarmos aprendizagens das coisas mais simples do nosso dia-a-dia, tentando que isso nos cultive a todos.

Professores que me leiam, fica a ideia. Eu gosto de imaginar o meu filho a ter uma reunião por skype na escola, com crianças do Senegal, ou de Israel, ou da Ucrânia, só para falarem do que almoçaram e a que brincaram no recreio!! Será que alguém já o faz? Eu adorava assistir!!!!!! (fica a ideia, não tão parvo-utópica assim:)

Sumário desta aula um pouco chata: WOLO - we only live once!

(desafio final: preencher e assinar petição: http://9countries.one.org/?score=4)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Descobrimos um planeta.

Tal como existe o AC e o DC, quando a religião se refere a um período antes ou depois de Cristo, eu também sinto que existe um JAL e JDL que é a Joana Antes do Lucas e a Depois da sua chegada. Quem diz J diz V de Vasco.

O que mudou? Tudo.

Tenho a sensação que antes de ser Mãe vivia noutro planeta. Um planeta que puxo para mim a todo o custo, para lembrar que sou a mesma pessoa, no mesmo mundo, apesar das mudanças.

Chorámos quando soubemos que íamos ser pais. Lembro-me de pedir ao Vasco "diz-me que vou ser mãe", porque nas primeiras semanas a ficha não cai.

O que é ser mãe quando nunca se foi?!!

Depois fomos entrando devagar neste planeta, passando por todas as etapas...

... Como a de saber que era um rapaz. "Vou andar com a mala cheia de carros e aviões" pensei logo depois da consulta onde soubemos o sexo, ...o que aconteceu mesmo.

... Contar a novidade e escolher o nome. Diogo é um dos nomes que tinha pensado. Não me lembro dos outros. Um dia, quando falava com a Telma na net e lhe pedia sugestões, ela sugeriu o nome que agora repito dezenas de vezes por dia. "Lucas" deixou de ser uma palavra e passou a ser o nosso filho.

No dia 7 de outubro acordei com a barriga tão estranha e com sinais de que era o dia. Inexperientes, eu e o pai pegámos na mala e antes da maternidade, passámos em casa da minha mãe, para quem me lembro de olhar com um "ai mãe, é agora... e agora??!".

Entrámos na maternidade pelas 10h e as tais dores difíceis já me tinham sido apresentadas. Era mesmo intenso... 10 horas que foram, agora à distância, deliciosas e me dão tantas saudades. Aquele monitor tinha uns gráficos bem esclarecedores para o Vasco perceber porque é que eu me transformava quando os picos subiam... Conheci a Santa Epidoral, que respeito muito.

Conheci também o enfermeiro Luís que me disse, ao início da noite, depois de visitas de estagiários, espera, dores... "Mãe, pode tirá-lo!". Nem pensei: cheguei-me à frente e tirei o Lucas. Não sabia que isto era possível, nem consigo descrever o que senti.

Continua até hoje cá dentro, pela forma como gosto dele. Uma forma sofrida, difícil e romanticamente bela que eu desconhecia, de amar.

Passávamos muito tempo os dois a olhar para ele, na nossa cama, com a mesma magia com que olhávamos um para outro, quando ainda éramos dois.

Em outubro de 2010 nasceu uma família nova: dois passaram a três.

Dois que aprenderam a integrar na sua vida os termos "teste do pezinho", "bolsar", "mastite", "sustos de pais", "noites cansativas", "entrega na creche", "quedas e medos", "sofrer de culpa ao dar-lhe uma irmã"...

Uma mãe e um pai que, sobretudo, passaram a saber o que é "amar loucamente", "babar com cada conquista", "admirar parvamente a nossa nova pessoa", "rir a sério", "entregar na escola de mochila e felicidade por querer ler".

Enquanto Mãe, ter e conhecer o Luquinhas foi ganhar um novo coração. O outro era pequeno.

Não é só bom e isso custa e é difícil assumir. Tiram-nos do sério estas pessoas de quem gostamos mais do que qualquer outra pessoa no mundo. Fazem-nos chorar, magoam-nos, frustram-nos e trazem a culpa para viver connosco, diariamente. Esse desafio ainda o tenho comigo.

Mas é bom demais. Passar com a mão no cabelo dourado dele, deitar-me na cama e ficar a olhar, mesmo no escuro, a pele dele, as mãos, o nariz... (foi tudo feito por nós... mas como???)

Bom demais ver como conversa, como ri, como disfarça, como se orgulha, como fica triste. Como precisa tanto de nós e nos segue pela casa, mais do que ela.

O Lucas é o nosso primeiro.

O Lucas é o meu chão e as minhas paredes, o ar e a terra neste novo planeta que tento fortalecer todos os dias e que acredito que ele ache bom e quentinho, mesmo quando eu acho que vai desabar.

Lucas: um dia, que está para breve, tu vais ler o que a mãe escreve aqui e noutros papéis e quem sabe livros...
Sei que não vais gostar de umas partes mas sei, também, que o coração gigante e a doçura que tens, vão-te permitir perceberes que apesar dos momentos menos bons em que ralhamos (tiveste a sorte e o azar de ser o primeiro), és o melhor de nós.

Sou pirosa não é? Um dia vais perceber e vai ser fácil, pois já dizes que se fizesses uma tatuagem ela teria o nome dos teus filhos... o que é muito bonito dizeres com seis anos...

E quero que saibas que sei muito bem que por detrás das tuas birras e tonteiras da idade que me fazem parecer uma tonta e nervosa mãe (que nunca pensei que seria) eu sei bem que és absolutamente maravilhoso e perfeito e que o mundo vai ser cada vez melhor contigo. Isso é certo. (qualquer Mãe normal diz isto, eu sei :)).

Que continues a ser tal e qual como és e te zangues, sempre que te exigirem o contrário.
"Gosto muito de ti": repetirei sempre todos os dias, aqui ou algures numa estrela qualquer...