Enquanto filhos, tenho ideia que não nos fez confusão crescer e afastarmo-nos dos nossos pais. É uma aventura, são fases de crescidos com riscos que queremos correr. E depois, sabemos que os pais estão sempre lá para nós e isso não dá medo de nada...
Agora, como mãe, penso ao contrário. O nosso coração parece que fica tonto...
Quando vejo o Lucas a ir aquele bocadinho sozinho para a escola, fico num misto de feliz e orgulhosa com "já não precisas de mim!!?"...
Quando finalmente cheguei ao limite de dormir mal e decidimos, com firmeza, disciplinar a fofa para aprender a adormecer sozinha e ela está a dormir a noite toda (YUPIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII, nem que seja por 3 ou 4 dias), no fundo penso... "Já não vais precisar de mim?!!!"
É tão parvo, porque estava a esgotar-me ... Eu até sabia a teoria e o que precisava de fazer, mas não queria perder aquela proximidade, o saber que precisam de mim e eu não lhes falto... (Really??)
O Lucas começa a ler palavras, a querer escrever o nome das bandas que gosta para procurar no youtube e a tentar perceber o que dizem os rótulos dos frascos... Fico tão orgulhosa, mas penso... "Podes precisar de mim... sempre??"
Ontem foi mudar o gesso, partiu o pulso a fazer escalada e "escorregou no sapo" como explicou aos médicos:). Foi há um mês mas afinal ainda faltam 3 semanas para tirar o gesso novo. Está crescido, soube lidar com aquilo, depressa enfrentou a coisa e mexe-se, já escreve (é o direito), faz tudo e pouco se queixou... Cresceu tanto nestes meses...
Para mim aquele pulso é meu, fui eu que o fiz e cresceu na minha barriga, ora... Doeu-me tanto quando o partimos... e até fiquei mal disposta quando tiraram este gesso para colocarem outro e vi o nosso braço magrinho... porque é que mais tarde não continua tudo meu?! Quando ele for grande, eu é que quero dar o benuron e ver se ele tem a garganta inflamada, porque eu é que o conheço...
Respeito, mais do que nunca, as nossas mães e sogras, são as mesmas mães que eu sou...
Como aguentam?!!!?
Claro que o Lucas ainda pede mimo, é muito "mãe" para tudo, mas nos momentos em que se veste sozinho, toma banho sozinho, lá fico a pensar... "E quando não precisares de mim? Tenho que esperar por netos? Vou fazer voluntariado para o Hospital D. Estefânia para mexer noutras bochechas pequeninas?! Que seca!".
Até sou uma mãe independente, desabafo com as minhas amigas que ser Mãe também me sufoca. Preciso do meu tempo, de espaço, de viajar sozinha e de ser eu, ter projetos, sonhos e ser louca de vez em quando.
Mas, ao mesmo tempo, sinto uma dor tão parva no meu coração tonto, quando imagino que já não tenho bebés e que eles vão começando a escorregar pelas minhas mãos e a dizer que sou chata quando os abraço. Alguma vez isto é justo??! E as dores que tive logo no primeiro dia?!
Já lhes disse: "é obrigatório as mães poderem pegar ao colo e darem beijinhos aos filhos, sempre que quiserem, para sempre!!!". Ele ri-se... :)
E as bochechas dele, as "mais fofas do universo", tão macias como nunca senti outras... vão ter barba... a sério? E eu??? Não tenho que assinar nada a dar autorização? Sou a encarregada de educação dele!!!!!!
A fofa mais pequenina faz a vida dela, mal precisa de mim. Calça-se sozinha há mais de um ano... A sério? Vais para a universidade aos 9? E eu???
É curioso como desejo tanto que sejam autónomos, quero educá-los para a independência, porque a vida é desafiante e temos que saber sair dos buracos sozinhos... e depois sinto-me tão mãe galinha, com um coração tão tonto que até me irrita...
Será que tenho que fazer um contrato para eles assinarem (enquanto não percebem) com algumas regras obrigatórias para cumprirem qualquer dia, quando forem grandes e mais altos que eu?
(E, já agora, será que eu cumpro as minhas, que não assinei mas conheço? hmmmm...pois...)
Por exemplo... A partir dos 18:
- ligar à mãe todos os dias (eu não ligo à minha tantas vezes...)
- sentar ao colo 1 x por semana, mesmo sendo adultos e pais (eu não sento, claro)
- dizer que a minha comida é a melhor de todas, sempre (eu acho, mas não digo... por acaso)
- não falharem aos meus almoços e aniversários (tento cumprir sempre)
- dar o meu nome a um neto (nem pensar:)
- dizer que estou bem para a idade, linda e sou a melhor do mundo (totalmente verdade, mas nunca digo, não sei porquê)...
O coração de uma mãe é tonto. Desculpem pais, são maravilhosos, mas o nosso coração é tão especialmente sensível e tonto...
Assim sendo, aqui ficam escritas algumas regras para, nós mães, lembrarmos nestes próximos anos :
- Quando eles dormem, dar-lhes festinhas e beijinhos até nos doerem os maxilares!
- Quando se vestem, haver uma peça de roupa em que dizemos "essa é melhor ser eu a vestir", só para garantir alguma dependência....
- Repetir muitas vezes as mesmas frases de incentivo, confiança, amor, noção de família, para eles se lembrarem nos momentos certos da vida e serem os "lemas da minha mãe"
- Dar o exemplo: sentar ao colo das nossas mães, ligar mais vezes, dizer (em frente aos filhos) o quanto gostamos delas e chamá-las de "mamãs queridas"... não é bem pensado??!!
- Pelo menos uma vez por semana, fazer aquela comida espetacular que sabemos fazer mesmo bem e eles adoram ... e nunca lhes ensinar!!! (era o que faltava, depois não precisam de nós!!)
- Quando se magoam, usarmos sempre as nossas mãos para dar festinhas, dizer aquelas palavras mágicas que só nós sabemos dizer para tudo passar e tudo ficar bem.
Aqui não há hipótese ... mãos de mãe só há umas, as nossas, por isso não vai correr mal...E a nossa voz é, e será sempre, uma só voz...
Aproveitemos os nossos pequeninos que, apesar de serem para sempre os nossos pequeninos, crescem à velocidade da luz, sem ninguém nos pedir autorização, a nós, Mães.
já que gosto de escrever sobre o que penso, o que vivo e o que sinto nesta fase da minha vida, abro a porta deste cantinho para partilhar estas palavras. obrigada pelas visitas.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Não estou preparada para uma relação séria
Querido pequeno-almoço,
Devo-te estas palavras há uns anos... Não tem sido fácil e eu tenho que te pedir desculpa...
São dias e dias em que não nos vemos com aquele tempo de qualidade que qualquer relação exige...
Não te dou estabilidade, atenção, nunca escolho a mesma coisa e não garanto sempre a mesma rotina, o que talvez para ti fosse importante...
"O que é que ela vai querer hoje? Quanto tempo temos para nos olharmos? Será que nos vemos?" Eu sei... tenho falhado...
Sabes que tenho outra relação longa e muito especial para mim que não consigo colocar em segundo lugar... mas, calma, eu posso explicar...
Dormir... desculpa, é sagrado. A minha cama e a minha almofada acolhem-me sempre de uma forma tão confortável e quentinha que eu tenho dificuldade em virar costas para ir ter contigo... Desculpa pequeno-almoço...
Tenho a enorme sorte de ter alguém comigo que às vezes te traz até mim, percebendo esta dificuldade e esta ligação aos lençóis e edredon e me entrega o teu conteúdo da forma mais querida, diretamente na cama, o que parece um sonho tornado real porque mistura o melhor de todos os mundos...
Hoje, viste... dediquei um tempo só para ti. Às vezes consigo, em segredo, entre o ir levar os meus filhos e o disparar para o trabalho, parar para ir à padaria para estar só contigo, sem mais ninguém e sempre em silêncio, que é tão bom...
O nosso primeiro sumo de abacaxi e framboesa... Foi e é sempre especial!
Mas não posso prometer muito mais, não me sinto preparada para assumir um compromisso sério...
Ah e não tenhas ciúmes do café... Nunca será a mesma coisa... Tu és tu!! Um café é só um café...
Tenho esperança que um dia consiga acordar cedo, antes da hora que devia, para me sentar contigo a ler notícias e preparar-te com carinho, dedicando o tempo que tu mereces, como faz o Vasco tão bem com o pequeno-almoço dele (e quase sempre os nossos)... uma relação verdadeiramente séria que hei-de replicar! Cada um tem os seus dons...
Não percamos a esperança.... Olha, por exemplo, para o burro e o dragão do Shrek, também não havia inicialmente disponibilidade para uma relação séria e depois nasceram aqueles rebentos fofinhos... com orelhas e asas cor-de-rosa... Um dia vamos ter um compromisso sério, eu acredito.
Só não consigo garantir decência no meu aspeto... vais sempre encontrar-me com olhos meio fechados, cabelos em pé, pijamas vários e com peças aleatórias e filhos a chamar por vários motivos que impedem que a nossa relação seja mais sólida... Cereais que ficam a meio... torradas que se põem em pé de tão rijas que ficam, à espera....
Sabes que o tempo é pouco e há sempre mochilas para preparar, roupas pequeninas para vestir, bibes para organizar, lanches, beijinhos, gritos matinais enferrujados... Enfim, a verdadeira relação séria :)
Em breve, vamos tirar uns dias especiais para nós, prometo. O Vasco vem connosco para ajudar a que seja perfeito. E esses dias sim, vão ser os teus dias!!!! Acredita!!
Devo-te estas palavras há uns anos... Não tem sido fácil e eu tenho que te pedir desculpa...
São dias e dias em que não nos vemos com aquele tempo de qualidade que qualquer relação exige...
Não te dou estabilidade, atenção, nunca escolho a mesma coisa e não garanto sempre a mesma rotina, o que talvez para ti fosse importante...
"O que é que ela vai querer hoje? Quanto tempo temos para nos olharmos? Será que nos vemos?" Eu sei... tenho falhado...
Sabes que tenho outra relação longa e muito especial para mim que não consigo colocar em segundo lugar... mas, calma, eu posso explicar...
Dormir... desculpa, é sagrado. A minha cama e a minha almofada acolhem-me sempre de uma forma tão confortável e quentinha que eu tenho dificuldade em virar costas para ir ter contigo... Desculpa pequeno-almoço...
Tenho a enorme sorte de ter alguém comigo que às vezes te traz até mim, percebendo esta dificuldade e esta ligação aos lençóis e edredon e me entrega o teu conteúdo da forma mais querida, diretamente na cama, o que parece um sonho tornado real porque mistura o melhor de todos os mundos...
Hoje, viste... dediquei um tempo só para ti. Às vezes consigo, em segredo, entre o ir levar os meus filhos e o disparar para o trabalho, parar para ir à padaria para estar só contigo, sem mais ninguém e sempre em silêncio, que é tão bom...
O nosso primeiro sumo de abacaxi e framboesa... Foi e é sempre especial!
Mas não posso prometer muito mais, não me sinto preparada para assumir um compromisso sério...
Ah e não tenhas ciúmes do café... Nunca será a mesma coisa... Tu és tu!! Um café é só um café...
Tenho esperança que um dia consiga acordar cedo, antes da hora que devia, para me sentar contigo a ler notícias e preparar-te com carinho, dedicando o tempo que tu mereces, como faz o Vasco tão bem com o pequeno-almoço dele (e quase sempre os nossos)... uma relação verdadeiramente séria que hei-de replicar! Cada um tem os seus dons...
Não percamos a esperança.... Olha, por exemplo, para o burro e o dragão do Shrek, também não havia inicialmente disponibilidade para uma relação séria e depois nasceram aqueles rebentos fofinhos... com orelhas e asas cor-de-rosa... Um dia vamos ter um compromisso sério, eu acredito.
Só não consigo garantir decência no meu aspeto... vais sempre encontrar-me com olhos meio fechados, cabelos em pé, pijamas vários e com peças aleatórias e filhos a chamar por vários motivos que impedem que a nossa relação seja mais sólida... Cereais que ficam a meio... torradas que se põem em pé de tão rijas que ficam, à espera....
Sabes que o tempo é pouco e há sempre mochilas para preparar, roupas pequeninas para vestir, bibes para organizar, lanches, beijinhos, gritos matinais enferrujados... Enfim, a verdadeira relação séria :)
Em breve, vamos tirar uns dias especiais para nós, prometo. O Vasco vem connosco para ajudar a que seja perfeito. E esses dias sim, vão ser os teus dias!!!! Acredita!!
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