quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Dancemos no mundo!

A Inês vai para o Ballet. (Como é que eu explico como isto me deixa derretida??!! Vou tentar explicar).

Espero que, apesar da vida cheia de coisas para tratar, das rotinas, do cansaço, eu consiga sempre dançar: num ginásio, na cozinha enquanto faço comida, com os miúdos no quarto, quando brincamos todos, ao som das nossas playlists. Dançamos Caetano, Shakira, Daft Punk, Salvador Sobral e os Caricas. Cada um ao seu estilo (inclui desatar a rir)!

Dançar tem muita coisa que a praia também tem. Podemos nascer e morrer sem dançar ou ir à praia. Podemos e sobrevivemos. Não é uma necessidade básica como comer ou beber água.

Dançar, como ir à praia, pintar, escrever ou ouvir música, são verdadeiros brindes que a vida nos dá. São as cores com que pintamos a vida, que pode ser cinzenta... ou não. São prazeres gratuitos que podem ser experimentados por todos, em todo o mundo. Quando digo todos, incluo a turma de crianças com paralisia cerebral com quem trabalhei 1 ano e com quem dançava em muitos recreios, no pátio. Desde os 4 aos 8 anos, aqueles miúdos sentiam a música com efeitos mágicos de alegria, mesmo em cadeiras de rodas. Dar voltas na cadeira de rodas pareceu-me que pode ser tão especial como fazer piruetas em pontas!

Quando danço, sinto-me como nunca me sinto a fazer outra coisa. É uma sensação única, que sinto como minha e muito completa. Conseguia (como já o fiz) dançar durante horas e horas. Não me canso de dançar.

Comecei a dançar ballet clássico muito pequena. Tenho sapatilhas de ballet de vários tamanhos, umas que me cabem nas mãos e outras que ainda me cabem nos pés. Na faculdade ainda dancei muito e muitas modalidades. Aliás, uma coisa que não compreendo é porque é que nos ginásios e escolas de dança não há modalidades em que se dança de tudo!? É possível gostar de dançar só uma modalidade? Não acho que seja. Eu adorava dançar duas vezes por semana, numa escola boa, e cada mês dançava um estilo diferente... Aprendia-se um pouco de tudo, ouviam-se músicas diferentes e dançava-se.

Já dancei também Hip Hop, Sevilhanas, Tango, Salsa, Jazz e agora "Dance Local" que são aquelas coisas novas que misturam tudo e nada, ao som daquelas músicas pirosas (bem boas de dançar), verdadeiros guilty pleasures!!

Uma das minhas ocupações preferidas quando viajo é, sem dúvida, dançar. Adoro experimentar as comidas, conhecer sítios especiais, mas tenho que dançar.

Uma coisa é dançar num ginásio, aqui. Outra coisa (COMPLETAMENTE DIFERENTE) é dançar na discoteca mais conhecida de forró, no Brasil; dançar Funaná e Passada na discoteca da Assomada, com caboverdeanos; dançar capoeira (não sendo dança, parece) e dança contemporânea com pequenotes da Assomada; dançar Tango na Escola La Viruta em Buenos Aires, sozinha até de madrugada sem conhecer ninguém, muitas horas e muitos dias... E, claro, dançar folclore com o meu Pai (ainda viajo para esses momentos, algumas vezes).

Dançar não tem que ser igual a dançar bem. Dançar é bom, à nossa maneira. Os meus filhos dançam com estilos muito próprios e adoram. O Lucas salta e sacode os braços num estilo novo que não conhecia, mas intenso e que o liberta verdadeiramente :) A Inês roda e mexe-se até cair para o chão, momento que a faz rir muito (e a nós igual). O Vasco tem todo um free style que se tornou muito bom de ver e que já inclui alguma qualidade ... de vez em quando :)

Estou a pensar como faria sentido um médico dizer a um paciente: agora tem que dançar duas vezes por dia, depois das refeições, durante 5 dias. Vai ver que fica melhor!! :)

Deixo este vídeo que conheci no facebook e que transmite, para mim, o que a dança faz ao mundo e às pessoas: bem demais! Espero que dancem:) 

Dancemos no mundo (como canta o Sérgio Godinho)!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Bem-vinda escola, livros e cadernos!

Lembro-me da minha escola primária (dizia-se assim nesse tempo, que me parece agora muito próximo). Lembro-me de tantas coisas da minha escola e agora trago-as aqui pois chegou a vez do meu filho começar a sua escola primária!

Como tudo o que me lembro é bom (menos dois episódios que apresentarei abaixo), desejo que a escola seja para o Lucas tão boa como foi para mim!

É importante certamente ser bom aluno, mas não tenho presente essa prioridade. Eu nunca fui boa aluna, só média.

Quero antes (ou também) que ele faça amigos para a vida, como eu fiz. Ainda hoje tenho amigas desde a escola primária e é uma senhora amizade!!!

Quero antes que ele se lembre do cheiro dos livros, da borracha e da mochila, com carinho e saudade.
A minha cheirava a (migalhas de) pão. O pão que a minha mãe mandava num saquinho de pano com bonecos.

Lembro-me dos livros borrados de cinzento de tanto apagar e até um pouco furados da borracha de tinta, aquela parte azul que era muito áspera...

Lembro-me de aprender a forrar os meus livros com papel autocolante, com a ajuda de um pano para não fazer bolhas. Era difícil. A agulha ajudava a desfazer as bolhas, para o livro ficar bonito e lisinho. Depois de ficar sem se ver a capa (só se via o Mickey do papel autocolante), tínhamos que colar etiquetas a dizer o nome do recheio do livro: Meio Físico e Social, Português ou Matemática.

Lembro-me dos trabalhos de casa (ou TPC: trabalhos para carecas!) e de não gostar de os fazer...

Lembro-me dos pacotes de leite achocolatado, com pouco chocolate mas muitos desenhos, que formavam um só desenho quando encostados a outros, como um puzzle... e como a amizade da minha turma, que veio junta dos 6 anos até aos 12, já na escola preparatória, onde ainda jogávamos juntos, todos juntos, rapazes e raparigas, à "Sirumba", desenhada com giz no chão do recreio. E também ao "Lá vai alho", ao "Mata" e a muitos outros jogos divertidos que ainda gosto de jogar!

Lembro-me de descobrirmos que a pastilha elástica ficava cinzenta se a mastigássemos com um bico do lápis de carvão...

A professora Fernanda, da escola primária, foi especial. Ralhava e puxou-me as orelhas (ficavam vermelhas, a ferver) quando eu fiz uma torre de canetas de feltro e não ouvi o que ela disse. Não me sinto traumatizada. Sobretudo porque a professora Fernanda me deixava fazer ronha no colo dela, de manhã. Eu adoro dormir e tenho esse dom, como alguns saberão. São quase 35 anos de carreira, nesta área, sempre apoiada pela professora Fernanda!

Encontrei-a há uns meses em Santarém, quando lá fui com os meus filhos. Parei o carro, corri atrás dela e chamei-a. Ela olhou-me e disse "Joaninha!!!"... Raios, eu queria ter esta memória, queria muito!! Apresentei-a aos meus filhos, muito emocionada e ela disse: "A Joaninha, que estava sempre com sono!":)

O outro episódio menos bom (o primeiro foi a torre de canetas + orelhas vermelhas) da escola foi o dia em que decidi não ir e dizer ao meu pai que não havia escola... Ele não gostou, porque havia:) Engraçado, porque hoje a Inês disse de manhã que tinha "febe" e não queria ir à escola. Na dúvida, ficou com a "Avó Jita" e disse-lhe quando chegou "a minha cola tá fichada!". Quem sai aos seus "não é de Genebra", como diz o Pedro. :p

Lembro-me de ir todos os dias a pé para lá, sozinha, pelo carreiro, no meio do mato (seguro). Com ou sem chuva, em 10 minutos subia aquilo, passava perto da casa da Marta e entrava na escola para ir ter com os meus amigos. Ainda me lembro dos nomes completos de quase todos e do número fixo de muitos deles! (Afinal tenho memória!) :)

Agora é o Lucas. Estamos derretidos com o nosso Lucas. Com quase 7 anos, entra na escola primária e não quer que o Pai o acompanhe até à sala. Está crescido, tranquilo e feliz, como nunca o vimos no início de um ano letivo!

O Lucas vai aprender a ler (e a fazer torres de canetas de feltro). Vai entender melhor o mundo: no cinema, nas mensagens de telefone, nos mupis da rua, nos pacotes do supermercado, nos livros aos quadradinhos e nos outros, que pode ler à Inês. Ler só "a partir da Páscoa", como disse a professora dele, que conheci há poucos dias. Não devemos esperar que leiam antes!

Trabalhos de casa à sexta, mochilas só com estojo e caderneta para não andarem carregados e, como diz no papelinho que ela enviou, uma mochila que deve andar cheia de felicidade. Gostei muito de ler neste papel, que tinha os horários e a lista de material, duas coisas que deixo escritas para os pais que estarão ansiosos nestes dias, como nós: "Nunca digam ao vosso filhos - "não és capaz", e "Lembrem-se que o mais importante é que o vosso filho se sinta feliz na escola!".

Sou obrigada a gostar do ensino público, que tem tratado tão bem o nosso filho e que, no próximo ano, vai receber a fofa Inês!! Se for como no meu caso, a professora será a mesma da irmã. A ver.

Feliz ano letivo para todos os pais, professores e alunos, e para o nosso querido Lucas, em especial.
Estamos tão, mas tão orgulhosos de ti !!!!