Espero que, apesar da vida cheia de coisas para tratar, das rotinas, do cansaço, eu consiga sempre dançar: num ginásio, na cozinha enquanto faço comida, com os miúdos no quarto, quando brincamos todos, ao som das nossas playlists. Dançamos Caetano, Shakira, Daft Punk, Salvador Sobral e os Caricas. Cada um ao seu estilo (inclui desatar a rir)!
Dançar tem muita coisa que a praia também tem. Podemos nascer e morrer sem dançar ou ir à praia. Podemos e sobrevivemos. Não é uma necessidade básica como comer ou beber água.
Dançar, como ir à praia, pintar, escrever ou ouvir música, são verdadeiros brindes que a vida nos dá. São as cores com que pintamos a vida, que pode ser cinzenta... ou não. São prazeres gratuitos que podem ser experimentados por todos, em todo o mundo. Quando digo todos, incluo a turma de crianças com paralisia cerebral com quem trabalhei 1 ano e com quem dançava em muitos recreios, no pátio. Desde os 4 aos 8 anos, aqueles miúdos sentiam a música com efeitos mágicos de alegria, mesmo em cadeiras de rodas. Dar voltas na cadeira de rodas pareceu-me que pode ser tão especial como fazer piruetas em pontas!
Quando danço, sinto-me como nunca me sinto a fazer outra coisa. É uma sensação única, que sinto como minha e muito completa. Conseguia (como já o fiz) dançar durante horas e horas. Não me canso de dançar.
Comecei a dançar ballet clássico muito pequena. Tenho sapatilhas de ballet de vários tamanhos, umas que me cabem nas mãos e outras que ainda me cabem nos pés. Na faculdade ainda dancei muito e muitas modalidades. Aliás, uma coisa que não compreendo é porque é que nos ginásios e escolas de dança não há modalidades em que se dança de tudo!? É possível gostar de dançar só uma modalidade? Não acho que seja. Eu adorava dançar duas vezes por semana, numa escola boa, e cada mês dançava um estilo diferente... Aprendia-se um pouco de tudo, ouviam-se músicas diferentes e dançava-se.
Já dancei também Hip Hop, Sevilhanas, Tango, Salsa, Jazz e agora "Dance Local" que são aquelas coisas novas que misturam tudo e nada, ao som daquelas músicas pirosas (bem boas de dançar), verdadeiros guilty pleasures!!
Uma das minhas ocupações preferidas quando viajo é, sem dúvida, dançar. Adoro experimentar as comidas, conhecer sítios especiais, mas tenho que dançar.
Uma coisa é dançar num ginásio, aqui. Outra coisa (COMPLETAMENTE DIFERENTE) é dançar na discoteca mais conhecida de forró, no Brasil; dançar Funaná e Passada na discoteca da Assomada, com caboverdeanos; dançar capoeira (não sendo dança, parece) e dança contemporânea com pequenotes da Assomada; dançar Tango na Escola La Viruta em Buenos Aires, sozinha até de madrugada sem conhecer ninguém, muitas horas e muitos dias... E, claro, dançar folclore com o meu Pai (ainda viajo para esses momentos, algumas vezes).
Dançar não tem que ser igual a dançar bem. Dançar é bom, à nossa maneira. Os meus filhos dançam com estilos muito próprios e adoram. O Lucas salta e sacode os braços num estilo novo que não conhecia, mas intenso e que o liberta verdadeiramente :) A Inês roda e mexe-se até cair para o chão, momento que a faz rir muito (e a nós igual). O Vasco tem todo um free style que se tornou muito bom de ver e que já inclui alguma qualidade ... de vez em quando :)
Estou a pensar como faria sentido um médico dizer a um paciente: agora tem que dançar duas vezes por dia, depois das refeições, durante 5 dias. Vai ver que fica melhor!! :)
Dancemos no mundo (como canta o Sérgio Godinho)!