Lembro-me da minha escola primária (dizia-se assim nesse tempo, que me parece agora muito próximo). Lembro-me de tantas coisas da minha escola e agora trago-as aqui pois chegou a vez do meu filho começar a sua escola primária!
Como tudo o que me lembro é bom (menos dois episódios que apresentarei abaixo), desejo que a escola seja para o Lucas tão boa como foi para mim!
É importante certamente ser bom aluno, mas não tenho presente essa prioridade. Eu nunca fui boa aluna, só média.
Quero antes (ou também) que ele faça amigos para a vida, como eu fiz. Ainda hoje tenho amigas desde a escola primária e é uma senhora amizade!!!
Quero antes que ele se lembre do cheiro dos livros, da borracha e da mochila, com carinho e saudade.
A minha cheirava a (migalhas de) pão. O pão que a minha mãe mandava num saquinho de pano com bonecos.
Lembro-me dos livros borrados de cinzento de tanto apagar e até um pouco furados da borracha de tinta, aquela parte azul que era muito áspera...
Lembro-me de aprender a forrar os meus livros com papel autocolante, com a ajuda de um pano para não fazer bolhas. Era difícil. A agulha ajudava a desfazer as bolhas, para o livro ficar bonito e lisinho. Depois de ficar sem se ver a capa (só se via o Mickey do papel autocolante), tínhamos que colar etiquetas a dizer o nome do recheio do livro: Meio Físico e Social, Português ou Matemática.
Lembro-me dos trabalhos de casa (ou TPC: trabalhos para carecas!) e de não gostar de os fazer...
Lembro-me dos pacotes de leite achocolatado, com pouco chocolate mas muitos desenhos, que formavam um só desenho quando encostados a outros, como um puzzle... e como a amizade da minha turma, que veio junta dos 6 anos até aos 12, já na escola preparatória, onde ainda jogávamos juntos, todos juntos, rapazes e raparigas, à "Sirumba", desenhada com giz no chão do recreio. E também ao "Lá vai alho", ao "Mata" e a muitos outros jogos divertidos que ainda gosto de jogar!
Lembro-me de descobrirmos que a pastilha elástica ficava cinzenta se a mastigássemos com um bico do lápis de carvão...
A professora Fernanda, da escola primária, foi especial. Ralhava e puxou-me as orelhas (ficavam vermelhas, a ferver) quando eu fiz uma torre de canetas de feltro e não ouvi o que ela disse. Não me sinto traumatizada. Sobretudo porque a professora Fernanda me deixava fazer ronha no colo dela, de manhã. Eu adoro dormir e tenho esse dom, como alguns saberão. São quase 35 anos de carreira, nesta área, sempre apoiada pela professora Fernanda!
Encontrei-a há uns meses em Santarém, quando lá fui com os meus filhos. Parei o carro, corri atrás dela e chamei-a. Ela olhou-me e disse "Joaninha!!!"... Raios, eu queria ter esta memória, queria muito!! Apresentei-a aos meus filhos, muito emocionada e ela disse: "A Joaninha, que estava sempre com sono!":)
O outro episódio menos bom (o primeiro foi a torre de canetas + orelhas vermelhas) da escola foi o dia em que decidi não ir e dizer ao meu pai que não havia escola... Ele não gostou, porque havia:) Engraçado, porque hoje a Inês disse de manhã que tinha "febe" e não queria ir à escola. Na dúvida, ficou com a "Avó Jita" e disse-lhe quando chegou "a minha cola tá fichada!". Quem sai aos seus "não é de Genebra", como diz o Pedro. :p
Lembro-me de ir todos os dias a pé para lá, sozinha, pelo carreiro, no meio do mato (seguro). Com ou sem chuva, em 10 minutos subia aquilo, passava perto da casa da Marta e entrava na escola para ir ter com os meus amigos. Ainda me lembro dos nomes completos de quase todos e do número fixo de muitos deles! (Afinal tenho memória!) :)
Agora é o Lucas. Estamos derretidos com o nosso Lucas. Com quase 7 anos, entra na escola primária e não quer que o Pai o acompanhe até à sala. Está crescido, tranquilo e feliz, como nunca o vimos no início de um ano letivo!
O Lucas vai aprender a ler (e a fazer torres de canetas de feltro). Vai entender melhor o mundo: no cinema, nas mensagens de telefone, nos mupis da rua, nos pacotes do supermercado, nos livros aos quadradinhos e nos outros, que pode ler à Inês. Ler só "a partir da Páscoa", como disse a professora dele, que conheci há poucos dias. Não devemos esperar que leiam antes!
Trabalhos de casa à sexta, mochilas só com estojo e caderneta para não andarem carregados e, como diz no papelinho que ela enviou, uma mochila que deve andar cheia de felicidade. Gostei muito de ler neste papel, que tinha os horários e a lista de material, duas coisas que deixo escritas para os pais que estarão ansiosos nestes dias, como nós: "Nunca digam ao vosso filhos - "não és capaz", e "Lembrem-se que o mais importante é que o vosso filho se sinta feliz na escola!".
Sou obrigada a gostar do ensino público, que tem tratado tão bem o nosso filho e que, no próximo ano, vai receber a fofa Inês!! Se for como no meu caso, a professora será a mesma da irmã. A ver.
Feliz ano letivo para todos os pais, professores e alunos, e para o nosso querido Lucas, em especial.
Estamos tão, mas tão orgulhosos de ti !!!!
Sem comentários:
Enviar um comentário