"Quando joguei há muitos anos um jogo que me disse que eras a minha alma gémea... pareceu parvo, mas a parvoíce ainda não parou...." É assim que começa o nosso blog, onde escrevemos há 12 anos sobre nós.
Mas não foi assim que começaram os nós. Conhecemo-nos na "terra", como ele chama ao lugar das nossas mães. Foi nas festas de verão, em adolescentes, quando os meus olhos não eram dele mas os dele registaram o meu primeiro olhar.
Passaram anos e uma boa amizade que incluía os irmãos de ambos e diversão pura. Uma rapariga extrovertida (afinal tímida) e aventureira, e um rapaz tímido (afinal extrovertido) e aventureiro que se divertiam numa terra só.
Num ano de mudanças a vida aproximou-nos e como sempre a brincadeira levou-nos a fazer um jogo que nos disse a ambos que éramos almas gémeas. Parvo, mas curioso.
... Convidaste-me para irmos a um concerto em Lisboa. E nessa noite, deste-me a mão e nunca mais saí das tuas mãos, lindas. Foi perfeito, tudo, por isso foi tudo tão rápido: casa, carro, filhos. Namorámos pouco a dois, sabemos disso, namorados aos 30 dá nisto. Devíamos ter aproveitado mais sermos só um, neste caso...
Ter filhos foi e é mágico, maravilhoso mas um carrossel demasiado rápido e intenso que nos faz procurar os dias destes anos, que voaram. Uma relação intensa, bonita, imperfeita e forte.
Aprendemos a conversar até a luz se apagar, a rir até chorar. Cumplicidade, diálogo, relação. E muita discussão, desafios, dois feitios exigentes. Fazemos faísca de tanto rir e de tanto ralhar.
Nunca será perfeito e tão pouco sei se é para sempre, mas é uma viagem bonita, esta. Enquanto vir em ti a pureza de um miúdo fascinante, humilde, bem disposto e frontal, levantarei os pés para te abraçar, o meu lugar preferido.
Ensinaste-me a ouvir, a falar cá do fundo, a contar contigo. A olhar nos olhos e a encontrar lugares mágicos.
Desafias os meus cabelos brancos e a minha paz, viras-me do avesso, mas ofereces-me momentos perfeitos embrulhados e com o meu nome.
Ensinaste-me a arrumar a máquina da loiça e a ter um caixote do lixo limpo. Ensinaste-me o que é ser companheiro, um homem sério e uma criança cheia de bons projetos, ao mesmo tempo. Um pai perfeito e presente. E que se pode viajar e ser ambicioso e persistente em pequenas coisas.
Eu pus-te asas e levei-te pelo mundo, falei-te de pessoas diferentes, de missões, de como o mundo está nas nossas mãos e pode ser tão simples. Ensinei-te a deixar estar, a deixar ser. Ensinei-te os passos da minha dança, dei-te os acordes da minha voz e dei-te as chaves de tudo o que sou.
Não verbalizas nem escreves muito mas carimbo o teu amor pela forma bonita como falas de mim aos nossos filhos, como te ris das minhas tonteiras da mesma forma que rias aos 15 anos, como gostas verdadeiramente dos meus, como te adaptas aos meus amigos e sonhos, como respeitas e aprovas a minha liberdade. Obrigada.
Que continuemos a ser fogo e água, a sermos paz na nossa terra.
A sermos nós, daqueles que não desatam.
