Ir para lá sempre significou muita coisa boa para mim. É a "terra" para onde íamos em pequenos na Páscoa, no Natal e em muitos outros fins-de-semana. A "Casa da Avó", como tão bem esculpiu o Tio Mário na pedra da entrada, onde nasceram e cresceram 13 irmãos de quem gosto muito e onde se sente que aconteceu muita felicidade durante muitos anos.
Na nossa geração de filhos e primos, esta felicidade ainda cresce ali, acredito que para sempre.
São muitas as memórias que temos todos, suportadas por fotografias antigas, com aquelas bolhas de humidade e cores "vintage", mas dos anos, não de filtros de aplicações...
Quis o destino que esta "terra" passasse a ser estendida ao quilómetro seguinte e associada à "terra" da cara metade... o espaço passou a ser um só, ainda mais especial. As nossas mães são dali e nós dali nos sentimos. Agora cruzamos memórias e, para cada um, a mesma oliveira conta histórias diferentes, numa mesma história.
Para ele, a terra significa cabanas, a casa da (eterna) Avó Bina, os mistérios, as aventuras, as bicicletas, os jogos de futebol com o Tio Manuel. E muito mais de bom, que ainda hoje lhe faz brilhar os olhos...
Para mim, as noites de Verão na varanda mais bonita do mundo, com estrelas que pareciam só nossas.... Para mim, os irmãos, a Mãe, o Pai, a Avó Conceição, as tias a saltar à corda, os banhos de alguidar, os mergulhos no rio, os pratos antigos onde comíamos papa de cerelac. Para mim, as saídas de manhã com mochilas e fruta, em busca de passeios e emoções que só o campo tornava possível! Para mim, a estrada de terra onde aprendi a andar de bicicleta... até parece que ainda sinto as mãos do meu Pai a segurarem-me, cada vez menos, para eu poder seguir caminho. E segui...
Para ambos, as festas de verão, as rifas, a roda dos rebuçados "bolas de neve", o baile onde nos ríamos e fazíamos amigos novos... entre os quais ele, que se tornou o meu verdadeiro par e o Pai do Lucas e da Inês, verdadeiros frutos da terra.
Agora são eles a gozar aquilo que a terra lhes dá. São eles a viver a felicidade do campo, da família e da roupa velha.
A felicidade que só se sente quando vestimos aquela roupa, como se fôssemos para um casamento entre terra, corridas, risos e laranjas.
As roupas que lá ficavam, as velhas que não se vestiam para mais nada. Roupas grandes, pequenas, feias, mas que serviam para ali. Nas fotos, percebe-se o que simbolizam estas roupas. Parecíamos índios, estávamos felizes. E aprendemos tão bem a viver assim, ali!
Hoje, quando levamos os nossos filhos à terra, revejo o efeito da roupa velha, como se de um feitiço se tratasse.
Quando entram em Casa da Avó, o ato de tirar sapatos lavados e novos, calçar botins (onde já couberam os nossos pés), por o boné mais próximo do tamanho da nossa cabeça (cada um de seu estilo), faz-me sentir que estou a fechar os olhos e a fazer uma viagem no tempo. Vão eles e nós.
Quando vestimos a roupa velha, somos do campo, trepamos as oliveiras, as laranjeiras, saltamos à corda, brincamos com paus, comemos fruta das árvores, ficamos com as unhas e a boca sujas, o cabelo despenteado e a cara vermelha. Vivemos e rimos.
Quando vestem a roupa velha, os nossos filhos ficam mais lindos que nunca e a minha felicidade é do tamanho do céu e das estrelas que são só nossas, ali...
já que gosto de escrever sobre o que penso, o que vivo e o que sinto nesta fase da minha vida, abro a porta deste cantinho para partilhar estas palavras. obrigada pelas visitas.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Para ti, São Martinho
Lembro-me de ler a tua lenda na escola, quando era pequena.
E quando chegam estes dias de sol, lembro-me dela.
Depois do Verão e das férias, da praia, dos dias longos, a entrada no outono sempre foi difícil para mim.
Parece que me preparo para hibernar: já sei que vou ter frio, que vou sair menos de casa, que fico mais branca e tapada, com roupas mais escuras.
Sou muito mais de calor e verão, gosto da sua simplicidade e luz.
Tive que aprender com o tempo a preparar-me e a aceitar os meses de frio, que é como quem diz aceitar o que é menos bom, enfrentar o que não gostamos. Um processo importante.
Mas é sempre preciso uma preparação... E é de facto especial quando, depois desta entrega, vêm estes últimos dias de calor, como uma boa surpresa antes da tal viagem mais cinzenta.
Faz-me lembrar quando nos despedimos de alguém e a pessoa volta para trás porque se esqueceu de algo.. há mais um abraço que não estava previsto e sabe tão bem. Ou quando acordamos achando que é tarde, mas quando olhamos o relógio ainda temos mais 2 horas para dormir...
Para mim, o teu verão é isto.
E para além destes "teus" dias de sol, a tua história é bonita. Cortaste a tua capa vermelha para cobrir um mendigo que te pedia esmola. Como não tinhas mais nada, dividiste o que tinhas. E foi por isso que o céu afastou as nuvens e o Sol decidiu ficar para iluminar esse momento.
No século 21 deverias ter muitos mais seguidores, porque a coisa aqui não está tão bem como se esperaria, com a evolução da humanidade. E por isso eu percebo que este ano ainda sejam mais quentes os teus dias. Nota-se que concordas e quiseste "reforçar" a mensagem. Acho bem.
Vou gozar este sol, comer castanhas com erva doce, ao mesmo tempo que preparo a árvore de natal e vou aprendendo a gostar do cheiro a terra molhada. E tu, aparece sempre que quiseres!
E quando chegam estes dias de sol, lembro-me dela.
Depois do Verão e das férias, da praia, dos dias longos, a entrada no outono sempre foi difícil para mim.
Parece que me preparo para hibernar: já sei que vou ter frio, que vou sair menos de casa, que fico mais branca e tapada, com roupas mais escuras.
Sou muito mais de calor e verão, gosto da sua simplicidade e luz.
Tive que aprender com o tempo a preparar-me e a aceitar os meses de frio, que é como quem diz aceitar o que é menos bom, enfrentar o que não gostamos. Um processo importante.
Mas é sempre preciso uma preparação... E é de facto especial quando, depois desta entrega, vêm estes últimos dias de calor, como uma boa surpresa antes da tal viagem mais cinzenta.
Faz-me lembrar quando nos despedimos de alguém e a pessoa volta para trás porque se esqueceu de algo.. há mais um abraço que não estava previsto e sabe tão bem. Ou quando acordamos achando que é tarde, mas quando olhamos o relógio ainda temos mais 2 horas para dormir...
Para mim, o teu verão é isto.
E para além destes "teus" dias de sol, a tua história é bonita. Cortaste a tua capa vermelha para cobrir um mendigo que te pedia esmola. Como não tinhas mais nada, dividiste o que tinhas. E foi por isso que o céu afastou as nuvens e o Sol decidiu ficar para iluminar esse momento.
No século 21 deverias ter muitos mais seguidores, porque a coisa aqui não está tão bem como se esperaria, com a evolução da humanidade. E por isso eu percebo que este ano ainda sejam mais quentes os teus dias. Nota-se que concordas e quiseste "reforçar" a mensagem. Acho bem.
Vou gozar este sol, comer castanhas com erva doce, ao mesmo tempo que preparo a árvore de natal e vou aprendendo a gostar do cheiro a terra molhada. E tu, aparece sempre que quiseres!
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
O homem que não conseguia chorar
Era uma vez um homem que vivia junto ao mar.
Durante o dia descansava ou passava o tempo em conversas com amigos. À noite, ia para o mar.
Este pescador era feliz e apesar de ali viver sozinho, via nos seus companheiros a sua família.
Mas havia uma coisa que o tornava diferente dos outros pescadores. Na verdade, das outras pessoas.
Quando estava triste, este homem não conseguia chorar...
Quando se sentia só, quando o coração apertava com saudade, quando alguém o magoava, os olhos deste homem permaneciam secos, ao contrário do mar...
Até um certo um dia, em que a história teve que mudar. O dia em que o seu grande amigo, também pescador, não tinha voltado do mar...
Nesse dia, a dor e o sofrimento deste homem foram mais fortes que a onda que virou o barco onde seguia o seu companheiro. O seu corpo estava agitado, as suas mãos fechadas de revolta e os seus olhos enraivecidos. Pela primeira vez, nessa noite, o homem não foi pescar.
Sozinho, sentou-se na areia da praia e quis ficar a olhar o mar. O seu mar.
A espuma das ondas parecia querer chegar aos seus pés descalços e, pouco a pouco, puxar o homem para a água salgada...Por momentos, a mágoa que sentiu foi tão grande que o homem baixou a cabeça e quis chorar. Chorar por cada momento de tristeza na sua vida, chorar sem parar, só chorar ... mas as lágrimas não apareciam.
Nem o seu silêncio, nem as ondas, nem a imensa dor faziam este homem chorar.
Até que se levantou, ele e a sua tristeza, e num tom tremido, o homem ergueu a cabeça e disse:
"Oh mar, dá-me as gotas de um pedaço teu e deixa que sejam as minhas lágrimas salgadas!"
Enquanto tirava a camisa, o homem dirigia-se ao mar, em silêncio, como se regressasse a um colo há muito perdido. E ao entrar na fria água salgada, os seus olhos brilharam e o homem mergulhou.
Naqueles segundos debaixo de água, sentiu-se pequeno e frágil, entregou-se à imensidão do mar profundo e quando a sua face emergiu de novo naquela linha prateada, as lágrimas desciam-lhe pelo rosto molhado, caíam devolvidas ao mar e novas lágrimas voltaram a escorrer. O homem chorou, chorou, chorou... até a Lua permitir.
E quando parou, olhou com gratidão o seu mar, como se quisesse acreditar que sozinho não conseguia chorar e que o sal que sentiu nos lábios, não era seu.
Desde esse dia, o homem escolheu aquele local para, sempre que a vida lhe entregasse tristeza, poder mergulhar dentro de si e chorar, com lágrimas emprestadas pelo mar.
jb
Durante o dia descansava ou passava o tempo em conversas com amigos. À noite, ia para o mar.
Este pescador era feliz e apesar de ali viver sozinho, via nos seus companheiros a sua família.
Mas havia uma coisa que o tornava diferente dos outros pescadores. Na verdade, das outras pessoas.
Quando estava triste, este homem não conseguia chorar...
Quando se sentia só, quando o coração apertava com saudade, quando alguém o magoava, os olhos deste homem permaneciam secos, ao contrário do mar...
Até um certo um dia, em que a história teve que mudar. O dia em que o seu grande amigo, também pescador, não tinha voltado do mar...
Nesse dia, a dor e o sofrimento deste homem foram mais fortes que a onda que virou o barco onde seguia o seu companheiro. O seu corpo estava agitado, as suas mãos fechadas de revolta e os seus olhos enraivecidos. Pela primeira vez, nessa noite, o homem não foi pescar.
Sozinho, sentou-se na areia da praia e quis ficar a olhar o mar. O seu mar.
A espuma das ondas parecia querer chegar aos seus pés descalços e, pouco a pouco, puxar o homem para a água salgada...Por momentos, a mágoa que sentiu foi tão grande que o homem baixou a cabeça e quis chorar. Chorar por cada momento de tristeza na sua vida, chorar sem parar, só chorar ... mas as lágrimas não apareciam.
Nem o seu silêncio, nem as ondas, nem a imensa dor faziam este homem chorar.
Até que se levantou, ele e a sua tristeza, e num tom tremido, o homem ergueu a cabeça e disse:
"Oh mar, dá-me as gotas de um pedaço teu e deixa que sejam as minhas lágrimas salgadas!"
Enquanto tirava a camisa, o homem dirigia-se ao mar, em silêncio, como se regressasse a um colo há muito perdido. E ao entrar na fria água salgada, os seus olhos brilharam e o homem mergulhou.
Naqueles segundos debaixo de água, sentiu-se pequeno e frágil, entregou-se à imensidão do mar profundo e quando a sua face emergiu de novo naquela linha prateada, as lágrimas desciam-lhe pelo rosto molhado, caíam devolvidas ao mar e novas lágrimas voltaram a escorrer. O homem chorou, chorou, chorou... até a Lua permitir.
E quando parou, olhou com gratidão o seu mar, como se quisesse acreditar que sozinho não conseguia chorar e que o sal que sentiu nos lábios, não era seu.
Desde esse dia, o homem escolheu aquele local para, sempre que a vida lhe entregasse tristeza, poder mergulhar dentro de si e chorar, com lágrimas emprestadas pelo mar.
jb
domingo, 29 de maio de 2016
Sem likes, comentários ou vontade de partilhar.
27.05.2016
Corro o facebook com o polegar de baixo para cima e misturo emoções, que improvavelmente saltam de um post com uma imagem de um croissant com chocolate, para uma notícia sobre alimentos anti cancro, e logo depois um blog de uma mãe que elogia, com carinho, a filha futebolista. A foto de um novo membro da família, uma outra de um amigo que não vemos há anos, a notícia do primeiro escritório feito por uma impressora 3d, as 6 milhões de pessoas que morreram no Congo e que a comunicação social ignorou (mas postou agora no FB)...
Shot de emoções. Frieza misturada com amor e fome. Sofrimento misturado com ideias de decoração de quartos infantis... e depois culpa.
Artigos sobre 10 formas de ...., 5 frases que..., 3 segredos para... Artigos sobre os maus pais da atualidade, as boas práticas ambientais, o cabelo mais longo que entrou no Guinness...
3 likes para o Congo, 179 para o croissant.
Hoje, quando estava no computador e me saltou uma janela do "Público" no canto inferior direito do meu écran a dizer que uma adolescente foi violada por 30 homens numa favela brasileira e daí resultou um vídeo de orgulho desses mesmos homens, que foi retirado da net, bem como os seus perfis das redes sociais, fiquei mal disposta, mesmo mal disposta, com dores de barriga e vontade de vomitar.
Li tudo.
O quê??
A sério?!!!
O meu eterno otimismo, envergonhou-se, e caíu.
Fiquei com menos vontade disto tudo... De net, de realidade, de esperança.
Informação importante, inquietação útil, banalização assustadora, crueldade gratuita e comentários fúteis.
Neste dia, quando cheguei a casa e os meus filhos me abraçaram e quase caí para o chão com a força deles, senti uma espécie de vergonha.
Este mundo para onde vos trouxemos, e que vos apresentamos com amor, é tão mau...
Sem vontade de likes, sem comentários e sem qualquer vontade de partilhar este mundo.
Corro o facebook com o polegar de baixo para cima e misturo emoções, que improvavelmente saltam de um post com uma imagem de um croissant com chocolate, para uma notícia sobre alimentos anti cancro, e logo depois um blog de uma mãe que elogia, com carinho, a filha futebolista. A foto de um novo membro da família, uma outra de um amigo que não vemos há anos, a notícia do primeiro escritório feito por uma impressora 3d, as 6 milhões de pessoas que morreram no Congo e que a comunicação social ignorou (mas postou agora no FB)...
Shot de emoções. Frieza misturada com amor e fome. Sofrimento misturado com ideias de decoração de quartos infantis... e depois culpa.
Artigos sobre 10 formas de ...., 5 frases que..., 3 segredos para... Artigos sobre os maus pais da atualidade, as boas práticas ambientais, o cabelo mais longo que entrou no Guinness...
3 likes para o Congo, 179 para o croissant.
Hoje, quando estava no computador e me saltou uma janela do "Público" no canto inferior direito do meu écran a dizer que uma adolescente foi violada por 30 homens numa favela brasileira e daí resultou um vídeo de orgulho desses mesmos homens, que foi retirado da net, bem como os seus perfis das redes sociais, fiquei mal disposta, mesmo mal disposta, com dores de barriga e vontade de vomitar.
Li tudo.
O quê??
A sério?!!!
O meu eterno otimismo, envergonhou-se, e caíu.
Fiquei com menos vontade disto tudo... De net, de realidade, de esperança.
Informação importante, inquietação útil, banalização assustadora, crueldade gratuita e comentários fúteis.
Neste dia, quando cheguei a casa e os meus filhos me abraçaram e quase caí para o chão com a força deles, senti uma espécie de vergonha.
Este mundo para onde vos trouxemos, e que vos apresentamos com amor, é tão mau...
Sem vontade de likes, sem comentários e sem qualquer vontade de partilhar este mundo.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
O sol da Maria!
Na sexta-feira, senti-me uma criança a assistir ao filme preferido, quando ouvi a Maria falar na reunião de pais... Apeteceu-me gravar, escrever e guardar cada palavra e sentimento da Maria. "Porquê?" Pensei eu.
Depois de pensar durante alguns dias, digo aqui porquê:
A Maria gosta dos meninos da sala: fala como se fossem uma equipa!
A Maria aproveita a Maria-café para dar as espirais, seguindo o "método projeto", em que a matéria é dada de acordo com os interesses das suas çrianças.
A Maria fala de como os desenhos e o uso das cores evoluiu, desde que foram ver uma exposição e lembra que um sol é de uma cor qualquer, e até pode ter quadrados.
A Maria põe um grupo de crianças dos 3 aos 6 anos a adorar rochas, a definir que tipo de brilho e nome tem cada uma.
A Maria sabe que dormir a sesta deveria ser obrigatório para os mais pequeninos e reforça o quanto isso influencia o humor de cada um.
A Maria ri-se, genuinamente, quando nos dá o feedback do Carnaval e diz: "e o mais importante é que se divertiram!"
A Maria defende, com válidos argumentos, que ir para a escola deve ser aos sete, para os meninos "condicionais".
A Maria diz a uma mãe cujo filho é reguila e responde torto: "parabéns Mãe, ele já percebeu que eu gosto dele e já se sente em casa aqui; já se defende e perdeu este medo!"
A Maria pede uma auto-avaliação ao seu grupo e tem conversas diárias sobre como foi o dia.
A Maria motiva os pais, que trocam olhares de satisfação nas reuniões e sabem que é melhor aproveitar bem...
A Maria gosta do Lucas e dos amigos, tal como eles são.
Tenho a certeza de que há muitas Marias, mas à do Lucas, digo: obrigada por me confirmar que a simplicidade e o amor são quase tudo e por me fazer acreditar no ensino público e na educação para crianças felizes!
domingo, 20 de março de 2016
"Eu, o Pai e o Benfica!"
Não sou do Benfica, só fui uma vez à Luz e não foi com o meu Pai.
Agora que sou Mãe de um rapaz e vivo mais este mundo masculino, acho curioso o significado de se ir ao Estádio da Luz pela primeira vez, ver o Benfica e, sobretudo, quando isso junta Pai e filho.
Há uns dias foi a vez do meu filho!
Combinámos que eu o agasalhava, lhe dava uma sopa e o deixava perto do Colombo, para ir com o Pai a "uma surpresa"... que eu desvendei, sem querer! Levou um saquinho com comida e lá foi, contente, para uma coisa "deles"!
No final do jogo, regressei ao local para ir buscá-los. Enquanto esperava e procurava, no meio da multidão, pela minha dupla de Pai e filho, o tempo permitiu-me apreciar as expressões e os adeptos que por ali vinham...
A importância do futebol é muito mais do que o futebol! Ficou claro para mim.
É a compra do primeiro cachecol, é o voo da águia Vitória, são os abraços dos golos, as lágrimas das derrotas, a cumplicidade nos olhares... Quanta emoção no mundo dos (sobretudo) homens que se dizem tão racionais.
São momentos especiais e emoções a dois (por vezes raras), que realmente só podem marcar muito os filhos, incluindo os que são hoje Pais e Avós!
Ouvir os comentários acesos dos homens durante o jogo, vir às cavalitas do Pai na saída do estádio, comer uma bifana na rolote e, a acrescentar a isso, o facto de não terem a Mãe a dizer que está frio, que não se dizem asneiras, etc...
O futebol é um abraço importante entre Pai e filho.
Quando entrou no carro, o meu filho vinha "cheio", com cachecol novo e entusiasmo no resumo que fez de um jogo inesquecível! "Fui com o Pai ao Estádio da Luz!" disse, orgulhoso.
Agora que sou Mãe de um rapaz e vivo mais este mundo masculino, acho curioso o significado de se ir ao Estádio da Luz pela primeira vez, ver o Benfica e, sobretudo, quando isso junta Pai e filho.
Há uns dias foi a vez do meu filho!
Combinámos que eu o agasalhava, lhe dava uma sopa e o deixava perto do Colombo, para ir com o Pai a "uma surpresa"... que eu desvendei, sem querer! Levou um saquinho com comida e lá foi, contente, para uma coisa "deles"!
No final do jogo, regressei ao local para ir buscá-los. Enquanto esperava e procurava, no meio da multidão, pela minha dupla de Pai e filho, o tempo permitiu-me apreciar as expressões e os adeptos que por ali vinham...
A importância do futebol é muito mais do que o futebol! Ficou claro para mim.
É a compra do primeiro cachecol, é o voo da águia Vitória, são os abraços dos golos, as lágrimas das derrotas, a cumplicidade nos olhares... Quanta emoção no mundo dos (sobretudo) homens que se dizem tão racionais.
São momentos especiais e emoções a dois (por vezes raras), que realmente só podem marcar muito os filhos, incluindo os que são hoje Pais e Avós!
Ouvir os comentários acesos dos homens durante o jogo, vir às cavalitas do Pai na saída do estádio, comer uma bifana na rolote e, a acrescentar a isso, o facto de não terem a Mãe a dizer que está frio, que não se dizem asneiras, etc...
O futebol é um abraço importante entre Pai e filho.
Quando entrou no carro, o meu filho vinha "cheio", com cachecol novo e entusiasmo no resumo que fez de um jogo inesquecível! "Fui com o Pai ao Estádio da Luz!" disse, orgulhoso.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
"I like the way you are!"
Hoje quando fiquei no carro e te vi levar o Lucas à escola, andei para trás uns anos e, no meio da correria matinal, senti-me feliz...
Levavas a mochila numa mão, a bola na outra, e ele lá ia todo contente e crescido, à tua frente...
Olhei para ti e vi um Pai, com ar acelerado, vestido mais à pressa, sempre a olhar para as horas ... e lembrei-me do dia em que começou a primavera de 2008 e eu, com 30 anos, te pedi em namoro, porque o que sentíamos um pelo outro, fazia-me sentir uma verdadeira adolescente ...
Nessa fase, em que parecíamos parvinhos de tanta paixão :), não imaginávamos que estaríamos aqui, hoje. Muito menos quando dizíamos tonteiras com 18 ou 19 anos, nas festas de verão da "terra" das nossas mães:) Quem diria Vasquinho !? Que eu, que no teu telemóvel era a "Pulga", passava a ser a mãe dos teus filhos!!?
Agora estamos na nossa segunda casa, segundo carro, segundo emprego e segundo filho (terceiro, se contarmos com o clube:)!!
Somos crescidos!
Falta-nos tempo, nunca ralhámos tanto um com o outro, nunca andámos tão cansados, não somos um casal perfeito, mas nunca fomos tão completos!! Não sei se é para sempre, mas o caminho para lá tem sido bom!
Porque é que partilho isto no meu blog para todos lerem? Porque é bom partilhar o que é bom, e porque não o digo muitas vezes.
Obrigada pelos dias que passamos juntos, por saberes cuidar de mim nos pequenos pormenores. Eu que gosto de cuidar do mundo inteiro, fico feliz porque, em casa, te tenho a ti para, por exemplo, me fazeres o pequeno almoço! Adoro que os nossos filhos, e sobretudo o Lucas, te tenha como exemplo. Quero que ele seja como tu (com o upgrade de cantar e dançar melhor, como eu, claro:)!
Como dizia a t-shirt da Inês hoje, a que tinha aquele gato que ela mostrava com o dedinho:
"I like the way you are!"
Levavas a mochila numa mão, a bola na outra, e ele lá ia todo contente e crescido, à tua frente...
Olhei para ti e vi um Pai, com ar acelerado, vestido mais à pressa, sempre a olhar para as horas ... e lembrei-me do dia em que começou a primavera de 2008 e eu, com 30 anos, te pedi em namoro, porque o que sentíamos um pelo outro, fazia-me sentir uma verdadeira adolescente ...
Nessa fase, em que parecíamos parvinhos de tanta paixão :), não imaginávamos que estaríamos aqui, hoje. Muito menos quando dizíamos tonteiras com 18 ou 19 anos, nas festas de verão da "terra" das nossas mães:) Quem diria Vasquinho !? Que eu, que no teu telemóvel era a "Pulga", passava a ser a mãe dos teus filhos!!?
Agora estamos na nossa segunda casa, segundo carro, segundo emprego e segundo filho (terceiro, se contarmos com o clube:)!!
Somos crescidos!
Falta-nos tempo, nunca ralhámos tanto um com o outro, nunca andámos tão cansados, não somos um casal perfeito, mas nunca fomos tão completos!! Não sei se é para sempre, mas o caminho para lá tem sido bom!
Porque é que partilho isto no meu blog para todos lerem? Porque é bom partilhar o que é bom, e porque não o digo muitas vezes.
Obrigada pelos dias que passamos juntos, por saberes cuidar de mim nos pequenos pormenores. Eu que gosto de cuidar do mundo inteiro, fico feliz porque, em casa, te tenho a ti para, por exemplo, me fazeres o pequeno almoço! Adoro que os nossos filhos, e sobretudo o Lucas, te tenha como exemplo. Quero que ele seja como tu (com o upgrade de cantar e dançar melhor, como eu, claro:)!
Como dizia a t-shirt da Inês hoje, a que tinha aquele gato que ela mostrava com o dedinho:
"I like the way you are!"
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
As pessoas e o amarelo
Hoje escrevo sobre mudanças.
Hoje é o último dia de trabalho no sítio onde estive 10 anos.
Escolhi sair e estou feliz com a decisão.
Mas o desconhecido e o risco não me deixam respirar igual, durante estes dias.
É preciso arrumar a secretária onde tinha fotos dos filhos, papelada com muito amarelo, passwords, contactos, o meu copo de canetas com autocolante velho, a desarrumação que me caracteriza, e o painel... O painel atrás de mim cheio de recordações, mimos, fotografias de pessoas felizes, recados queridos, materiais de trabalho também amarelos. Ali trabalhei, ri, chorei, tive boas e más notícias, enfrentei desafios que me custaram, irritei-me e festejei.
Depois (e em primeiro lugar) as pessoas. Algumas que estão também comigo há dez anos, outras que já estavam há outros dez e muitas que chegam depois e felizmente ficam.
A minha equipa, o DAF. Os meus que serão sempre os meus...
As nossas horas de almoço familiares com todos. À volta da mesa grande do open space, almoçámos tantas vezes mais de 12 pessoas. Aquecíamos comida na cozinha ou íamos buscar almoço ao Recife ou Brasília e depois ríamos da forma mais tonta possível!! Mesmo que estivéssemos todos chateados e cansados com trabalho... Partilhamos, para além de muita coisa, uma dose de loucura tão boa que eu rio, só de lembrar! As notícias que víamos no plasma da sala eram o mote para grande parte dos disparates. Depois a vida privada. Os maridos, os jantares de amigos, as férias, os pedidos de casamento, as gravidezes, os filhos, as perdas... Penso não ser por acaso que uma organização de direitos humanos tenha pessoas tão boas a trabalhar.
Ali foi assim.
E eu dos 28 aos 38 anos, fiquei mais completa, adulta e feliz.
Felizmente não vamos deixar de estar juntos. Os jantares regulares com estes e outros colegas que já saíram faz me crer que esta relação é para a vida.
Entregarei a chave e o meu email será encerrado.
Mas as fotos, o painel, as pessoas e o amarelo vão comigo. Para sempre.
Hoje é o último dia de trabalho no sítio onde estive 10 anos.
Escolhi sair e estou feliz com a decisão.
Mas o desconhecido e o risco não me deixam respirar igual, durante estes dias.
É preciso arrumar a secretária onde tinha fotos dos filhos, papelada com muito amarelo, passwords, contactos, o meu copo de canetas com autocolante velho, a desarrumação que me caracteriza, e o painel... O painel atrás de mim cheio de recordações, mimos, fotografias de pessoas felizes, recados queridos, materiais de trabalho também amarelos. Ali trabalhei, ri, chorei, tive boas e más notícias, enfrentei desafios que me custaram, irritei-me e festejei.
Depois (e em primeiro lugar) as pessoas. Algumas que estão também comigo há dez anos, outras que já estavam há outros dez e muitas que chegam depois e felizmente ficam.
A minha equipa, o DAF. Os meus que serão sempre os meus...
As nossas horas de almoço familiares com todos. À volta da mesa grande do open space, almoçámos tantas vezes mais de 12 pessoas. Aquecíamos comida na cozinha ou íamos buscar almoço ao Recife ou Brasília e depois ríamos da forma mais tonta possível!! Mesmo que estivéssemos todos chateados e cansados com trabalho... Partilhamos, para além de muita coisa, uma dose de loucura tão boa que eu rio, só de lembrar! As notícias que víamos no plasma da sala eram o mote para grande parte dos disparates. Depois a vida privada. Os maridos, os jantares de amigos, as férias, os pedidos de casamento, as gravidezes, os filhos, as perdas... Penso não ser por acaso que uma organização de direitos humanos tenha pessoas tão boas a trabalhar.
Ali foi assim.
E eu dos 28 aos 38 anos, fiquei mais completa, adulta e feliz.
Felizmente não vamos deixar de estar juntos. Os jantares regulares com estes e outros colegas que já saíram faz me crer que esta relação é para a vida.
Entregarei a chave e o meu email será encerrado.
Mas as fotos, o painel, as pessoas e o amarelo vão comigo. Para sempre.
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