Um dos lemas que conheci há uns anos e tenho tentado dissecar e aprender a por em prática.
Como pessoa é um desafio. Como Mãe, é um desafio maior. (Caramba, tudo é maior nas mães!)
As redes sociais vieram sublinhar esta era do "Parecer".
Todos queremos parecer porreiros, bons pais, moralistas quanto aos erros dos outros. A distância entre o eu e outro aumentou. O teclado parece ser um muro grande através do qual mostramos uma pontinha de nós, a que queremos mais limpa e perfeita. Interessante para mim este tema, porque sinto esta tentação também. Porquê? Qual o objetivo? O que realmente ganho com isso?
Mas não é só uma tendência digital.
Temos necessidade de Parecer em muitas situações...
Temos necessidade de Parecer em muitas situações...
Queremos ir às festas de anos dos amigos dos filhos e mostrar imensas coisas: a roupa deles, o que eles disseram de inteligente na escola, o casal fixe que somos...
Em nossa casa, queremos arrumar tudo antes que cheguem os amigos. Parece mesmo que somos arrumados!!
Num parque infantil ou na sala de espera do médico, queremos ser queridas mães, atentas, meigas...
O que é mesmo estranho é que, quando estamos nos dias "não" e do lado dos desajeitados e da nódoa na camisola, no dia do bibe amarrotado, dos gritos no café, do vestido que ficou preso às cuecas depois de irmos à wc, da reunião de trabalho a cheirar a cerelac, enfim...
... dá a ideia que deste lado, nestes dias (que são sempre escolhidos a dedo) eu não consigo nada..... Não sou nada de jeito. Adorava fazer um estudo e saber se não passaremos todos por estes dias e este lado?
Não seremos muito mais iguais na imperfeição do que na procura de parecermos perfeitos?
Quando penso nesta possibilidade sinto mesmo um alívio!! Acho libertador.
Não seremos muito mais iguais na imperfeição do que na procura de parecermos perfeitos?
Quando penso nesta possibilidade sinto mesmo um alívio!! Acho libertador.
... E depois, nesses dias, vamos no carro a pensar e a conversar e a pensar outra vez.... "Se calhar tenho um problema", "como é que eles conseguem ir calados e bem comportados toda a viagem?", "e o brilho daquela casa de banho... Como?"
Apesar de saber e ter a certeza que existem pessoas muito mais arrumadas que eu, acho que estreitar a distância entre todos nós nos aliviaria enquanto seres humanos. É uma suspeita que tenho, por estudar.
"Ser" mais (humano) é também mostrar (sem medo nem sensação de falha) que a normalidade não é a perfeição e, o que parece, muitas vezes não é, em ninguém, em nenhuma casa, em nenhum mundo.
Não há "os maridos das outras", "os filhos sempre impecáveis", pois não?!
Enquanto cresço e procuro a serenidade (como a palavra diz, a idade serena), esforço-me cada vez mais para aprender com este lema. Um caminho para aprender a Ser o que sou, cheia de imperfeições e querer, assim, sentir-me perfeita. Mas Ser.
Todos temos de baixo das meias, unhas por cortar, certo?
Não faz mal, acredito eu.