Ontem fizemos a nossa árvore de Natal. É lindo o momento, sempre. Faz-me pensar na sorte que temos em poder estar em família, numa casa, quentes, seguros, com música especial e uma árvore bonita.
Uma árvore cheia de enfeites diferentes, que incluem trabalhos manuais feitos pelas nossas 4 mãos pequeninas, nos últimos anos de escola, que os nossos filhos têm o privilégio de ter.
Tudo o que envolve o Natal é muito especial e bom, mas traz sempre uma tristeza associada.
Ontem quando ligámos as luzes da nossa árvore, essa dor voltou, sem a chamar. As luzes que comprei em 2018 são iguais às que tinha a nossa árvore, quando era criança (a primeira árvore da primeira família, onde o Natal é vivido com a magia verdadeira e a pureza de quem não conhece o mundo sem luzes a piscar.)
Só percebi que as luzes eram as mesmas quando o meu sorriso se escondeu de repente. Azul, laranja, verde e vermelho, a piscar rápido. A imagem que me trouxe, quando as liguei, foi do Natal vivido quando sonhava com os presentes da Concentra que passavam na RTP. Quando me juntava à minha família gigante à volta de uma pirâmide de prendas que, da minha altura, parecia infinita. Quando a minha avó via os filhos juntos e o meu pai estava lá.
Aquelas luzes fazem-me sofrer e só me lembrei disso quando as ligámos ontem novamente.
O exercício de fazer de Mãe no Natal, já com umas cicatrizes no coração, não é só bonito.
O Natal que eu adoro não é só doce e há sempre umas lágrimas para embrulhar e para esconder para que eles nem sequer imaginem como a vida sabe surpreender.
Hoje comecei um novo desafio profissional e passei, feliz, por muitas luzes de Natal na bonita Avenida da Liberdade, mas ninguém me tira a tristeza de, neste dia, também mágico, em que me sinto tão feliz, não ter a luz do teu abraço, Pai, e de ouvir da tua boca que também estás orgulhoso e feliz por mim. A tristeza de não te ver ser o Pai Natal de barbas brancas dos teus netos e de não te termos mais.
Acredito que há sempre magia por aí, com ou sem luzes a piscar e que ainda há dias bem felizes para viver. Mas sempre com muitas saudades.

Bonito! Faltou o cheiro a resina do Pinheiro p viajar aínda mais no tempo. Ou do musgo dum presépio...
ResponderEliminartudo boas recordações :) BEIJO
ResponderEliminar