segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ir aos saldos com um pequenote gorducho e uma senhora de óculos

Futilidades: este é o vosso momento.

Gosto muito de roupa e sofro do síndrome da poupança, por isso quando chega o fim de junho, celebro juntamente a chegada do verão e a dos saldos!!!! É nesta altura que me dá gozo comprar muito e gastar pouco.

Aqui ficam 8 comportamentos que adopto em época de saldos:

1 - começo logo por olhar para o meu subsídio de férias, em junho, e pensar: "vocês os dois, sentem-se ali que são para a poupança; tu, ali quietinho, à espera das férias do verão.... e tu, oh pequenote gorducho... arranja-te e vem comigo!"

2- evitar ir aos saldos com crianças (exceto o pequenote gorducho) para não ter que procurar os filhotes nos cabides em círculo, tipo carrossel, no meio das t-shirts básicas de 5,99 eur (felizmente são as mais baratas) e chamar-lhes a atenção baixinho... "não deixem cair nada" .. evito ralhar porque eles não têm que aguentar ver aquelas rodas coloridas e mesas de sapatos e prateleiras de malas sem lhes limpar algum pó. Normal, até eu tenho vontade de o fazer.

3- tentar ir aos saldos sozinha, sem pressa. Estava a brincar ... isto é impossível!! Sou especialista em ter 30 minutos para comprar os sapatos que o Lucas precisa, um vestido giro para a Inês, uma t-shirt cool para o marido e uma camisola barata e gira para mim, porque preciso sempre de um trapinho novo... Ou, com sorte, os mesmos 30 minutos para comprar vários trapinhos+acessórios para mim (yupi!!).

4- trocar e trocar... quando vou sozinha e com pressa, corro o risco (elevado) de trazer coisas que não servem ou não são do agrado dos clientes lá em casa (porque vou deixando que as crianças tenham gostos e opiniões e lá aceito que não queiram aquela camisola liiinnnnddaaaaa que eu comprei). E como eu não experimentei, só vejo em casa que aquela camisola linda com um laço a fazer de cinto, nem nas orelhas me cabe!! Depois é ver a minha mala na sua versão "saldos", ou seja, com o dobro da papelada que tem normalmente, mas agrafada e divida por lojas.

5- aproveitar para comprar presentes de aniversário para os próximos meses... E lá estou eu, nas lojas, a desenrolar um calendário mental na minha mente despenteada, e a ver "agosto: mãe, sogra, João, Diogo.... setembro: a,b,c,d.....!". Ainda não me deu para comprar para o Natal, mas ainda estou a ponderar, porque as malas e carteiras dão com chuva, também...

6- comprar peças que não preciso... "tão barato!!! só 3 euros um vestido?!?!... até é giro e fica bem com aquelas sandálias que comprei na semana passada!" E depois, passado uns meses, lá o encontro triste e só, num canto do guarda-roupa a choramingar porque não foi aquilo que lhe prometi... e pior, nem sei o nome dele, porque nem me lembrava que estava lá... (aqui faço aquele papel de "miss mundo" e digo que dou alguma roupa todos os anos, para calar a senhora consciência dos óculos - conhecer em baixo).

7- por em prática o espírito de feirante: adoro vasculhar em montes de 5,99, 7,99, 9,99 e explorar todo um mundo de oportunidades... pegar em 12 peças, experimentar 11, servirem-me 9, ficar indecisa entre 3 e depois levar 2 até à caixa e acabar por comprar apenas 1, porque apesar da loucura dos saldos, (felizmente) há uma senhora consciência que vive em mim (pequenina, de óculos, séria, que me mantém com os pés na terra e me vai dizendo baixinho, entre a secção de criança e a trafaluc: "poupar para o caso de acontecer algum imprevisto! consumismo com peso e medida, ok menina?".. e lá venho eu, percebendo que o que gosto mesmo é daquele espírito tribal do tira, vasculha, pensa, experimenta, decide e não leva quase nada... várias vezes ;)

8- por fim, sentir-me uma adolescente gira, em frente ao espelho no nosso hall, a experimentar roupa nova, a misturar com outra mais velha, enquanto tenho o jantar a fazer e os miúdos a chamarem-me e a correrem por baixo das minhas pernas. E ainda arriscar perguntar ao Lucas, numa tentativa de pausa: "fica-me bem?" e ele, honesto que é, responder sem perder um único segundo e com aquele ar "distraído-sensível": "não", continuando a correr atrás da Inês por causa de um cromo dos invizimals...

Pesando bem, no final, entre o que gasto e o que poupo, acredito sempre que compensou, não arriscando fazer as contas nunca.

(Deixo ainda um desejado ponto 9: um dia hei-de ter coragem para pedir à rapariga da caixa para me deixar chamar um colega pelo micro... Sonho poder dizer para toda uma grande superfície: "uma menina de criança à caixa de homem!", "Carla chamada à caixa de senhora" ou até mesmo "patinadora à caixa central!!". Esta futilidade pode não ser nos saldos.)

quinta-feira, 27 de julho de 2017

39x4 e um envelope sério.

(pode ser a propósito do dia dos avós, ontem)

A velhice é uma estupidez.

Devia haver alguma forma de lóbi, através da entrega de uma petição e manifestações públicas, para alguma entidade fazer alguma coisa em relação a isto. "Velhi-ce não, pra jovens de coração!" (gritava-se isto na rua)...

Bem sei que se fôssemos todos vivos para sempre, seria estranho, não havia espaço e a "generation gap" seria uma verdadeira loucura, misturando pessoas que escreviam em paredes de grutas (com pedras afiadas) sobre caça, com adolescentes com cabelo nos olhos a escrever no messenger de um iphone 7 à velocidade da luz e no final fazerem um gesto de "gap" (aquele com os braços) capaz de vazar uma vista a alguma senhora do século XVII que por ali passasse toda arranjada, com um corpete apertadíssimo ...

Uma grande parte das pessoas devia (num guichê de Sr Neves ou não) ter autorização para permanecer jovem, de corpo e pele, quando são também jovens na mente, para sempre (se é para pedir, pedimos tudo!).

A mentalidade em muitas pessoas não envelhece e a proposta de petição teria o título: "corpo igual à mente, é justo que vá para a frente!" ou "...é justo que seja para sempre!" (tão parvo...).

Ainda hoje a minha Avó Alice, com 91 anos, diz "quando me vejo ao espelho não reconheço aquela pessoa, não sou eu!".

A capa do meu telemóvel diz uma frase que adoro "se puedes sonarlo, puedes hacerlo". Junto com a petição com milhares de assinaturas, enviava esta capa no envelope, podia dar alguma força ao conteúdo. (para que é que inspiram as pessoas com estas frases, se depois são treta!??!)

Pessoas como a minha Avó Conceição, que teve 13 filhos e tem hoje uma família com dezenas de bisnetos (somos mais de 80 no total), devia estar viva para conhecer a criançada toda, querida, que temos na família. Família que só existe graças a ela e ao meu avó. 1+1=80!!!

Não vou falar de mais pessoas, porque é muito duro pensar... Mas são tantas.

E nem falo do desfecho da morte e do "adeus para sempre" às nossas pessoas...
Quem inventou isto, devia estar a ver alguma série na televisão ao mesmo tempo e, na parte em que o mau da fita quase morre, disse ao seu assistente que escrevia o destino do universo numa máquina de escrever barulhenta: "sim, podem morrer no fim". E assim ficou escrito para todo o sempre. Está mal.

E só podia ser um homem, porque não conseguiu fazer duas coisas ao mesmo tempo, como deve ser!!
Uma mulher conseguia ver a série, soltar uma lágrima e ainda ditar com clareza um "claro que não podem morrer no fim, encontra-se outra solução!". E tudo mudava.

Se esta parvoíce fosse realidade, o que eu queria era jantar com a minha Mãe e as minhas Avós, e termos todas 39 anos. Brindávamos aos 40 das 4, num restaurante giro por aí... <3

Acho tão mau quando passamos por pessoas mais velhas e olhamos para elas como "velhotes"! "tão querido", "deixem sentar, coitadinho", "já não sabe o que diz!"... Se me disserem isso quando eu for velha faço uma asneira com os dedos e talvez chame um nome alguém...
Que falta de respeito mandar sentar se a senhora se calhar só quer ir em pé no autocarro para ver o rio lá fora ou um homem giro que vai sentado lá atrás...

Aquela senhora que mal anda e tem a cara cheia de riscas na pele, foi como eu e como a Inês (fofa). Se calhar foi a maior doida do grupo de amigos e, no verão, era a que dava mais "mergulhos a correr"...

Nós precisamos de aceitar o mundo como ele é, para não nos incomodarmos com o que está para vir.
Mas está mal.

... Só num jantar destes, é que eu podia conhecer estas três importantes mulheres, como elas são.

Os meus bisnetos ou netos não vão fazer ideia que eu fui como sou. E mesmo que eu lhes conte histórias sobre as minhas viagens numa cadeira que balança (enquanto fingem não mexer em aparelhos desenvolvidos de 6ª geração), e que eles vão ouvir e perceber só depois dos 25, eles não vão ver esta Joana ... que não é a Avó Joana.

Ah, só mais uma coisa. Naquele envelope ainda colocava uma cópia da letra da música da Carolina Deslandes "Para a vida toda", porque também reforça a ideia.

Quem é que não queria ver o Fernando Pessa novo, com aquele sorriso atrevido, a dizer agora "E esta, hein?"

Deixo a ideia para quem quiser pegar e tratar desta petição.








segunda-feira, 24 de julho de 2017

Ao teu lado, da tua altura, sempre.

Tu disseste que era uma grande ideia e eu segui-te. 

Saímos da piscina, dos nossos mergulhos e brincadeiras, e deitámo-nos no chão quente da rua da casa, lá na terra. 

A beleza de ser criança e a razão pela qual te amo tanto é que tu também sabes. Sabes que não tem que ser a toalha. Sabes que tem que se experimentar, arriscar queimar deitar num chão que não é para deitar, e ficar. Mesmo sendo tu tão organizado.

E foi tão bom descobrir que ali se está tão bem... Eu vou repetir.  Nunca tinha feito isto!

Para além da conversa deliciosa que surgiu daquele momento imprevisto, sobre pais, amor e outras coisas nossas (sempre deitados, de olhos molhados, uns verdes e outros verdes acastanhados) o chão, que quase fervia, foi perfeito para nos aquecer. 

Ali estávamos da mesma altura. Eu adorei ser do teu tamanho, porque é tão bom sermos do vosso tamanho. Quer de costas, quer de barriga. 

E bom, foi também o Tiago perceber, sem eu ver nem pedir, que este momento tinha que ser fotografado. 
(Obrigada)

É bom ser tua mãe, Lucas. Tão bom!!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Porque é que eu não devia fazer 40 anos

Adorei imaginar isto...

Ir à Loja do Cidadão, a um local chamado AND (Admissão para uma Nova Década).

... Tirei a senha do aparelho que dizia 40, e esperei um pouco. Estou a imaginar um sítio destes existir e haver filas de mulheres organizadas por décadas, à espera do carimbo de "Aptas".

"21!", chamou um senhor meio forte com uma farda cinzenta e um logo no bolso, por cima do coração, a dizer "Admissão 40".

Sento-me, meio nervosa. Há dez anos tive falhas... Aqui todos queremos cortar a meta e ninguém assume que, no fundo, quer chumbar e repetir alguns anos para trás...

"Nome e data de nascimento, minha senhora..."
"Joana Brandão, 8 do 8 de 1977"
"Ora então, isto são só 5 perguntas. Se responder de acordo, pode levar a certidão carimbada! Se não, vou ter que recorrer à informação que tenho nos seus registos ..."

"Muito bem, pode começar", digo eu, sabendo que vai dar molho...

"Maquilha-se há mais de dez anos, vai ao cabeleireiro em dia de casamento e faz depilação pelos métodos adequados para a sua idade?"
"Não... nunca e... não."
"Como assim?"
"Então, antes dos 30 não sabia o que era rímel ou blush; nunca estiquei ou arranjei o cabelo na vida - ponho ganchos ou elásticos meus porque acho que fica giro... Mas fui à depilação com cera, uma vez, no ano passado... Uma violência que nem lhe conto!!".

(silêncio constrangedor)

"Vamos à próxima..."

"Como se comporta numa piscina pública?"
"Oh, faço bombas - mesmo grávida, (digo contente), mortais, flic flacs e cambalhotas debaixo de água, mas é raro sair-me o biquíni...!"
"Mau... está bonito, está..
Oh Graça!? esta é daquelas que tu ias querer atender... só me calham a mim!", diz o senhor já recostado na cadeira e impaciente, comentando com a colega do guiché dos 20 anos.

Percebo que se calhar não posso dizer tudo e mudo de estratégia...

"Sigamos, foi mãe ou avó na última década!?"
"Sim, tenho um casal, fui mãe com 33 e 37 anos!"
"Menos mal!", responde, com ar de alívio.

"Terceira: como é que gere os recados da escola dos seus filhos? As consultas? As reuniões?"
"Impecável, com eles não falho!" (teve que ser, não posso repetir os 30, não lhes vou dizer que chumbei!)
"Muito bem ... também há limites, menina, não é!??!"
(Desta passou, só falta uma, mas chamou-me menina o que não é bom sinal!)...

"Vê novelas, dá beijinhos repenicados aos filhos e tapa-se com mantas fofas e quentes, no sofá?"
"Sim, com frequência! E gosto de concursos e passatempos!" (aqui sinto que tenho hipóteses.)

"Hmmmmm. Temos alguma inconsistência, vou ter que pesquisar nos registos..."

Já me lixei... não vou conseguir....

De óculos postos, a olhar para um dossiê, o senhor começa a corar e a inchar, como quem vai despedir um empregado sob o qual depositou alguma esperança... Começa...

"Já a viram sair do cinema com um placard de 2 metros com ovelhas, incluindo a choné!? Já fez baínhas nas calças com fita cola, ajustou uma saia com um clip..."
(interrompo, correndo o risco de levar com o agrafador) ... "Mas isso foi só uma vez, senhor Neves, não se repetiu ... nenhuma delas! E no cinema, pedi e deram-me!" (recorro ao nome do identificador do lado oposto do logotipo bordado, porque não acho isto justo!)

..."calças rasgadas, mala desarrumada, e ainda faz a espargata?!?! Oh meu Deus...! Isto para mim chega!"

(Quando pega no telefone, percebo que acabou ali..!)
"Sim... Costa!? Tenho aqui um caso bicudo!! Secção 40, falhas constantes e vejo agora que a Mãe dela chumba há 3 décadas, porque parece que aos 70, tem espírito de 30!! Ah, espere, tem uma irmã mais nova... Isto não vai acabar aqui!!!"

Nisto, tenho que acrescentar, com seriedade e bastante nervosa com isto tudo...

"Desculpe senhor Neves, mas eu no último ano melhorei... já não vivo sem ter o cabelo pintado, as unhas pinto-as com regularidade, até em manicures, pagando; só não me maquilho quando vou à praia; uso saltos, faço sopas boas, e durmo mal demasiadas vezes!!"
(Fui sincera, há limites.)

Em silêncio, pousa o telefone, e o tom vermelho da face passa a rosa-velho.(para mim, um verde-esperança...)

"Ah, e mais uma coisa!!! (digo eu, arriscando tudo) A minha filha já se maquilhou e só tem dois anos!".
Aqui suspiro, dei tudo...

O senhor acalma, pousa o telefone, expira intensamente e diz com um ar esgotado e os olhos vermelhos: "Menina.... eu vou passá-la e dar-lhe uma oportunidade de ser uma mulher que digne os seus 40 anos. Agora siga, e leve o seu papel daqui!"

(Dedicado às minhas amigas e todas as meninas e meninos de 40/ 50/ .... anos que se comportam como se tivessem 20 ou 30 ou 15 <3. Obrigada Mãe por nos dares o melhor exemplo do mundo!!!!)

E é isto, a poucos dias de apresentar a certidão.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Tenho sono, basicamente sempre.

Hoje por exemplo, não conseguia escrever sobre praia...

Um dia falei no blog do livre trânsito para Sleeping, porque realmente, sublinho, tenho mesmo jeito para dormir.

Sei dormir no metro, mesmo quando toda a gente já saíu e já estamos (eu e os maquinistas) a caminho do túnel final... medo.

Sei dormir até nos semáforos. Haja óculos escuros para disfarçar... Eu durmo nos aviões contorcida. Qualquer sítio serve, quando temos este dom.

Isto acontece desde que me lembro de existir. A minha mãe tem um desenho guardado, que fiz quando era pequena sobre o que mais gostava. Não era praia, nem os pais, nem brinquedos. Desenhei uma cama, pois claro.

Como presente de ser Mãe a vida não me ofereceu roupa nem enxoval. Ofereceu-me dois filhos perfeitos e maravilhosos... até às 23h. O Lucas já cresceu, dorme bem, são 24h de amor puro.

Já a mais pequena, a princesa fofa, a partir das 21h30 o nível de fofura vai reduzindo, atingindo novamente os níveis normais às 8h. Ainda estamos (lembro que tem 34 meses, cerca de 1020 noites) em modo "como será esta noite?"... Sei que a carne da Mãe é fraca, e que a culpa é muito minha porque desde cedo, podia ter tentando ...blá, blá, blá ..... Sei isso.

A realidade é que estamos numa fase de alerta apenas laranja, em que em 7 noites da semana, 1 é inteira. UUUUUh!!! Quase igual a uma raspadinha onde saiem 10 euros! É bom. Mas eu queria mesmo o prémio máximo, okeei ? (como ela agora diz sempre)...

Antes de ontem, a noite foi das que dormi bem, penso que foi a noite toda, por isso já fui para a cama ontem, sabendo que duas raspadinhas na mesma semana não é para mim.

Bom, mesmo bom, é quando me deito e a Inês acorda logo pelas 1h (não faço ideia que horas são, o meu cérebro não consegue funcionar). Ontem foi o caso, jackpot mas ao contrário...
Sendo pequenina, tem os seus motivos válidos para acordar: água, chichi, medos, tudo. Compreendo... quer dizer...

Se o Pai lá vai, não serve, ela quer a Mãe. E lá começa o turno, lá vou eu a tentar não bater com o nariz nas paredes e portas daquele caminho maravilhoso que ainda não consigo fazer de olhos fechados, com pena minha. Foram vários os motivos apresentados pela fofa, e os argumentos eram fortes, com aquela cara mais fofa a dizer (depois de tudo) "Qué i pá pama da Mãe e Pai!"... Teoricamente não gostamos que venham para a nossa cama, a não ser para as macacadas matinais de fim de semana, que são maravilhosas. Mas entre as 00h e as 8h a cama é nossa, ok menina?!!!???

Na prática, com o cérebro a dormir, os olhos bêbados e a boca sem conseguir articular grandes frases, a resposta por vezes é qualquer coisa como "está bem, mas não pode ser assim Inês", num tom do mais sério que deve haver às 2h... e lá vem a fofa, com aquele sorriso tipo "tomaaaa, consegui outra vez...". O Pai não gosta, com razão, ela encaixa no meio de nós e pronto.... entre pontapés na cara, no estômago (só a mim claro), braços que pareciam pequeninos até às 21h30, tudo acontece com aquela fofura mais fofa do planeta, que acorda com a cara mais fofa do planeta também....

Durmo mal (1021...), o Pai dorme mal e depois temos que acordar frescos e fofos pelas 7 e tal. E hoje, para além de preparar idas à praia às 8h, o carro está com um problema e tive que ir de autocarros vários levar a Inês à escola e depois ir a pé e depois bus para o trabalho... Sair de casa pelas 8h30, e chegar ao trabalho pelas 10h10.

Vinha no autocarro da pontinha para cá, a pensar com olhos meio fechados e a tombar para a janela do mesmo, com tanto sono que tinha "agora desviava para casa, tirava a sandalinha e deitava-me sem avisar ninguém, e dormia até setembro, mais ou menos." Ok? Extravagâncias de quem ganha o prémio máximo... É impossível, eu sei.

Outras noites acordo só para tapar, ou dar água, ou levar o Lucas à WC, mas isso eu já consigo fazer quase a dormir, e corresponde a uma raspadinha que custou 2 euros onde ganho os mesmos 2 euros. Não é mau.

Existem placas metálicas para colocar num colar que as pessoas que têm alergia a abelhas usam com essa informação, para o caso de algum episódio... Eu vou fazer um colar desses a dizer "tenho sono, ok?" só para o caso do maquinista ou o senhor do autocarro me virem a babar num canto do transporte, sem qualquer dignidade.
E para mostrar quando chego ao trabalho e digo um bom dia alegre, mas depois bato com a cara na porta ou fico com a presilha das calças presa ao puxador, ...  e não me gozarem. É só mostrar a placa.

Do outro lado da placa ponho o número de contribuinte, porque não há paciência para estar sempre a repetir para todo o pingo doce ouvir... Se me enganar e mostrar o "tenho sono ok", penso que também vão perceber. Sai recibo, só.

Eu sei, isto está a descambar, mas é porque (mostro-vos a placa metálica.)
Obrigada e bom dia.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Praia e mais praia!

A praia merece que se escreva sobre ela.
Se existissem mais férias, o destino que escolhia era a praia. A praia é um sitio especial, saudável, gratuito, cheio de características que todos deveriam conhecer.
Aqui ficam 8 coisas que associo à praia e originam um sorriso, só de pensar:

1. Começo já pela recordação de estar na praia há muitos e muitos anos e passar um avião que largava T-shirts!! Siiiiiiimmmmm, choviam T-shirts na areia e no mar!! E lá íamos nós a correr em direção a um saco de plástico, quais fãs do Mikael Carreira na abertura dos portões no Meo Arena... Muito mais especial, aliás, porque corríamos só pela graça do momento e com a certeza de que o motivo era uma camisola XL branca que nem para dormir servia! Era lindo ver a cara dos 20 vencedores todos molhados e cansados mas com o troféu na mão, felizes da vida! Tenho saudades disso........

2. Saudades de ir ao banho com a minha irmã fazer macacadas divertidas e de, dentro de água, sermos mais leves e dar para pegarmos uma na outra ao colo para todas as acrobacias e tonteiras possíveis. Tenho também saudades de aprender a nadar com o Pai e de tudo o que eram as nossas férias em família, perfeitas para nós. Agora percebo a expressão e a forma de nos agarrares a mão naquelas ondas já maiores, onde parecia que te estavas a divertir mas agora sei que também era sinal de uma tensão disfarçada, de Pai.
No ano passado, estive muitos minutos na Praia Dona Ana a observar uma Avó cheia de pinta agarrada a dois netos, que deviam ter 10 anos, a levarem tanta pancada das ondas, com uma diversão verdadeira que, mesmo tirando o fato de banho à avó de duas em duas ondas, estava a dar tanto prazer àquela tripla, como a mim deu. Quero ser assim! O mar é maravilhoso. Desconfio que se o mar não tivesse som, o que se ouvia eram gargalhadas ...

3. Maravilhoso também é chegar do mergulho que foi dado a correr (porque a vida é para se mergulhar e não para se ir molhando os pés, pelo menos no Algarve) e deitar na toalha seca e direitinha. Aquela sensação de quente e fresco ao mesmo tempo, do cheiro a protector da toalha e de relaxamento puro... é único. "Era", porque já não acontece há 6 anos :p Acrescento o som que este momento tinha: as ondas, a espuma e o barulho das pessoas. Delicioso.

4. As bolas. Depois do momento 3., a vida passa a ser perfeita quando ouvimos aquele sino/ ou aquelas palavras que lembram o Pavlov. Salivar é o termo! Sem creme, com creme, de alfarroba, de chocolate: pode ser uma de cada, se faz favor!!!! No outro dia pedi uma bola na praia e afastei-me da família para comer sozinha, uma bola só para mim, às escondidas... A mãe, antes de ser mãe, é uma pessoa normal, perdoem-me...

5. O fim de tarde e o por do sol... Depois do almoço, sesta, digestão, regresso à praia, é maravilhoso ficar, ficar, ficar até já só haver sombra, gaivotas e areia fria. Adoro. (Mas nada como os fins de tarde na praia de Vale Figueiras com amigos, onde (sem ver as horas) seguíamos para o restaurante cheios de areia e íamos dormir, só de madrugada... :)

6. Passar de filha para mãe tem coisas más, mas tem sobretudo coisas boas. Antes, era só preciso uma toalha, um protetor e uma sandes, e a coisa estava completa. Agora... ui, agora é um camião de coisas que vai connosco. Mudas de roupa, bonés, chapéu de sol tipo tenda, protetores vários, toalhas a dar com um pau, brinquedos, comidas frescas, água, telefones, e muito muito mais. Todos os anos rompo o saco de praia. Tenho mesmo que tentar aquele das rodinhas de ir às compras, para mais de 65 anos.

Mas confesso que, apesar de tudo, adoro!! Um dia de agora, passou a ser uma semana do antigamente. Chegar ao fim do dia de rastos e cheia de areia porque ninguém reparou que só eu é que não tive tempo para tomar banho, e chegar ao fim das férias e pedir baixinho para algum Deus mais atento ... "precisava tanto de férias"... E mesmo assim adorarmos tudo, até a procura de lugar para estacionar o carro e depois sentar em bancos a ferver, cheios de areia (sem o Pai ver).

Mãe Zita, agora percebo porquê o cansaço das malas, das férias! Agora me lembro que a expressão era de mil coisas para fazer, para nós podermos gozar as férias. "Ai, ai, quem me dera ser Pai!", dizia muitas vezes:) Eu repito tanto:)

7. Os meus anos. Eram bons porque eram os meus anos. Mas fazer anos em Agosto é chato. Não houve festas com colegas da escola (acho que só uma). Houve, sim, festas com vizinhos da praia, os primos que lá estavam, a Marta, a Telma, os meus irmãos, o João Gonçalo e a Irema, que fazia anos perto de mim. E já não era mau. Pelo menos ficávamos sempre bem nas fotos, sempre morenos:)

8. Para terminar é maravilhoso ver os nossos filhos a viverem e aproveitarem tudo isto. Sermos nós as chatas que põem protetor à força, que mandam por o chapéu 1000 vezes, que nos rimos aflitas com os trambolhões nas ondas, que esticam 20 vezes cada toalha por hora, que têm que se lembrar de tudo e mais alguma coisa senão há reclamações por escrito. Tudo para aproveitarmos mesmo bem este espaço maravilhoso que este planeta criou para nós: a praia!

(Nota que não é um ponto 8: não acho bem comparar praia com piscina! É quase o mesmo que dizer que é melhor comer camarão com garfo e faca, do que com as mãos.... vá lá, praia é muito melhor!)

Podia ficar aqui muito tempo. Vou antes gozar estas recordações e contar os poucos dias que faltam para as férias <3 BOAS FÉRIAS!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Pelos Aires, tangando e vivendo.


(Nota: deve ser porque estou a chegar aos 40, metade da vida (espero) que ando em jeito de balanço e venho aqui registar algumas experiências que me fazem sentir feliz e realizada.
Nota da nota: com humildade e um sorriso verdadeiro, obrigada pelas 5000 visitas e por gostarem de me ler <3)

Depois deste instrumental, que comece a letra da música...

Está a fazer 10 anos que terminei uma tarde de verão na esplanada do NOOBAI, com a Susana.

A vista era a do Adamastor: linda.
O pôr do sol, esse foi único, porque nele surgiu uma das conversas de que mais gosto: combinar viagens e loucuras ... que depois se concretizam.
Não foi a primeira, nem será a última.

A fase era difícil, o cansaço gigante - de um trabalho maravilhoso que me fez dar tudo. Precisava de parar e de viajar, outra vez.

Eu queria ir para o Brasil e a Susana para a Argentina. Já andávamos cada uma a procurar um trabalho de curta duração e a ver casas...

Foram precisos poucos minutos para decidirmos que íamos juntas para a Argentina... A Susana, que adorava (e adora) planear viagens, continuou a pesquisa de ONG para voluntariado e casas para alugar.

Eu organizei a minha vida, fiz uma pausa respeitada no meu trabalho, peguei na mala vermelha que umas grandes amigas me deram no 30° aniversário e, em meados de outubro de 2007, estava em Buenos Aires.  A Susana era uma amiga recente com quem tinha trabalhado na Amnistia no início desse ano.
Dois meses perfeitos, com regresso marcado antes do Natal.

Quisemos dar um sentido à viagem, escolhendo a organização LIFE para fazer voluntariado, novamente com crianças. Inesquecível. Difícil, violento, pesado. Autênticas favelas onde o cinzento era a cor de fundo: lixo, cimento e vidas. Faltava cor em tudo.
...

Para mim, tinha ainda que haver tempo para outro sentido nesta experiência na Argentina: aprender a dançar Tango!
E assim foi...

Quando penso neste período, lembro-me de uma vida perfeita, apesar do confronto com alguns problemas.
Caramba, foi mesmo bom...

E ainda houve tempo para a Patagónia e as Cataratas do Iguaçu. A vida por vezes dá-nos oportunidades incríveis. Tive a sorte e a vontade de aproveitar várias.

Partilho para já este arranque de mais uma aventura, na esperança que sirva de empurrão para alguém.

Só nos arrependemos do que não fazemos e não há sentimento mais vivo do que arriscar viver!!! Pelos Aires, pelo Alentejo ou pela Ásia, viajar faz bem.

Está aberta mais uma porta da minha vida que fico feliz por partilhar. <3

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Jamaica, uma mulherzinha com 2 anos

... continuava em Cabo Verde, quando a conheci.

No segundo mês, depois de terminado o primeiro desafio no Lar, começámos a trabalhar nos mesmos horários, num registo menos preparado, numa sala de uma escola primária, num bairro não muito longe de "casa".

Neste caminho que fazíamos de manhã, reforcei a ideia de que a natureza trata de nos adaptar às circunstâncias em que vivemos, senão o Tony não conseguia passar descalço por cima daqueles vidros todos... Quando se tem que andar descalço, os pés ganham uma sola natural. Desconhecia.

Devia ter 12 ou 13 anos e fazia parte dos rapazes do lar. O Tony era mais difícil... Outro olhar, outro passado.

Chegou a fugir do lar e cruzar-se novamente connosco quando íamos fazer a viagem de barco de 12 horas, entre a ilha de Santiago e a de Boavista, para irmos ao Festival de música Baía das Gatas, mais perto do fim destes dois meses.

Uma viagem de barco em que vimos peixes voadores (iguais aos vermelhos das escadas rolantes do Colombo - lembro-me sempre) ao chegar ao Mindelo.

Mal sabia que íamos a casa da Cesária Évora, partilhar alguns momentos de conversa com a cantora de "Sôdade", que tanto sinto.

Nessa viagem de barco lembro-me de outra coisa bonita. Debaixo do luar que serviu de teto para algumas horas de "sono inclinado", cruzei-me com duas raparigas que cantavam lá fora, de pé, viradas para o mar. Gostei do momento e gostei do facto de uma delas usar um fervedor de alumínio para ampliar o som da voz.

Ali podia não haver muitos sapatos, mas havia tudo.

Voltando à Jamaica da Assomada...

Com a idade que eu tinha, a frase que a Mãe dela me disse, um dia, quando passei "Não quer levá-la?!" não me marcou tanto como hoje, quando penso nela.

A vida, dependendo do sítio onde nascemos, faz-nos funcionar de forma diferente. É diferente a vida, a infância, a maternidade, as ambições, as necessidades, as prioridades... Foi das maiores aprendizagens que trouxe. E há comparações que não podem ser feitas...

A Jamaica tinha 2 anos, tal como o Nuno. Eram os mais novos do grupo com quem trabalhávamos.
Mas ela tinha uma graça especial.

Os miúdos que vinham às nossas actividades passavam muito tempo na rua. Naquelas ruas, pareceu-me que se crescia muito mais rápido do que nas que eu conhecia, cá.

A Jamaica andava por ali. Subia escadas sozinha e descia pelo corrimão, como os outros... Atirava a bola com uma facilidade que eu não tinha, na idade do Batista.

A Jamaica tinha um ar exótico e rebelde, mesmo sendo uma mulher pequenina.

Marcou-me por ser despachada, por se safar bem ... porque tinha que se safar.
E tinha um sorriso muito vivo, que veio comigo numa foto.

Agora penso que a Jamaica era, na verdade, uma bebé da idade da minha filha Inês. Uma mulherzinha.