(pode ser a propósito do dia dos avós, ontem)
A velhice é uma estupidez.
Devia haver alguma forma de lóbi, através da entrega de uma petição e manifestações públicas, para alguma entidade fazer alguma coisa em relação a isto. "Velhi-ce não, pra jovens de coração!" (gritava-se isto na rua)...
Bem sei que se fôssemos todos vivos para sempre, seria estranho, não havia espaço e a "generation gap" seria uma verdadeira loucura, misturando pessoas que escreviam em paredes de grutas (com pedras afiadas) sobre caça, com adolescentes com cabelo nos olhos a escrever no messenger de um iphone 7 à velocidade da luz e no final fazerem um gesto de "gap" (aquele com os braços) capaz de vazar uma vista a alguma senhora do século XVII que por ali passasse toda arranjada, com um corpete apertadíssimo ...
Uma grande parte das pessoas devia (num guichê de Sr Neves ou não) ter autorização para permanecer jovem, de corpo e pele, quando são também jovens na mente, para sempre (se é para pedir, pedimos tudo!).
A mentalidade em muitas pessoas não envelhece e a proposta de petição teria o título: "corpo igual à mente, é justo que vá para a frente!" ou "...é justo que seja para sempre!" (tão parvo...).
Ainda hoje a minha Avó Alice, com 91 anos, diz "quando me vejo ao espelho não reconheço aquela pessoa, não sou eu!".
A capa do meu telemóvel diz uma frase que adoro "se puedes sonarlo, puedes hacerlo". Junto com a petição com milhares de assinaturas, enviava esta capa no envelope, podia dar alguma força ao conteúdo. (para que é que inspiram as pessoas com estas frases, se depois são treta!??!)
Pessoas como a minha Avó Conceição, que teve 13 filhos e tem hoje uma família com dezenas de bisnetos (somos mais de 80 no total), devia estar viva para conhecer a criançada toda, querida, que temos na família. Família que só existe graças a ela e ao meu avó. 1+1=80!!!
Não vou falar de mais pessoas, porque é muito duro pensar... Mas são tantas.
E nem falo do desfecho da morte e do "adeus para sempre" às nossas pessoas...
Quem inventou isto, devia estar a ver alguma série na televisão ao mesmo tempo e, na parte em que o mau da fita quase morre, disse ao seu assistente que escrevia o destino do universo numa máquina de escrever barulhenta: "sim, podem morrer no fim". E assim ficou escrito para todo o sempre. Está mal.
E só podia ser um homem, porque não conseguiu fazer duas coisas ao mesmo tempo, como deve ser!!
Uma mulher conseguia ver a série, soltar uma lágrima e ainda ditar com clareza um "claro que não podem morrer no fim, encontra-se outra solução!". E tudo mudava.
Se esta parvoíce fosse realidade, o que eu queria era jantar com a minha Mãe e as minhas Avós, e termos todas 39 anos. Brindávamos aos 40 das 4, num restaurante giro por aí... <3
Acho tão mau quando passamos por pessoas mais velhas e olhamos para elas como "velhotes"! "tão querido", "deixem sentar, coitadinho", "já não sabe o que diz!"... Se me disserem isso quando eu for velha faço uma asneira com os dedos e talvez chame um nome alguém...
Que falta de respeito mandar sentar se a senhora se calhar só quer ir em pé no autocarro para ver o rio lá fora ou um homem giro que vai sentado lá atrás...
Aquela senhora que mal anda e tem a cara cheia de riscas na pele, foi como eu e como a Inês (fofa). Se calhar foi a maior doida do grupo de amigos e, no verão, era a que dava mais "mergulhos a correr"...
Nós precisamos de aceitar o mundo como ele é, para não nos incomodarmos com o que está para vir.
Mas está mal.
... Só num jantar destes, é que eu podia conhecer estas três importantes mulheres, como elas são.
Os meus bisnetos ou netos não vão fazer ideia que eu fui como sou. E mesmo que eu lhes conte histórias sobre as minhas viagens numa cadeira que balança (enquanto fingem não mexer em aparelhos desenvolvidos de 6ª geração), e que eles vão ouvir e perceber só depois dos 25, eles não vão ver esta Joana ... que não é a Avó Joana.
Ah, só mais uma coisa. Naquele envelope ainda colocava uma cópia da letra da música da Carolina Deslandes "Para a vida toda", porque também reforça a ideia.
Quem é que não queria ver o Fernando Pessa novo, com aquele sorriso atrevido, a dizer agora "E esta, hein?"
Deixo a ideia para quem quiser pegar e tratar desta petição.
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