Futilidades: este é o vosso momento.
Gosto muito de roupa e sofro do síndrome da poupança, por isso quando chega o fim de junho, celebro juntamente a chegada do verão e a dos saldos!!!! É nesta altura que me dá gozo comprar muito e gastar pouco.
Aqui ficam 8 comportamentos que adopto em época de saldos:
1 - começo logo por olhar para o meu subsídio de férias, em junho, e pensar: "vocês os dois, sentem-se ali que são para a poupança; tu, ali quietinho, à espera das férias do verão.... e tu, oh pequenote gorducho... arranja-te e vem comigo!"
2- evitar ir aos saldos com crianças (exceto o pequenote gorducho) para não ter que procurar os filhotes nos cabides em círculo, tipo carrossel, no meio das t-shirts básicas de 5,99 eur (felizmente são as mais baratas) e chamar-lhes a atenção baixinho... "não deixem cair nada" .. evito ralhar porque eles não têm que aguentar ver aquelas rodas coloridas e mesas de sapatos e prateleiras de malas sem lhes limpar algum pó. Normal, até eu tenho vontade de o fazer.
3- tentar ir aos saldos sozinha, sem pressa. Estava a brincar ... isto é impossível!! Sou especialista em ter 30 minutos para comprar os sapatos que o Lucas precisa, um vestido giro para a Inês, uma t-shirt cool para o marido e uma camisola barata e gira para mim, porque preciso sempre de um trapinho novo... Ou, com sorte, os mesmos 30 minutos para comprar vários trapinhos+acessórios para mim (yupi!!).
4- trocar e trocar... quando vou sozinha e com pressa, corro o risco (elevado) de trazer coisas que não servem ou não são do agrado dos clientes lá em casa (porque vou deixando que as crianças tenham gostos e opiniões e lá aceito que não queiram aquela camisola liiinnnnddaaaaa que eu comprei). E como eu não experimentei, só vejo em casa que aquela camisola linda com um laço a fazer de cinto, nem nas orelhas me cabe!! Depois é ver a minha mala na sua versão "saldos", ou seja, com o dobro da papelada que tem normalmente, mas agrafada e divida por lojas.
5- aproveitar para comprar presentes de aniversário para os próximos meses... E lá estou eu, nas lojas, a desenrolar um calendário mental na minha mente despenteada, e a ver "agosto: mãe, sogra, João, Diogo.... setembro: a,b,c,d.....!". Ainda não me deu para comprar para o Natal, mas ainda estou a ponderar, porque as malas e carteiras dão com chuva, também...
6- comprar peças que não preciso... "tão barato!!! só 3 euros um vestido?!?!... até é giro e fica bem com aquelas sandálias que comprei na semana passada!" E depois, passado uns meses, lá o encontro triste e só, num canto do guarda-roupa a choramingar porque não foi aquilo que lhe prometi... e pior, nem sei o nome dele, porque nem me lembrava que estava lá... (aqui faço aquele papel de "miss mundo" e digo que dou alguma roupa todos os anos, para calar a senhora consciência dos óculos - conhecer em baixo).
7- por em prática o espírito de feirante: adoro vasculhar em montes de 5,99, 7,99, 9,99 e explorar todo um mundo de oportunidades... pegar em 12 peças, experimentar 11, servirem-me 9, ficar indecisa entre 3 e depois levar 2 até à caixa e acabar por comprar apenas 1, porque apesar da loucura dos saldos, (felizmente) há uma senhora consciência que vive em mim (pequenina, de óculos, séria, que me mantém com os pés na terra e me vai dizendo baixinho, entre a secção de criança e a trafaluc: "poupar para o caso de acontecer algum imprevisto! consumismo com peso e medida, ok menina?".. e lá venho eu, percebendo que o que gosto mesmo é daquele espírito tribal do tira, vasculha, pensa, experimenta, decide e não leva quase nada... várias vezes ;)
8- por fim, sentir-me uma adolescente gira, em frente ao espelho no nosso hall, a experimentar roupa nova, a misturar com outra mais velha, enquanto tenho o jantar a fazer e os miúdos a chamarem-me e a correrem por baixo das minhas pernas. E ainda arriscar perguntar ao Lucas, numa tentativa de pausa: "fica-me bem?" e ele, honesto que é, responder sem perder um único segundo e com aquele ar "distraído-sensível": "não", continuando a correr atrás da Inês por causa de um cromo dos invizimals...
Pesando bem, no final, entre o que gasto e o que poupo, acredito sempre que compensou, não arriscando fazer as contas nunca.
(Deixo ainda um desejado ponto 9: um dia hei-de ter coragem para pedir à rapariga da caixa para me deixar chamar um colega pelo micro... Sonho poder dizer para toda uma grande superfície: "uma menina de criança à caixa de homem!", "Carla chamada à caixa de senhora" ou até mesmo "patinadora à caixa central!!". Esta futilidade pode não ser nos saldos.)
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