segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Maria, a última opção

Novamente, a escola...
Quando tivemos que decidir sobre as 5 opções de jardins-de-infância para o nosso filho, numa lista grande de alternativas, sem referências nem conhecimento suficientes, a escolha teve a ajuda de um ex-colega, que encontrei por acaso numa feira de Natal da junta de freguesia, no ano passado, perto da nossa recente casa.
Na hora da decisão, largos meses depois, foi ele que me orientou sobre algumas escolas, que conhecia.

A espera pelo resultado foi longa... "ele é de Outubro, vai ser difícil!", diziam várias pessoas..."mas como é para o pré escolar, tem que entrar!"...

Quando chegou o dia da afixação dos "colocados", corri três agrupamentos, de dedo apontado, descendo listas de nomes... Lucas, Lucas, Lucas... Havia alguns, mas não o meu.
Seguiram-se muitos telefonemas, idas a secretarias, consulta à antiga DREL, atual DGEE, listas de espera, critérios de seleção, leis, promessas, conversas ocasionais com amigos e alguma ansiedade... 

"Ele tem que entrar" aconchegava-me, mas não era o nome de uma escola.

Depois de algumas semanas, no meio de um jardim, no meio das férias, no meio de agosto, no meio de Vila Nova da Barquinha, o telefone tocou ... "é para informar que o Lucas entrou na última opção!"
Misto de sentimentos e dúvidas: "Pelo menos entrou! ... Última opção?! ...O importante é a educadora! ... O que vamos fazer?"...

Vamos aos "felizmentes".

Felizmente a Filipa conhecia uma amiga de uma amiga que tinha o filho nesta nossa última opção. 
Felizmente o ex-colega disse-me que havia lá educadoras boas "...mas se for a Maria podes ficar tranquila da vida!".
Felizmente falei com a amiga da amiga e o filho estava com a "excelente" Maria.
Felizmente decidimos aceitar a vaga e arriscar pedir para ele ficar com este menino e com esta Maria. Felizmente ele ficou.
Tudo porque felizmente, em agosto, uma professora do agrupamento da última opção, decidiu antecipar-se e tratar das listas de espera, porque lhe preocupavam estes pais...

Quem é afinal a Maria?
Uma educadora com cerca de 60 anos, descontraída e sorridente, que vai de bicicleta para a escola, é alérgica ao leite de vaca e que contou a história do toiro que engoliu um menino do tamanho de um grão de milho e que (felizmente) deu um pum e o fez sair...

Muito obrigada a todas as pessoas que nos permitiram chegar à última opção: a Maria! Estamos, de facto, tranquilos da vida.

(hoje, quando levei o Lucas à escola, a pé - pois é mesmo ali pertinho, levei também um sorriso nos lábios e o braço direito cansado, pois ele falou e saltitou o caminho todo. Até ouvi um "já estou habituado!" que ele disse, baixinho, para ele...)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Heróis de um metro

"Olá eu sou a Joana, a mãe dele... queria agradecer-te!"
Foi isto que me apeteceu dizer hoje ao Iron Man. Pouco mais de 8 cm tem este super-herói, que me aconchega a alma, pois acompanhou hoje o nosso filhote à escola... e ficou lá com ele.
Ontem foram três skates com luzes, com sensivelmente o mesmo tamanho, mas era ridículo agradecer-lhes ...

Depois de duas semanas em que deixámos o nosso filho a chorar no novo jardim de infância, e deixámos também o nosso coração torcido de sofrimento, ontem e hoje, confirmámos a nós mesmos que valeu a pena repetir, vezes sem conta: "Vai correr bem!"
Já não houve lágrimas e o nosso coração voltou à forma normal, ou quase... Agora sim, sinto que o deixo num "jardim"!

Às mães e pais que passam pelo mesmo, desejo força e persistência. É tão difícil termos que os arrancar de nós, virarmos costas e sermos rijos quando o que nos apetece é ficar em casa com eles ao colo, como se tivessem alguns meses apenas.
Sobretudo, como em tudo o que os envolve, é difícil nunca termos a certeza absoluta se estamos certos ao dizer "Vai correr tudo bem!", mesmo que gostemos das pessoas que ficam com eles.

Eles são, afinal, os heróis de um metro que, mesmo cheios de medo, sem conhecerem aqueles adultos, crianças, rotinas, espaços, horários e regras novas, conseguem deixar de chorar depois de virarmos costas e enfrentar estes desafios, durante dias...

São desafios normais? Sem dúvida, mas agora são os nossos filhos que os vivem.