segunda-feira, 16 de abril de 2018

A nossa medicação atual

Já houve anos em que havia melhor saúde, tempo para tudo e bons hábitos. Dias em que bastava querer e sentávamo-nos no sofá em modo "comando da tv + ver tudo e mais alguma coisa". Havia tempo para sair com amigos, fazer disparates, desabafar, rir e chorar até nos apetecer...

Agora (leia-se pós-parto) o tempo voa, a vida gira à volta dos nossos filhos e são eles que nos comandam a nós...

Tomamos, por isto, doses diárias de remédios para compensar algumas carências de nutrientes vitais que vão fazendo falta... Já tomámos várias nem sempre em sintonia. Agora tomamos a mesma, o que facilita.

Atualmente esta é a medicação que fazemos depois do jantar cá em casa, quando deitadas as crias:

- This is us: uma vez por semana, porque chegámos atrasados e a RTP lá teve a noção da quantidade de gente que ficou à espera de ver a famosa série de que todos falavam... Esta medicação serve de terapia... Essencial ... Compensa falta do tempo e desabafo entre amigos. É como estar em frente a um álbum de fotos de infância, em sessões de terapia de casal e na wc sozinhos a chorar os problemas dos últimos seis meses... Tudo num só xarope semanal. Faz bem à alma. Parece que eles somos nós e nós somos eles. Uma medicação que nos limpa por dentro. É maravilhoso e ambos adoramos.

- Casa de Papel: restantes vezes por semana quando há tempo e pouco sono... Esta é a medicação indicada para carências de aventura, disparates e pecados com pinta... A casa de papel é o café onde nos encontramos com os amigos para dizer disparates sem nexo e beber uns copos... Sem sair do sofá. É a série cheia de personalidade, é o culto da adolescência rebelde, onde queremos ser a Tóquio ou o Berlim num sonho daqueles em que vale tudo e depois acordamos com chuchas e fraldas na cara. Obrigada Netflix e Professor por nos fazerem sentir fora da caixa durante blocos de 45 minutos intensos...

E pronto, "isto somos nós" na nossa "casa de papel" reciclado... Vamos ver o Denver a rir-se que nem doido, a Nairobi a matriarcar e a Raquel a por o lápis no cabelo para ferver de raiva... E esperar para amanhã ver como está o pai do Randall e sentirmo-nos na pele do Jack+Rebecca, contentes por não termos ido ao terceiro...

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Já nem conseguimos conversar...

Querido Sol,

Sou de agosto e sempre gostei de calor.
De calor e da tua luz...

Já falei de ti várias vezes neste cantinho.
Falei de praia, falei de viagens, falei de gavetas, falei do Rio.

Onde tu estás, eu estou bem.

Mas ultimamente já quase não falamos.
Passou muito tempo desde que estiveste por perto... e ficaste.
Já não ficas. Espreitas e sais logo...

Quando sais, aquele escuro com nuvens deixa-me triste.
A roupa não seca, os miúdos não podem brincar 10 minutos no parque e mesmo há hora de almoço não consigo ter-te comigo do início até ao fim da rua onde trabalho.

Está tudo bem? Queres falar? Podes ficar?

Sei que estiveste em Zurique e em Viena porque vi fotos tuas com amigas. Trazes tantos sorrisos contigo, és mesmo especial...

Passou tanto tempo desde a última vez, que parece que até fico deprimida...

Volta por favor...está a ser mesmo difícil e não é só para mim... Tu mudas os nossos dias, o nosso humor, a nossa vida. Tudo isto é melhor contigo.

E, já agora, traz contigo o calor em doses suficientes para podermos tirar casacos e por os óculos escuros e os pés na areia, ok?

Adoro-te!

Tua,
Joana