Nota prévia: adoro o Natal, adoro sonhos e adoro sonhar, adoro presentes e adoro comprar e dar, mas também gosto de alguma dose de realidade daquela, onde o Natal não é feliz nem é verdade.
E por isso, quando o Pai Natal estiver a descansar, depois das viagens pelo mundo católico e algo materialista, com as renas a arfar de tanto km de céu percorrido, e quando os caixotes estiverem cheinhos de papel de embrulho rasgado, conto ir falar com ele...
Não vou vestir nada de especial, não o vou tratar por Pai e não vou preparar discurso, mas levo uns apontamentos ...
Depois de quebrar o gelo e, claro, aceitar um chá e um biscoito de gengibre (diria que ele é simpático e acolhedor) explico que adoro o Natal, mas acrescento...
- que o Natal é Magia, mas cada vez me faz menos sentido isto de encher chaminés e crianças de prendas e, depois, ruas e sacos de papéis coloridos sem cor de reciclagem e destino à vista;
- que o Natal é Paz, mas no nosso mundo existem cidades sem acesso a comida e onde a guerra está a matar à fome milhões de pessoas e a sufocar os direitos humanos; mundo com crianças que não têm escola onde aprender a ler; mundo cheio de liberdade presa e extremismos a crescer... Tudo no século das tecnologias e dos empreendedorismos;
- que o Natal é Família, mas damos demasiado valor ao preço das prendas e menos aos abraços e ao tempo sem telemóvel à mesa (acuso-me);
- que o Natal é Amor mas, para mim, não daquele paternalista em que, sobretudo agora, temos "pena" dos "coitadinhos" e queremos todos ajudar mas nem sempre (talvez soe mal dizê-lo) com o respeito e o olhar certos;
- que o Natal é Alegria mas........... (e isto vou ter que lhe perguntar)...... ainda não me explicou porque é que, num ano apenas, o Lucas partiu o pulso e a cabeça, o Vasco partiu o pé e a Inês fofa partiu agora o braço, que se encheu todinho de "gesso", palavra que me parte o coração.
E agora, depois de anotar isto tudo e lembrar o lado parvo do Natal - porque ele existe, vou preparar o nosso e embrulhá-lo bem com a magia, a paz, o amor e a alegria possíveis. E, em família, tentarmos valorizar o verdadeiro presente de estarmos todos bem, juntos e com saúde ...
Feliz Natal.