Nota prévia: adoro o Natal, adoro sonhos e adoro sonhar, adoro presentes e adoro comprar e dar, mas também gosto de alguma dose de realidade daquela, onde o Natal não é feliz nem é verdade.
E por isso, quando o Pai Natal estiver a descansar, depois das viagens pelo mundo católico e algo materialista, com as renas a arfar de tanto km de céu percorrido, e quando os caixotes estiverem cheinhos de papel de embrulho rasgado, conto ir falar com ele...
Não vou vestir nada de especial, não o vou tratar por Pai e não vou preparar discurso, mas levo uns apontamentos ...
Depois de quebrar o gelo e, claro, aceitar um chá e um biscoito de gengibre (diria que ele é simpático e acolhedor) explico que adoro o Natal, mas acrescento...
- que o Natal é Magia, mas cada vez me faz menos sentido isto de encher chaminés e crianças de prendas e, depois, ruas e sacos de papéis coloridos sem cor de reciclagem e destino à vista;
- que o Natal é Paz, mas no nosso mundo existem cidades sem acesso a comida e onde a guerra está a matar à fome milhões de pessoas e a sufocar os direitos humanos; mundo com crianças que não têm escola onde aprender a ler; mundo cheio de liberdade presa e extremismos a crescer... Tudo no século das tecnologias e dos empreendedorismos;
- que o Natal é Família, mas damos demasiado valor ao preço das prendas e menos aos abraços e ao tempo sem telemóvel à mesa (acuso-me);
- que o Natal é Amor mas, para mim, não daquele paternalista em que, sobretudo agora, temos "pena" dos "coitadinhos" e queremos todos ajudar mas nem sempre (talvez soe mal dizê-lo) com o respeito e o olhar certos;
- que o Natal é Alegria mas........... (e isto vou ter que lhe perguntar)...... ainda não me explicou porque é que, num ano apenas, o Lucas partiu o pulso e a cabeça, o Vasco partiu o pé e a Inês fofa partiu agora o braço, que se encheu todinho de "gesso", palavra que me parte o coração.
E agora, depois de anotar isto tudo e lembrar o lado parvo do Natal - porque ele existe, vou preparar o nosso e embrulhá-lo bem com a magia, a paz, o amor e a alegria possíveis. E, em família, tentarmos valorizar o verdadeiro presente de estarmos todos bem, juntos e com saúde ...
Feliz Natal.
já que gosto de escrever sobre o que penso, o que vivo e o que sinto nesta fase da minha vida, abro a porta deste cantinho para partilhar estas palavras. obrigada pelas visitas.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Vamos viver juntos!
Vamos viver os minutos que restam de nós: sejam milhões ou apenas um só.
Vamos abraçar as árvores, apanhar chuva e cair de costas na relva húmida.
Vamos saborear o prato que a avó fez, molhar o pão no molho e repetir só mais uma vez!
Vamos para a praia nem que seja por meia hora, porque o mar é gigante e nunca se vai embora.
Vamos cantar, pintar e dançar. Bem ou mal, vamo-nos expressar.
Vamos por aquele caminho que não conhecemos e responder sempre que nos ofendermos.
Vamos voltar para trás no aeroporto e dar mais um beijinho, se o último soube a pouco.
Vamos partilhar o que está escondido e desarrumar tudo o que não faz sentido.
Vamos questionar, vamo-nos juntar, vamos gritar quando o mundo desmotivar.
Vamos viver sem vergonha de sermos felizes, vamos ser para sempre aprendizes.
Vamos chorar, corar, abraçar, aproveitar e, com os amigos, brindar.
Vamos sorrir, incentivar os miminhos, aos nossos e a todos os pequeninos...
Vamos viver mais juntos, dar razão à paixão e olhar o mundo com mais coração.
Vamos viver juntos agora, amanhã e sempre que der. Porque um dia, tão certo como estar a escrever... vamos morrer.
Por todos os que amamos e partem sozinhos deste mundo... Vamos viver juntos?!
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Os braços do sofá
O tempo passou e o nosso filho, que há oito anos estava prestes a nascer, já ocupa o sofá todo...
Desde que soube que ia ser mãe pela segunda vez, tive que educar um novo sentimento: amar dois, podendo fazer sofrer um, o do sofá.
Tentámos envolvê-lo nas escolhas do nome, nas compras para o bebé que lá vinha. Tentei ler e seguir dicas como: recebê-lo de braços livres na primeira visita à mana, no hospital. Deixá-lo ser ele a fazer a visita guiada a nossa casa, quando entrámos pela primeira vez, os 4.
Mas depois chegou aquele sentimento de culpa e começou a dificuldade em gerir o amor pelo primeiro e a defesa + amor pela segunda. Era preciso aceitar os ciúmes, respeitar ... Mas ao mesmo tempo o instinto maternal dizia-me que aquele abraço era apertado demais para uma bebé de 3 kg e aqueles apertos podiam magoar, apesar de ser uma nova e bela forma de amar: a dos manos.
Hoje são mais crescidos. Ela já se defende dos mesmos apertos, retribui os abraços e ele já percebe que o espaço foi dividido e que tem novos problemas, mas novos carinhos bons também!
"A vida é assim, passamos todos por isto", repito infinitas vezes a mim mesma, quando no fundo sofro por ser injusta com ele...
... Ele, que me fez conhecer o que é ser Mãe. Ele, que se encostou ao meu peito pela primeira vez e se alimentou do meu amor, durante meses e, com ele, cresceu. Ele, que me fez perceber o incrível que é sentir um pontapé dentro da nossa barriga. Ele, que me fez querer escrever histórias para crianças, tal como escrevi poemas e músicas para o pai. Foi ele que me fez ouvir pela primeira vez a expressão "Mamã" e me abraçou tantas vezes à porta da escola, com uma cola que eu não queria descolar.
O meu Luquinhas perdeu um bocadinho da mãe, apesar de ter ganho uma mana maravilhosa. Ainda bem que isto é um cantinho, porque não conseguia dizê-lo em voz alta. Custa tanto. Eles crescem, rapazes grandes (muito mais pequenos do que nós achamos), já respondem mal, têm ciúmes e expressam-nos da forma mais infantil e tonta... mas eles são infantis e só se sabem expressar assim...
E nós, em vez de termos cabeça para a parentalidade positiva dos workshops que se multiplicam no Facebook, pomos muitas vezes o cansaço à frente e fazemos figuras parvas, daquelas que não sabíamos que iríamos fazer, quando tínhamos 20 anos e acordávamos às 11h...
Gritamos com quem mais amamos e ficamos cansados daqueles gemidos e birras. Eu adorava saber ter mais calma, contar até 10 mais vezes, desligar o fogão para abraçar, brincar, saber gerir, ouvir o porquê de tudo e compreender...
Por mais que passe o tempo, queria sempre fazer melhor com os meus filhos: uma que quer crescer com a atenção de todos e ele, que quer continuar a crescer com a atenção de todos, os que estavam cá antes dela.
Ele, que ocupa já todo o sofá, que já tem as pernas musculadas e rijas, está quase a fazer oito anos e eu, por detrás do "despacha-te", "não faças isso", "não fales assim", "não lhe chames nomes que ela é pequenina", "cuidado", estou a tentar gritar baixinho, só para ele ouvir, o quanto a minha vida ficou melhor desde que ele existe, o quanto o acho meigo, bom ser humano, divertido, organizado, lindo e o melhor filho do mundo. Queria ter os braços do sofá para te agarrar todinho e dizer-te mais vezes o quanto gosto de ti.
Desde que soube que ia ser mãe pela segunda vez, tive que educar um novo sentimento: amar dois, podendo fazer sofrer um, o do sofá.
Tentámos envolvê-lo nas escolhas do nome, nas compras para o bebé que lá vinha. Tentei ler e seguir dicas como: recebê-lo de braços livres na primeira visita à mana, no hospital. Deixá-lo ser ele a fazer a visita guiada a nossa casa, quando entrámos pela primeira vez, os 4.
Mas depois chegou aquele sentimento de culpa e começou a dificuldade em gerir o amor pelo primeiro e a defesa + amor pela segunda. Era preciso aceitar os ciúmes, respeitar ... Mas ao mesmo tempo o instinto maternal dizia-me que aquele abraço era apertado demais para uma bebé de 3 kg e aqueles apertos podiam magoar, apesar de ser uma nova e bela forma de amar: a dos manos.
Hoje são mais crescidos. Ela já se defende dos mesmos apertos, retribui os abraços e ele já percebe que o espaço foi dividido e que tem novos problemas, mas novos carinhos bons também!
"A vida é assim, passamos todos por isto", repito infinitas vezes a mim mesma, quando no fundo sofro por ser injusta com ele...
... Ele, que me fez conhecer o que é ser Mãe. Ele, que se encostou ao meu peito pela primeira vez e se alimentou do meu amor, durante meses e, com ele, cresceu. Ele, que me fez perceber o incrível que é sentir um pontapé dentro da nossa barriga. Ele, que me fez querer escrever histórias para crianças, tal como escrevi poemas e músicas para o pai. Foi ele que me fez ouvir pela primeira vez a expressão "Mamã" e me abraçou tantas vezes à porta da escola, com uma cola que eu não queria descolar.
O meu Luquinhas perdeu um bocadinho da mãe, apesar de ter ganho uma mana maravilhosa. Ainda bem que isto é um cantinho, porque não conseguia dizê-lo em voz alta. Custa tanto. Eles crescem, rapazes grandes (muito mais pequenos do que nós achamos), já respondem mal, têm ciúmes e expressam-nos da forma mais infantil e tonta... mas eles são infantis e só se sabem expressar assim...
E nós, em vez de termos cabeça para a parentalidade positiva dos workshops que se multiplicam no Facebook, pomos muitas vezes o cansaço à frente e fazemos figuras parvas, daquelas que não sabíamos que iríamos fazer, quando tínhamos 20 anos e acordávamos às 11h...
Gritamos com quem mais amamos e ficamos cansados daqueles gemidos e birras. Eu adorava saber ter mais calma, contar até 10 mais vezes, desligar o fogão para abraçar, brincar, saber gerir, ouvir o porquê de tudo e compreender...
Por mais que passe o tempo, queria sempre fazer melhor com os meus filhos: uma que quer crescer com a atenção de todos e ele, que quer continuar a crescer com a atenção de todos, os que estavam cá antes dela.
Ele, que ocupa já todo o sofá, que já tem as pernas musculadas e rijas, está quase a fazer oito anos e eu, por detrás do "despacha-te", "não faças isso", "não fales assim", "não lhe chames nomes que ela é pequenina", "cuidado", estou a tentar gritar baixinho, só para ele ouvir, o quanto a minha vida ficou melhor desde que ele existe, o quanto o acho meigo, bom ser humano, divertido, organizado, lindo e o melhor filho do mundo. Queria ter os braços do sofá para te agarrar todinho e dizer-te mais vezes o quanto gosto de ti.
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Companhia do Silêncio
Chegaram às paredes das ruas
Os cartazes de um novo evento
Poucas cores, poucas palavras
Sábado à noite, para toda a gente
Burburinho, conversas de café
Curiosidade da boa e da má
De que se trata afinal? O que é?!
Na dúvida, sendo grátis, vamos lá!
Hora antes, na porta do Centro Cultural
Misturados: jovens, casais e bengalas
Vizinhos, amigos, tudo igual:
Ninguém sabia se desilusão, se palmas
Fecham-se luzes e vai começar
Silêncio! Vozes baixas... Uma luz
Corações ouviam-se a palpitar
Duas rodas, uma cadeira, um capuz
Desinteressante: à partida só um homem
Nem dança, nem filme, nem canção
Uma frase: "Boa noite, espero que gostem"
Num slide projetado em fundo carvão
Homem velho e cansado, pela postura
Sem microfone nem roupa brilhante
Mais um slide: "Não é cultura...
são momentos de silêncio, só instantes"
O público entrega-se, com empatia
E o silêncio começa a atuar:
"Viajo há um ano pelo mundo
Uma mensagem quero passar"
Apenas palavras escritas, sem voz
Traduzidas noutros lugares
"Tenho quatro pedidos para vós
Prometo que não vou voltar"
Inquietas e curiosas também
As pessoas esperam para se entregar
"Como era o colo da vossa Mãe?
E o olhar terno do vosso Pai?"
O espetáculo começou então,
Companhia do Silêncio no ar
Uma sala cheia de emoção
O tempo, ocupado, a voar
"Agora o desafio é exigente
Podem-se até levantar
Com a vossa música preferida em mente
Façam o favor de dançar"
Jornalistas descreveram depois
Que ali aconteceu algo invulgar
Sozinhos ou a dois
A dança aconteceu, sem som: "Espetacular!"
Começava-se a perceber
O que este homem queria mostrar
Porque andava a percorrer
O mundo que ia abandonar
Sem vídeos ou aplicações
O mundo continuava a girar
E juntos, os nossos corações
Tinham tanto, em silêncio, para dar
"Apenas com o toque ou o olhar,
as palavras que nunca disseram
A alguém nesse lugar
Ou outro alguém que já perderam"
Lágrimas foram atrizes principais
Sorrisos e abraços, secundários
O que está para vir mais?!
Tantas experiências num só cenário
"Por último, cruzem os dois braços
Num abraço que nunca se dá
Sinta-se, cada um, acarinhado
E abracem depois quem cá está."
Timidez, conforto, comunicação
Encheram o Centro Cultural
E também esta multidão
Lembrou o amor não verbal
O homem saiu de cena
Com aquela música de fundo
O silêncio retirava-se, em vénia
E ouviu-se o maior aplauso do mundo...
Não havia mensagem final
Nem palavras para o evento do cartaz
Todos se dirigiram à saída
Com uma estranha sensação de paz...
Ficava a lição de alguém vivido
Um novo significado para "silêncio"
Que se pode encher de sentido
Num mundo que parece sem tempo.
Os cartazes de um novo evento
Poucas cores, poucas palavras
Sábado à noite, para toda a gente
Burburinho, conversas de café
Curiosidade da boa e da má
De que se trata afinal? O que é?!
Na dúvida, sendo grátis, vamos lá!
Hora antes, na porta do Centro Cultural
Misturados: jovens, casais e bengalas
Vizinhos, amigos, tudo igual:
Ninguém sabia se desilusão, se palmas
Fecham-se luzes e vai começar
Silêncio! Vozes baixas... Uma luz
Corações ouviam-se a palpitar
Duas rodas, uma cadeira, um capuz
Desinteressante: à partida só um homem
Nem dança, nem filme, nem canção
Uma frase: "Boa noite, espero que gostem"
Num slide projetado em fundo carvão
Homem velho e cansado, pela postura
Sem microfone nem roupa brilhante
Mais um slide: "Não é cultura...
são momentos de silêncio, só instantes"
O público entrega-se, com empatia
E o silêncio começa a atuar:
"Viajo há um ano pelo mundo
Uma mensagem quero passar"
Apenas palavras escritas, sem voz
Traduzidas noutros lugares
"Tenho quatro pedidos para vós
Prometo que não vou voltar"
Inquietas e curiosas também
As pessoas esperam para se entregar
"Como era o colo da vossa Mãe?
E o olhar terno do vosso Pai?"
O espetáculo começou então,
Companhia do Silêncio no ar
Uma sala cheia de emoção
O tempo, ocupado, a voar
"Agora o desafio é exigente
Podem-se até levantar
Com a vossa música preferida em mente
Façam o favor de dançar"
Jornalistas descreveram depois
Que ali aconteceu algo invulgar
Sozinhos ou a dois
A dança aconteceu, sem som: "Espetacular!"
Começava-se a perceber
O que este homem queria mostrar
Porque andava a percorrer
O mundo que ia abandonar
Sem vídeos ou aplicações
O mundo continuava a girar
E juntos, os nossos corações
Tinham tanto, em silêncio, para dar
"Apenas com o toque ou o olhar,
as palavras que nunca disseram
A alguém nesse lugar
Ou outro alguém que já perderam"
Lágrimas foram atrizes principais
Sorrisos e abraços, secundários
O que está para vir mais?!
Tantas experiências num só cenário
"Por último, cruzem os dois braços
Num abraço que nunca se dá
Sinta-se, cada um, acarinhado
E abracem depois quem cá está."
Timidez, conforto, comunicação
Encheram o Centro Cultural
E também esta multidão
Lembrou o amor não verbal
O homem saiu de cena
Com aquela música de fundo
O silêncio retirava-se, em vénia
E ouviu-se o maior aplauso do mundo...
Não havia mensagem final
Nem palavras para o evento do cartaz
Todos se dirigiram à saída
Com uma estranha sensação de paz...
Ficava a lição de alguém vivido
Um novo significado para "silêncio"
Que se pode encher de sentido
Num mundo que parece sem tempo.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
A minha saia azul e o bolo de anos
Escrevo hoje sobre duas coisas que aprendi a gostar de forma especial e pelo mesmo motivo, nos últimos dias: a minha saia azul e o meu bolo de anos.
No dia de anos, tive 1h hora só para mim e fui espreitar lojas.
Nos cabides de 5,99 eur do fim dos saldos vi a minha saia azul. O tom dos olhos da Marta. O linho das saias que a minha Mãe usava.
No provador, o fecho de trás desorienta-se e não quer fechar... quis trazer e arranjar. Quando pedi ajuda à senhora da loja para abrir o fecho da minha saia, ela trouxe uma enorme tesoura... "é melhor cortar que está estragado". Insisti com carinho como insisto quando tento desmanchar algumas birras dos meus filhos (só algumas). Melhor mas ainda desencaixado.
No regresso passei numa costureira e quis saber preços de fechos e arranjo, mas depois optei por pedir ajuda à minha Mãe. Com delicadeza (porque gostou da minha saia) tentou abrir e fechar. Melhor... mas desencaixado.
Já em minha casa, enquanto fazia o bolo de chocolate com os meus filhos, continuava a tentar. Estava quase. Quis vesti-la no meu jantar.
E com tanto carinho que houve a saia cedeu. Estava ótima, sem necessidade de tesoura, de fecho. E tudo isto fez-me gostar mais da minha saia.
Depois, numa semana, teve três valentes nódoas...azar. Por gostar dela, segui à regra as dicas da minha mãe: limpa com água e sabão mas pelo avesso para não manchar. Eu, que não tenho muita paciência para estas coisas, tratei-a com cuidado e as nódoas foram saindo.
Admiro muito pessoas que resistem a adversidades da vida e conseguem superar. E esta simples saia parecia assim... Tem um folho, uma fita que ata de lado, uma racha e uma renda. É bonita como tudo, a minha saia azul.
Agora o bolo... muitos amigos já começaram a rir só de ler o começo da história... :)
Na festa dos 40 anos, no ano passado, queria que tudo fosse especial. Cantei, acompanhada do Filipe, na guitarra, e dos meus amigos. E mandei fazer um bolo especial: cheesecake cozido com 4 coberturas de frutas e merengue. Mostrei-o ao Vasco quando entrei no carro e seguimos para a festa: era único... Frigorífico do restaurante.
Festa animada, música, gargalhadas, algumas lágrimas e ... sair para um bar... Deviam ser 2 da manhã quando, ao balcão do Rio Maravilha, disse ao Vasco ... "O bolo?!?!..."... Isso mesmo... Não cantámos os parabéns, esquecemo-nos do bolo, fomos de férias no dia a seguir e o restaurante: fechado. Ficou a história e umas boas gargalhadas desencaixadas...
Foi a Irene quem o foi buscar e foi com a família dela que o bolo foi degustado.
Mas não acaba aqui...
Este ano, para o jantar dos amigos no sábado, encomendei um igual e chamei ao jantar "a festa do bolo esquecido". Às 20h10 o Vasco, que ia buscá-lo, liga-me e diz-me "está fechado!". Silêncio... Fiquei num misto de pausa com raiva e uma cobertura especial de nervos... Encomenda feita, atraso de alguns minutos e facebook a confirmar que o local do bolo fechava às 20h sem qualquer aviso.... Telefone fixo, nada, nada e nada.
Que fazer?! Encontrar outro bolo + calma para aceitar que este era um bolo cheio de personalidade + encontrar um contacto de telemóvel na net... Quase a chegar ao restaurante, encontro telemóvel na net, ligo, refilo, a senhora desculpa-se e como vive ao lado, vai lá para abrir a porta e fazer a entrega desejada. "Habemus bolo!" diz o Vasco por whatsapp quando regressa com ele.
Mas ainda não acabou... (os amigos que lá estiveram riem-se agora com nervos)... Quando vou ao balcão para ver o bolo, a meio do jantar, pois queria ver como tinha ficado, ouço do simpático jovem: "queria falar consigo sobre o seu bolo, porque houve um colega que deixou cair uma coisa em cima dele... mas não se preocupe que, em último caso, arranjamos-lhe outro..."
Virei do avesso como viro a saia para limpar as nódoas ... mas sem qualquer carinho. Fui tão fria que depois, no fim de tudo, pedi desculpa, explicando a história.
O senhor trouxe o bolo à mesa e apenas algumas framboesas tinham deslizado e o merengue estava um pouco desajeitado. Bolo desencaixado mas, ainda assim, maravilhoso e especial tal como a minha saia azul.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
A minha bula: como se de um medicamento se tratasse
O disparate reina, mesmo aos 41, por isso hoje descrevo como seria a minha bula, se eu fosse um medicamento... genérico, claro, e nas doses estritamente necessárias (não suporto que me vendam 46 comprimidos quando o médico só sugeriu tomar 8)... ah e sem receita, acessível ao mundo. As perguntas foram retiradas de um bulário na internet...
Para que serve?
Para dormir, comer, cuidar dos outros, em especial dos filhos, família e pessoas de alguma forma vulneráveis. Pode fazer disparates com eficácia, dançar em versão de qualidade ou apenas para soltar o stress dos dias cinzentos. Serve ainda para fazer das suas horas de trabalho, tempo útil para melhorar este mundo farmacêutico que carece de soluções e não para de produzir problemas. Serve para apanhar um solinho bom, para rir, para abraçar, para vestir roupas giras e baratas e serve para amar e alimentar sorrisos, claro!
Como funciona?
Funciona bem, desde que haja bochechas fofas lá em casa, minutos no sofá em silêncio, praia a uma distância razoável, saúde nas pessoas que estão por perto, gargalhadas em família e amigos, dinheiro para viajar e um Vasco.
Quando não deve usar?
Quando ela tem fome ou sono. Se tiver ambas, fugir ou manter uma distância de segurança.
Baratas não podem ser mencionadas, muito menos aparecer a sua sombra: o produto transforma-se e deixa de ter efeito.
Como usar?
No geral, não é difícil de lidar, mas teimosia e distração têm que ser toleradas.
Adultos e idosos
Bom, neste caso, ajuda bastante se a pouparem de arrogâncias, cobardia, incoerência, perfeccionismo e má disposição. Se houver um croissant com chocolate ou uma caipirinha fresca, já tolera mais tudo isto, até porque também tem o seu "dark side".
Crianças
Tudo o que quiserem. Na hora de deitar as suas, o produto pode apresentar sinais de cansaço e alterações na composição ou reação.
Efeitos Secundários
Com a idade, a falta de paciência já pode provocar desagrado. Já se arrisca a dizer algumas coisas na cara (como nos big brothers, onde as pessoas dizem tudo na cara e são iguais a elas próprias - expressão linda!) ou a responder "tal qual" lhe apetece.
1 em cada 100 casos pode sentir enjoos ou tonturas, se de uma noite divertida se tratar. Diarreia é raro, apesar de inventar muito quando cozinha, ser avessa a receitas e quantidades certas, mas até se tem safado...
O que deve saber antes de usar?
Comida e horas de sono, obrigatório para quem queira conviver com este medicamento. Gritar não ajuda, mas já sabe gritar porque é mãe, por isso também existe adaptação.
Agressidade ou estupidez não são compatíveis. Falta de sentido de humor, longe deste produto. Ah, adora que lhe lancem desafios para cumprir em pouco tempo... idealmente dizendo "isto é muito difícil e até agora ninguém conseguiu". Quando quer muito uma coisa, como ir trabalhar para as Nações Unidas (um exemplo), só para quando lá chegar...
O que fazer se alguém usar uma quantidade maior do que a indicada?
Deixar estar, será o Vasco ou os filhos por isso não traz efeitos secundários... é amor.
Se forem estranhos podem confundir a sua distração em excesso com falta de simpatia, mas o medicamento funciona na mesma.
Composição
Barriga grande desde pequena, de resto está bem compostinha... vá, o nariz podia ser limado na ponta.
O que deve fazer quando se esquecer de usar este medicamento?
Não vale a pena ligar porque a sua relação com telemóveis (e chapéus de chuva e ganchos e casacos e acessórios menos importantes do que o croissant) é péssima. Já foi devolvida para arranjo e não tem. Quem a conhece sabe disso e, os que gostam mesmo, têm mantido uma toma regular.
Interações Medicamentosas
Não deve ser administrada em conjunto com demasiadas regras, rotinas, falta de gargalhadas, chuva e... sono e fome, como já referido acima.
Laboratório
Pai e Mãe maravilhosos. Irmãos do mesmo laboratório e categoria semelhante a este produto: disponíveis numa farmácia perto de si.
Para que serve?
Para dormir, comer, cuidar dos outros, em especial dos filhos, família e pessoas de alguma forma vulneráveis. Pode fazer disparates com eficácia, dançar em versão de qualidade ou apenas para soltar o stress dos dias cinzentos. Serve ainda para fazer das suas horas de trabalho, tempo útil para melhorar este mundo farmacêutico que carece de soluções e não para de produzir problemas. Serve para apanhar um solinho bom, para rir, para abraçar, para vestir roupas giras e baratas e serve para amar e alimentar sorrisos, claro!
Como funciona?
Funciona bem, desde que haja bochechas fofas lá em casa, minutos no sofá em silêncio, praia a uma distância razoável, saúde nas pessoas que estão por perto, gargalhadas em família e amigos, dinheiro para viajar e um Vasco.
Quando não deve usar?
Quando ela tem fome ou sono. Se tiver ambas, fugir ou manter uma distância de segurança.
Baratas não podem ser mencionadas, muito menos aparecer a sua sombra: o produto transforma-se e deixa de ter efeito.
Como usar?
No geral, não é difícil de lidar, mas teimosia e distração têm que ser toleradas.
Adultos e idosos
Bom, neste caso, ajuda bastante se a pouparem de arrogâncias, cobardia, incoerência, perfeccionismo e má disposição. Se houver um croissant com chocolate ou uma caipirinha fresca, já tolera mais tudo isto, até porque também tem o seu "dark side".
Crianças
Tudo o que quiserem. Na hora de deitar as suas, o produto pode apresentar sinais de cansaço e alterações na composição ou reação.
Efeitos Secundários
Com a idade, a falta de paciência já pode provocar desagrado. Já se arrisca a dizer algumas coisas na cara (como nos big brothers, onde as pessoas dizem tudo na cara e são iguais a elas próprias - expressão linda!) ou a responder "tal qual" lhe apetece.
1 em cada 100 casos pode sentir enjoos ou tonturas, se de uma noite divertida se tratar. Diarreia é raro, apesar de inventar muito quando cozinha, ser avessa a receitas e quantidades certas, mas até se tem safado...
O que deve saber antes de usar?
Comida e horas de sono, obrigatório para quem queira conviver com este medicamento. Gritar não ajuda, mas já sabe gritar porque é mãe, por isso também existe adaptação.
Agressidade ou estupidez não são compatíveis. Falta de sentido de humor, longe deste produto. Ah, adora que lhe lancem desafios para cumprir em pouco tempo... idealmente dizendo "isto é muito difícil e até agora ninguém conseguiu". Quando quer muito uma coisa, como ir trabalhar para as Nações Unidas (um exemplo), só para quando lá chegar...
O que fazer se alguém usar uma quantidade maior do que a indicada?
Deixar estar, será o Vasco ou os filhos por isso não traz efeitos secundários... é amor.
Se forem estranhos podem confundir a sua distração em excesso com falta de simpatia, mas o medicamento funciona na mesma.
Composição
Barriga grande desde pequena, de resto está bem compostinha... vá, o nariz podia ser limado na ponta.
O que deve fazer quando se esquecer de usar este medicamento?
Não vale a pena ligar porque a sua relação com telemóveis (e chapéus de chuva e ganchos e casacos e acessórios menos importantes do que o croissant) é péssima. Já foi devolvida para arranjo e não tem. Quem a conhece sabe disso e, os que gostam mesmo, têm mantido uma toma regular.
Interações Medicamentosas
Não deve ser administrada em conjunto com demasiadas regras, rotinas, falta de gargalhadas, chuva e... sono e fome, como já referido acima.
Laboratório
Pai e Mãe maravilhosos. Irmãos do mesmo laboratório e categoria semelhante a este produto: disponíveis numa farmácia perto de si.
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Gosto muito de ti, leãozinho
A noite de ontem, foi mais do que uma noite quente de verão.
Ontem fui ao concerto do Caetano Veloso.
Como é dos meus cantores preferidos, já fui a muitos e vou sempre inteira e feliz, para absorver cada segundo.
Ontem vi o Caetano e os filhos, com o meu filho. Quis levá-lo e ele gostou da ideia. Um dia levarei os dois, certamente.
Sabia que a experiência ia ser única, por ser o primeiro grande concerto dele, mas não o ídolo dele. Sabia que iam, connosco, sono, fome e muitas perguntas. O tempo ia ser dividido entre um cantor que adoro, uma sala linda, uma noite em família e muitas pausas, colo e curiosidade...
A sala do Coliseu encheu-se de pessoas e de felicidade minha. Desde pequeno, o Lucas ouve Caetano. Desde a minha adolescência que ouço Caetano. Talvez tenha chegado a mim, quando o meu pai deixou de chegar.
Nos primeiros dez minutos, o Lucas não olhou para o palco. O fascínio dele era ver tanta gente sentada ali... O que pensaria ele? Uma multidão em silêncio para ouvir um pai e três filhos partilharem música num palco simples com som acolhedor.
"Quando é que acaba? Quantas músicas faltam?" eram perguntas dele que alternavam com palmas, a voz doce dele a cantar as poucas músicas que sabia, a dança desajeitada e feliz daqueles filhos, os sorrisos verdadeiramente felizes daquele pai.
Por me fazer muito lembrar o meu, quando ouço ou vejo o Caetano, sinto um enorme aconchego e, talvez por isso, levar o Lucas comigo, ter a minha mãe também ali ao lado, fez da noite de ontem uma noite especial.
"Não vais dormir!!?", perguntei ao Lucas quando se aconchegou em mim, a meio do concerto. "Tenho alguma coisa com que me entreter, por acaso?!"... eu ri-me, era outra perspectiva a dele...
Acho que a música que o Lucas mais cantou e gostou foi o "amar pelos dois". Ouvir uma sala inteira a cantar uma música bonita é uma sensação muito forte. Não sei se o Caetano sabia que, na segunda fila, estava o próprio Salvador Sobral, seguramente feliz. O Lucas também gostou de ver alguns cantores de quem gostamos por ali sentados. Certamente, todos embevecidos com tamanha intimidade. Chinelos, risos de pais e filhos, informalidade, vozes baixas como se estivessem na sua sala, com a porta aberta para o mundo. Falaram de Mães, de Avós, de infância, houve timidez e o Caetano, com uma expressão única, proporcionou-nos uma noite feliz.
Tentámos o autógrafo. Esperámos, sem a pulseira Vip, sabendo que ia ser difícil. O Lucas cheio de sono queria esperar, mas não conseguimos entrar. Conseguimos, sim, viver um bom momento a dois que certamente ele não vai esquecer. Quando chegámos a casa e o Vasco perguntou como tinha sido, ele disse, feliz: "Adorei!".
Na próxima semana o Caetano faz anos. Um leão que eu adoro e irei ver e ouvir sempre que puder, com o meu leãozinho.
Ontem fui ao concerto do Caetano Veloso.
Como é dos meus cantores preferidos, já fui a muitos e vou sempre inteira e feliz, para absorver cada segundo.
Ontem vi o Caetano e os filhos, com o meu filho. Quis levá-lo e ele gostou da ideia. Um dia levarei os dois, certamente.
Sabia que a experiência ia ser única, por ser o primeiro grande concerto dele, mas não o ídolo dele. Sabia que iam, connosco, sono, fome e muitas perguntas. O tempo ia ser dividido entre um cantor que adoro, uma sala linda, uma noite em família e muitas pausas, colo e curiosidade...
A sala do Coliseu encheu-se de pessoas e de felicidade minha. Desde pequeno, o Lucas ouve Caetano. Desde a minha adolescência que ouço Caetano. Talvez tenha chegado a mim, quando o meu pai deixou de chegar.
Nos primeiros dez minutos, o Lucas não olhou para o palco. O fascínio dele era ver tanta gente sentada ali... O que pensaria ele? Uma multidão em silêncio para ouvir um pai e três filhos partilharem música num palco simples com som acolhedor.
"Quando é que acaba? Quantas músicas faltam?" eram perguntas dele que alternavam com palmas, a voz doce dele a cantar as poucas músicas que sabia, a dança desajeitada e feliz daqueles filhos, os sorrisos verdadeiramente felizes daquele pai.
Por me fazer muito lembrar o meu, quando ouço ou vejo o Caetano, sinto um enorme aconchego e, talvez por isso, levar o Lucas comigo, ter a minha mãe também ali ao lado, fez da noite de ontem uma noite especial.
"Não vais dormir!!?", perguntei ao Lucas quando se aconchegou em mim, a meio do concerto. "Tenho alguma coisa com que me entreter, por acaso?!"... eu ri-me, era outra perspectiva a dele...
Acho que a música que o Lucas mais cantou e gostou foi o "amar pelos dois". Ouvir uma sala inteira a cantar uma música bonita é uma sensação muito forte. Não sei se o Caetano sabia que, na segunda fila, estava o próprio Salvador Sobral, seguramente feliz. O Lucas também gostou de ver alguns cantores de quem gostamos por ali sentados. Certamente, todos embevecidos com tamanha intimidade. Chinelos, risos de pais e filhos, informalidade, vozes baixas como se estivessem na sua sala, com a porta aberta para o mundo. Falaram de Mães, de Avós, de infância, houve timidez e o Caetano, com uma expressão única, proporcionou-nos uma noite feliz.
Tentámos o autógrafo. Esperámos, sem a pulseira Vip, sabendo que ia ser difícil. O Lucas cheio de sono queria esperar, mas não conseguimos entrar. Conseguimos, sim, viver um bom momento a dois que certamente ele não vai esquecer. Quando chegámos a casa e o Vasco perguntou como tinha sido, ele disse, feliz: "Adorei!".
Na próxima semana o Caetano faz anos. Um leão que eu adoro e irei ver e ouvir sempre que puder, com o meu leãozinho.
sexta-feira, 6 de julho de 2018
A culpa é da Mãe
Existem 3 coisas que aprendi com a minha Mãe que valorizo muito. Uma delas é que tudo tem uma solução. Outra é que a vida deve ser descomplicada. E outra é que é essencial termos sentido prático para enfrentar, quer as migalhas no sofá, quer os grandes obstáculos da vida. Todas estão ligadas, na verdade...
A minha Mãe ensinou-me isso através do seu exemplo. Agora no papel de Mãe, tento reforçar junto dos meus filhos as mesmas lições, com algumas expressões "semente" que acredito que um dia darão fruto. Como deram a nós os três.
Não sei se dou ou não o melhor exemplo, por isso repito em voz alta algumas destas "lições". Faz aquilo que eu digo e talvez, (nem sempre) aquilo que faço...
Não sei se dou ou não o melhor exemplo, por isso repito em voz alta algumas destas "lições". Faz aquilo que eu digo e talvez, (nem sempre) aquilo que faço...
A minha Mãe surpreende os meus filhos (e a nós) quando deixa lá em casa, um pouco de batata doce crua num recipiente com água, da qual, passados poucos dias, nasce uma planta linda que cresce quase debaixo dos nosso olhos.
Simplicidade e saber fazer muito com pouco. Outra lição.
Simplicidade e saber fazer muito com pouco. Outra lição.
Momentos como o de ouvir, no outro dia, o Lucas dizer ao Pai "não te preocupes, tudo tem uma solução" foi um momento quase mágico para mim. Foi uma medalha pequena mas importante, porque os dias passam e a sensação que tenho é que a meta está sempre longe e que a mensagem não passa.
No final do dia, quando me sento no sofá, minutos depois de ter ralhado o último "fiquem sossegados, são horas de dormir!", já com os cabelos meio em pé, o que sinto é que falhei montes de vezes.
Nestes momentos percebo porque é que uma Mãe chora facilmente quando vê aqueles vídeos de filhos a falarem delas ou a manifestarem coisas boas. Percebo porque é que me irritam tanto os artigos dos pediatras, psicólogos e pedo-qualquer coisa, sobre os pais que mimam de mais, os pais que ralham de mais, os pais que tudo e que nada.... Não podem apenas escrever sobre "Mãe faz o melhor que pode e isso está certo. Parabéns!", sem moralismos que aumentam ainda mais a culpa e espalham migalhas por todo o lado?!
O mais difícil de gerir para mim, no papel de Mãe, é a culpa. Mesmo descomplicando, sendo prática e tentando dar bons exemplos, fico sempre frustrada por não conseguir fazer melhor... raios...
"Porque não brinco mais com eles?
Porque não converso mais calmamente quando fazem asneiras e ralho logo?
Porque não valorizo mais as pequenas coisas e ando sempre a correr?"
É sempre a velha questão: Mãe sofre e sente que falha, sempre.
Por tudo isto, quando sentimos que eles olham para nós com orgulho; quando nos dão desenhos com dois bonecos, lindos na sua imperfeição, com um coração vermelho mal pintado; quando dizem ou escrevem pela primeira vez "gosto de ti" ou quando nos seguem no que somos ou queremos que eles sejam, a sensação é maravilhosa, gratificante, mágica e a culpa encolhe-se toda.
E nestes momentos bons descomplicamos a vida, encontramos uma solução, afastamos as migalhas, sentimos "muito com pouco" e lembramo-nos que somos as melhores Mães do mundo para eles e que a culpa disso é das nossas Mães!
quarta-feira, 27 de junho de 2018
O raio das artes
Dançar, tocar, cantar, escrever letras de músicas são algumas das coisas que estão na minha sombra e que vão, cada vez mais, perdendo a vergonha...
Há muitos anos atrás, nenhuma destas áreas tinha relevância na minha vida. Mãe professora, casa cheia de livros, Pai que tinha dançado e tocava instrumentos, alguma formação em piano, guitarra e dança... mas nenhuma importância consciente.
Nos últimos anos, mesmo sabendo que não sou cantora nem bailarina, descobri que estes prazeres estavam
recalcados e são verdadeiros prazeres!
Houve fases de tuna, coro de igreja, aulas de dança no percurso mas adormeceu tudo ...
Agora começou a dar-me para tocar e cantar para/e com amigos, dançar com motivação de adolescente... e a música (dançada, escrita ou cantada) cresceu e foi assumida, mesmo imperfeita. Percebi como me sinto feliz por praticar sozinha, para mim, ou partilhar estas "artes", sem nunca me ver como artista e sabendo que não é esse o meu talento. Essa é a piada.
Chegando aos 40, senti que não interessa levar isto a sério, mas interessa sentir-me feliz... enquanto os amigos cantarem comigo!
E depois, "casei" com um músico e a nossa casa enche-se, a pouco e pouco, com instrumentos nossos e de concertos para o nosso mini público que nem sempre gosta de nos aturar... Mas já cantam!
... Porque é que isto acontece?!?
Teoria 1: a maternidade dá-nos muito mas também nos tira muito. E quando os filhos estão a crescer e reaparece o tempo vestido de mendigo, nós queremos renová-lo e dar-lhe sentido, recuperando prazeres que já estavam cheios de pó!
Teoria 2: é só uma crise de meia idade...
... A verdade é que o raio das artes atingiu-me muito pequena, mas está a ter efeito agora. Educar valeu a pena...
Que raio de ideia boa para estar feliz! E que os 40 tragam, com as rugas, mais raios que nos façam sentir mesmo bem!
Há muitos anos atrás, nenhuma destas áreas tinha relevância na minha vida. Mãe professora, casa cheia de livros, Pai que tinha dançado e tocava instrumentos, alguma formação em piano, guitarra e dança... mas nenhuma importância consciente.
Nos últimos anos, mesmo sabendo que não sou cantora nem bailarina, descobri que estes prazeres estavam
recalcados e são verdadeiros prazeres!
Houve fases de tuna, coro de igreja, aulas de dança no percurso mas adormeceu tudo ...
Agora começou a dar-me para tocar e cantar para/e com amigos, dançar com motivação de adolescente... e a música (dançada, escrita ou cantada) cresceu e foi assumida, mesmo imperfeita. Percebi como me sinto feliz por praticar sozinha, para mim, ou partilhar estas "artes", sem nunca me ver como artista e sabendo que não é esse o meu talento. Essa é a piada.
Chegando aos 40, senti que não interessa levar isto a sério, mas interessa sentir-me feliz... enquanto os amigos cantarem comigo!
E depois, "casei" com um músico e a nossa casa enche-se, a pouco e pouco, com instrumentos nossos e de concertos para o nosso mini público que nem sempre gosta de nos aturar... Mas já cantam!
... Porque é que isto acontece?!?
Teoria 1: a maternidade dá-nos muito mas também nos tira muito. E quando os filhos estão a crescer e reaparece o tempo vestido de mendigo, nós queremos renová-lo e dar-lhe sentido, recuperando prazeres que já estavam cheios de pó!
Teoria 2: é só uma crise de meia idade...
... A verdade é que o raio das artes atingiu-me muito pequena, mas está a ter efeito agora. Educar valeu a pena...
Que raio de ideia boa para estar feliz! E que os 40 tragam, com as rugas, mais raios que nos façam sentir mesmo bem!
quinta-feira, 21 de junho de 2018
Amor (in) condicional
Temos dois filhos condicionais: nasceram depois do dia 15 de setembro. Isso, no primeiro filho, deu-nos o direito de escolha em relação à idade de entrada para a escola.
Fez 5 sem nunca termos pensado nisso. Conhecemos os pais do Gonçalo, amigo do Jardim de Infância, que ia fazer 6 porque os pais tinham escolhido a entrada tardia. Foi o despertar do assunto e de uma enorme amizade!
A educadora começou a abordar o tema e nem hesitava: a entrada na escola deve ser, quando possivel, perto dos 7 anos. Pediatra também clara para todos: sem dúvida, aos 7. De início, o pensamento era "mas ele consegue aprender com 5, não precisa de esperar!".
Depois quisemos ler sobre o assunto.
Soubemos que os países nórdicos adotam a norma de entrada aos 7 (para mim exemplares a muitos níveis). Alguém acrescentou: "a diferença que faz um adolescente escolher o curso e entrar na faculdade com 17 ou 18 é toda!"...
Começámos a ficar muito seguros da decisão. A partir de janeiro, deixámos de falar de escola e começámos a falar de mais um ano a brincar e mais um ano com a (incrível) educadora Maria. Era público e por isso mantinha muitos amigos, alguns com a mesma decisão tomada.
Quando entrou no primeiro ano sentia-se feliz por ser dos mais velhos!
Hoje trouxe para casa o caderno de trabalhos da escola e nós olhámos um para o outro babados de orgulho. "O teu caderno era assim?", perguntei ao Vasco. "Não, e o teu?". Fiz que "não" com a cabeça. Já tínhamos percebido que tudo o que nos encorajou estava certo. Não acerta tudo, não lê tudo, não é isso... Mas a capacidade de apanhar o raciocínio, o cuidado e maturidade com que gere a escola, os testes, os recados, os TPC e o material que traz e leva ... é de 7 anos. O caderno é lindo de se ver. Limpo, organizado e o desenho da letra deixa-me vaidosa e, naquelas folhas brancas, está especialmente bonita.
Escrevo e partilho isto porque sei que é uma questão para alguns pais.
Cada caso será diferente. Com a Inês (que já quer ler e escrever como o mano) podemos pensar de outra forma.
No caso dele, fico feliz por termos decidido (não foi fácil) que, sendo condicional, brincar aos 6 e ler aos 7 era uma boa opção.
Estou orgulhosa de ti, Lucas, como te disse há bocado. Adoro ouvir-te começar a ler, a fazer contas, a resolver problemas. Um amor incondicional, por dois condicionais filhos maravilhosos!
Fez 5 sem nunca termos pensado nisso. Conhecemos os pais do Gonçalo, amigo do Jardim de Infância, que ia fazer 6 porque os pais tinham escolhido a entrada tardia. Foi o despertar do assunto e de uma enorme amizade!
A educadora começou a abordar o tema e nem hesitava: a entrada na escola deve ser, quando possivel, perto dos 7 anos. Pediatra também clara para todos: sem dúvida, aos 7. De início, o pensamento era "mas ele consegue aprender com 5, não precisa de esperar!".
Depois quisemos ler sobre o assunto.
Soubemos que os países nórdicos adotam a norma de entrada aos 7 (para mim exemplares a muitos níveis). Alguém acrescentou: "a diferença que faz um adolescente escolher o curso e entrar na faculdade com 17 ou 18 é toda!"...
Começámos a ficar muito seguros da decisão. A partir de janeiro, deixámos de falar de escola e começámos a falar de mais um ano a brincar e mais um ano com a (incrível) educadora Maria. Era público e por isso mantinha muitos amigos, alguns com a mesma decisão tomada.
Quando entrou no primeiro ano sentia-se feliz por ser dos mais velhos!
Hoje trouxe para casa o caderno de trabalhos da escola e nós olhámos um para o outro babados de orgulho. "O teu caderno era assim?", perguntei ao Vasco. "Não, e o teu?". Fiz que "não" com a cabeça. Já tínhamos percebido que tudo o que nos encorajou estava certo. Não acerta tudo, não lê tudo, não é isso... Mas a capacidade de apanhar o raciocínio, o cuidado e maturidade com que gere a escola, os testes, os recados, os TPC e o material que traz e leva ... é de 7 anos. O caderno é lindo de se ver. Limpo, organizado e o desenho da letra deixa-me vaidosa e, naquelas folhas brancas, está especialmente bonita.
Escrevo e partilho isto porque sei que é uma questão para alguns pais.
Cada caso será diferente. Com a Inês (que já quer ler e escrever como o mano) podemos pensar de outra forma.
No caso dele, fico feliz por termos decidido (não foi fácil) que, sendo condicional, brincar aos 6 e ler aos 7 era uma boa opção.
Estou orgulhosa de ti, Lucas, como te disse há bocado. Adoro ouvir-te começar a ler, a fazer contas, a resolver problemas. Um amor incondicional, por dois condicionais filhos maravilhosos!
terça-feira, 5 de junho de 2018
O Ambiente lá em casa, neste dia mundial
Hoje é o Dia Mundial do Ambiente, por isso vou escrever sobre o engenheiro florestal que vive comigo e os projetos dele, que influenciam o Ambiente lá em casa e não só...
Quando o Lucas nasceu, o Vasco esteve três meses em casa, o que tornou esta fase ainda mais especial. Nestes meses de "pausa", nasceu o filho dele do meio (a gravidez foi dele e é ele que cuida deste filho): o Famões Clube Atlético (FCA).
Começou por ser uma conversa de amigos e amigas. Faltavam clubes com voleibol feminino naquela zona e havia atletas interessadas. Como já existia a Liga Bernardino, inspirada nos jogos de futebol com o primo João e o Tio Manuel, o clube nasceu no fim de 2010 com o intuito de promover o desporto, nestas diferentes modalidades, com um espírito amigável como valor primeiro! O Rugas, cão que cheguei a conhecer e fez parte da vida do Vasco, tinha morrido há pouco tempo e acabou por ficar o símbolo do clube.
Hoje, 8 anos depois, o FCA tem mais de 65 atletas de voleibol (dos 7 anos até adultas), algumas taças, dezenas de jogadores de futebol masculino na Liga Bernardino, algumas provas de BTT realizadas e milhares de horas do meu engenheiro florestal investidas. E tem o Rugas espalhado em dezenas de casas, em camisolas, porta-chaves, cachecóis, fichas de inscrição e no website....
Podia falar das inúmeras vezes em que ele tem que ir para os jogos, torneios, reuniões, assembleias, atende telefonemas atrás uns dos outros, do desgaste, das noites mal dormidas, das preocupações constantes e do que sobra para mim... Mas não é isso que quero destacar.
Vou dizer o quanto me sinto orgulhosa por ter um engenheiro florestal comigo que, para além do seu trabalho e vida profissional, criou e abraçou voluntariamente um projeto que melhora o ambiente desportivo numa vila chamada Famões, onde ele cresceu e onde já fomos tão felizes. Um clube que melhora a vida de centenas de pessoas, certamente, e que começou por ser apenas um sonho e um dossiê em nossa casa.
Hoje emociono-me muitas vezes (sem ele ver) quando grito "Famõõõõões" nos jogos (os poucos a que vou) e quando ouço muitos pais e mães a gritar, com ou sem aquele cachecol que tem o Rugas como símbolo, a lembrar a importância de valores como a amizade, a diversão, o desportivismo e o respeito pelo adversário. Não é bonito?!
Emocionei-me quando o vi, na demonstração da Feira do Desporto de Odivelas, a ensinar duas meninas pequeninas a jogar voleibol, com enorme dedicação. Uau!
A Inês já grita "Famões", o Lucas e a Rita já jogam e gritam também "Famões". O Rui Pedro e a Silvia já respiram Famões! O FCA faz parte da família e conta com muita gente incrível que transpira diariamente pelos mesmos valores, porque ama o trabalho de equipa, ama o desporto, ama dedicar-se a uma paixão sem horários e com muita luta pelo caminho. Tenho tanto orgulho em ti, Vasco! Temos tanto orgulho em ti e em vocês. Até os amigos dele de infância lhe ofereceram, nos seus 40 anos, inscrições de sócios como sinal de apoio. Não é bonito?! Eu achei muito!
Depois existem outras causas e projetos em prol do verdadeiro Ambiente que também melhoram o ambiente lá em casa. A Tesla, a SpaceX (e os lançamentos a que assisto, com emoção, em direto), as ambições de levar vida humana a Marte, o potencial da inteligência artificial, a urgente redução do plástico, as bicicletas em detrimento dos carros a combustível e, finalmente, as cabanas no meio do mato...
Sim, estava no contrato da nossa união de facto que havia cabanas para construir! E há. Lá esteve ele no fim-de-semana a levar os filhos e amigos para o campo verde e denso da nossa "terra", para construir a cabana mais bonita que já vi (não lhe disse), que ele viu num vídeo do facebook e quis reproduzir. Persistência e foco serão das grandes qualidades dele.
Confesso que me irrita, às vezes, ter três filhos. Mas adoro quando somos 4 crianças a viver aventuras, a deitarmo-nos no chão de ervas daninhas para vermos como ficou bonita a (quase terminada) cabana, onde acredito que ainda vamos almoçar e dormir, este verão.
No dia mundial do ambiente, agradeço-te por seres tão especial. Continua porque o mundo precisa muito de pessoas assim e nós, lá em casa, também! Feliz Dia do teu Ambiente!
Quando o Lucas nasceu, o Vasco esteve três meses em casa, o que tornou esta fase ainda mais especial. Nestes meses de "pausa", nasceu o filho dele do meio (a gravidez foi dele e é ele que cuida deste filho): o Famões Clube Atlético (FCA).
Começou por ser uma conversa de amigos e amigas. Faltavam clubes com voleibol feminino naquela zona e havia atletas interessadas. Como já existia a Liga Bernardino, inspirada nos jogos de futebol com o primo João e o Tio Manuel, o clube nasceu no fim de 2010 com o intuito de promover o desporto, nestas diferentes modalidades, com um espírito amigável como valor primeiro! O Rugas, cão que cheguei a conhecer e fez parte da vida do Vasco, tinha morrido há pouco tempo e acabou por ficar o símbolo do clube.
Hoje, 8 anos depois, o FCA tem mais de 65 atletas de voleibol (dos 7 anos até adultas), algumas taças, dezenas de jogadores de futebol masculino na Liga Bernardino, algumas provas de BTT realizadas e milhares de horas do meu engenheiro florestal investidas. E tem o Rugas espalhado em dezenas de casas, em camisolas, porta-chaves, cachecóis, fichas de inscrição e no website....
Podia falar das inúmeras vezes em que ele tem que ir para os jogos, torneios, reuniões, assembleias, atende telefonemas atrás uns dos outros, do desgaste, das noites mal dormidas, das preocupações constantes e do que sobra para mim... Mas não é isso que quero destacar.
Vou dizer o quanto me sinto orgulhosa por ter um engenheiro florestal comigo que, para além do seu trabalho e vida profissional, criou e abraçou voluntariamente um projeto que melhora o ambiente desportivo numa vila chamada Famões, onde ele cresceu e onde já fomos tão felizes. Um clube que melhora a vida de centenas de pessoas, certamente, e que começou por ser apenas um sonho e um dossiê em nossa casa.
Hoje emociono-me muitas vezes (sem ele ver) quando grito "Famõõõõões" nos jogos (os poucos a que vou) e quando ouço muitos pais e mães a gritar, com ou sem aquele cachecol que tem o Rugas como símbolo, a lembrar a importância de valores como a amizade, a diversão, o desportivismo e o respeito pelo adversário. Não é bonito?!
Emocionei-me quando o vi, na demonstração da Feira do Desporto de Odivelas, a ensinar duas meninas pequeninas a jogar voleibol, com enorme dedicação. Uau!
A Inês já grita "Famões", o Lucas e a Rita já jogam e gritam também "Famões". O Rui Pedro e a Silvia já respiram Famões! O FCA faz parte da família e conta com muita gente incrível que transpira diariamente pelos mesmos valores, porque ama o trabalho de equipa, ama o desporto, ama dedicar-se a uma paixão sem horários e com muita luta pelo caminho. Tenho tanto orgulho em ti, Vasco! Temos tanto orgulho em ti e em vocês. Até os amigos dele de infância lhe ofereceram, nos seus 40 anos, inscrições de sócios como sinal de apoio. Não é bonito?! Eu achei muito!
Depois existem outras causas e projetos em prol do verdadeiro Ambiente que também melhoram o ambiente lá em casa. A Tesla, a SpaceX (e os lançamentos a que assisto, com emoção, em direto), as ambições de levar vida humana a Marte, o potencial da inteligência artificial, a urgente redução do plástico, as bicicletas em detrimento dos carros a combustível e, finalmente, as cabanas no meio do mato...
Sim, estava no contrato da nossa união de facto que havia cabanas para construir! E há. Lá esteve ele no fim-de-semana a levar os filhos e amigos para o campo verde e denso da nossa "terra", para construir a cabana mais bonita que já vi (não lhe disse), que ele viu num vídeo do facebook e quis reproduzir. Persistência e foco serão das grandes qualidades dele.
Confesso que me irrita, às vezes, ter três filhos. Mas adoro quando somos 4 crianças a viver aventuras, a deitarmo-nos no chão de ervas daninhas para vermos como ficou bonita a (quase terminada) cabana, onde acredito que ainda vamos almoçar e dormir, este verão.
No dia mundial do ambiente, agradeço-te por seres tão especial. Continua porque o mundo precisa muito de pessoas assim e nós, lá em casa, também! Feliz Dia do teu Ambiente!
domingo, 3 de junho de 2018
Árvore
Trouxe uma formiga tua
Que subiu todo o meu braço
Como consegues vê-la a andar
E não dares um único passo?!
Respeito a tua forma de ser
A beleza com que cresces só aí
Não te apetece correr
Não gostavas de poder fugir?
Eu não tenho a certeza
Se conseguia ser como tu
Como sentes a natureza?
Sem não lhe dás abraços... nem um!
Sabes que existe deserto e mar?
Sabes que há beijos tão bons de dar?
Como consegues nem desejar?
Pareces tão bem nesse lugar...
Talvez saiba o que te faz feliz
Tens ar puro, fruta e flores
Danças com a chuva e sorris
Com esses bichos cheios de cores!
Pareces uma espécie de Mãe
Que só de ter crianças a trepar
E nos braços ficarem a baloiçar
Só por isso, como nós, ficas bem.
Admiro-te, árvore
Não precisas de mais nada
Quando passar por ti
Vou ficar aí sentada.
Que subiu todo o meu braço
Como consegues vê-la a andar
E não dares um único passo?!
Respeito a tua forma de ser
A beleza com que cresces só aí
Não te apetece correr
Não gostavas de poder fugir?
Eu não tenho a certeza
Se conseguia ser como tu
Como sentes a natureza?
Sem não lhe dás abraços... nem um!
Sabes que existe deserto e mar?
Sabes que há beijos tão bons de dar?
Como consegues nem desejar?
Pareces tão bem nesse lugar...
Talvez saiba o que te faz feliz
Tens ar puro, fruta e flores
Danças com a chuva e sorris
Com esses bichos cheios de cores!
Pareces uma espécie de Mãe
Que só de ter crianças a trepar
E nos braços ficarem a baloiçar
Só por isso, como nós, ficas bem.
Admiro-te, árvore
Não precisas de mais nada
Quando passar por ti
Vou ficar aí sentada.
terça-feira, 15 de maio de 2018
Viagens na minha terra
Quando vamos uns dias para a aldeia das nossas mães já vamos utilizando o termo "terra" para identificar a nossa zona comum, as nossas origens e o nosso ar puro.
Mas a minha "terra" é Santarém. E é em Santarém que me sinto em casa, onde guardo as minhas memórias de infância e muitos dos meus amigos.
Os amigos de Lisboa são muito importantes, mas conhecem outra Joana: a da faculdade, das causas, do Vasco e dos filhos.
Tento com alguma insistência levar os miúdos a Santarém (queria que fossem o triplo das vezes)... Preciso mesmo de lá ir, apesar de me identificar mais com Lisboa... sem dúvida. A diversidade de pessoas, os "horizontes alargados", a praia, as oportunidades profissionais, as opções infinitas de sítios para ir, o facto de ninguém nos conhecer, vale muito....
Mas Santarém tem que estar por perto. Se estiver muitos meses sem lá ir, o corpo sente falta. E o coração também... Quando vamos a Santarém eu vou feliz... sempre. E por isso, felizes vão os meus filhos, porque ralho menos, canto mais e eles percebem que é bom. Finalmente, já tenho o meu filho de 7 anos a pedir para lá ir. Consegui!!
Apesar de ser difícil e pouco viável, há momentos em que penso em irmos viver para lá.... talvez quando os nossos filhos forem um pouco maiores e as saídas à noite em Lisboa nos derem vontade de fugir para um sítio mais calmo, onde eu saí também. Tenho a GIGANTE sorte de ter bons amigos e amigas lá.
As amigas do coração que aprenderam comigo a ler e escrever... Amigas que me conhecem verdadeiramente e me viram crescer e ser Mãe de dois filhos, de quem são verdadeiras Tias. Hoje vemos os nossos filhos brincarem juntos, enquanto conversamos sobre tudo o que é possível no pouco tempo que temos. E rimos tanto tanto, da mesma forma que ríamos aos 15 anos quando falávamos de rapazes...
Os amigos da adolescência são outro grupo que apareceu aos 15 e com quem fui mega feliz, comecei a ouvir muita e boa música, passei férias de boa praia e das melhores recordações... Com quem conversei até de madrugada, comi 12 passas durante muitos anos... Amigos com quem consigo estar ainda algumas vezes e abraçar da mesma forma que abraçava... com quem sinto sempre uma cumplicidade que só nós sabemos de onde vem.
Todos eles amigos que conheceram o meu Pai e estiveram comigo nesses dias em que Santarém também chorou. Lisboa não... Este é um dos motivos que me fazem lá ir. Lembrar-me dele.
Lembrar-me das touradas que íamos ver juntos e me deixam saudades, apesar de já não gostar. O rancho e as vezes que dançámos ou o víamos dançar com elegância ... As Portas do Sol onde íamos almoçar e brincar no jardim, juntos. Onde tirámos aquelas fotos que estão agora nas nossas cómodas, a ficar sem cor de tanta saudade. A nossa casa. A porta do nosso prédio, onde te comecei a perder... Mesmo as más memórias são boas, fazem parte. Os meus filhos não imaginam o que vivemos, quem éramos, o que fazia a Mãe quando era do tamanho deles...
Quando entro na Rua O, já suspiro de feliz. E depois começo a conversa de sempre "Era aqui que a Mãe.....", "Esta era a escola da Mãe", "...a casa da Mãe...", "o café onde a Mãe ia...". O Vasco já se deve cansar mas penso que percebe, porque me acompanha e vai sabendo os meus caminhos de cor. Faço questão de repetir tudo, mesmo que seja chata, já com a intenção de que o Lucas retenha, valorize e queira sempre voltar.
Agora visito outra "Santarém". Mais nova, arranjada, onde conheço menos pessoas, mas onde a minha história está escrita nas ruas, nas casas, nas árvores e no nosso rio. Não sei o que está para vir mas cada vez mais valorizo o que está lá guardado para sempre e só nosso.
(O título do texto foi escolhido porque Almeida Garrett escreveu "Viagens na minha terra", onde também menciona Santarém e uma "Joaninha dos olhos verdes", expressão que ouvia em pequena e lembro com carinho.)
Mas a minha "terra" é Santarém. E é em Santarém que me sinto em casa, onde guardo as minhas memórias de infância e muitos dos meus amigos.
Os amigos de Lisboa são muito importantes, mas conhecem outra Joana: a da faculdade, das causas, do Vasco e dos filhos.
Tento com alguma insistência levar os miúdos a Santarém (queria que fossem o triplo das vezes)... Preciso mesmo de lá ir, apesar de me identificar mais com Lisboa... sem dúvida. A diversidade de pessoas, os "horizontes alargados", a praia, as oportunidades profissionais, as opções infinitas de sítios para ir, o facto de ninguém nos conhecer, vale muito....
Mas Santarém tem que estar por perto. Se estiver muitos meses sem lá ir, o corpo sente falta. E o coração também... Quando vamos a Santarém eu vou feliz... sempre. E por isso, felizes vão os meus filhos, porque ralho menos, canto mais e eles percebem que é bom. Finalmente, já tenho o meu filho de 7 anos a pedir para lá ir. Consegui!!
Apesar de ser difícil e pouco viável, há momentos em que penso em irmos viver para lá.... talvez quando os nossos filhos forem um pouco maiores e as saídas à noite em Lisboa nos derem vontade de fugir para um sítio mais calmo, onde eu saí também. Tenho a GIGANTE sorte de ter bons amigos e amigas lá.
As amigas do coração que aprenderam comigo a ler e escrever... Amigas que me conhecem verdadeiramente e me viram crescer e ser Mãe de dois filhos, de quem são verdadeiras Tias. Hoje vemos os nossos filhos brincarem juntos, enquanto conversamos sobre tudo o que é possível no pouco tempo que temos. E rimos tanto tanto, da mesma forma que ríamos aos 15 anos quando falávamos de rapazes...
Os amigos da adolescência são outro grupo que apareceu aos 15 e com quem fui mega feliz, comecei a ouvir muita e boa música, passei férias de boa praia e das melhores recordações... Com quem conversei até de madrugada, comi 12 passas durante muitos anos... Amigos com quem consigo estar ainda algumas vezes e abraçar da mesma forma que abraçava... com quem sinto sempre uma cumplicidade que só nós sabemos de onde vem.
Todos eles amigos que conheceram o meu Pai e estiveram comigo nesses dias em que Santarém também chorou. Lisboa não... Este é um dos motivos que me fazem lá ir. Lembrar-me dele.
Lembrar-me das touradas que íamos ver juntos e me deixam saudades, apesar de já não gostar. O rancho e as vezes que dançámos ou o víamos dançar com elegância ... As Portas do Sol onde íamos almoçar e brincar no jardim, juntos. Onde tirámos aquelas fotos que estão agora nas nossas cómodas, a ficar sem cor de tanta saudade. A nossa casa. A porta do nosso prédio, onde te comecei a perder... Mesmo as más memórias são boas, fazem parte. Os meus filhos não imaginam o que vivemos, quem éramos, o que fazia a Mãe quando era do tamanho deles...
Quando entro na Rua O, já suspiro de feliz. E depois começo a conversa de sempre "Era aqui que a Mãe.....", "Esta era a escola da Mãe", "...a casa da Mãe...", "o café onde a Mãe ia...". O Vasco já se deve cansar mas penso que percebe, porque me acompanha e vai sabendo os meus caminhos de cor. Faço questão de repetir tudo, mesmo que seja chata, já com a intenção de que o Lucas retenha, valorize e queira sempre voltar.
Agora visito outra "Santarém". Mais nova, arranjada, onde conheço menos pessoas, mas onde a minha história está escrita nas ruas, nas casas, nas árvores e no nosso rio. Não sei o que está para vir mas cada vez mais valorizo o que está lá guardado para sempre e só nosso.
(O título do texto foi escolhido porque Almeida Garrett escreveu "Viagens na minha terra", onde também menciona Santarém e uma "Joaninha dos olhos verdes", expressão que ouvia em pequena e lembro com carinho.)
segunda-feira, 16 de abril de 2018
A nossa medicação atual
Já houve anos em que havia melhor saúde, tempo para tudo e bons hábitos. Dias em que bastava querer e sentávamo-nos no sofá em modo "comando da tv + ver tudo e mais alguma coisa". Havia tempo para sair com amigos, fazer disparates, desabafar, rir e chorar até nos apetecer...
Agora (leia-se pós-parto) o tempo voa, a vida gira à volta dos nossos filhos e são eles que nos comandam a nós...
Tomamos, por isto, doses diárias de remédios para compensar algumas carências de nutrientes vitais que vão fazendo falta... Já tomámos várias nem sempre em sintonia. Agora tomamos a mesma, o que facilita.
Atualmente esta é a medicação que fazemos depois do jantar cá em casa, quando deitadas as crias:
- This is us: uma vez por semana, porque chegámos atrasados e a RTP lá teve a noção da quantidade de gente que ficou à espera de ver a famosa série de que todos falavam... Esta medicação serve de terapia... Essencial ... Compensa falta do tempo e desabafo entre amigos. É como estar em frente a um álbum de fotos de infância, em sessões de terapia de casal e na wc sozinhos a chorar os problemas dos últimos seis meses... Tudo num só xarope semanal. Faz bem à alma. Parece que eles somos nós e nós somos eles. Uma medicação que nos limpa por dentro. É maravilhoso e ambos adoramos.
- Casa de Papel: restantes vezes por semana quando há tempo e pouco sono... Esta é a medicação indicada para carências de aventura, disparates e pecados com pinta... A casa de papel é o café onde nos encontramos com os amigos para dizer disparates sem nexo e beber uns copos... Sem sair do sofá. É a série cheia de personalidade, é o culto da adolescência rebelde, onde queremos ser a Tóquio ou o Berlim num sonho daqueles em que vale tudo e depois acordamos com chuchas e fraldas na cara. Obrigada Netflix e Professor por nos fazerem sentir fora da caixa durante blocos de 45 minutos intensos...
E pronto, "isto somos nós" na nossa "casa de papel" reciclado... Vamos ver o Denver a rir-se que nem doido, a Nairobi a matriarcar e a Raquel a por o lápis no cabelo para ferver de raiva... E esperar para amanhã ver como está o pai do Randall e sentirmo-nos na pele do Jack+Rebecca, contentes por não termos ido ao terceiro...
Agora (leia-se pós-parto) o tempo voa, a vida gira à volta dos nossos filhos e são eles que nos comandam a nós...
Tomamos, por isto, doses diárias de remédios para compensar algumas carências de nutrientes vitais que vão fazendo falta... Já tomámos várias nem sempre em sintonia. Agora tomamos a mesma, o que facilita.
Atualmente esta é a medicação que fazemos depois do jantar cá em casa, quando deitadas as crias:
- This is us: uma vez por semana, porque chegámos atrasados e a RTP lá teve a noção da quantidade de gente que ficou à espera de ver a famosa série de que todos falavam... Esta medicação serve de terapia... Essencial ... Compensa falta do tempo e desabafo entre amigos. É como estar em frente a um álbum de fotos de infância, em sessões de terapia de casal e na wc sozinhos a chorar os problemas dos últimos seis meses... Tudo num só xarope semanal. Faz bem à alma. Parece que eles somos nós e nós somos eles. Uma medicação que nos limpa por dentro. É maravilhoso e ambos adoramos.
- Casa de Papel: restantes vezes por semana quando há tempo e pouco sono... Esta é a medicação indicada para carências de aventura, disparates e pecados com pinta... A casa de papel é o café onde nos encontramos com os amigos para dizer disparates sem nexo e beber uns copos... Sem sair do sofá. É a série cheia de personalidade, é o culto da adolescência rebelde, onde queremos ser a Tóquio ou o Berlim num sonho daqueles em que vale tudo e depois acordamos com chuchas e fraldas na cara. Obrigada Netflix e Professor por nos fazerem sentir fora da caixa durante blocos de 45 minutos intensos...
E pronto, "isto somos nós" na nossa "casa de papel" reciclado... Vamos ver o Denver a rir-se que nem doido, a Nairobi a matriarcar e a Raquel a por o lápis no cabelo para ferver de raiva... E esperar para amanhã ver como está o pai do Randall e sentirmo-nos na pele do Jack+Rebecca, contentes por não termos ido ao terceiro...
sexta-feira, 13 de abril de 2018
Já nem conseguimos conversar...
Querido Sol,
Sou de agosto e sempre gostei de calor.
De calor e da tua luz...
Já falei de ti várias vezes neste cantinho.
Falei de praia, falei de viagens, falei de gavetas, falei do Rio.
Onde tu estás, eu estou bem.
Mas ultimamente já quase não falamos.
Passou muito tempo desde que estiveste por perto... e ficaste.
Já não ficas. Espreitas e sais logo...
Quando sais, aquele escuro com nuvens deixa-me triste.
A roupa não seca, os miúdos não podem brincar 10 minutos no parque e mesmo há hora de almoço não consigo ter-te comigo do início até ao fim da rua onde trabalho.
Está tudo bem? Queres falar? Podes ficar?
Sei que estiveste em Zurique e em Viena porque vi fotos tuas com amigas. Trazes tantos sorrisos contigo, és mesmo especial...
Passou tanto tempo desde a última vez, que parece que até fico deprimida...
Volta por favor...está a ser mesmo difícil e não é só para mim... Tu mudas os nossos dias, o nosso humor, a nossa vida. Tudo isto é melhor contigo.
E, já agora, traz contigo o calor em doses suficientes para podermos tirar casacos e por os óculos escuros e os pés na areia, ok?
Adoro-te!
Tua,
Joana
Sou de agosto e sempre gostei de calor.
De calor e da tua luz...
Já falei de ti várias vezes neste cantinho.
Falei de praia, falei de viagens, falei de gavetas, falei do Rio.
Onde tu estás, eu estou bem.
Mas ultimamente já quase não falamos.
Passou muito tempo desde que estiveste por perto... e ficaste.
Já não ficas. Espreitas e sais logo...
Quando sais, aquele escuro com nuvens deixa-me triste.
A roupa não seca, os miúdos não podem brincar 10 minutos no parque e mesmo há hora de almoço não consigo ter-te comigo do início até ao fim da rua onde trabalho.
Está tudo bem? Queres falar? Podes ficar?
Sei que estiveste em Zurique e em Viena porque vi fotos tuas com amigas. Trazes tantos sorrisos contigo, és mesmo especial...
Passou tanto tempo desde a última vez, que parece que até fico deprimida...
Volta por favor...está a ser mesmo difícil e não é só para mim... Tu mudas os nossos dias, o nosso humor, a nossa vida. Tudo isto é melhor contigo.
E, já agora, traz contigo o calor em doses suficientes para podermos tirar casacos e por os óculos escuros e os pés na areia, ok?
Adoro-te!
Tua,
Joana
segunda-feira, 5 de março de 2018
A dança de Saturno!
O calendário de cada ano, para mim, assemelha-se ao anel de saturno (3D), percorrendo 365 dias e recomeçando outra vez, girando e girando...
Mas eu vejo sempre este anel com altos e baixos. Imaginemos o Saturno a dançar ao arco e a abanar a cintura, com uma música que, às vezes, é alta e mexida e, outras, calma e tristonha...
Os seus picos são em julho (alto) e janeiro (baixo).
Cada ano começa, portanto, com o arco bem lá em baixo ao som de uma música melancólica...
É inverno, o tempo é mau, a pele branquela, o cabelo eriça e está sempre despenteado, há falta vontade para tudo, enjoo total... Não gosto de chuva e de frio, fico com a bateria fraca e a alegria não me é tão natural.
Fui percebendo com os anos que não só gosto de sol e calor, como PRECISO de sol e de calor, também por ser asmática. O sol e o ar quente ajudam a sentir-me melhor. A gaveta 2 é também uma necessidade física para mim. Daí que quando se passa o janeiro, começo a renascer e a sair da toca...
Em fevereiro, parece que faço uma curva pelo inverno e começo a subir ligeiramente uma rampa que me faz avistar lá ao longe mais um verão, o que tem um efeito rejuvenescedor.
Os dias começam a ficar maiores, há mais sol e começa a cheirar a primavera.
Por esta rampa começam a descer e a ficar amontoados cá em baixo (em janeiro) as roupas quentes, escuras, pesadas; as mantas, os chapéus de chuva, cachecóis e outros extras que ali ficam para não chatear e a aguardar pelo próximo outubro...É, na verdade, este peso que faz com que janeiro seja o pico mais baixo...
Em março, ainda há luz do sol quando chegamos a casa. No horizonte já se vê o verão, praia, calor e dias mais leves. Todo o caminho até lá é feito a pensar nesta recompensa, tipo maratona com vista à meta.
Depois vem abril, que é bom porque começamos a marcar as nossas férias de verão, começam a aparecer uns dias de sol e calor aqui e ali e isso funciona como um belo incentivo para começarmos a preparar o mood "sandália, esplanada, óculos escuros, gelados e solzinho bom"! Nas crianças, então, é bom de ver!
Maio passa a voar porque as primeiras férias vêm em junho e então os dias são fáceis! Para além disso, há ombrinhos, pezinhos e perninhas que se começam a destapar e onde podemos dar mais beijinhos ainda... que fácil que é preparar só dois calções e duas t-shirt's para o dia a seguir!!
Já podemos marcar passeios e fins de semana na rua, pois é mais certo que haja sol e calorzinho para a pequenada correr e brincar ao ar livre!
Junho.... feriados, santos populares, fim de escola, férias e praiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!! Tudo é bom!
Julho: mesmo a trabalhar é maravilhoso e é o topo da rampa, quando a música é bem animada e Saturno está a curtir um belo som!
Aqui estamos em grande. Saímos depois do jantar para ir tomar café à rua e até se joga à bola ou anda de bicicleta porque há clima para isso!!! O astral está lá em cima!
Agosto: a rampa desce ligeiramente porque, apesar de ser o maior período de férias para nós, o facto de avistar o seu fim, em setembro, já deprime ligeiramente, coisa pouca... É preciso aproveitar cada minuto de sol, de calor, de praia, de brincadeira e de verão!!! Apetece guardar os restos bons dos dias em caixas e congelar....
Setembro: ainda gosto, vem lá a escola, o início dos aniversários dos filhotes e a despedida do verão.
Outubro: estamos naquele mood de "estou bem", mas já com uma lágrima no canto do olho. Apetece pregar os últimos dias quentes à parede do quarto e adormecer a olhar para eles...
Novembro..... oh novembro... que seca, tristeza, chatice. Felizmente há luzes e natal e cheiro a castanhas e terra molhada que lá consigo dizer que são aconchegantes...
Dezembro sai ileso porque há férias, Natal, família, doces bons e, às vezes, neve. Passa-se.
E pronto, depois da passagem de ano, que é divertida, batemos no fundo. Lá está Saturno, de olheiras, cabizbaixo, a ouvir Blues, cheio de depressão...
Parte boa desta dança de Saturno: estamos em março!
Mas eu vejo sempre este anel com altos e baixos. Imaginemos o Saturno a dançar ao arco e a abanar a cintura, com uma música que, às vezes, é alta e mexida e, outras, calma e tristonha...
Os seus picos são em julho (alto) e janeiro (baixo).
Cada ano começa, portanto, com o arco bem lá em baixo ao som de uma música melancólica...
É inverno, o tempo é mau, a pele branquela, o cabelo eriça e está sempre despenteado, há falta vontade para tudo, enjoo total... Não gosto de chuva e de frio, fico com a bateria fraca e a alegria não me é tão natural.
Fui percebendo com os anos que não só gosto de sol e calor, como PRECISO de sol e de calor, também por ser asmática. O sol e o ar quente ajudam a sentir-me melhor. A gaveta 2 é também uma necessidade física para mim. Daí que quando se passa o janeiro, começo a renascer e a sair da toca...
Em fevereiro, parece que faço uma curva pelo inverno e começo a subir ligeiramente uma rampa que me faz avistar lá ao longe mais um verão, o que tem um efeito rejuvenescedor.
Os dias começam a ficar maiores, há mais sol e começa a cheirar a primavera.
Por esta rampa começam a descer e a ficar amontoados cá em baixo (em janeiro) as roupas quentes, escuras, pesadas; as mantas, os chapéus de chuva, cachecóis e outros extras que ali ficam para não chatear e a aguardar pelo próximo outubro...É, na verdade, este peso que faz com que janeiro seja o pico mais baixo...
Em março, ainda há luz do sol quando chegamos a casa. No horizonte já se vê o verão, praia, calor e dias mais leves. Todo o caminho até lá é feito a pensar nesta recompensa, tipo maratona com vista à meta.
Depois vem abril, que é bom porque começamos a marcar as nossas férias de verão, começam a aparecer uns dias de sol e calor aqui e ali e isso funciona como um belo incentivo para começarmos a preparar o mood "sandália, esplanada, óculos escuros, gelados e solzinho bom"! Nas crianças, então, é bom de ver!
Maio passa a voar porque as primeiras férias vêm em junho e então os dias são fáceis! Para além disso, há ombrinhos, pezinhos e perninhas que se começam a destapar e onde podemos dar mais beijinhos ainda... que fácil que é preparar só dois calções e duas t-shirt's para o dia a seguir!!
Já podemos marcar passeios e fins de semana na rua, pois é mais certo que haja sol e calorzinho para a pequenada correr e brincar ao ar livre!
Junho.... feriados, santos populares, fim de escola, férias e praiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!! Tudo é bom!
Julho: mesmo a trabalhar é maravilhoso e é o topo da rampa, quando a música é bem animada e Saturno está a curtir um belo som!
Aqui estamos em grande. Saímos depois do jantar para ir tomar café à rua e até se joga à bola ou anda de bicicleta porque há clima para isso!!! O astral está lá em cima!
Agosto: a rampa desce ligeiramente porque, apesar de ser o maior período de férias para nós, o facto de avistar o seu fim, em setembro, já deprime ligeiramente, coisa pouca... É preciso aproveitar cada minuto de sol, de calor, de praia, de brincadeira e de verão!!! Apetece guardar os restos bons dos dias em caixas e congelar....
Setembro: ainda gosto, vem lá a escola, o início dos aniversários dos filhotes e a despedida do verão.
Outubro: estamos naquele mood de "estou bem", mas já com uma lágrima no canto do olho. Apetece pregar os últimos dias quentes à parede do quarto e adormecer a olhar para eles...
Novembro..... oh novembro... que seca, tristeza, chatice. Felizmente há luzes e natal e cheiro a castanhas e terra molhada que lá consigo dizer que são aconchegantes...
Dezembro sai ileso porque há férias, Natal, família, doces bons e, às vezes, neve. Passa-se.
E pronto, depois da passagem de ano, que é divertida, batemos no fundo. Lá está Saturno, de olheiras, cabizbaixo, a ouvir Blues, cheio de depressão...
Parte boa desta dança de Saturno: estamos em março!
Os ventos de Março
No meu mapa existem muitas viagens: umas feitas e muitas por fazer.
O Brasil (gaveta 2) é um dos países onde me senti mais feliz e há uma justificação simples para isso, se juntar 4 coisas de que preciso nas minhas "gavetas": calor (humano e do outro), natureza, música e comida.
Há 17 anos comprei em Viena um postal do Rio de Janeiro. Era a preto e branco e guardei-o durante muitos anos no meu quarto. Queria muito ir lá, sempre quis.
Cidade maravilhosa e habitat natural da minha música: MPB. Segundo a wikipédia: "a MPB, sigla derivada da expressão Música Popular Brasileira, é um género musical surgido no Brasil em meados da década de 1960. A MPB surgiu a partir de 1966 na cidade do Rio de Janeiro com a segunda geração da bossa nova, mas com uma forte influência do folclore brasileiro que já vinha desde 1932."
... A banda sonora da minha vida inclui muita e boa música brasileira. Desde as tardes em casa do Bruno e dos discos em vinil do pai dele, que me apaixonei por música brasileira e nunca mais a larguei. Tom Jobim, Vinicius, Zizzi Possi, Caetano, Marisa Monte, Gilberto Gil e João Gilberto, Maria Rita, Maria Gadu e muito mais cantores e autores incríveis ajudaram-me a perceber que podemos ser de um país e sentirmo-nos parte de outro.
Nunca fui ao Rio e nem sei quantas vezes sonhei que lá estava ou tentava chegar sem conseguir. Fui a outras cidades, praias e já várias vezes, felizmente. Nunca ao Rio.
O que gosto mesmo do Brasil? As pessoas, o calor, as emoções à flor da pele bronzeada, a felicidade das pequenas coisas, o otimismo.
Mas não gosto de tudo. Não gosto da violência, da corrupção descontrolada, da desigualdade sem fim previsto entre negros e brancos. Como diz o Caetano (e o Lorenzo lembrou), lá "negros são quase todos pobres e pobres são quase todos negros" e isso alimenta muitos problemas...
Em 2013 ponderámos ir viver para o Rio. Para mim era claro e natural: os sonhos são para se concretizar. Mas um filho e alguns riscos falaram mais alto. Seguimos a nossa vida e veio a nossa fofa. Não iria viver para lá hoje. Mas o sonho não se esquece e pode ter várias versões.
Quase 40 anos de ambos e 10 anos de namoro. Uma ótima desculpa para dar cor ao postal a preto e branco. Partida marcada para 9 de março.
Diz o arquivo da RTP... "a 9 de março de 1500 partiu de Lisboa a segunda armada portuguesa para a Índia, agora comandada por Pedro Álvares Cabral. Durante o caminho terão descoberto o Brasil."
Parece que os ventos sopraram inesperadamente e levaram Pedro a este destino. Há quem diga que foi intencional.
Os meus ventos também têm soprado para lá, desde sempre.
..........................*............................*...........................*..............................*.........................
15.03.18
Chegámos ontem do Rio de Janeiro.
Chegámos ontem de Copacabana, de Ipanema, do Pão de Açúcar, do Corcovado.
Chegámos do cheiro a Goiaba e madeira das árvores altas que beijam o céu, do gosto da caipirinha de maracujá, do samba como fundo de conversas boas de amigos.
Chegámos ontem de sorrisos com lágrimas e contigo, da certeza do bom que é sonhar, de ficarmos felizes pela felicidade dos músicos das roda de samba que olham nos olhos enquanto tocam nos corações dos cariocas desacreditados, desiludidos e, ainda assim, felizes.
Chegámos ontem do sol quente que aquece aquela calçada portuguesa onde muitos, muitos, muitos dormem nus e descalços, à noite.
Chegámos ontem da floresta tropical, a casa da capivara que é gente boa, do tocano, do beija-flor, do mico, da iguana, da borboleta que tem a sorte de voar.
Chegámos ontem do Aeroporto de Tom Jobim que garante que a música deste país, voa pelo mar fora e espalha esta magia em português, unindo muitos pelo mundo.
Chegámos ontem da cidade maravilhosa, onde Deus foi generoso com o verde, mas não está fazendo tudo pela natureza humana que é cada vez menos isso. A Marielle Franco???!!
Chegámos ontem e parece que ficámos lá para sempre.
Sempre disse que quando fosse ao Rio não voltaria. E não voltei totalmente.
(Inevitável: música e fotos em baixo)
"Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz.
Eu sei que a vida podia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita:
"É bonita, é bonita e é bonita!"
Cantou Zizi Possi.
"Minha alma canta,
Vejo o Rio de Janeiro,
Estou morrendo de saudade.
Rio, teu mar, praias sem fim,
Rio, você foi feito pra mim.
Cristo Redentor,
Braços abertos sobre a Guanabara.
Este samba é só porque,
Rio, eu gosto de você."
Cantou Tom Jobim.
"Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar"
Cantou Marisa Monte.
"Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção, corpo aberto no espaço
Coração De eterno flerte
Adoro ver-te
Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto pra Deus proteger-te
Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção como um beijo."
Cantou Caetano Veloso.
"O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro, fevereiro e março...
... Aquele abraço"
Cantou Gilberto Gil.
O Brasil (gaveta 2) é um dos países onde me senti mais feliz e há uma justificação simples para isso, se juntar 4 coisas de que preciso nas minhas "gavetas": calor (humano e do outro), natureza, música e comida.
Há 17 anos comprei em Viena um postal do Rio de Janeiro. Era a preto e branco e guardei-o durante muitos anos no meu quarto. Queria muito ir lá, sempre quis.
Cidade maravilhosa e habitat natural da minha música: MPB. Segundo a wikipédia: "a MPB, sigla derivada da expressão Música Popular Brasileira, é um género musical surgido no Brasil em meados da década de 1960. A MPB surgiu a partir de 1966 na cidade do Rio de Janeiro com a segunda geração da bossa nova, mas com uma forte influência do folclore brasileiro que já vinha desde 1932."
... A banda sonora da minha vida inclui muita e boa música brasileira. Desde as tardes em casa do Bruno e dos discos em vinil do pai dele, que me apaixonei por música brasileira e nunca mais a larguei. Tom Jobim, Vinicius, Zizzi Possi, Caetano, Marisa Monte, Gilberto Gil e João Gilberto, Maria Rita, Maria Gadu e muito mais cantores e autores incríveis ajudaram-me a perceber que podemos ser de um país e sentirmo-nos parte de outro.
Nunca fui ao Rio e nem sei quantas vezes sonhei que lá estava ou tentava chegar sem conseguir. Fui a outras cidades, praias e já várias vezes, felizmente. Nunca ao Rio.
O que gosto mesmo do Brasil? As pessoas, o calor, as emoções à flor da pele bronzeada, a felicidade das pequenas coisas, o otimismo.
Mas não gosto de tudo. Não gosto da violência, da corrupção descontrolada, da desigualdade sem fim previsto entre negros e brancos. Como diz o Caetano (e o Lorenzo lembrou), lá "negros são quase todos pobres e pobres são quase todos negros" e isso alimenta muitos problemas...
Em 2013 ponderámos ir viver para o Rio. Para mim era claro e natural: os sonhos são para se concretizar. Mas um filho e alguns riscos falaram mais alto. Seguimos a nossa vida e veio a nossa fofa. Não iria viver para lá hoje. Mas o sonho não se esquece e pode ter várias versões.
Quase 40 anos de ambos e 10 anos de namoro. Uma ótima desculpa para dar cor ao postal a preto e branco. Partida marcada para 9 de março.
Diz o arquivo da RTP... "a 9 de março de 1500 partiu de Lisboa a segunda armada portuguesa para a Índia, agora comandada por Pedro Álvares Cabral. Durante o caminho terão descoberto o Brasil."
Parece que os ventos sopraram inesperadamente e levaram Pedro a este destino. Há quem diga que foi intencional.
Os meus ventos também têm soprado para lá, desde sempre.
..........................*............................*...........................*..............................*.........................
15.03.18
Chegámos ontem do Rio de Janeiro.
Chegámos ontem de Copacabana, de Ipanema, do Pão de Açúcar, do Corcovado.
Chegámos do cheiro a Goiaba e madeira das árvores altas que beijam o céu, do gosto da caipirinha de maracujá, do samba como fundo de conversas boas de amigos.
Chegámos ontem de sorrisos com lágrimas e contigo, da certeza do bom que é sonhar, de ficarmos felizes pela felicidade dos músicos das roda de samba que olham nos olhos enquanto tocam nos corações dos cariocas desacreditados, desiludidos e, ainda assim, felizes.
Chegámos ontem do sol quente que aquece aquela calçada portuguesa onde muitos, muitos, muitos dormem nus e descalços, à noite.
Chegámos ontem da floresta tropical, a casa da capivara que é gente boa, do tocano, do beija-flor, do mico, da iguana, da borboleta que tem a sorte de voar.
Chegámos ontem do Aeroporto de Tom Jobim que garante que a música deste país, voa pelo mar fora e espalha esta magia em português, unindo muitos pelo mundo.
Chegámos ontem da cidade maravilhosa, onde Deus foi generoso com o verde, mas não está fazendo tudo pela natureza humana que é cada vez menos isso. A Marielle Franco???!!
Chegámos ontem e parece que ficámos lá para sempre.
Sempre disse que quando fosse ao Rio não voltaria. E não voltei totalmente.
(Inevitável: música e fotos em baixo)
"Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz.
Eu sei que a vida podia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita:
"É bonita, é bonita e é bonita!"
Cantou Zizi Possi.
"Minha alma canta,
Vejo o Rio de Janeiro,
Estou morrendo de saudade.
Rio, teu mar, praias sem fim,
Rio, você foi feito pra mim.
Cristo Redentor,
Braços abertos sobre a Guanabara.
Este samba é só porque,
Rio, eu gosto de você."
Cantou Tom Jobim.
"Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar"
Cantou Marisa Monte.
"Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção, corpo aberto no espaço
Coração De eterno flerte
Adoro ver-te
Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto pra Deus proteger-te
Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção como um beijo."
Cantou Caetano Veloso.
"O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro, fevereiro e março...
... Aquele abraço"
Cantou Gilberto Gil.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Inspiro
Inspiro.
Inspiração para escrever
Inspiração para soprar
Inspiração para beber
Inspiração para cantar.
Inspira!
Inspiração para escrever
Inspiração para soprar
Inspiração para beber
Inspiração para cantar.
Inspira!
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Beijos e Beijinhos
Muitos beijos damos nós toda a vida, a muitas pessoas, beijinhos de vários tipos. Mas os beijinhos dos mais pequeninos são qualquer coisa....
A nossa fofa ainda não sabe dar os beijinhos de crescido então dá aqueles beijinhos que desarmam qualquer um... Se Deus existe, está ali sem qualquer dúvida. Meio desmanchados, meio molhados, com um som especial e tão doces....
O ato de beijar e abraçar devia ser Património da Humanidade. Na verdade é, mas sem o título.
Beijar e abraçar (que combinação perfeita!) são atos gratuitos e maravilhosos quando verdadeiros e, de preferência, em abundância.
A solidão não escolhida deve ser horrível, triste e diria que a falta de beijos e abraços devem ser um dos grandes motivos para as demências, o Alzeimer e todas as maldades que o fim de vida traz. Infelizmente a memória e as fotografias não trazem beijinhos, muito menos os de criança.
Os beijinhos de criança são merecedores de Globos de Ouro... Óscares, Prémio Nobel do Amor... "And the Nobel Love Prize goes to... os fofos todos do planeta!!"
Eles abraçam com aqueles bracinhos aprendizes, eles cospem e sujam a nossa cara, eles dão som aos beijinhos sem vergonha e fazem-nos querer por em pausa aqueles momentos que são do mais valioso que há...
Claro que o primeiro beijo que damos "de amor", o primeiro beijo que damos à nossa cara metade não se esquecem, são de emoldurar e são de ouro mas estes beijinhos pequeninos são os maiores....
Quando nos despedimos dos nossos filhos à noite e damos aquele último beijo do dia, já ansiando que chegue a manhã para recebermos outro igual ou melhor, é tão delicioso!
Ele dá beijos mais a fugir mas compensa com as bochechas mais macias do planeta, onde tenho o privilégio e prazer de colocar um qualquer beijo meu e ficar feliz. Que delícia são aquelas bochechas de rapaz que um dia vão ter barba ... sem eu autorizar!
Ela dá uns que se ouvem em todo o quarto. Quando o pai recebe, eu ouço à distância e até ouço o coração dele a bater o dobro das vezes...
Quando eu recebo, ai que bommmm. Ela abraça quando beija! E quando ela quer dar muitos?!! São beijos e abraços tão tontos quanto bons!
Hoje de manhã quando o pai seguia com a bicicleta pela rua, nós os três seguíamos para o carro e ela disse "não dei um beijo ao pai"! Lá correu para o abraçar, o beijo teve o seu momento ampliado (o pai até pos o descanso na bicicleta para receber) e muitos puderam assistir ao bom que é receber aquele beijinho e abracinho e sorrisos vários que dali nascem...
Beijos são bons e, se acompanhados de abraços, melhores são. Beijinhos pela manhã, depois das refeições de boca suja, beijinhos na escola, beijinhos antes de deitar! E mais beijos de bom dia, beijos de parabéns, beijos de amizade, beijos de amor, beijos de adeus, beijos de mães e pais, beijos de avós, beijos de manos, beijos, muitos beijinhos que são bons de dar e receber. Beijo.
A nossa fofa ainda não sabe dar os beijinhos de crescido então dá aqueles beijinhos que desarmam qualquer um... Se Deus existe, está ali sem qualquer dúvida. Meio desmanchados, meio molhados, com um som especial e tão doces....
O ato de beijar e abraçar devia ser Património da Humanidade. Na verdade é, mas sem o título.
Beijar e abraçar (que combinação perfeita!) são atos gratuitos e maravilhosos quando verdadeiros e, de preferência, em abundância.
A solidão não escolhida deve ser horrível, triste e diria que a falta de beijos e abraços devem ser um dos grandes motivos para as demências, o Alzeimer e todas as maldades que o fim de vida traz. Infelizmente a memória e as fotografias não trazem beijinhos, muito menos os de criança.
Os beijinhos de criança são merecedores de Globos de Ouro... Óscares, Prémio Nobel do Amor... "And the Nobel Love Prize goes to... os fofos todos do planeta!!"
Eles abraçam com aqueles bracinhos aprendizes, eles cospem e sujam a nossa cara, eles dão som aos beijinhos sem vergonha e fazem-nos querer por em pausa aqueles momentos que são do mais valioso que há...
Claro que o primeiro beijo que damos "de amor", o primeiro beijo que damos à nossa cara metade não se esquecem, são de emoldurar e são de ouro mas estes beijinhos pequeninos são os maiores....
Quando nos despedimos dos nossos filhos à noite e damos aquele último beijo do dia, já ansiando que chegue a manhã para recebermos outro igual ou melhor, é tão delicioso!
Ele dá beijos mais a fugir mas compensa com as bochechas mais macias do planeta, onde tenho o privilégio e prazer de colocar um qualquer beijo meu e ficar feliz. Que delícia são aquelas bochechas de rapaz que um dia vão ter barba ... sem eu autorizar!
Ela dá uns que se ouvem em todo o quarto. Quando o pai recebe, eu ouço à distância e até ouço o coração dele a bater o dobro das vezes...
Quando eu recebo, ai que bommmm. Ela abraça quando beija! E quando ela quer dar muitos?!! São beijos e abraços tão tontos quanto bons!
Hoje de manhã quando o pai seguia com a bicicleta pela rua, nós os três seguíamos para o carro e ela disse "não dei um beijo ao pai"! Lá correu para o abraçar, o beijo teve o seu momento ampliado (o pai até pos o descanso na bicicleta para receber) e muitos puderam assistir ao bom que é receber aquele beijinho e abracinho e sorrisos vários que dali nascem...
Beijos são bons e, se acompanhados de abraços, melhores são. Beijinhos pela manhã, depois das refeições de boca suja, beijinhos na escola, beijinhos antes de deitar! E mais beijos de bom dia, beijos de parabéns, beijos de amizade, beijos de amor, beijos de adeus, beijos de mães e pais, beijos de avós, beijos de manos, beijos, muitos beijinhos que são bons de dar e receber. Beijo.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
Escrevemos um livro
Nos espaços entre as palavras, vou-te olhando
Nos pontos finais, dás-me um beijo
Nas vírgulas, esboço um sorriso
Nos parágrafos, vais-te aproximando.
Os nossos parêntesis são abraços
Que se querem bem fechados
Na interrogação, discordamos
Na exclamação... apaixonados.
Escrevemos juntos páginas inteiras
Dias enchem-se de poesia
Outros também de escrita direita
Outros ainda passam sem rima.
É isto afinal um livro
Que conta histórias diferentes
O nosso sem capa nem lombada
Porque pode durar para sempre.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
O nosso coração é tonto...
Enquanto filhos, tenho ideia que não nos fez confusão crescer e afastarmo-nos dos nossos pais. É uma aventura, são fases de crescidos com riscos que queremos correr. E depois, sabemos que os pais estão sempre lá para nós e isso não dá medo de nada...
Agora, como mãe, penso ao contrário. O nosso coração parece que fica tonto...
Quando vejo o Lucas a ir aquele bocadinho sozinho para a escola, fico num misto de feliz e orgulhosa com "já não precisas de mim!!?"...
Quando finalmente cheguei ao limite de dormir mal e decidimos, com firmeza, disciplinar a fofa para aprender a adormecer sozinha e ela está a dormir a noite toda (YUPIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII, nem que seja por 3 ou 4 dias), no fundo penso... "Já não vais precisar de mim?!!!"
É tão parvo, porque estava a esgotar-me ... Eu até sabia a teoria e o que precisava de fazer, mas não queria perder aquela proximidade, o saber que precisam de mim e eu não lhes falto... (Really??)
O Lucas começa a ler palavras, a querer escrever o nome das bandas que gosta para procurar no youtube e a tentar perceber o que dizem os rótulos dos frascos... Fico tão orgulhosa, mas penso... "Podes precisar de mim... sempre??"
Ontem foi mudar o gesso, partiu o pulso a fazer escalada e "escorregou no sapo" como explicou aos médicos:). Foi há um mês mas afinal ainda faltam 3 semanas para tirar o gesso novo. Está crescido, soube lidar com aquilo, depressa enfrentou a coisa e mexe-se, já escreve (é o direito), faz tudo e pouco se queixou... Cresceu tanto nestes meses...
Para mim aquele pulso é meu, fui eu que o fiz e cresceu na minha barriga, ora... Doeu-me tanto quando o partimos... e até fiquei mal disposta quando tiraram este gesso para colocarem outro e vi o nosso braço magrinho... porque é que mais tarde não continua tudo meu?! Quando ele for grande, eu é que quero dar o benuron e ver se ele tem a garganta inflamada, porque eu é que o conheço...
Respeito, mais do que nunca, as nossas mães e sogras, são as mesmas mães que eu sou...
Como aguentam?!!!?
Claro que o Lucas ainda pede mimo, é muito "mãe" para tudo, mas nos momentos em que se veste sozinho, toma banho sozinho, lá fico a pensar... "E quando não precisares de mim? Tenho que esperar por netos? Vou fazer voluntariado para o Hospital D. Estefânia para mexer noutras bochechas pequeninas?! Que seca!".
Até sou uma mãe independente, desabafo com as minhas amigas que ser Mãe também me sufoca. Preciso do meu tempo, de espaço, de viajar sozinha e de ser eu, ter projetos, sonhos e ser louca de vez em quando.
Mas, ao mesmo tempo, sinto uma dor tão parva no meu coração tonto, quando imagino que já não tenho bebés e que eles vão começando a escorregar pelas minhas mãos e a dizer que sou chata quando os abraço. Alguma vez isto é justo??! E as dores que tive logo no primeiro dia?!
Já lhes disse: "é obrigatório as mães poderem pegar ao colo e darem beijinhos aos filhos, sempre que quiserem, para sempre!!!". Ele ri-se... :)
E as bochechas dele, as "mais fofas do universo", tão macias como nunca senti outras... vão ter barba... a sério? E eu??? Não tenho que assinar nada a dar autorização? Sou a encarregada de educação dele!!!!!!
A fofa mais pequenina faz a vida dela, mal precisa de mim. Calça-se sozinha há mais de um ano... A sério? Vais para a universidade aos 9? E eu???
É curioso como desejo tanto que sejam autónomos, quero educá-los para a independência, porque a vida é desafiante e temos que saber sair dos buracos sozinhos... e depois sinto-me tão mãe galinha, com um coração tão tonto que até me irrita...
Será que tenho que fazer um contrato para eles assinarem (enquanto não percebem) com algumas regras obrigatórias para cumprirem qualquer dia, quando forem grandes e mais altos que eu?
(E, já agora, será que eu cumpro as minhas, que não assinei mas conheço? hmmmm...pois...)
Por exemplo... A partir dos 18:
- ligar à mãe todos os dias (eu não ligo à minha tantas vezes...)
- sentar ao colo 1 x por semana, mesmo sendo adultos e pais (eu não sento, claro)
- dizer que a minha comida é a melhor de todas, sempre (eu acho, mas não digo... por acaso)
- não falharem aos meus almoços e aniversários (tento cumprir sempre)
- dar o meu nome a um neto (nem pensar:)
- dizer que estou bem para a idade, linda e sou a melhor do mundo (totalmente verdade, mas nunca digo, não sei porquê)...
O coração de uma mãe é tonto. Desculpem pais, são maravilhosos, mas o nosso coração é tão especialmente sensível e tonto...
Assim sendo, aqui ficam escritas algumas regras para, nós mães, lembrarmos nestes próximos anos :
- Quando eles dormem, dar-lhes festinhas e beijinhos até nos doerem os maxilares!
- Quando se vestem, haver uma peça de roupa em que dizemos "essa é melhor ser eu a vestir", só para garantir alguma dependência....
- Repetir muitas vezes as mesmas frases de incentivo, confiança, amor, noção de família, para eles se lembrarem nos momentos certos da vida e serem os "lemas da minha mãe"
- Dar o exemplo: sentar ao colo das nossas mães, ligar mais vezes, dizer (em frente aos filhos) o quanto gostamos delas e chamá-las de "mamãs queridas"... não é bem pensado??!!
- Pelo menos uma vez por semana, fazer aquela comida espetacular que sabemos fazer mesmo bem e eles adoram ... e nunca lhes ensinar!!! (era o que faltava, depois não precisam de nós!!)
- Quando se magoam, usarmos sempre as nossas mãos para dar festinhas, dizer aquelas palavras mágicas que só nós sabemos dizer para tudo passar e tudo ficar bem.
Aqui não há hipótese ... mãos de mãe só há umas, as nossas, por isso não vai correr mal...E a nossa voz é, e será sempre, uma só voz...
Aproveitemos os nossos pequeninos que, apesar de serem para sempre os nossos pequeninos, crescem à velocidade da luz, sem ninguém nos pedir autorização, a nós, Mães.
Agora, como mãe, penso ao contrário. O nosso coração parece que fica tonto...
Quando vejo o Lucas a ir aquele bocadinho sozinho para a escola, fico num misto de feliz e orgulhosa com "já não precisas de mim!!?"...
Quando finalmente cheguei ao limite de dormir mal e decidimos, com firmeza, disciplinar a fofa para aprender a adormecer sozinha e ela está a dormir a noite toda (YUPIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII, nem que seja por 3 ou 4 dias), no fundo penso... "Já não vais precisar de mim?!!!"
É tão parvo, porque estava a esgotar-me ... Eu até sabia a teoria e o que precisava de fazer, mas não queria perder aquela proximidade, o saber que precisam de mim e eu não lhes falto... (Really??)
O Lucas começa a ler palavras, a querer escrever o nome das bandas que gosta para procurar no youtube e a tentar perceber o que dizem os rótulos dos frascos... Fico tão orgulhosa, mas penso... "Podes precisar de mim... sempre??"
Ontem foi mudar o gesso, partiu o pulso a fazer escalada e "escorregou no sapo" como explicou aos médicos:). Foi há um mês mas afinal ainda faltam 3 semanas para tirar o gesso novo. Está crescido, soube lidar com aquilo, depressa enfrentou a coisa e mexe-se, já escreve (é o direito), faz tudo e pouco se queixou... Cresceu tanto nestes meses...
Para mim aquele pulso é meu, fui eu que o fiz e cresceu na minha barriga, ora... Doeu-me tanto quando o partimos... e até fiquei mal disposta quando tiraram este gesso para colocarem outro e vi o nosso braço magrinho... porque é que mais tarde não continua tudo meu?! Quando ele for grande, eu é que quero dar o benuron e ver se ele tem a garganta inflamada, porque eu é que o conheço...
Respeito, mais do que nunca, as nossas mães e sogras, são as mesmas mães que eu sou...
Como aguentam?!!!?
Claro que o Lucas ainda pede mimo, é muito "mãe" para tudo, mas nos momentos em que se veste sozinho, toma banho sozinho, lá fico a pensar... "E quando não precisares de mim? Tenho que esperar por netos? Vou fazer voluntariado para o Hospital D. Estefânia para mexer noutras bochechas pequeninas?! Que seca!".
Até sou uma mãe independente, desabafo com as minhas amigas que ser Mãe também me sufoca. Preciso do meu tempo, de espaço, de viajar sozinha e de ser eu, ter projetos, sonhos e ser louca de vez em quando.
Mas, ao mesmo tempo, sinto uma dor tão parva no meu coração tonto, quando imagino que já não tenho bebés e que eles vão começando a escorregar pelas minhas mãos e a dizer que sou chata quando os abraço. Alguma vez isto é justo??! E as dores que tive logo no primeiro dia?!
Já lhes disse: "é obrigatório as mães poderem pegar ao colo e darem beijinhos aos filhos, sempre que quiserem, para sempre!!!". Ele ri-se... :)
E as bochechas dele, as "mais fofas do universo", tão macias como nunca senti outras... vão ter barba... a sério? E eu??? Não tenho que assinar nada a dar autorização? Sou a encarregada de educação dele!!!!!!
A fofa mais pequenina faz a vida dela, mal precisa de mim. Calça-se sozinha há mais de um ano... A sério? Vais para a universidade aos 9? E eu???
É curioso como desejo tanto que sejam autónomos, quero educá-los para a independência, porque a vida é desafiante e temos que saber sair dos buracos sozinhos... e depois sinto-me tão mãe galinha, com um coração tão tonto que até me irrita...
Será que tenho que fazer um contrato para eles assinarem (enquanto não percebem) com algumas regras obrigatórias para cumprirem qualquer dia, quando forem grandes e mais altos que eu?
(E, já agora, será que eu cumpro as minhas, que não assinei mas conheço? hmmmm...pois...)
Por exemplo... A partir dos 18:
- ligar à mãe todos os dias (eu não ligo à minha tantas vezes...)
- sentar ao colo 1 x por semana, mesmo sendo adultos e pais (eu não sento, claro)
- dizer que a minha comida é a melhor de todas, sempre (eu acho, mas não digo... por acaso)
- não falharem aos meus almoços e aniversários (tento cumprir sempre)
- dar o meu nome a um neto (nem pensar:)
- dizer que estou bem para a idade, linda e sou a melhor do mundo (totalmente verdade, mas nunca digo, não sei porquê)...
O coração de uma mãe é tonto. Desculpem pais, são maravilhosos, mas o nosso coração é tão especialmente sensível e tonto...
Assim sendo, aqui ficam escritas algumas regras para, nós mães, lembrarmos nestes próximos anos :
- Quando eles dormem, dar-lhes festinhas e beijinhos até nos doerem os maxilares!
- Quando se vestem, haver uma peça de roupa em que dizemos "essa é melhor ser eu a vestir", só para garantir alguma dependência....
- Repetir muitas vezes as mesmas frases de incentivo, confiança, amor, noção de família, para eles se lembrarem nos momentos certos da vida e serem os "lemas da minha mãe"
- Dar o exemplo: sentar ao colo das nossas mães, ligar mais vezes, dizer (em frente aos filhos) o quanto gostamos delas e chamá-las de "mamãs queridas"... não é bem pensado??!!
- Pelo menos uma vez por semana, fazer aquela comida espetacular que sabemos fazer mesmo bem e eles adoram ... e nunca lhes ensinar!!! (era o que faltava, depois não precisam de nós!!)
- Quando se magoam, usarmos sempre as nossas mãos para dar festinhas, dizer aquelas palavras mágicas que só nós sabemos dizer para tudo passar e tudo ficar bem.
Aqui não há hipótese ... mãos de mãe só há umas, as nossas, por isso não vai correr mal...E a nossa voz é, e será sempre, uma só voz...
Aproveitemos os nossos pequeninos que, apesar de serem para sempre os nossos pequeninos, crescem à velocidade da luz, sem ninguém nos pedir autorização, a nós, Mães.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Não estou preparada para uma relação séria
Querido pequeno-almoço,
Devo-te estas palavras há uns anos... Não tem sido fácil e eu tenho que te pedir desculpa...
São dias e dias em que não nos vemos com aquele tempo de qualidade que qualquer relação exige...
Não te dou estabilidade, atenção, nunca escolho a mesma coisa e não garanto sempre a mesma rotina, o que talvez para ti fosse importante...
"O que é que ela vai querer hoje? Quanto tempo temos para nos olharmos? Será que nos vemos?" Eu sei... tenho falhado...
Sabes que tenho outra relação longa e muito especial para mim que não consigo colocar em segundo lugar... mas, calma, eu posso explicar...
Dormir... desculpa, é sagrado. A minha cama e a minha almofada acolhem-me sempre de uma forma tão confortável e quentinha que eu tenho dificuldade em virar costas para ir ter contigo... Desculpa pequeno-almoço...
Tenho a enorme sorte de ter alguém comigo que às vezes te traz até mim, percebendo esta dificuldade e esta ligação aos lençóis e edredon e me entrega o teu conteúdo da forma mais querida, diretamente na cama, o que parece um sonho tornado real porque mistura o melhor de todos os mundos...
Hoje, viste... dediquei um tempo só para ti. Às vezes consigo, em segredo, entre o ir levar os meus filhos e o disparar para o trabalho, parar para ir à padaria para estar só contigo, sem mais ninguém e sempre em silêncio, que é tão bom...
O nosso primeiro sumo de abacaxi e framboesa... Foi e é sempre especial!
Mas não posso prometer muito mais, não me sinto preparada para assumir um compromisso sério...
Ah e não tenhas ciúmes do café... Nunca será a mesma coisa... Tu és tu!! Um café é só um café...
Tenho esperança que um dia consiga acordar cedo, antes da hora que devia, para me sentar contigo a ler notícias e preparar-te com carinho, dedicando o tempo que tu mereces, como faz o Vasco tão bem com o pequeno-almoço dele (e quase sempre os nossos)... uma relação verdadeiramente séria que hei-de replicar! Cada um tem os seus dons...
Não percamos a esperança.... Olha, por exemplo, para o burro e o dragão do Shrek, também não havia inicialmente disponibilidade para uma relação séria e depois nasceram aqueles rebentos fofinhos... com orelhas e asas cor-de-rosa... Um dia vamos ter um compromisso sério, eu acredito.
Só não consigo garantir decência no meu aspeto... vais sempre encontrar-me com olhos meio fechados, cabelos em pé, pijamas vários e com peças aleatórias e filhos a chamar por vários motivos que impedem que a nossa relação seja mais sólida... Cereais que ficam a meio... torradas que se põem em pé de tão rijas que ficam, à espera....
Sabes que o tempo é pouco e há sempre mochilas para preparar, roupas pequeninas para vestir, bibes para organizar, lanches, beijinhos, gritos matinais enferrujados... Enfim, a verdadeira relação séria :)
Em breve, vamos tirar uns dias especiais para nós, prometo. O Vasco vem connosco para ajudar a que seja perfeito. E esses dias sim, vão ser os teus dias!!!! Acredita!!
Devo-te estas palavras há uns anos... Não tem sido fácil e eu tenho que te pedir desculpa...
São dias e dias em que não nos vemos com aquele tempo de qualidade que qualquer relação exige...
Não te dou estabilidade, atenção, nunca escolho a mesma coisa e não garanto sempre a mesma rotina, o que talvez para ti fosse importante...
"O que é que ela vai querer hoje? Quanto tempo temos para nos olharmos? Será que nos vemos?" Eu sei... tenho falhado...
Sabes que tenho outra relação longa e muito especial para mim que não consigo colocar em segundo lugar... mas, calma, eu posso explicar...
Dormir... desculpa, é sagrado. A minha cama e a minha almofada acolhem-me sempre de uma forma tão confortável e quentinha que eu tenho dificuldade em virar costas para ir ter contigo... Desculpa pequeno-almoço...
Tenho a enorme sorte de ter alguém comigo que às vezes te traz até mim, percebendo esta dificuldade e esta ligação aos lençóis e edredon e me entrega o teu conteúdo da forma mais querida, diretamente na cama, o que parece um sonho tornado real porque mistura o melhor de todos os mundos...
Hoje, viste... dediquei um tempo só para ti. Às vezes consigo, em segredo, entre o ir levar os meus filhos e o disparar para o trabalho, parar para ir à padaria para estar só contigo, sem mais ninguém e sempre em silêncio, que é tão bom...
O nosso primeiro sumo de abacaxi e framboesa... Foi e é sempre especial!
Mas não posso prometer muito mais, não me sinto preparada para assumir um compromisso sério...
Ah e não tenhas ciúmes do café... Nunca será a mesma coisa... Tu és tu!! Um café é só um café...
Tenho esperança que um dia consiga acordar cedo, antes da hora que devia, para me sentar contigo a ler notícias e preparar-te com carinho, dedicando o tempo que tu mereces, como faz o Vasco tão bem com o pequeno-almoço dele (e quase sempre os nossos)... uma relação verdadeiramente séria que hei-de replicar! Cada um tem os seus dons...
Não percamos a esperança.... Olha, por exemplo, para o burro e o dragão do Shrek, também não havia inicialmente disponibilidade para uma relação séria e depois nasceram aqueles rebentos fofinhos... com orelhas e asas cor-de-rosa... Um dia vamos ter um compromisso sério, eu acredito.
Só não consigo garantir decência no meu aspeto... vais sempre encontrar-me com olhos meio fechados, cabelos em pé, pijamas vários e com peças aleatórias e filhos a chamar por vários motivos que impedem que a nossa relação seja mais sólida... Cereais que ficam a meio... torradas que se põem em pé de tão rijas que ficam, à espera....
Sabes que o tempo é pouco e há sempre mochilas para preparar, roupas pequeninas para vestir, bibes para organizar, lanches, beijinhos, gritos matinais enferrujados... Enfim, a verdadeira relação séria :)
Em breve, vamos tirar uns dias especiais para nós, prometo. O Vasco vem connosco para ajudar a que seja perfeito. E esses dias sim, vão ser os teus dias!!!! Acredita!!
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