já que gosto de escrever sobre o que penso, o que vivo e o que sinto nesta fase da minha vida, abro a porta deste cantinho para partilhar estas palavras. obrigada pelas visitas.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
A minha saia azul e o bolo de anos
Escrevo hoje sobre duas coisas que aprendi a gostar de forma especial e pelo mesmo motivo, nos últimos dias: a minha saia azul e o meu bolo de anos.
No dia de anos, tive 1h hora só para mim e fui espreitar lojas.
Nos cabides de 5,99 eur do fim dos saldos vi a minha saia azul. O tom dos olhos da Marta. O linho das saias que a minha Mãe usava.
No provador, o fecho de trás desorienta-se e não quer fechar... quis trazer e arranjar. Quando pedi ajuda à senhora da loja para abrir o fecho da minha saia, ela trouxe uma enorme tesoura... "é melhor cortar que está estragado". Insisti com carinho como insisto quando tento desmanchar algumas birras dos meus filhos (só algumas). Melhor mas ainda desencaixado.
No regresso passei numa costureira e quis saber preços de fechos e arranjo, mas depois optei por pedir ajuda à minha Mãe. Com delicadeza (porque gostou da minha saia) tentou abrir e fechar. Melhor... mas desencaixado.
Já em minha casa, enquanto fazia o bolo de chocolate com os meus filhos, continuava a tentar. Estava quase. Quis vesti-la no meu jantar.
E com tanto carinho que houve a saia cedeu. Estava ótima, sem necessidade de tesoura, de fecho. E tudo isto fez-me gostar mais da minha saia.
Depois, numa semana, teve três valentes nódoas...azar. Por gostar dela, segui à regra as dicas da minha mãe: limpa com água e sabão mas pelo avesso para não manchar. Eu, que não tenho muita paciência para estas coisas, tratei-a com cuidado e as nódoas foram saindo.
Admiro muito pessoas que resistem a adversidades da vida e conseguem superar. E esta simples saia parecia assim... Tem um folho, uma fita que ata de lado, uma racha e uma renda. É bonita como tudo, a minha saia azul.
Agora o bolo... muitos amigos já começaram a rir só de ler o começo da história... :)
Na festa dos 40 anos, no ano passado, queria que tudo fosse especial. Cantei, acompanhada do Filipe, na guitarra, e dos meus amigos. E mandei fazer um bolo especial: cheesecake cozido com 4 coberturas de frutas e merengue. Mostrei-o ao Vasco quando entrei no carro e seguimos para a festa: era único... Frigorífico do restaurante.
Festa animada, música, gargalhadas, algumas lágrimas e ... sair para um bar... Deviam ser 2 da manhã quando, ao balcão do Rio Maravilha, disse ao Vasco ... "O bolo?!?!..."... Isso mesmo... Não cantámos os parabéns, esquecemo-nos do bolo, fomos de férias no dia a seguir e o restaurante: fechado. Ficou a história e umas boas gargalhadas desencaixadas...
Foi a Irene quem o foi buscar e foi com a família dela que o bolo foi degustado.
Mas não acaba aqui...
Este ano, para o jantar dos amigos no sábado, encomendei um igual e chamei ao jantar "a festa do bolo esquecido". Às 20h10 o Vasco, que ia buscá-lo, liga-me e diz-me "está fechado!". Silêncio... Fiquei num misto de pausa com raiva e uma cobertura especial de nervos... Encomenda feita, atraso de alguns minutos e facebook a confirmar que o local do bolo fechava às 20h sem qualquer aviso.... Telefone fixo, nada, nada e nada.
Que fazer?! Encontrar outro bolo + calma para aceitar que este era um bolo cheio de personalidade + encontrar um contacto de telemóvel na net... Quase a chegar ao restaurante, encontro telemóvel na net, ligo, refilo, a senhora desculpa-se e como vive ao lado, vai lá para abrir a porta e fazer a entrega desejada. "Habemus bolo!" diz o Vasco por whatsapp quando regressa com ele.
Mas ainda não acabou... (os amigos que lá estiveram riem-se agora com nervos)... Quando vou ao balcão para ver o bolo, a meio do jantar, pois queria ver como tinha ficado, ouço do simpático jovem: "queria falar consigo sobre o seu bolo, porque houve um colega que deixou cair uma coisa em cima dele... mas não se preocupe que, em último caso, arranjamos-lhe outro..."
Virei do avesso como viro a saia para limpar as nódoas ... mas sem qualquer carinho. Fui tão fria que depois, no fim de tudo, pedi desculpa, explicando a história.
O senhor trouxe o bolo à mesa e apenas algumas framboesas tinham deslizado e o merengue estava um pouco desajeitado. Bolo desencaixado mas, ainda assim, maravilhoso e especial tal como a minha saia azul.
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