A noite de ontem, foi mais do que uma noite quente de verão.
Ontem fui ao concerto do Caetano Veloso.
Como é dos meus cantores preferidos, já fui a muitos e vou sempre inteira e feliz, para absorver cada segundo.
Ontem vi o Caetano e os filhos, com o meu filho. Quis levá-lo e ele gostou da ideia. Um dia levarei os dois, certamente.
Sabia que a experiência ia ser única, por ser o primeiro grande concerto dele, mas não o ídolo dele. Sabia que iam, connosco, sono, fome e muitas perguntas. O tempo ia ser dividido entre um cantor que adoro, uma sala linda, uma noite em família e muitas pausas, colo e curiosidade...
A sala do Coliseu encheu-se de pessoas e de felicidade minha. Desde pequeno, o Lucas ouve Caetano. Desde a minha adolescência que ouço Caetano. Talvez tenha chegado a mim, quando o meu pai deixou de chegar.
Nos primeiros dez minutos, o Lucas não olhou para o palco. O fascínio dele era ver tanta gente sentada ali... O que pensaria ele? Uma multidão em silêncio para ouvir um pai e três filhos partilharem música num palco simples com som acolhedor.
"Quando é que acaba? Quantas músicas faltam?" eram perguntas dele que alternavam com palmas, a voz doce dele a cantar as poucas músicas que sabia, a dança desajeitada e feliz daqueles filhos, os sorrisos verdadeiramente felizes daquele pai.
Por me fazer muito lembrar o meu, quando ouço ou vejo o Caetano, sinto um enorme aconchego e, talvez por isso, levar o Lucas comigo, ter a minha mãe também ali ao lado, fez da noite de ontem uma noite especial.
"Não vais dormir!!?", perguntei ao Lucas quando se aconchegou em mim, a meio do concerto. "Tenho alguma coisa com que me entreter, por acaso?!"... eu ri-me, era outra perspectiva a dele...
Acho que a música que o Lucas mais cantou e gostou foi o "amar pelos dois". Ouvir uma sala inteira a cantar uma música bonita é uma sensação muito forte. Não sei se o Caetano sabia que, na segunda fila, estava o próprio Salvador Sobral, seguramente feliz. O Lucas também gostou de ver alguns cantores de quem gostamos por ali sentados. Certamente, todos embevecidos com tamanha intimidade. Chinelos, risos de pais e filhos, informalidade, vozes baixas como se estivessem na sua sala, com a porta aberta para o mundo. Falaram de Mães, de Avós, de infância, houve timidez e o Caetano, com uma expressão única, proporcionou-nos uma noite feliz.
Tentámos o autógrafo. Esperámos, sem a pulseira Vip, sabendo que ia ser difícil. O Lucas cheio de sono queria esperar, mas não conseguimos entrar. Conseguimos, sim, viver um bom momento a dois que certamente ele não vai esquecer. Quando chegámos a casa e o Vasco perguntou como tinha sido, ele disse, feliz: "Adorei!".
Na próxima semana o Caetano faz anos. Um leão que eu adoro e irei ver e ouvir sempre que puder, com o meu leãozinho.
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