quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Que o próximo seja igual ao anterior a este.

Já dei por mim a pensar que amanhã vai começar novamente o 2020... É uma sensação de não aceitar que ele tenha chegado, faça o que quer e se instale como se isto fosse dele... Tipo um empregado que chega no primeiro dia a um sítio novo, sem experiência, todo armado em sabichão e se senta logo na cadeira do diretor geral, e manda em tudo sem pedir autorização, com os pés em cima da mesa... 

Eu só queria um 2020 com os 12 meses a que tenho direito, em chávena escaldada, com princípio meio e fim, e bem cheio! Para todos.

Amanhã seria 1 de janeiro de 2020 e vivíamos um ano normal, a queixarmo-nos das coisas (tão pouco) banais da vida, filas de trânsito, sem tempo para estar em casa, excesso de beijos e abraços e sempre encostados às pessoas de quem gostamos, mesmo à grande ... 

Uma vida com emprego certo, um concerto ou outro, restaurantes abertos até às tantas, barulho de gente feliz, filas de pessoas sem marcação... 

E, já agora, termos a devida festa dos 42 do Vasco, dos meus 43, dos 6 da Inês e dos 10 do Lucas, bem passados, cheios de amigos e pratos de comida para todos, amendoins em cima de cajus.... tudo à doida. 

Andar na rua à vontadinha, viajar em março, de avião e à patrão, combinar os fins-de-semana respetivos com amigos... Marcarmos férias juntos, partilhar quartos, contas e abraços. 

Andar aos empurrões na praia, apanhar a bola das raquetes de outros pais e filhos e sorrir como quem tem uma vida fácil e garantida...

 Dar trincas no Cornetto de chocolate do Lucas e pedir as pastilhas do Epá da Inês... Estar em cima de pessoas nas filas do supermercado, sentir o hálito a café do senhor ao meu lado no balcão... Enfim, loucos varridos...

... Fazer balões de pastilha, assobiar no concerto do Zambujo, de pé. Irmos ver a minha avó e estarmos  com a minha mãe cheios de liberdade, qual 25 de abril... Tudo ao colo, em cima delas, e elas mexerem no cabelo deles, darem beijos perto da boca, dos melhores... 

... Estar com amigos de amigos sem os olhar de lado. Cumprimentar pessoas quase estranhas na rua com beijinhos, mexer descaradamente em bebés que não conheço. 

Entrar na escola dos filhos, pendurar o casaco e ver o sorriso deles a dizer adeus... ver crianças de mãos e boca suja de tanto brincar...

Não ter horas para sair ou entrar em casa, como se ela fosse nossa e nós mandássemos.

Levar as dezenas de prendas para as dezenas de pessoas com quem passamos o Natal, comer passas do mesmo saco e brindar com leveza e futilidade ao ano e pensar "não foi tudo bom mas foi um bom ano, que o próximo seja igual ou melhor e traga tudo em dobro...".. Ai!! Até dá medo escrever "tudo em dobro"...

Enfim, foi uma retrospetiva de um ano que não aconteceu, mas foi terapêutico imaginar...

Agora voltemos à realidade e desejemos, com as 12 passas, que ele passe rápido da nossa memória e que em 2021 possamos só estar perto, ter uma vacina até setembro, manter o desinfetante e as máscaras à mão, sem grandes planos de nada em concreto e tudo no geral... 

Que 2021 nos dê os mínimos que tínhamos em 2019, que já é bem bom.

Abraços virtuais (imaginem uns fortes) para todos, passas em pires separados, chamadas de vídeo com boa net e bons amigos e esperança de que o 2021 seja igual ou melhor que 2019! ADEUS 2020, vai para dentro e para longe e leva contigo as rugas e os cabelos brancos que me deste...

(foto de um 31 de dezembro normal, com paz e sorrisos sinceros)