quinta-feira, 1 de abril de 2021

Daqui para fora

Viajar é uma das minhas coisas preferidas de todas as coisas. Porque significa que estou de férias, que vou conhecer coisas novas, vou aprender, vou descobrir... Numa fase destas, em que a sensação de prisão está bem presente, termos uma viagem marcada para os 4 desde o Natal, soube a euromilhões...

Tivemos dúvidas se seria seguro, se podíamos, mas as pesquisas e pedidos de informação foram claros: nada nos impedia de ir......... A sério?! Vamos fazer malas!? Vamos sair daqui para fora?!

Depois começou a preocupação com o facto dos miúdos terem que fazer teste. É preciso fazer teste à COVID-19 até 72 horas antes de ir e o teste é gratuito desde que seja feito em laboratórios com acordo. O site "VisitMadeira" é muito esclarecedor para quem quer ir. Temos também que preencher um formulário no site "Madeira safe". Felizmente quando liguei a marcar disseram que só a partir dos 12 anos é que tem que se fazer o teste. Yes!!! 

A felicidade a caminho do aeroporto, a passar pelos corredores, a fazer o embarque... Um pouco menos agradável foi ver estes espaços quase vazios. Já o avião ia tão cheio que fez impressão. 

Na Madeira, havia recolher obrigatório às 18h. De resto, tudo ok, tudo aberto e muita natureza à mão. Alugámos carro e isso fez com que passássemos muito tempo só os 4, reduzindo o risco. "Só os 4"... respeitinho... Aquelas montanhas impressionantes de tão bonitas estiveram sempre connosco. 

O clima variou entre os 8 (lá em cima) e os 22/23 graus, cá em baixo. Todos os dias o porta bagagens tinha roupa quente e fria. 

Sinto alguma vergonha em dizer que não conhecia a Madeira. O meu país tem uma ilha tropical, prima do Brasil e de África e eu não sabia. Amei. As paisagens são totalmente diferentes do continente e tão diferentes dos irmãos Açores. Os Açores são calma, equilíbrio, paz. A Madeira é solta, fala alto e explode  natureza. Que bonita esta mistura. Que sorte temos nós. Vimos flores exóticas, saboreámos frutas quentes, demos comida a pássaros novos, ouvimos o português com nova pronúncia, e tudo era Portugal...

Ficámos num hotel muito acessível, num apartamento onde passámos muitas horas mas onde estávamos livres também.

Foram poucos dias mas a sensação de liberdade, de sentir que há coisas boas a acontecer à volta da nossa bolha, é maravilhosa. A felicidade abriu portas e saíu daqui para fora.

Foi a segunda viagem que fizemos com os nossos filhos. E que especial é vê-los a apreciar e a valorizar a descoberta do mundo. Apanharam muita seca no carro, ralharam muito mas, no fim, adoraram.

Beberam Brisa, experimentaram maracujá de pêssego, maracujá de tomate, maracujá de lima e maracujá de banana. Viram mar, bananeiras, caminhos lindos. Experimentaram uma migalha do mundo e parecem ter enchido a barriga. Pelo menos, os sorrisos foram generosos.

Ainda sinto a magia presente. Saímos daqui para fora, respirámos outro ar, afastámo-nos deste sufoco. E vimos cores, sentimos cheiros e libertámos felicidade diferente da que sentíamos aqui. Quem puder, não pense duas vezes. Façam malas e levem os miúdos, ou vão sozinhos, ver que o nosso mundo por fora continua bonito, apesar de tudo.

(Alguns locais que visitámos e aconselho: ponta de São Lourenço, Cabo Girão, Jardim botânico, Catedral, mercado das frutas, Seixal, lagoa do Faial, caminhada dos Balcões, Madalena do Mar, Santana e Câmara de Lobos.)