Eles nascem e de repente têm dentes a cair, dizem asneiras e compram telemóvel. O tempo que é tão bom e os vê crescer, voa. Gosto de viagens mas esta podia ser mais pausada.
As mães mais velhas têm razão, aproveita o colo que eles crescem rápido, damos por eles e saem de casa sem dizer nada...
A louca pandemia que decidiu encher o nosso tempo com trabalho na sala, intervalos para máquinas de roupa, café na cozinha que tem pratos e talheres que bem podiam voar para a máquina sozinhos, horas de almoço onde se arrumam camas e reuniões daquelas que sabemos... com filhos e cães a passar ao lado.
É assustador, cansativo, quase de enlouquecer. É também sinal de vida, uma corrida boa à volta deles e junto deles, bom sinal, apesar de todo o barulho que isso traz.
Estas semanas antes das férias, depois de 18 meses de um jogo novo em que não passamos de nível nem por nada, são aquelas em que nunca sei se quero que passem depressa ou devagar.
Se vão a voar, rapidamente pego nas toalhas e chinelos e vejo as férias a terminar. Se passam devagar, nunca mais chegam as férias.
Somos insatisfeitos, mas são problemas bem bons de lidar. Se passam devagar, também podemos aproveitar esta loucura de férias de filhos em casa, com pais a trabalhar, que talvez haja beleza nisto (lá bem loooonge).
E em setembro, se voltamos às rotinas do pré-covid, como vai ser? Voltaremos a ter as mesmas rotinas, trânsito, chegar à escola à noite, estar tempo a mais no escritório a encher horário... Medo.
Talvez não, vai haver equilíbrio, nem 8 nem 80, vamos conseguir trazer as lições boas e melhorar as nossas semanas que voam.
Tenho pensado muito que não custava nada o Marcelo dar-nos mais 22 dias de férias extra, já vacinados. Mais 4 semanas a voar mas sem pensar em trabalho, daquele de casa, daquele trabalho trabalho, do trabalho das contas aos casos diários e preocupações de lavar máscaras, tirar sapatos, habituar os miúdos a metros de distância... Hmmm... talvez 220 dias fosse mais justo.
Sou só eu que sinto que tudo isto é o oposto de férias e que tenho em dívida para com a minha vida e a dos meus filhos descanso daquele.. lembram-se?!?!
Quero semanas a voar baixinho, com silêncio, sem telejornais, telemóveis, teleconferências, teams e o raio que o parta...
Quero agora voar quase parada, descansada, agarrada a toda a gente que caiba num abraço muito desejado, todos a ver o sol a pôr-se com uma cerveja na mão, sem relógio, só a ver o tempo voar. Fica a proposta. 220.
Boas férias.❤️
