Depois da tempestade do açúcar dos últimos meses e de vários anos a olhar de lado para a minha barriga, fofa demais para o meu gosto, fui a uma nutricionista e estou a fazer uma espécie de dieta cruzada com massagens (cujo nome não me lembro) mas que envolvem cremes fortes, fluorescentes, sondas, zumbidos e (supostos) efeitos rápidos. Isto articulado com o ginásio que faço, acredito que terá algum efeito e isso está a motivar-me bastante!
Tenho agora uma sugestão de plano para me alimentar com menos hidratos e menos açúcar, o que já tentava cumprir, mas agora é a sério.
Para além disso, nos dias antes, durante e depois das tais massagens tenho que fazer uma "dieta líquida" (inclui papel que diz o que devo comer durante o dia). E aqui começa toda uma experiência nova na minha vida...
Quem me conhece sabe que, se por um lado tenho cuidado com a alimentação e é um tema que levo muito a sério, sobretudo dentro de casa, por outro, sou a comilona do sítio! Adoro comer.
Assim, os últimos dias têm sido uma experiência intensa de superação e, por isso, preciso de a partilhar para não descambar no último dia do primeiro desafio (hoje) e para me obrigar a cumprir.
Partilho aqui as várias conclusões a que cheguei nos últimos dias (talvez os primeiros da minha vida) sem comer hidratos, farinhas, gorduras, peixe, carne e tantas outras coisas..., tantas!!! Basicamente como sopa verde e pouco mais...
Conclusões menos sérias:
- Ficou claro para mim que o pão com manteiga é um Deus Grego que persegue os meus sonhos, dia e noite e, por isso, estou a pensar fazer um poster para a parede do quarto com Pão. Pão claro, daquele que faz mal, com refegos, tipo pão de Mafra quente já fatiado... com manteiga a pingar!! Eu que não comia muito pão, agora só penso nele... Ir tomar café depois de ter comido um kiwi ou um iogurte natural ao pequeno almoço e ter várias prateleiras de pão, todos a chamar por mim, é muito difícil (amanhã já posso comer, será que o vou fazer?!);
- Percebi que estar a jantar com os meus filhos, servir-lhes uma refeição saborosa e cheirosa e vê-los a ter prazer em comer é, agora, uma ofensa moral e física à minha pessoa. Pensei ontem, várias vezes, em fazer a mala e fugir ou em deixar de falar com eles, tal é a sensação de "anti-social" e "ET" que senti nestes jantares.... Eu, armada em magra, como uma simples sopa verde e, quando vou ao ginásio, acrescento um valente ovo cozido (tão pequeno........)! Como muito devagar, para tentar acompanhá-los e depois fico a salivar a olhar para os pratos deles, tentando tirar prazer de comida que não dá prazer.... E rio-me com o Vasco, que está a adorar assistir a esta novela mexicana! No fim rezo para que sobre um qualquer bago de arroz que eu possa devorar (só para não ir comida para o lixo)... ;
- Eu e o Vasco temos visto filmes nestas 3 noites e o meu "ato de loucura", para imaginar que estou a comer pipocas daquelas caixas enormes da NOS, com açúcar que brilha, é encher a mão com 8 amêndoas do frasco da cozinha e tentar comê-las beeeeeeeeeeeeeeeeeeeem devagar... E, o injusto, é que antes de ontem, metade eram amargas e eu tive que as comer para conseguir ver o filme com entusiasmo, com um sorriso amarelo porque a dieta não previa amêndoas e estava a pecar...
- Ocupar o tempo sem pessoas: como a minha dieta nestes 3 dias é ridícula não marco almoços, nem com os colegas do cowork nem com amigos, porque não bate certo e não me sinto capaz de ficar a olhar para eles e dizer que não tenho apetite, porque não seria eu e ia sofrer... Então já dei por mim a ir a casa comer a minha "mega" sopa verde (sem batata, abóbora e cenoura) e a ver o programa da Cristina Ferreira....
- O cheiro a comida que se sente na rua é criminoso. Cheira a comida em todo o lado, mais do que nunca! Até o raio do mupi do McDonalds da paragem do autocarro me traz cheiros pecaminosos e me faz querer lamber o vidro.... Foca-te Joana.
Agora a sério...
Conclusões sérias:
- Este teste, para quem gosta de comer, é uma grande experiência!! Perceber que não tenho fome nenhuma, pois como 6/7 vezes ao dia e que é possível vivermos bem a comer tão pouco, é muito reconfortante! O único momento em que tenho fome é à noite depois de jantar (e já tive luz verde para "não ter fome e comer alguma coisa");
- Como é tão rigorosa a dieta líquida, encontra-se um prazer gigante em comer coisas simples como uma pequena taça de leite de arroz com aveia, canela e amêndoas (qual doce da casa!) só permitida porque vou ao ginásio... e isso torna-se uma boa lição. Sabendo que não me vou manter fiel a isto muito tempo, vou aprendendo que posso tirar prazer da comida com opções mais saudáveis e que até uma sopa só com verdes pode ficar deliciosa. A sério!;
- Sentir que consigo contrariar os meus desejos menos saudáveis: conseguir ir ao supermercado e comprar alimentos diferentes e controlar a tentação de comprar os que a cabeça nos sugere, é outra grande lição. É possível mudarmos alguns hábitos, se quisermos de facto, sem ser um pesadelo.
E pronto, ainda só passaram 5/6 dias desta fase, os primeiros com dieta normal e os últimos 3 com "dieta líquida". Já só faltam 11 horas para dizer bem alto e cheia de felicidade: "É um pão com manteiga (escuro, com sementes), se faz favor!!!!!"
(Afastem-se para longe as pessoas que vão querer dissuadir-me desta experiência! Isso não vale, deixem-me experimentar... mesmo que me espalhe, já valeu a pena!!)
já que gosto de escrever sobre o que penso, o que vivo e o que sinto nesta fase da minha vida, abro a porta deste cantinho para partilhar estas palavras. obrigada pelas visitas.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
Naufragar ou ficar?
Sempre gostei de mudanças associadas a aventuras que escolhemos viver. Não me refiro a mudança de casa, nem das minhas pessoas. Mas gosto de sair da minha zona de conforto, de me reinventar, de arriscar.
Mudei de trabalho em novembro. Mudei de vida em novembro. Trabalho à distância num espaço de cowork perto de casa, com flexibilidade e rotinas criadas por mim. Mantenho a mesma área, o mesmo cargo, o mesmo mundo das causas sociais, mas vesti outra camisola por cima das que tinha. Pensei muito, escrevi muitas vezes os prós e os contras. Pedi ajuda, ouvi testemunhos de mudanças idênticas e, quando tive a certeza, mudei.
Finalmente tenho mais tempo para os meus filhos, para mim, para a nossa casa. E, por outro lado, viajo mais. Acredito que mudar (para melhor) é importante e que devemos preparar os nossos filhos para isso. Mostrar-lhes que se pode vestir uma camisola de várias formas, como me mostrou a minha professora de filosofia no 11º ano. Lembro-me dessa aula como se fosse hoje.
Mas mudar tem um preço e custa muito, dá medo, nervos e borboletas na barriga. Aos 40, é como uma viagem à adolescência, o não saber como vai ser, como vai correr, lançarmo-nos de uma altura (cada vez menor) para um vazio que escolhemos por acreditarmos que está cheio de coisas boas para nos completar. Gosto disso, por mais que sofra. Sofre-se.
Sofri quando decidi ir para Cabo Verde aos 22 anos. Quando precisei de me afastar e fui para a Argentina aos 30. Mas foram das melhores experiências e decisões da minha vida.
Comi mais bolos que o normal nos últimos meses e avisei o Vasco: "É a mudança, vai demorar, mas depois volto a estar bem." E é verdade, precisei de me compensar, de agarrar algumas cordas para me manter equilibrada e firme. Devagarinho vou sentindo um equilíbrio aconchegante, uma vontade de respirar e aproveitar com serenidade, o bom da mudança.
Sinto que passei por (mais) uma tempestade que escolhi, por acreditar que iria chegar a um bom destino, com poucos riscos. A ideia que a Mafalda Veiga cantou de se "chegar onde só chega quem não tem medo de naufragar" é incrível. Acho que é isso mesmo que sinto.
Sinto que me deixei naufragar e a sensação de enfrentar o risco e de chegar bem, tal como acreditámos, é incrível e dá um bom sentido à vida.
Neste janeiro novo, desejo que sejamos felizes, mudando ou não, naufragando ou ficando, desde que o sejamos...
Feliz Ano Novo.
Mudei de trabalho em novembro. Mudei de vida em novembro. Trabalho à distância num espaço de cowork perto de casa, com flexibilidade e rotinas criadas por mim. Mantenho a mesma área, o mesmo cargo, o mesmo mundo das causas sociais, mas vesti outra camisola por cima das que tinha. Pensei muito, escrevi muitas vezes os prós e os contras. Pedi ajuda, ouvi testemunhos de mudanças idênticas e, quando tive a certeza, mudei.
Finalmente tenho mais tempo para os meus filhos, para mim, para a nossa casa. E, por outro lado, viajo mais. Acredito que mudar (para melhor) é importante e que devemos preparar os nossos filhos para isso. Mostrar-lhes que se pode vestir uma camisola de várias formas, como me mostrou a minha professora de filosofia no 11º ano. Lembro-me dessa aula como se fosse hoje.
Mas mudar tem um preço e custa muito, dá medo, nervos e borboletas na barriga. Aos 40, é como uma viagem à adolescência, o não saber como vai ser, como vai correr, lançarmo-nos de uma altura (cada vez menor) para um vazio que escolhemos por acreditarmos que está cheio de coisas boas para nos completar. Gosto disso, por mais que sofra. Sofre-se.
Sofri quando decidi ir para Cabo Verde aos 22 anos. Quando precisei de me afastar e fui para a Argentina aos 30. Mas foram das melhores experiências e decisões da minha vida.
Comi mais bolos que o normal nos últimos meses e avisei o Vasco: "É a mudança, vai demorar, mas depois volto a estar bem." E é verdade, precisei de me compensar, de agarrar algumas cordas para me manter equilibrada e firme. Devagarinho vou sentindo um equilíbrio aconchegante, uma vontade de respirar e aproveitar com serenidade, o bom da mudança.
Sinto que passei por (mais) uma tempestade que escolhi, por acreditar que iria chegar a um bom destino, com poucos riscos. A ideia que a Mafalda Veiga cantou de se "chegar onde só chega quem não tem medo de naufragar" é incrível. Acho que é isso mesmo que sinto.
Sinto que me deixei naufragar e a sensação de enfrentar o risco e de chegar bem, tal como acreditámos, é incrível e dá um bom sentido à vida.
Neste janeiro novo, desejo que sejamos felizes, mudando ou não, naufragando ou ficando, desde que o sejamos...
Feliz Ano Novo.
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