segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Naufragar ou ficar?

Sempre gostei de mudanças associadas a aventuras que escolhemos viver. Não me refiro a mudança de casa, nem das minhas pessoas. Mas gosto de sair da minha zona de conforto, de me reinventar, de arriscar.

Mudei de trabalho em novembro. Mudei de vida em novembro. Trabalho à distância num espaço de cowork perto de casa, com flexibilidade e rotinas criadas por mim. Mantenho a mesma área, o mesmo cargo, o mesmo mundo das causas sociais, mas vesti outra camisola por cima das que tinha. Pensei muito, escrevi muitas vezes os prós e os contras. Pedi ajuda, ouvi testemunhos de mudanças idênticas e, quando tive a certeza, mudei.

Finalmente tenho mais tempo para os meus filhos, para mim, para a nossa casa. E, por outro lado, viajo mais. Acredito que mudar (para melhor) é importante e que devemos preparar os nossos filhos para isso. Mostrar-lhes que se pode vestir uma camisola de várias formas, como me mostrou a minha professora de filosofia no 11º ano. Lembro-me dessa aula como se fosse hoje.

Mas mudar tem um preço e custa muito, dá medo, nervos e borboletas na barriga. Aos 40, é como uma viagem à adolescência, o não saber como vai ser, como vai correr, lançarmo-nos de uma altura (cada vez menor) para um vazio que escolhemos por acreditarmos que está cheio de coisas boas para nos completar. Gosto disso, por mais que sofra. Sofre-se.

Sofri quando decidi ir para Cabo Verde aos 22 anos. Quando precisei de me afastar e fui para a Argentina aos 30. Mas foram das melhores experiências e decisões da minha vida.

Comi mais bolos que o normal nos últimos meses e avisei o Vasco: "É a mudança, vai demorar, mas depois volto a estar bem." E é verdade, precisei de me compensar, de agarrar algumas cordas para me manter equilibrada e firme. Devagarinho vou sentindo um equilíbrio aconchegante, uma vontade de respirar e aproveitar com serenidade, o bom da mudança.

Sinto que passei por (mais) uma tempestade que escolhi, por acreditar que iria chegar a um bom destino, com poucos riscos. A ideia que a Mafalda Veiga cantou de se "chegar onde só chega quem não tem medo de naufragar" é incrível. Acho que é isso mesmo que sinto.

Sinto que me deixei naufragar e a sensação de enfrentar o risco e de chegar bem, tal como acreditámos, é incrível e dá um bom sentido à vida.

Neste janeiro novo, desejo que sejamos felizes, mudando ou não, naufragando ou ficando, desde que o sejamos...

Feliz Ano Novo.

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