(O texto que não queria escrever e mais dor trouxe na minha vida, início de Setembro de 2024)
Mãe
Uma das irmãs do meio de 13… Nasceu e cresceu em Santiago de Montalegre, no meio de uma família tão bonita, numa casa cheia de luz, de natureza, de amor e de histórias que adorávamos ouvir. Ela ria com a sua gargalhada tímida quando as contava com os irmãos, e nós íamos atrás.
Uma adolescente cheia de pinta, de aventuras, de coragem. Escolheu dedicar parte da vida a ensinar milhares de crianças a respeitarem a nossa língua, o valor das palavras, do português.
Com o Zé nasceu uma nova história de amor, uma nova morada em Santarém, e nasceu também a nossa família. Foi Mãe (e ele, Pai) do Bernardo, da Joana e da Catarina.
A mãe mais gira, inteligente, com o sorriso mais charmoso e uma força que inspirava. Deu-nos tanto e aguentou tudo. Um mulher e mãe diferente…
A mulher e mãe mais descomplicada que conhecemos. Seguia em frente e construía o caminho mais bonito mesmo quando tudo parecia ruir. Tudo tinha uma solução, dava-se um nó ali, colava-se acolá e estava tudo resolvido. Sempre. Não se parava para sofrer, não havia queixas, nem problemas. Havia soluções e caminho, sempre.
A mulher e mãe mais corajosa que conhecemos. Carregou os sacos mais pesados da vida e seguia direita, elegante e sempre segura. Com ela, a juventude aprendeu que pode ser eterna. Viajava para qualquer lado com família e com as amigas para descobrir e sempre beber daquilo que os livros, os artigos que sublinhava, os documentários e os filmes que via, lhe despertavam, num interesse constante. A mulher e mãe que dizia “sim” a tudo, que se adaptava, não parava, que respeitava e deixava ser.
A mulher e mãe mais saudável que conhecemos. Começou o Ioga quando a Catarina nasceu e fez disso vida, respiração, postura e forma de estar. Ensinou-nos a melhor alimentação, semeou na terra para colher e partilhar connosco, o melhor. A mulher e mãe que cuidava de si própria de uma forma exemplar, porque havia tanta vida que queria ainda agarrar.
Foi a irmã querida e sortuda, sempre cheia de companhia… as tias com ela em todo o lado, que são também Mães para nós.
Foi sogra do Rodrigo, da Ana e do Vasco, que estendiam um tapete de admiração quando estavam com ela. Foi dona da Kika que continuará connosco na sua (igual) independência e elegância.
Foi avó da Alice, do Sebastião, do Lucas, da Inês e do Gaspar. Uns netos que sabem a sorte que tiveram. A avó que parecia irmã, que ensinou ioga, jogos criativos, que os levava ao jardim dos pombos, que os incentivou a conseguirem tudo, a simplificar a vida, e que ria e brincava como eles, que tinha sempre mil coisas para ensinar, que eles nunca esquecerão.
Foi a nora mais dedicada, a amiga preocupada, a irmã presente.
A Zita, esta mulher e mãe, deixa tanto que não imaginam. Deixa recordações, histórias e um exemplo de força incríveis! Mas deixa também quadros pintados com imagens de mulheres fortes e coloridas e deixa peças de cerâmica feitas com as mãos mais discretas e corajosas, para cada um de nós. E deixa, sobretudo, uma casa num monte que continuará alegre, com um pedaço de terra cheio de vida eterna. Deixa figos, deixa uvas, deixa limões, deixa flores, deixa um bosque e deixa a varanda com o céu mais bonito e estrelado, onde agora ela estará, sempre connosco e a olhar por nós. Obrigada por tanto, Mãe.















