Enchemos os dias de horários, programas, corridas, obrigações, pressa. Muitas pessoas, poucas pausas.
E poucas são as pessoas que nos fazem valorizar o tempo e parar. Mas são as mais importantes dos nossos dias.
Depois da pandemia acho que uma coisa melhorou. Os abraços. Passei a cumprimentar as pessoas próximas com abraços. Privámo-nos do toque e agora tocamo-nos mais.
Ainda assim, valorizo agora mais do que nunca os "abraços ficados". Quem dá esses abraços são os nossos pilares. Estes são poucos e maravilhas do mundo. São necessidade básica e deviam ser um direito e um dever de todos.
Ontem abracei a minha filha durante o tempo que senti necessidade. E foi tanto.
Fiquei, fiquei... E ela encaixou e permitiu. Com o abraço ficado, as mãos apertam o outro e aproveitam para dar festinhas nas costas. Há tempo para sentir o cheiro, dizer palavras baixinho cheias de amor, parar. E ficamos ali sem pressa. Que delícia.
Abraço assim o Vasco, os meus irmãos e talvez os amigos mais chegados, mas com menos tempo. O Lucas, adorava, mas ele agora aguenta 2 segundos e foge... Eu fico lá até ele permitir.
Ficar é tão bom. Por isso adoramos ver os nossos filhos dormir. Ficam ali. E nós apreciamos cada bocadinho de amor que ali está, e tocamos na pele e no cabelo e ficamos...
A minha terapeuta diz que nas fases difíceis devemos "apenas garantir os mínimos, tocar-nos a nós próprios e pedir abraços".
Quem quiser é só dizer. São grátis e curam.
Não há nada melhor do que abraços, sobretudo os ficados. Fiquem mais nos vossos. Eu também ficarei.
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