sábado, 15 de abril de 2017

Esta roseira amarela

Uma casa sozinha no campo,
Restos de paredes despidas
Que pessoas, roupas e cheiros
À cozinha e ao estendal deram vida?

O tempo não deixou de passar
De levar o início ao fim
Muitos anos no mesmo lugar
Mas da casa só resta o jardim

Cantigas e conversas ao luar
Gravadas em pedras caladas
Só terra e mato e ar
E memórias ainda embrulhadas

Nem os grilos nem o vento
Conseguem adivinhar
Nem eu quando ali me sento
Só para te observar

Nem o pessegueiro em flor
Que nasceu mesmo à entrada
Me inspira como a cor
Que tu lanças perfumada

Sim, tu, roseira amarela
Pensavas que não ia reparar?
Que vida e gente viveu nela
O que me queres contar?

Foi uma história de amor?
Um livro que eu possa escrever?
Porque és tão elegante?
Porque teimas em florescer?

Amanhã de manhã volto aqui
Trago papel e aguarela
Conta-me o que eu não vi
E eu pinto a casa amarela.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Podias ser tu

Parecias tu com os teus netos, há bocado, na rua.

Parei para ver. Era um homem elegante, cabelo grisalho e ia acompanhado com 4 crianças pequenas.

Podias ser tu e isso fez-me parar e sorrir...
Às vezes imagino como seria.

Há vinte anos a tentar imaginar como seria tudo contigo, ao pé de nós.

Não conheces os teus quatro netos (quase cinco).

Não sabes que o Bernardo se tornou no nosso protetor, num Pai maravilhoso e da princesa mais doce...

Não sabes que a Catarina está mais bonita do que nunca, à espera que nasça o Gaspar. :)
Não sabes como ela gosta de falar de ti ao Sebastião... ias-te rir tanto com ele!

Não sabes que o Lucas herdou o teu charme e a cor dos teus olhos.

Não sabes que a Inês te "desenhou" no postal do dia do Pai, que deram ao Vasco, e disse o teu nome... E que é parecida comigo :)

Não sabes que a Mãe é uma mega Avó, sempre inspiradora e cheia de energia para brincar!

Não sabes que os nossos filhos têm os melhores pais do mundo, a seguir a ti. A sério!

Não sabes que ainda danço, embora não encontre nenhum par como tu.
Que ainda acredito e luto por um mundo bom, mas com um pouco menos de esperança...

Não sabes que estás na minha mesa de cabeceira, no móvel de entrada de minha casa mas, mais importante, estás connosco todos os dias... todinhos.

Temos muitas saudades.