sexta-feira, 6 de julho de 2018

A culpa é da Mãe

Existem 3 coisas que aprendi com a minha Mãe que valorizo muito. Uma delas é que tudo tem uma solução. Outra é que a vida deve ser descomplicada. E outra é que é essencial termos sentido prático para enfrentar, quer as migalhas no sofá, quer os grandes obstáculos da vida. Todas estão ligadas, na verdade...

A minha Mãe ensinou-me isso através do seu exemplo. Agora no papel de Mãe, tento reforçar junto dos meus filhos as mesmas lições, com algumas expressões "semente" que acredito que um dia darão fruto. Como deram a nós os três.

Não sei se dou ou não o melhor exemplo, por isso repito em voz alta algumas destas "lições". Faz aquilo que eu digo e talvez, (nem sempre) aquilo que faço... 

A minha Mãe surpreende os meus filhos (e a nós) quando deixa lá em casa, um pouco de batata doce crua num recipiente com água, da qual, passados poucos dias, nasce uma planta linda que cresce quase debaixo dos nosso olhos. 
Simplicidade e saber fazer muito com pouco. Outra lição.

Momentos como o de ouvir, no outro dia, o Lucas dizer ao Pai "não te preocupes, tudo tem uma solução" foi um momento quase mágico para mim. Foi uma medalha pequena mas importante, porque os dias passam e a sensação que tenho é que a meta está sempre longe e que a mensagem não passa.

No final do dia, quando me sento no sofá, minutos depois de ter ralhado o último "fiquem sossegados, são horas de dormir!", já com os cabelos meio em pé, o que sinto é que falhei montes de vezes.

Nestes momentos percebo porque é que uma Mãe chora facilmente quando vê aqueles vídeos de filhos a falarem delas ou a manifestarem coisas boas. Percebo porque é que me irritam tanto os artigos dos pediatras, psicólogos e pedo-qualquer coisa, sobre os pais que mimam de mais, os pais que ralham de mais, os pais que tudo e que nada.... Não podem apenas escrever sobre "Mãe faz o melhor que pode e isso está certo. Parabéns!", sem moralismos que aumentam ainda mais a culpa e espalham migalhas por todo o lado?! 

O mais difícil de gerir para mim, no papel de Mãe, é a culpa. Mesmo descomplicando, sendo prática e tentando dar bons exemplos, fico sempre frustrada por não conseguir fazer melhor... raios...

"Porque não brinco mais com eles?
Porque não converso mais calmamente quando fazem asneiras e ralho logo?
Porque não valorizo mais as pequenas coisas e ando sempre a correr?"

É sempre a velha questão: Mãe sofre e sente que falha, sempre. 

Por tudo isto, quando sentimos que eles olham para nós com orgulho; quando nos dão desenhos com dois bonecos, lindos na sua imperfeição, com um coração vermelho mal pintado; quando dizem ou escrevem pela primeira vez "gosto de ti" ou quando nos seguem no que somos ou queremos que eles sejam, a sensação é maravilhosa, gratificante, mágica e a culpa encolhe-se toda.

E nestes momentos bons descomplicamos a vida, encontramos uma solução, afastamos as migalhas, sentimos "muito com pouco" e lembramo-nos que somos as melhores Mães do mundo para eles e que a culpa disso é das nossas Mães!