quarta-feira, 27 de junho de 2018

O raio das artes

Dançar, tocar, cantar, escrever letras de músicas são algumas das coisas que estão na minha sombra e que vão, cada vez mais, perdendo a vergonha...

Há muitos anos atrás, nenhuma destas áreas tinha relevância na minha vida. Mãe professora, casa cheia de livros, Pai que tinha dançado e tocava instrumentos, alguma formação em piano, guitarra e dança... mas nenhuma importância consciente.

Nos últimos anos, mesmo sabendo que não sou cantora nem bailarina, descobri que estes prazeres estavam
recalcados e são verdadeiros prazeres!

Houve fases de tuna, coro de igreja, aulas de dança no percurso mas adormeceu tudo ...

Agora começou a dar-me para tocar e cantar para/e com amigos, dançar com motivação de adolescente... e a música (dançada, escrita ou cantada) cresceu e foi assumida, mesmo imperfeita. Percebi como me sinto feliz por praticar sozinha, para mim,  ou partilhar estas "artes", sem nunca me ver como artista e sabendo que não é esse o meu talento. Essa é a piada.

Chegando aos 40, senti que não interessa levar isto a sério, mas interessa sentir-me feliz... enquanto os amigos cantarem comigo!

E depois, "casei" com um músico e a nossa casa enche-se, a pouco e pouco, com instrumentos nossos e de concertos para o nosso mini público que nem sempre gosta de nos aturar... Mas já cantam!

... Porque é que isto acontece?!?
Teoria 1: a maternidade dá-nos muito mas também nos tira muito. E quando os filhos estão a crescer e reaparece o tempo vestido de mendigo, nós queremos renová-lo e dar-lhe sentido, recuperando prazeres que já estavam cheios de pó!

Teoria 2: é só uma crise de meia idade...

... A verdade é que o raio das artes atingiu-me muito pequena, mas está a ter efeito agora. Educar valeu a pena...

Que raio de ideia boa para estar feliz! E que os 40 tragam, com as rugas, mais raios que nos façam sentir mesmo bem!

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