Na semana em que conheci a Lua e Saturno através de um mega telescópio na varanda menos vigiada do país e a poucos dias de completar 43 voltas ao sol, escrevo sobre o espaço. O das emoções.
O nosso coração tem uma dimensão gigante, acredito que infinita, tal como o espaço.
Estudar psicologia fez-me viajar muito neste espaço e aprender sobre um tema que acho especial. Viver a vida fez-me viajar mais ainda.
O nosso espaço é habitado por emoções diferentes, que vão ganhando morada ao longo da nossa pequena vida. Quando perdi o meu pai conheci o "fim do mundo" como me disse um dia a minha irmã ♥️. O meu espaço parecia ter sido invadido por buracos negros grandes demais. Parece que perdemos a luz e não brilhamos nunca mais.
Nestes meses de pandemia morreram várias pessoas próximas de pessoas próximas de mim. Nem vou falar do espaço que a pandemia tira às pessoas na hora do adeus e de como a tristeza ganha à Covid-19 na causa final da morte de tantas que morrem sozinhas...
Disse à Pipa que há muito de bom para viver depois da morte de alguém próximo. A dor ocupa o tal buraco negro e a verdade é que não desaparece nem fica menor porque nos tiram do nosso espaço pessoas que eram atmosfera viva, o nosso ar. Ficamos menos vivos e se não fossem as visitas nos sonhos, nunca mais víamos nem ouvíamos essas pessoas, agora estrelas no nosso céu, um lugar escuro.
Interessa chorar, sempre que quisermos e tenhamos espaço, com o telescópio bem apontado porque nos ajuda a localizar e comunicar com elas.
Mas interessa muito deixar que a felicidade viaje por nós, sem qualquer gravidade. Sermos felizes (muito felizes) é compatível com dores astronómicas. A verdade é que há tanto espaço à volta dessa dor onde podemos ser tão felizes depois, rir tanto, descobrir novos planetas que ainda estão lá para nós, cheios de vida... E esse espaço da felicidade cresce infinitamente, se quisermos.
Estrelas, que vão sendo cada vez mais, ainda nos vêm ao longe a sorrir muito, por muito tempo...
E um dia seremos nós as estrelas e vai ser bom assistir a momentos de felicidade dos nossos planetas cheios de vida.
Aproveitemos esta viagem, que a vida passa à velocidade da luz.
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