(texto de outubro de 2014: Lucas 4 anos, Inês 1 mês)
"Como conduzi eu na ida, agora sentei-me eu atrás. Está a anoitecer e depois de um dia de emoções e encontros, regresso a casa cansada, com sono mas feliz...
Estou sentada no meio deles e procuro ter cada uma das minhas mãos em cima das mãozinhas deles. É tão recente o facto de sermos 4, que a minha preocupação com a segurança deles é muito maior do que aquilo que as minhas mãos conseguem proteger nesta viagem de apenas 1 hora.
De um lado o Lucas, que apesar de crescido, me parece um frágil bebé que precisa de cada milímetro da minha mão para o proteger, acariciar e agarrar, para que nada nem ninguém lhe faça mal, como eu acho que tenho feito nas últimas semanas, por ter voltado inevitavelmente a minha atenção para o novo membro da familía, a Inês, que a minha mão direita não consegue, mas queria agora envolver.
Sensível e nervosa, duas características que explodiram em mim depois de ser Mãe, agora de dois filhos.
Sofre-se e ama-se em doses iguais e as minhas mãos queriam ser grandes, gigantes, como o meu coração passou a ser desde que o meu mundo parou nos minutos em que vocês nasceram.
Estamos quase a chegar e só consigo estar tranquila porque a vossa expressão de tranquilidade a dormir me faz crer que as minhas mãos podem não ser grandes, mas já são mãos de Mãe. Amo-vos e só vos quero bem."
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