Um dos assuntos que me deixam empolgada e que adoro debater é a felicidade.
Várias ideias vivem em mim agitadas sobre o que significa ser feliz e quais os fatores que, na minha opinião, nos levam a este estado "obrigatório" nesta breve vida na terra...
Parece-me muitas vezes que a ideia mais comum associa felicidade a uma gaveta que arruma tudo direitinho, pondo lado a lado:
- um país desenvolvido onde tenho acesso a cultura, saúde e educação
- estabilidade emocional e familiar
- organização e harmonia
- dinheiro e um curso superior
- valores e um pensamento mais inclinado para o racional
Até aqui, esta parece uma gaveta perfeita e lógica. Aqui encaixaria aquela pessoa que chega ao fim do dia a casa, deixou secretária impecável no trabalho, tem tudo planeado e previsto em casa, jantar guardado em caixas com etiquetas dizendo o dia a que correspondem, tudo tem sítio, ordem e a felicidade existe!
Pois eu gostava de desarrumar um pouco esta pessoa e esta gaveta e acrescentar algumas peças que fazem da vida, a meu ver, uma gaveta ainda mais feliz e completa:
- desafios e obstáculos com desfecho que nos cabe a nós resolver
- gargalhadas, música e comida picante feita sem receita
- enganos no caminho para o trabalho, férias sem destino e jantares com amigos marcados de um dia para o outro
- terra rica em alimentos, com árvores que possam ser trepadas
- esplanadas com sol, liberdade e chinelos com areia
- valores e pensamento mais inclinado para o emotivo.
Agora sim, uma gaveta maior, colorida que, não estando arrumada por cores, está com um ar confortável e muito feliz!
Se olhar o mundo com distância, consigo encaixar o Norte "desenvolvido", frio e civilizado na gaveta 1 e o Sul quente e que fala alto, na gaveta 2. Claro que não escolheria uma só gaveta, não é de fundamentalismo nem de utopias que escrevo. Escolho uma gaveta 1+2. :)
Sublinho apenas que a vida é bem boa quando não é uma estrada em linha reta, mas um caminho que inclui curvas, paragens e imprevistos.
Pegava na mão do senhor das etiquetas e desafiava-o a descobrir ruas novas sem querer, levantar o olhar para ver o topo do seu prédio, vestir as calças de ganga por cima das do pijama, subir para cima da mesa da sala para a ver noutra perspectiva e experimentar sempre iogurtes novos!
Adoro e sigo como exemplo o desenvolvimento dos países nórdicos mas é no desenvolvimento humano e artístico dos países menos ricos que me inspiro para arrumar as minhas gavetas.
SEJAMOS FELIZES!
(nota para quem me lê até ao fim: parece que podemos ter algum livro editado em breve <3 FELIZ!)
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