terça-feira, 6 de outubro de 2015

Não é só cor-de-rosa

E se o tempo parasse e eu pudesse ficar só a olhar para ti...

Se eu pudesse ficar muito tempo a passar a minha mão na tua cabeça, a sentir os teus cabelos bebés, quando posas a cabeça no sofá, a fingir que fazes ó-ó. És tão doce.

Queria estar menos cansada, quando à noite só queres colo e, por isso, choras muito e alto, e eu, em vez de me sentar no chão do teu quarto e ficarmos as duas às escuras abraçadas a trocar mimos, canso-me do choro e tenho pressa para fazer coisas e mais coisas para depois me poder sentar, porque com tantas coisas que tenho na cabeça é isso que considero prioritário…

Se, em vez de correr para chegar cedo à escola do mano, cedo à tua escola, cedo ao trabalho do pai e cedo ao meu trabalho, eu pudesse esquecer todos e tudo à minha volta e ficar contigo em casa, ao colo, de pijama, as duas despenteadas só a olhar a janela, e eu a ver-te a encolher o ombro e a apontares para todo o lado, com o teu dedo tão pequenino…

Fiquei eu de te apresentar e dar ao mundo e parece que não tenho tempo.

Pudesse eu escrever estas palavras sem sentir uma enorme culpa e sem que as lágrimas me escorram pela cara.

Eu sei bem que tu e o mano são o mais importante, que posso parar se quiser, que tudo o resto é relativo, que posso deixar por fazer o que não é importante, sei perfeitamente que o que quero é estar mais perto de vocês.

Mas quando escolho ficar com vocês e ponho de lado outras responsabilidades, deixo coisas por tratar, arrumar e paro porque vos prefiro... não consigo só brincar, só permitir, só estar… ralho, corro, estico os vários braços para apanhar coisas do chão, ao mesmo tempo que digo “sim, estou a ver”, e ainda arrumo loiça, arrumo casacos, lavo a chucha e encho um balão para vocês. Poucas vezes há silêncio, tempo, nada, ninguém e só vocês.

E neste nosso mundo, tu és a segunda, já encaixaste no meio de outros livros que havia na prateleira, já não tens tanto espaço para te mostrares e para nos chamares. Sinto que não te consigo puxar para mim, tanto quanto queria. Felizmente o amor multiplica-se facilmente e não implica tempo nem espaço para existir para ti. Ele é igual e muito.

Para enxugar as lágrimas, penso que também sou a segunda e o Pai também. E que afinal, a verdade é que mesmo com o mano também chorava, porque fazia metade do que queria… 
Sem lágrimas, resta-me prometer que vou (estou a) tentar estar mais tempo ao pé de ti e do mano, só para vocês. 

Mãe é muita coisa. E Mãe não são só boas coisas. Mãe tenta e quer muito, mas faz metade do que gostaria, sempre… se calhar é isto.  



2 comentários:

  1. De facto faz falta tempo (de qualidade) com eles. Fará sempre falta mais! Temos o modo "apressado" demasiado entranhado em nós...
    Mas Mãe é mta coisa boa e não tenhas dúvidas que tu és todas elas...

    ResponderEliminar
  2. <3 Obrigada querido! Igualmente para ti!!!!

    ResponderEliminar