segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Sobre montanhas, birras e monstros

Sou só eu que sinto que estamos no meio de um furacão de energia negativa e problemas?!

Vou arriscar-me a usar este cantinho e tentar compor uns pensamentos positivos, nestes dias tão tensos.

Tenho lido muitas coisas más nestes dias, há tensão por todo o lado, não me lembro de tanta, antes.

Dou por mim meio apática, sem energia nem esperança nem nada...

O que me acalma e me faz recuperar o foco, são as palavras calmas e de união que leio. Só essas.

A COVID já estava sozinha a fazer o estardalhaço necessário. O desemprego, as discórdias numa fase em que todas as decisões são incómodas e difíceis. A falta de liberdade, o cansaço, o receio, também já estavam a conseguir tornar este monte de problemas numa montanha que já fazia demasiada sombra sobre nós.

Agora a política. As ameaças, o pó que sai debaixo do tapete (mas que estava lá) veio para todos termos reações diferentes. Eu, alergia. Uns a gostar, muitos a temer. Assustador, mas sobretudo porque nos está a colocar uns contra os outros de uma forma ainda mais acentuada, pelo estado emocional em que estamos. 

Uns mal, outros bem pior. Ninguém bem. A montanha virou serra. 

Tal como foram palavras agressivas e carregadas de raiva e ódio que li, que me fizeram sentir receio, bloqueio e tensão, também foram palavras, as de apelo, de orientação, de foco, que me ajudaram a respirar e voltar a ter esperança e a saber retomar o caminho. O nosso poder e o poder das palavras, para nos unir e para nos separar.

Foi com estas palavras que me enxerguei que tenho que me focar mais no todo, e menos no eu. Quando erro, penso mal. Mas não foi com as palavras agressivas, acusadoras, que nos dividem, que quis fazer mais e melhor. Até porque quanto mais repetimos as de agressividade, raiva e ódio, mais elas ganham força, creio eu, o que não conduz a lado nenhum. 

Foi com a chamada à razão e ao coletivo, que tanto defendo. Só por isso escrevo. 

Estamos todos mal, sabemos que uns bem piores que os outros, mas podemos ficar ainda pior. 

Sobre a COVID, os números, o segundo lugar no mundo, os hospitais esgotados, médicos a chorar... pensemos que estamos no fim do caminho deste pesadelo. Um pesadelo dos verdadeiros, daqueles em que estamos acordados. Estamos quase a chegar ao fim deste. E não pode ser agora que corre pior. 

É um esforço (mais um) ......... é horrível, já não há energia, mas é em cada um de nós que está o fim disto. O fim desta história escrevemos nós. Quase todos. 

Sabemos que uns nem querem saber nem fazer parte. Será sempre assim. E muitos têm vidas que não imaginamos e que levam a essa "não pertença" a nada... Não é bom para nenhum lado.

Mas os que acreditam e sentem algum poder para agir, que o façam, por todos, e o façam sabendo que somos muitos, mesmo assim. 

No final é uma luta à séria contra um bicho que se tornou um monstro e teima em crescer na nossa direção. Ele está quase a cair, já sabemos como o derrubar. Não deixemos que, agora que ele está já quase no chão, ainda a mexer muito, nos ganhe. 

Sabem aquelas birras gigantes que os nossos filhos fazem que nos tiram do sério, naqueles dias em que estamos tão cansados e em baixo, a razão já não fala e sabemos que o motivo é só sono?! 

Sinto que estamos naquele momento em que o nosso corpo não aguenta ouvir o longo choro, nem conseguimos ver o fim àquilo... E tantas vezes que isto nos acontece e não sabemos o que fazer...

Quer dizer, no fundo sabemos que é só preciso aguentar, deixá-los despejar o sofrimento, contarmos até 50, contrariar o nosso sofrimento e frustração por não conseguirmos travar o problema. Sabemos que, se aguentarmos, ele adormece e passa. Se reagirmos ele vai chorar muito mais e não se resolve nada. 

Acho que este aguentar, neste filme covidiano, é ficar em casa. Deixar chorar, é respeitar que o problema existe e devemos só manter a calma, quietos a pensar em todos, para ele passar. No fim, se todos aguentarmos, ele cai e adormece e amanhã está tudo bem. Se fosse a primeira birra não sabíamos o seu fim. Mas de birras foram feitos os últimos meses e já sabemos como as controlar. Infelizmente.

Sobre as opiniões, temos que as dar. Mas mais que tudo, temos que agir, a meu ver, votando. E dizer alto aquilo em que acreditamos, não aquilo que combatemos. Repetir as palavras certas e não as erradas, fazer ecoar o que para nós, está certo. Lembrar que face ao desagrado e revolta, as opções são muitas. Há alternativas suficientes para manifestarmos opiniões diferentes, até votando em branco.

Acredito que, apesar das nossas falhas, fraquezas, (tantas) angústias e medos, somos capazes de lidar com birras, montanhas e monstros. E, no fim, quando tudo passar, podermos olhar para traz e ficarmos bem com o que conseguimos e decidimos fazer, juntos.





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