Vivemos dias difíceis, às vezes. Daqueles dias em que dormir é difícil, acordar também e os minutos parecem elefantes a passar.
Tive um desses, há uns meses. Dia de decisões pesadas (neste caso, boas e opcionais), daquelas conversas que temos que ter e onde cada palavra cobra uma taxa de sofrimento raro.
Escrevi antes o que queria dizer, pensei, quase desesperei e tive que dizer baixinho: "força" para não explodir em cacos que andavam a estalar há dias.
Foi um dia que teve dezenas de horas, talvez centenas. Que começou ainda de noite com mais uma mala feita, uma porta que fecho devagar, depois do melhor abraço de "boa sorte para hoje", palavras boas de quem acredita comigo.
Passou-se. Lutou-se. Ultrapassou-se.
Não queria ganhar. Só queria que ninguém perdesse.
No fim de um dia destes, só queria descansar e cortar as cordas que me prenderam semanas a fio.
À noite, de longe, falei com os meus filhos por vídeo-chamada. Desta vez, ela chorou com saudades, pequenina. Ele estava bem, já se habituou. Tentei disfarçar e desligámos mas sofri, sofro sempre.
E mesmo antes de dormir (em modo "mãe de trapos") vejo que o Lucas, que anda na fase de me abraçar e de responder mal com voz alta, me tinha escrito pela primeira vez uma mensagem através do telemóvel do pai. Talvez soubesse e percebesse tudo...
"És a mãe melhor do mundo. Adorote"
Chorei. Respondi e agradeci. O meu filho é tímido. É sensível e incrível apesar de tudo o que traz um rapazola, de desafiante.
Nós nem sempre sabemos que somos as melhores e que eles nos adoram... apesar de óbvio.
E quando estamos no chão, como os trapos (felizes, porque também somos corajosas e fortes no chão) e eles nos devolvem amor em palavras bonitas e verdadeiras, tudo fica bem e tudo está certo, até a palavra "adorote".
Obrigada filho. Eu "adorote" igualmente.

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