sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Organizando o coração

Ser Mãe é ter o coração a transbordar, e organizações diárias, para sempre.

O coração transborda tanto de amor como de novos sofrimentos e preocupações.

Ele transborda, logo para começar, na gravidez e parto. 
Transborda depois diariamente de ternura, novas palavras e expressões, abraços de braços pequeninos que sabem a um monte de chantilly gigante! 

O coração enche-se de olhares puros, de partilhas ultra valiosas, de toque bom entre pele que é toda nossa, de etapas bem sucedidas, de emoções novas e desconhecidas, de lágrimas de amor, dos sorrisos mais doces!

Ele transborda também de sofrimentos novos. Ai quando eles caiem, ou parece que vão cair! Quando começam a correr para a estrada, sem olhar... ai!! Quando deixamos de os ver, quando não respondem, quando o médico faz pausas para nos dar feedback sobre aqueles sintomas que nos doem também a nós. As dores do que está para vir, do crescer, do futuro, do mundo duvidoso que parece não evoluir... 

O coração da Mãe é um coração inevitavelmente gigante, feliz e apertado… sempre.

Agora a organização, e a falta dela, as novas e muitas rotinas e os braços, a memória e o cérebro, que parecem não chegar… 

As gavetas e caixas que nunca são suficientes (roupa e brinquedos num constante milagre da multiplicação!), parecem ter vida própria e mais dinâmica que eu durante aquela hora da manhã quando nos preparamos para sair, os 4.

São vários níveis e tipos de organização que temos que conseguir gerir, felizmente a dois. 

Conjugar dias de consultas, nomes de médicos, reuniões na escola, decorar os dias de pagar excursões, dias de lavar a bata e lençóis, assinar autorizações, pedir dietas, pedir ganchos, levar fraldas, dodots, ou fraldas e dodots. 

Dias de constipações, de frio e de calor. Dias de pagar à Nossa Senhora da Limpeza (uma santa, entenda-se), de pagar tudo o resto que também se multiplica miraculosamente, dia de anotar algures na memória que sobra, o que falta no frigorífico, casa-de-banho, o que falta nas “vivas gavetas”. 

Acabou-se o champô deles e o meu amaciador ("regista!" digo eu para mim), a pasta de dentes está quase, os ténis dele estão a ficar pequenos, ela não tem luvas para este frio, falta fruta e mais fruta, o detergente da máquina da roupa está nas últimas, já não o posso ver com aquele casaco... 

E, chato, nunca nos sentimos organizadas nem a cumprir o desafio. Não há chegada à meta nem bola verde para o nosso comportamento.   

E porque as Mães trabalham noutro local - também, os desafios ainda vão a meio: falta gerir projetos, equipas, decisões, planos, orçamentos, estratégias, horários, emoções e objetivos e tudo e mais alguma coisa que tenho que fazer … porque também me enche o coração.

Respeito as Mães. Não sabia que era esta a velocidade a que se “andava”!!!

Continua... O jantar para hoje?! Tenho que fazer comida saudável, variar, equilibrar o bom e o gostoso e gozar o momento à mesa, onde gostamos de conversar, ouvir música e disparatar. À mesa preciso de olhar para os 3 por um bocado e preciso de confirmar que está tudo com boa cor e o trabalho tem sido bem feito. 

Depois (energia precisa-se!) brincamos, acarinhamos, ouvimos, ensinamos e aprendemos ... porque afinal é por isso que somos Pais. Tentamos sorrir quando o cansaço aperta e temos que organizar ficheiros "pijama", "dentes", "chichi", "soro+assoar", "história" e "beijinho+música".

Objetivo: sentar no sofá 30 minutos antes de deixar cair a cabeça para a esquerda, sem lá estar nenhuma almofada para amparar. Isto porque antes aconteceu um semestre de coisas, num dia só. 

E à noite? Parece que tudo acaba... Não. Mas não entrarei em detalhe.

E tudo isto acelera quando há febres, tosses e noites menos boas, em dose dupla. Quando eu deixo de ser eu e o coração se desorganiza. Quando eu tenho menos vontade de brincar, de rir, de cozinhar, de gerir, de planear. Quando ralho mais do que falo, já nem a mim posso ouvir, e esta energia se contagia em casa... Não tenho tempo nem espaço para fazer as minhas birras e chorar, sinto-me sempre a queixar, respondo mal, estou irritada. Sou eu, mas não sou eu. “Não tenho que ser perfeita”, “faz parte”, “pede ajuda” existem na minha mente mas não resolvem tudo…
E neste andamento tenho que manter a máquina a funcionar (quase) igual, ter boa cara, acalmar os filhos, dar colo, lembrar horários de toma de remédios e ao mesmo tempo a lista para o supermercado, etc etc. 

(Desabafo concluído: Obrigada:)

O que me apetece dizer a Mães sozinhas ou Mães de 3, 4 ou mais: Palmas! Incrível!!!!!!!!!!!!!!!

E a quem quer ser Mãe: Ainda assim é, sem dúvida, a melhor coisa do mundo e preparem o coração, pois ainda está por organizar <3

7 comentários:

  1. Palmas para ti amigona <3

    ResponderEliminar
  2. Se conseguiste escrever isso tudo, desabafar dessa maneira tão tua e ainda fazer-me rir a imaginar-te nessa azafama maluca, mas sempre bonita, com um sorriso e pronta a planear o próximo desafio, é porque continuas a ser tu mesma. A maior, que eu tanto admiro e a quem, se pudesse agora, dava um beijinho e um abraço do tamanho da amizade que tenho por ti.

    ResponderEliminar
  3. <3 desarmaste me amiga!

    ResponderEliminar
  4. Adorei!! Que forma bonita de descrever tudo! É isto mesmo ;) beijinho Joana

    ResponderEliminar
  5. Adorei!! Que forma bonita de descrever tudo! É isto mesmo ;) beijinho Joana

    ResponderEliminar
  6. Obrigada Silvia <3 beijinho !!

    ResponderEliminar